Autoestima
em queda: perda de cabelos em mulheres
Perder
o cabelo é algo natural. Diariamente, cerca de 50 a 150 fios caem, a maioria
durante a rotina de banho e escovação — um número ínfimo em comparação à
quantidade que ainda resta na cabeça, cerca de 100 mil. No entanto, existem
casos, dentro do universo feminino, nos quais a queda torna-se um sinal de
alerta.
Natália
Solon Nery, dermatologista e professora do curso de medicina da Universidade
Católica de Brasília (UCB), explica quais sinais podem ativar a preocupação:
“Se o cabelo começa a cair em quantidade muito maior no banho ou ao pentear, se
o rabo de cavalo fica mais fino, a risca do cabelo começa a alargar ou o couro
cabeludo fica mais visível, é hora de investigar. Queda persistente por várias
semanas, falhas localizadas, coceira, descamação, dor ou inflamação no couro
cabeludo também são sinais de alerta.”
Essa
mudança na quantidade de cabelo pode ser justificada por diversos motivos. “Uma
das causas mais frequentes é o eflúvio telógeno, que pode acontecer após
situações como infecções, cirurgias, estresse, pós-parto, dietas restritivas,
perda rápida de peso e algumas deficiências nutricionais ou alterações
hormonais.”
Outra
condição comum é a alopecia androgenética feminina, a chamada calvície de
padrão feminino. Nesse caso, muitas vezes, a paciente não percebe grandes
quantidades de cabelo caindo, mas nota que os fios vão ficando progressivamente
mais finos e o couro cabeludo mais aparente, principalmente na região central
da cabeça.
Nesse
sentido, a consulta com especialistas torna-se fundamental para a avaliação das
causas e a definição de possíveis tratamentos e procedimentos. Em casa, alguns
cuidados também devem ser tomados, mas Natália finaliza desmentindo algumas
inverdades popularmente espalhadas: “Um dos maiores mitos é acreditar que lavar
o cabelo faz com que ele caia mais. O cabelo que aparece no banho, em grande
parte, já estava na fase de desprendimento. Deixar de lavar não impede essa
queda. A frequência de lavagem deve ser individualizada de acordo com o tipo de
couro cabeludo.”
<><>
Tipos de queda de cabelo
• Alopecia androgenética: conhecida como
calvície, é uma condição hereditária que provoca afinamento e queda gradual dos
fios, podendo acometer tanto homens quanto mulheres.
• Alopecia areata: doença autoimune que
causa perda de cabelo e de pelos no corpo (barba, cílios, etc.).
• Eflúvio telógeno: queda de cabelo de
forma rápida em um curto período de tempo. Em geral, acontece semanas ou meses
depois de o corpo passar por uma situação de estresse físico (cirurgia ou perda
de peso) ou emocional (perda de um parente, por exemplo), ou como resultado de
alterações hormonais.
• Eflúvio anágeno: perda de cabelo muito
rápida devido a certos tratamentos médicos, como a quimioterapia.
>>>>
Causas
• Perda hereditária (causas genéticas)
• Infecções fúngicas no couro cabeludo
• Penteados que puxam muito os fios,
danificando-os (como tranças e extensões capilares), e uso de produtos químicos
(permanentes e tinturas)
• Alterações hormonais (como nas fases de
gravidez, pós-parto e menopausa)
• Tratamentos médicos (quimioterapia e
determinados medicamentos)
• Deficiências nutricionais (em especial,
falta de ferro e proteína)
• Perda de peso ou dietas muito
restritivas
• Eventos estressantes
>>>>
Sinais de perda de fios nas mulheres
• Afinamento dos fios em toda a cabeça
• Perda de pequenas áreas de cabelo no
couro cabeludo
• Perda de cabelo associada à queda de
pelos do corpo
<><>
Os tratamentos
Na
alopecia androgenética feminina, o minoxidil, medicamento vasodilatador,
continua sendo uma das principais terapias. Dependendo do perfil da paciente,
também se pode utilizar remédios com ação antiandrogênica, sempre avaliando
indicações, contraindicações e a necessidade de contracepção.
O
tratamento de algumas doenças autoimunes que provocam queda, como a alopecia
areata, é feito com medicamentos que atuam de maneira direcionada em vias do
sistema imunológico, como os inibidores de JAK.
Procedimentos
realizados em consultório podem ser associados em situações específicas.
Existem técnicas como microagulhamento, lasers e aplicação intralesional de
medicamentos, mas a indicação depende do diagnóstico. A evidência científica
não é igual para todos os procedimentos.
<><>
A prevenção
A
prevenção não garante que o cabelo não sofrerá queda, mas pode auxiliar a saúde
capilar. Nesse sentido, uma alimentação saudável — com consumo adequado de
ferro e proteínas — é fundamental, juntamente com evitar o uso diário de
penteados que puxem excessivamente os fios, procedimentos químicos frequentes e
o uso excessivo de fontes de calor.
>>>>
Palavra do especialista - Fabiana Natividade é tricologista e profissional da
área da beleza há 16 anos
• Quais são os truques de estilização,
corte ou repartição do cabelo mais eficientes para dar a sensação de maior
volume?
Quando
existe uma diminuição de densidade, alguns recursos visuais realmente podem
ajudar. Na repartição, por exemplo, evitar uma linha muito marcada justamente
na região de menor densidade pode diminuir a exposição do couro cabeludo. Mudar
a direção da risca e trabalhar a raiz com mais movimento também pode criar uma
percepção de maior volume. No corte, é muito importante avaliar individualmente
o cabelo. Em fios mais finos ou com pouca densidade, um corte com uma base mais
preenchida pode favorecer visualmente o volume. Já um excesso de camadas ou
desfiado, dependendo do caso, pode retirar ainda mais massa das pontas e
evidenciar a sensação de pouco cabelo. Na finalização, gosto de trabalhar com
leveza: evitar excesso de produtos pesados na raiz e utilizar técnicas que
proporcionem movimento e sustentação. Mas é importante lembrar que esses são
recursos estéticos para melhorar a aparência de volume. Quando existe uma queda
ou uma redução real da densidade, precisamos investigar a causa.
• Existe algum risco de certas técnicas de
extensão ou penteados muito tracionados piorarem o quadro de calvície?
Tudo o
que gera tração excessiva e repetitiva sobre os fios e o couro cabeludo merece
atenção. Penteados muito apertados, rabos de cavalo constantemente tracionados,
tranças muito justas e algumas técnicas de extensão podem exercer uma força
contínua sobre o folículo. Quando isso acontece de maneira frequente ou
prolongada, pode surgir o que chamamos de alopecia por tração, que é uma perda
de cabelo relacionada justamente a essa tensão mecânica. Em pessoas que já
apresentam afinamento, queda ou algum tipo de alopecia, essa sobrecarga pode
agravar uma região que já está fragilizada. Por isso, o mega-hair não deve ser
tratado como uma técnica igual para todas as pessoas. Antes da aplicação, é
importante observar a densidade, a espessura dos fios, a condição do couro
cabeludo e se já existem sinais de queda ou afinamento. A escolha da técnica,
do peso e da distribuição das mechas precisa respeitar a estrutura daquele
cabelo.
Fonte:
Correio Braziliense

Nenhum comentário:
Postar um comentário