Flávio
Bolsonaro representa o perigo das milícias no poder
O
Brasil atravessa um momento decisivo. A democracia, conquistada com suor e
sangue, enfrenta uma ameaça concreta: a possibilidade de que o crime
organizado, por meio da candidatura de Flávio Bolsonaro, alcance o poder máximo
da República. Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma batalha
pela sobrevivência das instituições democráticas e pela segurança da população.
Vamos aos fatos.
>>>
1. A trajetória de Flávio Bolsonaro e sua ligação com milicianos
Flávio
Bolsonaro, ao longo de sua carreira política, construiu uma rede de relações
perigosas com figuras centrais das milícias do Rio de Janeiro.
• Capitão Adriano da Nóbrega: assassino e
chefe do Escritório do Crime, foi homenageado duas vezes por Flávio na ALERJ,
recebendo inclusive a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria concedida pela
Casa. Sua esposa e sua mãe foram empregadas no gabinete de Flávio, mesmo com o
conhecimento público de seu envolvimento no crime.
• Ronie Lessa e Élcio de Queiroz: ambos
envolvidos no assassinato de Marielle Franco, mantinham proximidade com a
família Bolsonaro.
• Os PMs Edson Alexandre e Major Ronald:
também homenageados por Flávio, apesar de seu histórico de crimes graves,
incluindo assassinatos e ocultação de cadáver.
Esses
casos não são isolados. Revelam um padrão sistemático de apoio, proteção e
convivência com criminosos.
Relação
que persiste no tempo, reportagens recentes expõem e confirmam que Flávio
Bolsonaro destinou emendas parlamentares a entidades ligadas a milicianos
condenados pelo assassinato de Marielle Franco, reforçando um histórico de
homenagens e vínculos com figuras do crime organizado. Flávio Bolsonaro
destinou R$ 200 mil em emendas ao Instituto de Formação Profissional José
Carlos Procópio (Ifop), em 2023, após pedido direto de Robson Calixto
(“Peixe”), miliciano condenado pelo STF por participação no assassinato de
Marielle Franco e Anderson Gomes. Conversas entre Calixto e assessores de
Flávio mostram proximidade e negociação direta para liberação da verba. A PF
investiga desvio de recursos e lavagem de dinheiro; além disso, a política
armamentista de Jair Bolsonaro foi considerada pelo STF como facilitadora do
desvio de armas para facções e milícias.
>>>
2. O fortalecimento das milícias durante o bolsonarismo
Em
entrevista à BBC em 2008, Jair Bolsonaro declarou: “Elas (milícias) oferecem
ordem e disciplina nas comunidades. O governo deveria apoiá-los e no futuro
legalizá-los”. Essa frase não foi apenas uma opinião, foi a manifestação
expressa de um projeto político.
Durante
o governo Jair Bolsonaro, houve uma explosão no número de CACs (Colecionadores,
Atiradores e Caçadores):
• Em 2018: 117 mil CACs.
• Em 2022: mais de 783 mil CACs.
O
arsenal saltou de 350 mil armas para mais de 1 milhão.
Essas
medidas abriram caminho para que facções criminosas e milícias adquirissem
armas e munições de forma legal, ampliando seu poder bélico e sua capacidade de
intimidação. Ronie Lessa, um dos assassinatos de Marielle, era CAC.
>>>
3. O impacto social e democrático
A
promiscuidade entre políticos e milicianos não é apenas um problema ético: é
uma ameaça direta à vida da população.
As
milícias controlam territórios, exploram moradores com taxas ilegais e atuam
como máfias locais. Com acesso facilitado a armas, ampliam sua capacidade de
violência e de domínio sobre comunidades inteiras. A política de liberação de
armas e munições de Jair Bolsonaro ajudou a armar o crime organizado.
A
entrada de representantes ligados às milícias no poder significa
institucionalizar o crime organizado, transformando o Estado em cúmplice da
violência.
O
assassinato de Marielle Franco é o símbolo mais doloroso dessa realidade: uma
parlamentar executada por denunciar os abusos das milícias. A proximidade dos
assassinatos com a família Bolsonaro não pode ser ignorada.
