terça-feira, 29 de setembro de 2026

Flávio Bolsonaro representa o perigo das milícias no poder

O Brasil atravessa um momento decisivo. A democracia, conquistada com suor e sangue, enfrenta uma ameaça concreta: a possibilidade de que o crime organizado, por meio da candidatura de Flávio Bolsonaro, alcance o poder máximo da República. Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma batalha pela sobrevivência das instituições democráticas e pela segurança da população. Vamos aos fatos.

>>> 1. A trajetória de Flávio Bolsonaro e sua ligação com milicianos

Flávio Bolsonaro, ao longo de sua carreira política, construiu uma rede de relações perigosas com figuras centrais das milícias do Rio de Janeiro.

•        Capitão Adriano da Nóbrega: assassino e chefe do Escritório do Crime, foi homenageado duas vezes por Flávio na ALERJ, recebendo inclusive a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria concedida pela Casa. Sua esposa e sua mãe foram empregadas no gabinete de Flávio, mesmo com o conhecimento público de seu envolvimento no crime.

•        Ronie Lessa e Élcio de Queiroz: ambos envolvidos no assassinato de Marielle Franco, mantinham proximidade com a família Bolsonaro.

•        Os PMs Edson Alexandre e Major Ronald: também homenageados por Flávio, apesar de seu histórico de crimes graves, incluindo assassinatos e ocultação de cadáver.

Esses casos não são isolados. Revelam um padrão sistemático de apoio, proteção e convivência com criminosos.

Relação que persiste no tempo, reportagens recentes expõem e confirmam que Flávio Bolsonaro destinou emendas parlamentares a entidades ligadas a milicianos condenados pelo assassinato de Marielle Franco, reforçando um histórico de homenagens e vínculos com figuras do crime organizado. Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em emendas ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), em 2023, após pedido direto de Robson Calixto (“Peixe”), miliciano condenado pelo STF por participação no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Conversas entre Calixto e assessores de Flávio mostram proximidade e negociação direta para liberação da verba. A PF investiga desvio de recursos e lavagem de dinheiro; além disso, a política armamentista de Jair Bolsonaro foi considerada pelo STF como facilitadora do desvio de armas para facções e milícias.

>>> 2. O fortalecimento das milícias durante o bolsonarismo

Em entrevista à BBC em 2008, Jair Bolsonaro declarou: “Elas (milícias) oferecem ordem e disciplina nas comunidades. O governo deveria apoiá-los e no futuro legalizá-los”. Essa frase não foi apenas uma opinião, foi a manifestação expressa de um projeto político.

Durante o governo Jair Bolsonaro, houve uma explosão no número de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores):

•        Em 2018: 117 mil CACs.

•        Em 2022: mais de 783 mil CACs.

O arsenal saltou de 350 mil armas para mais de 1 milhão.

Essas medidas abriram caminho para que facções criminosas e milícias adquirissem armas e munições de forma legal, ampliando seu poder bélico e sua capacidade de intimidação. Ronie Lessa, um dos assassinatos de Marielle, era CAC.

>>> 3. O impacto social e democrático

A promiscuidade entre políticos e milicianos não é apenas um problema ético: é uma ameaça direta à vida da população.

As milícias controlam territórios, exploram moradores com taxas ilegais e atuam como máfias locais. Com acesso facilitado a armas, ampliam sua capacidade de violência e de domínio sobre comunidades inteiras. A política de liberação de armas e munições de Jair Bolsonaro ajudou a armar o crime organizado.

A entrada de representantes ligados às milícias no poder significa institucionalizar o crime organizado, transformando o Estado em cúmplice da violência.

O assassinato de Marielle Franco é o símbolo mais doloroso dessa realidade: uma parlamentar executada por denunciar os abusos das milícias. A proximidade dos assassinatos com a família Bolsonaro não pode ser ignorada.

>>> 4. O futuro em risco

Flávio Bolsonaro presidente significa:

•        Milícia no poder: a legitimação de grupos criminosos como atores políticos.

•        Armas nas mãos do crime: continuidade da política armamentista que fortalece facções e milícias.

•        Democracia fragilizada: instituições capturadas por interesses criminosos.

•        Segurança pública destruída: o Estado se tornando cúmplice da violência, em vez de combatê-la.

Nós, cidadãos conscientes, não podemos permitir que o Brasil seja governado por quem tem promiscuidade com assassinos e milicianos. O futuro da democracia e da segurança pública depende de barrarmos esse projeto criminoso.

Flávio Bolsonaro presidente significa milícia no poder. O Brasil não pode aceitar isso.

•        Associação de Flávio Bolsonaro a Vorcaro e milícias pode levar Lula à vitória, aponta especialista

O desgaste gerado pelas denúncias que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, somado às suas ligações com milícias no Rio de Janeiro, figura como o principal obstáculo para o crescimento do parlamentar na reta final da eleição presidencial e pode abrir caminho para a vitória do presidente Lula, aponta o cientista político, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Observatório Político e Eleitoral (OPEL), Josué Medeiros, em artigo publicado na newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn.

Faltando apenas sete dias para o pleito, a disputa presidencial permanece aberta e altamente competitiva, apresentando cenários de empate técnico no segundo turno segundo os levantamentos mais recentes dos institutos de pesquisa. Na avaliação de Medeiros, o Brasil se aproxima de um momento decisivo em que escolherá entre viabilizar o projeto de um país democrático, justo, solidário, sustentável e soberano ou mergulhar no abismo da extrema-direita.

