Insulina
do SUS é diferente da vendida na farmácia? Enfermeira explica o que realmente
muda
Uma
dúvida ainda aparece entre pessoas com diabetes: a insulina recebida pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) funciona mesmo?
A
resposta passa por uma informação importante. Não existe uma única insulina. Há
diferentes tipos, com características e tempos de ação distintos, e a escolha
depende da necessidade de cada pessoa.
Por
isso, o fato de uma insulina ser fornecida pelo SUS não significa que ela tenha
qualidade ou efeito inferior. A enfermeira e educadora em diabetes Gabriela
Cavicchioli explica que os medicamentos disponibilizados pela rede pública
passam por critérios sanitários e fazem parte de protocolos de tratamento.
“Com
certeza absoluta, acho que isso é uma coisa que a gente não tem que ter a menor
dúvida, que o que é distribuído pelo SUS são insulinas de qualidade e de
fabricantes confiáveis, tudo tem uma aprovação da Anvisa”, afirma.
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A insulina do SUS é diferente?
O SUS
não trabalha com uma única opção de insulina. Atualmente, a rede pública
disponibiliza insulina humana NPH e insulina humana regular. Além disso, a
insulina glargina está sendo incorporada de forma gradual para públicos
específicos.
A NPH,
a regular e a glargina não são a mesma insulina. Elas possuem características
diferentes e são utilizadas de acordo com a indicação e o esquema de tratamento
de cada pessoa.
Por
isso, não é correto colocar todas as insulinas encontradas em farmácias de um
lado e as fornecidas pelo SUS do outro, como se fossem medicamentos diferentes
apenas por causa do local onde são obtidos.
A
comparação precisa considerar qual insulina está sendo utilizada.
Uma
pessoa pode encontrar na farmácia opções que não fazem parte da oferta regular
do SUS, incluindo diferentes tipos, marcas e apresentações. Isso não significa,
porém, que a insulina disponibilizada pela rede pública seja uma versão
inferior.
“O SUS
tem todo um protocolo, não é qualquer pessoa que vai lá e começa a distribuir
uma insulina que não foi validada”, explica Gabriela.
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O que existe nas farmácias que não está no SUS?
A rede
privada possui uma variedade maior de insulinas e apresentações. Além das
opções fornecidas pelo SUS, existem no mercado diferentes análogos de insulina,
como lispro, asparte, glulisina e degludeca, por exemplo.
Essas
opções não são necessariamente melhores ou piores. Elas apresentam
características diferentes e podem ser indicadas para situações específicas.
É por
isso que não se deve pensar que uma insulina encontrada na farmácia será
automaticamente mais eficiente do que aquela fornecida pelo SUS.
O
sistema público trabalha com medicamentos incorporados às suas políticas de
saúde e estabelece critérios para definir quais pessoas podem ter acesso a cada
tratamento.
A
Anvisa também mantém o registro e a regulamentação dos medicamentos
comercializados no país, com requisitos relacionados à qualidade, segurança e
eficácia.
Assim,
a diferença de disponibilidade entre a rede pública e a privada está
principalmente relacionada às opções incorporadas ao SUS, aos critérios de
acesso e à indicação de cada tratamento, e não a uma suposta diferença de
qualidade entre “insulina pública” e “insulina particular”.
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Não é seguro trocar uma insulina por outra
Entender
essa diferença é importante porque pode surgir uma conclusão equivocada: se as
insulinas são usadas para tratar o diabetes, então seria possível trocar uma
pela outra.
Não é
assim.
Cada
tipo de insulina apresenta um perfil de ação específico. A dose, o horário de
aplicação e a combinação com outras insulinas também fazem parte do
planejamento do tratamento.
Por
isso, uma pessoa que utiliza uma insulina comprada em farmácia não deve
substituí-la pela disponível no SUS por conta própria. Da mesma forma, quem
recebe uma insulina pela rede pública não deve mudar para outra opção sem
conversar com a equipe de saúde.
A
escolha considera fatores como o tipo de diabetes, o padrão da glicose, o
tratamento utilizado e a resposta de cada pessoa.
Gabriela
também chama atenção para os critérios de acesso aos medicamentos.
“É
importante entender que são todos sob prescrição médica, obviamente, e tem
indicativos da necessidade, quem tem direito, para quem é disponível essa
medicação”, explica.
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Glargina amplia as opções dentro do SUS
A
oferta de insulina pelo sistema público também está passando por uma mudança
importante.
Em
2026, o Ministério da Saúde iniciou a oferta nacional da insulina glargina para
pessoas de 2 anos até antes dos 18 anos com diabetes tipo 1 e para pessoas com
70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2, conforme os critérios definidos
para o tratamento. A incorporação ocorre de forma gradual.
A
glargina é um análogo de insulina de ação prolongada. Na estratégia adotada
pelo Ministério da Saúde, ela passa a ser uma alternativa à NPH para os grupos
contemplados pela política.
Gabriela
explica que essa mudança não significa que a NPH deixe de ser utilizada por
todas as pessoas.
“A
glargina, ela vem, vamos raciocinar que ela vai substituir, dependendo da
indicação, a insulina NPH, mas tem indicações específicas. E hoje a gente ainda
tem um protocolo, ou seja, não é para todo mundo que vai receber a insulina
glargina por enquanto.”
A
mudança também envolve a forma de acesso ao medicamento.
A
proposta é que a glargina seja disponibilizada cada vez mais pela Atenção
Primária à Saúde, aproximando a retirada da unidade onde a pessoa já realiza
parte do acompanhamento.
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Mais perto de casa, menos obstáculos para o tratamento
Para
quem utiliza insulina continuamente, a retirada do medicamento faz parte da
rotina do tratamento. Por isso, o local onde ela está disponível também pode
fazer diferença.
Durante
a transição para a nova organização da glargina, os municípios podem estar em
momentos diferentes. Algumas pessoas podem continuar retirando o medicamento em
serviços especializados enquanto a rede local se adapta ao novo fluxo.
A ideia
de levar a dispensação para a atenção primária é reduzir deslocamentos e
facilitar o acesso.
“Quanto
mais próximo ela estiver, melhor vai ser esse cuidado. O melhor vai ser toda
essa cadeia e adesão também, porque você pegar um remédio ali no seu bairro é
muito diferente de você ter que enfrentar um ônibus, um metrô para ir em outro
local”, afirma Gabriela.
Para
quem vive com diabetes, essa diferença pode representar tempo, deslocamento e
até a necessidade de se ausentar do trabalho para conseguir buscar o
medicamento.
A
enfermeira defende que aproximar o tratamento da rotina da pessoa também faz
parte de um cuidado mais acessível.
“Quanto
mais a gente colocar todas as necessidades da pessoa no mesmo local, melhor vai
ser a adesão dela.”
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O SUS oferece mais recursos para o tratamento
Embora
a insulina seja um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do
diabetes, ela não é o único recurso disponibilizado pela rede pública.
O SUS
também oferece medicamentos para o diabetes tipo 2 e insumos utilizados no
acompanhamento da glicose, conforme os critérios estabelecidos para cada
tratamento. A rede pública disponibiliza, entre outros medicamentos,
metformina, gliclazida e glibenclamida, além das insulinas humanas NPH e
regular.
No caso
das insulinas humanas, também são fornecidas agulhas para canetas, enquanto
estados e municípios participam das etapas de distribuição e dispensação.
Esse
conjunto mostra que o tratamento pelo SUS não se resume à retirada de uma
insulina. Existe uma estrutura de medicamentos, insumos e acompanhamento que
precisa funcionar para que a pessoa consiga manter o cuidado no dia a dia.
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A insulina do SUS tem qualidade?
A
resposta de Gabriela é direta: sim.
O fato
de uma insulina ser fornecida pelo SUS não significa que ela seja uma opção de
menor qualidade. Ao mesmo tempo, isso não quer dizer que todas as insulinas
disponíveis no mercado sejam iguais.
Existem
diferentes tipos e apresentações, cada uma com características próprias.
Algumas estão disponíveis na rede pública, enquanto outras podem ser
encontradas apenas no mercado privado ou ter critérios diferentes de acesso.
Por
isso, a comparação correta não é simplesmente entre uma insulina “do SUS” e uma
“da farmácia”. É preciso saber qual insulina está sendo comparada e para qual
tratamento ela foi indicada.
O que
não deve acontecer é a troca por conta própria.
Para
quem tem dúvidas sobre a insulina utilizada ou quer saber se existe outra opção
disponível pelo SUS, a orientação é procurar a equipe de saúde que acompanha o
tratamento.
Como
resume Gabriela, o objetivo do cuidado não é apenas disponibilizar um
medicamento, mas ajudar a pessoa a viver melhor com o diabetes:
“A
gente não quer a complicação, a gente quer o bom tratamento e o bom convívio
com o diabetes e a gente sabe que o acesso traz isso junto com a adesão.”
Fonte:
Um Diabético

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