>>>
4. O futuro em risco
Flávio
Bolsonaro presidente significa:
• Milícia no poder: a legitimação de
grupos criminosos como atores políticos.
• Armas nas mãos do crime: continuidade da
política armamentista que fortalece facções e milícias.
• Democracia fragilizada: instituições
capturadas por interesses criminosos.
• Segurança pública destruída: o Estado se
tornando cúmplice da violência, em vez de combatê-la.
Nós,
cidadãos conscientes, não podemos permitir que o Brasil seja governado por quem
tem promiscuidade com assassinos e milicianos. O futuro da democracia e da
segurança pública depende de barrarmos esse projeto criminoso.
Flávio
Bolsonaro presidente significa milícia no poder. O Brasil não pode aceitar
isso.
• Associação de Flávio Bolsonaro a Vorcaro
e milícias pode levar Lula à vitória, aponta especialista
O
desgaste gerado pelas denúncias que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL) e
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, somado às suas ligações com milícias
no Rio de Janeiro, figura como o principal obstáculo para o crescimento do
parlamentar na reta final da eleição presidencial e pode abrir caminho para a
vitória do presidente Lula, aponta o cientista político, professor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Observatório
Político e Eleitoral (OPEL), Josué Medeiros, em artigo publicado na newsletter
Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn.
Faltando
apenas sete dias para o pleito, a disputa presidencial permanece aberta e
altamente competitiva, apresentando cenários de empate técnico no segundo turno
segundo os levantamentos mais recentes dos institutos de pesquisa. Na avaliação
de Medeiros, o Brasil se aproxima de um momento decisivo em que escolherá entre
viabilizar o projeto de um país democrático, justo, solidário, sustentável e
soberano ou mergulhar no abismo da extrema-direita.
Caso o
candidato da oposição saia vitorioso, o especialista alerta que Flávio
Bolsonaro contará com maioria no Congresso Nacional e poderá indicar quatro
ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que eliminaria os freios
institucionais e permitiria a implementação do projeto bolsonarista. O
cientista político adverte ainda para os riscos de um alinhamento
subalternizado ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos, da intensificação
da militarização do território e da entrega de riquezas estratégicas nacionais,
representando uma ameaça aos direitos sociais, às instituições democráticas,
aos biomas e à soberania.
<><>
Polarização consolidada e teto eleitoral
A
partir de análises e pesquisas que o OPEL vem realizando desde 2022, Medeiros
aponta que a consolidação da polarização entre Lula e Bolsonaro, combinada com
a ausência de candidaturas de terceira via competitivas, fez com que o
eleitorado antecipasse a decisão de segundo turno, em que a escolha se dá tanto
pela adesão a um candidato quanto pela rejeição ao adversário. Nesse contexto,
o crescimento de Flávio Bolsonaro ao longo da disputa já era previsto, contudo
esbarra em um teto eleitoral próximo aos 42% dos votos válidos obtidos por seu
pai, Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022, devido aos seus elevados
índices de rejeição.
O
levantamento conduzido por Medeiros e pela cientista política Mariana Castro,
que envolveu a realização de 80 grupos focais presenciais em 13 capitais
brasileiras entre abril e junho de 2026, identificou um fenômeno batizado de
sentimento antissistema difuso. Essa insatisfação generalizada com a classe
política e com os governantes atinge a maioria da população e decorre de
problemas concretos do cotidiano, como a mobilidade urbana, os impactos dos
eventos climáticos extremos, a segurança pública e as dificuldades econômicas.
Esse
sentimento difuso diferencia-se do sentimento antissistema bolsonarista, que é
promovido pela extrema-direita por meio de ataques diretos ao STF, às
universidades e à imprensa, alcançando apenas a sua base eleitoral mais fiel.
No entanto, por voltar-se contra todos os governantes e políticos vistos como
privilegiados, o sentimento antissistema difuso ajuda a explicar a dificuldade
do governo Lula em converter os resultados de sua gestão em índices mais altos
de popularidade.