Caso o candidato da oposição saia vitorioso, o especialista alerta que Flávio Bolsonaro contará com maioria no Congresso Nacional e poderá indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que eliminaria os freios institucionais e permitiria a implementação do projeto bolsonarista. O cientista político adverte ainda para os riscos de um alinhamento subalternizado ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos, da intensificação da militarização do território e da entrega de riquezas estratégicas nacionais, representando uma ameaça aos direitos sociais, às instituições democráticas, aos biomas e à soberania.

<><> Polarização consolidada e teto eleitoral

A partir de análises e pesquisas que o OPEL vem realizando desde 2022, Medeiros aponta que a consolidação da polarização entre Lula e Bolsonaro, combinada com a ausência de candidaturas de terceira via competitivas, fez com que o eleitorado antecipasse a decisão de segundo turno, em que a escolha se dá tanto pela adesão a um candidato quanto pela rejeição ao adversário. Nesse contexto, o crescimento de Flávio Bolsonaro ao longo da disputa já era previsto, contudo esbarra em um teto eleitoral próximo aos 42% dos votos válidos obtidos por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022, devido aos seus elevados índices de rejeição.

O levantamento conduzido por Medeiros e pela cientista política Mariana Castro, que envolveu a realização de 80 grupos focais presenciais em 13 capitais brasileiras entre abril e junho de 2026, identificou um fenômeno batizado de sentimento antissistema difuso. Essa insatisfação generalizada com a classe política e com os governantes atinge a maioria da população e decorre de problemas concretos do cotidiano, como a mobilidade urbana, os impactos dos eventos climáticos extremos, a segurança pública e as dificuldades econômicas.

Esse sentimento difuso diferencia-se do sentimento antissistema bolsonarista, que é promovido pela extrema-direita por meio de ataques diretos ao STF, às universidades e à imprensa, alcançando apenas a sua base eleitoral mais fiel. No entanto, por voltar-se contra todos os governantes e políticos vistos como privilegiados, o sentimento antissistema difuso ajuda a explicar a dificuldade do governo Lula em converter os resultados de sua gestão em índices mais altos de popularidade.

<><> Resiliência de Lula e o impacto das novas pautas

Apesar do movimento pendular da campanha e da percepção criada no debate público sobre o crescimento de Flávio Bolsonaro — especialmente entre janeiro e maio de 2026 e a partir do início formal da propaganda eleitoral em 16 de agosto —, o presidente Lula demonstrou forte resiliência eleitoral. Mesmo em momentos críticos, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias para o STF, em 29 de abril de 2026, e os episódios associados à alegada tentativa de golpe eleitoral atribuída a André Mendonça, em 4 de setembro de 2026, Lula manteve a liderança da disputa e um patamar próximo de 40% dos votos válidos.

A sustentação da candidatura de Lula se apoia no seu carisma, na memória de seus mandatos anteriores e nos efeitos das ações da atual gestão. Rebatendo a tese de que o terceiro mandato do presidente não possui marcas novas, Medeiros destaca a recepção das políticas recentes junto à população: “o que encontramos em nossos 80 grupos focais é uma realidade diferente: as pessoas valorizam políticas recentes, como o Pé-de-Meia e o Desenrola”.

Além disso, a postura firme do presidente diante do tarifaço imposto por Donald Trump também encontrou ressonância positiva nos grupos focais.

<><> Três agendas decisivas na reta final

Para furar o sentimento antissistema difuso e alterar a dinâmica eleitoral em favor de Lula na semana final da campanha, o coordenador do OPEL elenca três pautas cruciais:

1.       Denúncias sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro: Áudios e mensagens que mostram Flávio Bolsonaro negociando com Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, o financiamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido repassados) para a produção de um filme sobre seu pai tiveram forte impacto nos grupos focais e erodiram a capacidade de Flávio de explorar o discurso anticorrupção, somando-se às rejeições motivadas por suas ligações com as milícias, o histórico de oposição às vacinas, o alinhamento com os Estados Unidos e suas posições sobre o meio ambiente.

2.       Fim da escala 6×1 sem redução salarial: Com amplo apoio espontâneo registrado nas pesquisas qualitativas, inclusive entre trabalhadores não regidos pela CLT, a proposta de redução da jornada de trabalho é valorizada pelo ganho de tempo livre para a família, capacitação profissional e cuidados com a saúde. A aprovação da matéria na Câmara dos Deputados e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado impulsionou a agenda de Lula.

3.       Combate às apostas eletrônicas (bets): A rejeição às apostas eletrônicas revelou-se majoritária devido ao endividamento das famílias, aos problemas de saúde mental e aos episódios de destruição familiar provocados pelo vício. A edição de uma Medida Provisória proibindo as bets é apontada como uma medida de forte apelo eleitoral.

<><> A disputa pelos indecisos e os segmentos estratégicos

Com Lula retomando o comando da agenda política e registrando crescimento nas pesquisas da Quaest, divulgada em 21 de setembro, e do Datafolha, publicado em 24 de setembro, a mobilização da última semana foca em recortes decisivos. O crescimento entre o eleitorado feminino coincide com a pauta de combate às bets e o desgaste de Flávio Bolsonaro. As periferias urbanas e favelas, que concentram grande parte dos afetados pelo sentimento antissistema difuso e sofrem com gargalos de transporte, clima e violência, também figuram como prioridade de diálogo.

Por fim, a disputa pelos eleitores indecisos, que representam entre 5% e 10% do total e tendem a decidir o voto pela rejeição na lógica do “menos pior”, exigirá a centralidade de temas como o risco da expansão nacional das milícias associado a Flávio Bolsonaro, as investigações do STF sobre os repasses do Banco Master, a defesa da soberania e do orgulho nacional frente à subalternidade a Donald Trump, a lembrança do negacionismo vacinal na pandemia da Covid-19 e a memória da destruição ambiental da Amazônia durante a gestão anterior.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: