Moisés
Mendes: Nossa Senhora Aparecida, nos proteja
Um
vídeo em que Flávio Bolsonaro associa o PT ao PCC foi mantido nas redes sociais
por decisão de André Mendonça, na condição de ministro do TSE. Mas André
Mendonça determinou que as redes sociais eliminassem postagens que associam
grupos evangélicos genéricos a tentativas de retirar de Nossa Senhora Aparecida
o título de padroeira do Brasil.
Parece
ser a mesma coisa, com decisões inversas, mas não é nem parecido. No primeiro
caso, há imputação de associação criminosa do partido de Lula com o crime
organizado. Uma insinuação criminosa disseminada às vésperas da eleição. O
acusador é o candidato da extrema-direita.
No
segundo caso, a maioria dos conteúdos trata de uma possível ameaça ao título da
padroeira, com referência a grupos religiosos. Não há nome de partido, nem de
candidato, nem de líderes religiosos. Mas tudo o que abordava a ameaça foi
retirado do ar.
Assim
foi decidido, segundo Mendonça, porque havia associação da informação com a
figura de Flávio Bolsonaro. Com mais um detalhe desconsiderado: a notícia sobre
o projeto que atinge a santa pode conter um erro de informação, mas não, na sua
origem, uma tentativa deliberada de difamação de um candidato.
Todas
as notícias com erros serão retiradas do ar, em nome do quê? Por que outras não
foram eliminadas? Porque, explica Mendonça, no caso da acusação de vínculo do
PCC com o PT, o vídeo tinha tom “evidentemente ficcional e caricato”. Aí, pode.
Não seria nem fake news.
O que
está configurado no ambiente do Judiciário no primeiro turno e pode se agravar
no segundo é que teremos censura, mas nem sempre para os dois lados. E que
sátira, humor e outros recursos de crítica serão considerados de acordo com
quem satiriza ou é atingido pela ‘brincadeira’ com o PCC.
Tanto
que outra decisão favorável à direita foi tomada por Kassio Nunes Marques
contra a propaganda de Lula que associa Flávio Bolsonaro às rachadinhas e ao
Banco Master. Há mentira ou desinformação nesse caso? Até os robôs da
inteligência artificial me responderam que não. A propaganda foi retirada do
ar.
Um
outro exemplo recente de como figuras alinhadas à direita, dentro das altas
Cortes, se comportam em situações envolvendo liberdades. Eduardo Bolsonaro foi
condenado na semana passada pelo Supremo por ter acusado Tabata Amaral, em
2021, de fazer lobby para uma empresa de produtos de higiene. A deputada é
autora do projeto para fornecimento de absorventes higiênicos a estudantes em
situação de pobreza.
Sete
ministros votaram pela condenação do deputado a um ano de detenção: Alexandre
de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Gilmar
Mendes e Edson Fachin. Três votaram contra: André Mendonça, Kassio Nunes
Marques e Luiz Fux.
É um
padrão que se repete nas mais variadas situações e deliberações, desde o
momento em que ficou claro que há defensores da liberdade de expressão de
acordo com quem se considera isento de sanções e censuras. Desde que seja da
extrema-direita. E desde muito antes do julgamento dos golpistas.
Há
gente com mais ou menos liberdade de expressão no Brasil. Os disseminadores de
informações sobre a ameaça à santa poderiam ter sido censurados em massa pelo
TSE? Todos produziram fake news? Se for assim, o TSE não fará outra coisa até o
fim da eleição.
Como
separar humor, sátira e/ou notícia errada de conteúdos deliberadamente
produzidos com o objetivo de atingir os adversários com informações falsas? O
episódio de Nossa Senhora é estranho, porque não se enquadra, na origem, nesses
casos.
Não
houve intenção deliberada de criar uma notícia falsa. A jornalista Maria
Cristina Fernandes disse na GloboNews que um projeto que atingia a santa estava
vivo, ou seja, poderia sair de uma gaveta a qualquer momento.
Como
podem saltar das gavetas as propostas de anistia para Bolsonaro, os generais e
os manés. Como podem ressuscitar centenas de projetos que o fascismo deixou
hibernando à espera de uma reversão no ambiente político.
Nossa
Senhora Aparecida tem uma espada sobre sua coroa. É uma espada permanente.
Assim como todos os que enfrentam a extrema-direita têm fuzis apontados para
seus peitos. São ameaças reais, concretas, públicas, repetidas à exaustão.
A
padroeira do Brasil pode perder seu título de protetora do país, mas todos os
que discordam do bolsonarismo estão sob ameaças mais assustadoras. Um combo de
ameaças. E todos sabemos quais são. Nos proteja, Nossa Senhora da Conceição
Aparecida.
(Este
texto foi escrito por um jornalista santeiro, que tem na transcendência do
poder de santas e santos um dos seus vínculos simbólicos e afetivos com a
memória das mulheres que o protegeram na infância e na adolescência).
• Pastor de Flávio Bolsonaro defende
“destronar” Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil
O pastor J. B. Carvalho, líder da igreja
Comunidade das Nações e figura próxima da família Bolsonaro, defende o fim do
reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil e sustenta
que o feriado nacional de 12 de outubro é ilegal, segundo reportagem do DCM.
A
relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o bispo evangélico
transcende a aliança política e religiosa. O parlamentar se converteu à
denominação em 2022 e passou pelo primeiro batismo sob os ritos da igreja em
2024, ao lado da esposa, Fernanda. O vínculo se estendeu também a Jair
Bolsonaro (PL). Em novembro de 2025, enquanto o pai estava preso na
Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio presenteou o
ex-mandatário com o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, de autoria de
Carvalho e publicado pela Editora Chara em 2018. Além disso, na véspera do
aniversário de 70 anos de Jair Bolsonaro, o pastor participou de uma
transmissão ao vivo com a família e prestou apoio público: “Minha solidariedade
ao nosso eterno Presidente Jair Bolsonaro. Tenho certeza que ele fará a
travessia desse momento difícil que está atravessando e que com certeza sairá
do outro lado”.
A
posição crítica de Carvalho à Igreja Católica e aos símbolos religiosos na vida
pública foi registrada no livro “A Bomba”, publicado em 2001. Na obra, o
religioso questiona a legislação que consagra Nossa Senhora Aparecida e afirma
categoricamente que “a lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é
ilegal”. O pastor sustenta que não há “amparo constitucional para determinar
que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira”, alegando que
“o Brasil não possui mais ligação entre Igreja e Estado”.
Para
fundamentar a tese de que a data comemorativa não tem validade jurídica, o
autor cita a separação entre Estado e religião instaurada pela Constituição de
1891, acompanhada pelas Cartas de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988. “Por esta
razão o feriado de 12 de outubro é ilegal”, escreve no livro.
Além
dos questionamentos jurídicos, o líder evangélico convoca uma mobilização
religiosa contra a devoção católica no país. “Já que o Brasil por lei não é
mais um país católico, está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e
servir ao Deus verdadeiro”, defende Carvalho em um dos trechos da obra. Ele faz
um apelo aos fiéis para que “Aparecida não seja mais Senhora em nossa nação” e
para que “Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil”.
No
texto, a diferenciação teológica é apresentada com ataques diretos às práticas
católicas e à figura de Maria. Carvalho declara que “Maria não é senhora,
porque no cristianismo não existe senhora, só existe Senhor” e acrescenta que
“a igreja romana inventou a adoração a Maria para substituir a adoração da Mãe
Pagã”. Segundo o pastor, “no verdadeiro cristianismo Jesus está no centro, Ele
está em evidência, tão somente Ele e mais ninguém”, em contraposição ao que
chama de marianismo: “na religião pagã a mãe tem a supremacia, como hoje também
o tem no marianismo católico”.
A
argumentação de Carvalho utiliza a contagem das rezas do terço para reforçar
suas duras críticas. “No terço, a Ave Maria é repetida cinquenta e três vezes
enquanto que o Pai Nosso seis vezes. Quem tem a centralidade neste culto é a
mãe e não o filho”, escreve. O autor associa a veneração mariana a tradições
antigas ao classificar a imagem da padroeira como a “imagem escura de uma
deusa” e indicar que “a adoração à Maria é o paralelo da adoração pagã às
divindades femininas”. Ele faz ainda um alerta sobre potenciais punições
divinas: “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus. Uma das grandes razões para as
pragas que estão por vir à terra é o culto à Rainha dos Céus. Deus odeia a
veneração a esta entidade. E por razão da insistência em cultuá-Ia, Deus fará o
mesmo que fez com Israel no passado às nações”.
Apesar
da interpretação teológica e jurídica exposta por Carvalho, o feriado e a
titulação possuem amparo na legislação federal vigente. A data de 12 de outubro
foi oficializada como feriado nacional consagrado a Nossa Senhora Aparecida
pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João
Figueiredo. O texto legal teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, de autoria
do deputado Jorge Arbage, e permanece em vigor sem qualquer revogação na Câmara
dos Deputados.
• TV Aparecida se pronuncia após polêmica
com Flávio Bolsonaro e a Padroeira do Brasil
TV
Aparecida, canal oficial da Igreja Católica com sede em Aparecida, em São
Paulo, se pronunciou diante da polêmica envolvendo o candidato do PL à
Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e Nossa Senhora Aparecida.
Flávio
Bolsonaro é acusado de articular com grupos fundamentalistas para, caso seja
eleito presidente, retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora
Aparecida. O senador nega e acusa a GloboNews de disseminar essa informação,
que ele classifica como “falsa”.
De
maneira sutil, a TV Aparecida, por meio de seu perfil no X, postou um vídeo com
imagens de Nossa Senhora Aparecida e uma mensagem sobre cuidado e viver com fé:
“Consagrar-se
é renovar, todos os dias, o desejo de viver a fé com o coração aberto à vontade
de Deus, contando com a intercessão e o cuidado de Maria.
Que
Nossa Senhora Aparecida nos ajude a fortalecer essa entrega e a seguir com fé
em cada passo da nossa caminhada.”
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Simone Tebet reage à polêmica de Flávio Bolsonaro com Nossa Senhora Aparecida
Nas
últimas 12 horas, não se fala em outra coisa: uma suposta articulação de Flávio
Bolsonaro (PL) com grupos fundamentalistas para que, caso seja eleito
presidente do Brasil, retire o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora
Aparecida.
Sob
pressão, Flávio Bolsonaro conversou com a imprensa durante uma atividade no Rio
de Janeiro, negou que vá retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa
Senhora Aparecida e responsabilizou a GloboNews pelo que classificou como “fake
news”.
Com a
dúvida pairando sobre Flávio Bolsonaro, uma série de políticos reagiu em defesa
de Nossa Senhora Aparecida, entre eles a ex-ministra do Planejamento e
candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet.
Simone
Tebet compartilhou uma imagem de dentro da Basílica de Nossa Senhora Aparecida,
na qual aparece rezando, com a seguinte legenda:
“Que
Nossa Senhora Aparecida proteja o Brasil.”
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Alckmin se pronuncia após polêmicas com Nossa Senhora: “notícias lamentáveis”
O
vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira (25) que o governo
Lula pretende preservar as tradições religiosas e o respeito às diferentes
religiões no Brasil. A manifestação ocorre em meio à repercussão de uma
polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a candidatura de Flávio Bolsonaro
(PL) à Presidência da República.
Em
publicação no Instagram, Alckmin afirmou ter recebido mensagens de católicos
preocupados com as notícias que circulam desde quinta-feira (24).
“Tenho
recebido mensagens de católicos preocupados com os rumos do país e com as
notícias lamentáveis que estão circulando desde o dia de ontem”, escreveu o
vice-presidente.
“Preciso
esclarecer que enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando esse país,
as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão
protegidas e preservadas”, acrescentou.
Alckmin
também afirmou que o Brasil deve manter o respeito às diferentes religiões e
preservar as tradições católicas.
“Defendemos
que o Brasil é um país que tem respeito por todas as religiões e capaz de
conservar pacificamente as tradições católicas”, afirmou.
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A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
A
manifestação ocorre após a circulação de informações associando a candidatura
de Flávio Bolsonaro a uma antiga proposta para alterar o reconhecimento legal
de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
O
projeto, porém, não é de autoria de Flávio Bolsonaro. Trata-se do PL
2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta
pretendia substituir, na legislação relativa ao feriado de 12 de outubro, a
expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos
apostólicos romanos”. O texto foi arquivado pela Câmara em 2008.
Galli,
pastor evangélico e integrante da bancada evangélica durante sua passagem pela
Câmara, posteriormente ocupou o cargo de assessor especial da Presidência
durante o governo Jair Bolsonaro, entre fevereiro e junho de 2019. A relação
política entre Galli e o ex-presidente voltou a ser mencionada no contexto da
atual polêmica.
Na
quinta-feira (24), Flávio Bolsonaro negou que tenha qualquer plano para retirar
de Nossa Senhora Aparecida a condição de Padroeira do Brasil. A informação que
circulava nas redes sociais foi posteriormente corrigida pela GloboNews, que
havia associado o tema à atual disputa eleitoral.
A
própria Revista Fórum destacou que o projeto original é de Galli e não de
Flávio Bolsonaro. O episódio, portanto, envolve uma proposta antiga, já
arquivada, que voltou ao debate em razão da atual campanha presidencial.
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Bispos defendem soberania e democracia
A fala
de Alckmin também ocorre poucos dias depois de manifestações de integrantes da
Igreja Católica em defesa da soberania nacional e da democracia.
Em
vídeo divulgado pelo Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, afirmou que o
voto é uma garantia da democracia. O bispo auxiliar Samuel Ferreira, por sua
vez, destacou a defesa da “soberania do Brasil, da nossa Amazônia e de nossas
riquezas e bens”.
A
discussão sobre soberania também apareceu em uma homilia de Dom Orlando
Brandes, arcebispo emérito de Aparecida. Durante celebração no Santuário
Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o religioso afirmou que os brasileiros
deveriam escolher seus candidatos de acordo com a própria consciência e
pensando no bem comum.
“Vamos
defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve
mandar aqui. Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”,
afirmou Brandes.
A
defesa da soberania não está restrita às manifestações individuais de bispos. A
Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB promove, desde o
início de setembro, a série “Eleições 2026: Ação Sociotransformadora por
Soberania”, apresentada como uma iniciativa apartidária voltada à participação
democrática e à reflexão sobre interferências externas na política brasileira.
Em sua
manifestação desta sexta, Alckmin não mencionou diretamente Flávio Bolsonaro,
Victório Galli ou a proposta de 2007. A mensagem se concentrou na garantia de
que, sob seu governo e o de Lula, as tradições religiosas seriam preservadas,
ao mesmo tempo em que reafirmou o respeito às diferentes religiões existentes
no país.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

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