<><>
Resiliência de Lula e o impacto das novas pautas
Apesar
do movimento pendular da campanha e da percepção criada no debate público sobre
o crescimento de Flávio Bolsonaro — especialmente entre janeiro e maio de 2026
e a partir do início formal da propaganda eleitoral em 16 de agosto —, o
presidente Lula demonstrou forte resiliência eleitoral. Mesmo em momentos
críticos, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o STF,
em 29 de abril de 2026, e os episódios associados à alegada tentativa de golpe
eleitoral atribuída a André Mendonça, em 4 de setembro de 2026, Lula manteve a
liderança da disputa e um patamar próximo de 40% dos votos válidos.
A
sustentação da candidatura de Lula se apoia no seu carisma, na memória de seus
mandatos anteriores e nos efeitos das ações da atual gestão. Rebatendo a tese
de que o terceiro mandato do presidente não possui marcas novas, Medeiros
destaca a recepção das políticas recentes junto à população: “o que encontramos
em nossos 80 grupos focais é uma realidade diferente: as pessoas valorizam
políticas recentes, como o Pé-de-Meia e o Desenrola”.
Além
disso, a postura firme do presidente diante do tarifaço imposto por Donald
Trump também encontrou ressonância positiva nos grupos focais.
<><>
Três agendas decisivas na reta final
Para
furar o sentimento antissistema difuso e alterar a dinâmica eleitoral em favor
de Lula na semana final da campanha, o coordenador do OPEL elenca três pautas
cruciais:
1. Denúncias sobre Flávio Bolsonaro e Daniel
Vorcaro: Áudios e mensagens que mostram Flávio Bolsonaro negociando com Daniel
Vorcaro, então proprietário do Banco Master, o financiamento de US$ 24 milhões
(cerca de R$ 134 milhões à época, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões
teriam sido repassados) para a produção de um filme sobre seu pai tiveram forte
impacto nos grupos focais e erodiram a capacidade de Flávio de explorar o
discurso anticorrupção, somando-se às rejeições motivadas por suas ligações com
as milícias, o histórico de oposição às vacinas, o alinhamento com os Estados
Unidos e suas posições sobre o meio ambiente.
2. Fim da escala 6×1 sem redução salarial:
Com amplo apoio espontâneo registrado nas pesquisas qualitativas, inclusive
entre trabalhadores não regidos pela CLT, a proposta de redução da jornada de
trabalho é valorizada pelo ganho de tempo livre para a família, capacitação
profissional e cuidados com a saúde. A aprovação da matéria na Câmara dos
Deputados e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado impulsionou a
agenda de Lula.
3. Combate às apostas eletrônicas (bets): A
rejeição às apostas eletrônicas revelou-se majoritária devido ao endividamento
das famílias, aos problemas de saúde mental e aos episódios de destruição
familiar provocados pelo vício. A edição de uma Medida Provisória proibindo as
bets é apontada como uma medida de forte apelo eleitoral.
<><>
A disputa pelos indecisos e os segmentos estratégicos
Com
Lula retomando o comando da agenda política e registrando crescimento nas
pesquisas da Quaest, divulgada em 21 de setembro, e do Datafolha, publicado em
24 de setembro, a mobilização da última semana foca em recortes decisivos. O
crescimento entre o eleitorado feminino coincide com a pauta de combate às bets
e o desgaste de Flávio Bolsonaro. As periferias urbanas e favelas, que
concentram grande parte dos afetados pelo sentimento antissistema difuso e
sofrem com gargalos de transporte, clima e violência, também figuram como
prioridade de diálogo.
Por
fim, a disputa pelos eleitores indecisos, que representam entre 5% e 10% do
total e tendem a decidir o voto pela rejeição na lógica do “menos pior”,
exigirá a centralidade de temas como o risco da expansão nacional das milícias
associado a Flávio Bolsonaro, as investigações do STF sobre os repasses do
Banco Master, a defesa da soberania e do orgulho nacional frente à
subalternidade a Donald Trump, a lembrança do negacionismo vacinal na pandemia
da Covid-19 e a memória da destruição ambiental da Amazônia durante a gestão
anterior.
Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário