quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Jamil Chade: Contas de aliados de Trump anunciam - ‘vitória de Flávio é vitória dos EUA’

Contas nas redes sociais de aliados do presidente Donald Trump intensificam os ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas das eleições no Brasil. Desde o último final de semana, sites passaram a dar destaque para a eleição brasileira com uma frequência maior, atingindo milhões de seguidores.

A conta Commentary Trump Daily, que traz a imagem usada oficialmente pelo americano para suas contas nas redes sociais e chega a quase 3 milhões de pessoas, é uma das mais ativas. Neste domingo, uma postagem compara Joe Biden ao presidente Lula, reforçando a tese de que nenhum dos dois venceu supostamente suas respetivas eleições.

A narrativa de uma fraude na eleição em que Trump foi derrotado é parte do centro das campanhas do movimento de extrema direita nos EUA.

“Lula é o presidente ilegítimo do Brasil”, diz a postagem. O texto ainda diz que tanto Biden quanto Lula usaram o governo para perseguir seus adversários políticos.

A conta é administrada pela Red Audience, uma plataforma digital com forte tendência conservadora e ligada ao movimento MAGA (Make America Great Again).

Mais cedo, numa outra postagem, a mensagem foi ainda mais direta. “O ex-presidente Jair Bolsonaro teve sua eleição roubada pelo radical comunista Lula, que então o prendeu”, disse.

Agora, segundo eles, Flávio Bolsonaro tenta recuperar o poder. “É um aliado conservados e forte de Trump e os EUA. Uma vitória de (Flávio) Bolsonaro é uma vitória dos EUA”, constata. A mensagem é concluída com a frase inspirada no slogan trumpista: “Make Brazil Great Again”.

A postagem foi vista por quase 4 milhões de pessoas.

Jason Miller, estrategista de comunicação e ex-conselheiro de Trump, é outro que tem ocupado parte de suas redes sociais com mensagens sobre Flávio.

Ex-CEO da rede social Gettr, ele tem postado até mesmo resultados de pesquisas estaduais que mostram o bolsonarista em vantagem.

Desde meados do ano, o governo brasileiro sinalizou que o período próximo da eleição poderia ser  marcados por ações orquestradas por parte de grandes plataformas digitais, com o objetivo de criar uma turbulência política no país e influenciar a eleição.

Com suspensão de vistos, tarifas, sanções e ofensas americanas, Brasília considera que existe uma ingerência do governo Trump desde 2025, que a eleição de outubro é revelante para a estratégia dos EUA e que a ofensiva pode ganhar ainda mais força até outubro.

Ao longos dos últimos meses, membros do governo tentaram entender por onde poderia vir os próximos lances dessa ingerência e de um processo de desestabilização.

A principal aposta é de que o instrumento usado para isso seja o impulsionamento de desinformação a partir de fora do país, com a possibilidade de plataformas agindo de forma subterrânea para impactar na opinião pública.

A operação repetiria o modelo que acaba de ser adotado com êxito na eleição Colômbia e, há poucos meses, em Honduras. Ambos garantiram a vitória de aliados de Donald Trump.

Trabalhar com o “medo” da população também poderia ser um instrumento que tem sido avaliado como um risco por parte do Brasil para abalar padrões de votos. Para autoridades brasileiras, as cenas de 70 mil imigrantes em Ceuta, a partir da difusão de uma desinformação, reforçaram a tese de uma orquestração para abalar democracias.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio Lula da Silvas nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e que uma operação de manipulação poderia virar votos suficientes para transformar a eleição em um dos momentos mais tensos do país em décadas.

Membros do governo ainda estudaram os casos das vitórias de aliados de Trump em Honduras e na Colômbia, beneficiados por uma forte atividade de narrativas que viriam de fora desses países. No caso do pleito em Bogotá, o que se observou foi uma proliferação intensa de Inteligência Artificial e de DeepFake.

Uma das estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos, criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.

O cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das Bets.

Um possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às vésperas do pleito.

Esperar até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo ou outro no processo de desestabilização.

•        Trump anuncia sanções contra autoridades latinas que ‘minem a democracia’

O governo de Donald Trump anunciou, nesta segunda-feira, sanções contra autoridades latino-americanas que tenham supostamente atuado contra as democracias. Juízes, procuradores, autoridades e políticos acusados de “corrupção” foram alvos de sanções e restrição de vistos para entrar nos EUA. A iniciativa envolve, por enquanto, autoridades bolivianas, peruanas, colombianas e equatorianas.

Entre os alvos da Casa Branca está Albania Chane Cabellero, juíza boliviana que decretou a prisão de Fernando Cerimedo, um aliado dos bolsonaristas e denunciado por divulgação de desinformação eleitoral na América Latina.

O Brasil não faz parte da lista. Mas a iniciativa sugere que, se Flávio Bolsonaro cumprir sua promessa de campanha e colocar o Brasil na mesma aliança, medidas similares serão adotadas contra brasileiros.

Além disso, o instrumento permite que a Casa Branca adote sanções sempre que considerar que alguma autoridade de qualquer país está violando o que Washington acredita ser o resultado “correto” de uma eleição.

“Sob a administração Trump, autoridades estrangeiras corruptas não podem mais entrar livremente nos Estados Unidos”, anunciou Washington. “Hoje, o Departamento de Estado está tomando medidas para cumprir os compromissos de defender a governança democrática em todo o nosso hemisfério contra a corrupção e o narcotráfico — compromissos assumidos na Cúpula de Doral e reafirmados na declaração dos líderes da iniciativa “Escudo das Américas” de 22 de setembro”, afirmou.

Segundo o governo, em consonância com essa declaração, que estabelece o compromisso de coordenar sanções, designações e ações financeiras contra terroristas e criminosos que minam a segurança, o Estado de Direito e a democracia, o Departamento anuncia uma nova política de restrição de vistos.

“Essa política restringe a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros — e seus familiares imediatos — que minem um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, alertou.

“Minar um governo democraticamente eleito representa uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado”, insistem.

“Trata-se de um mecanismo duradouro que permite aos Estados Unidos agir rapidamente, em coordenação com nossos parceiros, à medida que surgem evidências”, explica.

Por enquanto, o Departamento de Estado está tomando medidas imediatas para impor restrições de vistos sob essa política, em apoio aos demais participantes da iniciativa “Escudo das Américas”.

<><> Bolívia

Um total de doze cidadãos bolivianos e suas famílias serão atingidas. O Departamento revogou os vistos existentes dos seguintes indivíduos e de suas famílias:

Martin Daniel IRUSTA FLORES, Promotor Sênior

Albania Chane CABALLERO SAAVEDRA, Primeira Juíza de Instrução Anticorrupção e de Violência contra a Mulher no Departamento de Santa Cruz, Bolívia

Alberto ZEBALLOS FLORES, Promotor-Chefe de Santa Cruz

Rosario Ximena FLORES PANIAGUA, Juíza de Instrução Criminal no Departamento de Santa Cruz

Ivan Manolo LIMA MAGNE, Ex-Ministro da Justiça e Transparência Institucional

Alvaro Mauricio NAVA MORALES CARRASCO, atual Promotor Sênior e ex-Promotor Departamental de Chuquisaca, Bolívia

Israel Ramiro CAMPERO MENDEZ, Magistrado Constitucional

Alberto Samuel SOTO DE LA VIA, Ex-Presidente Executivo da Alfândega Nacional

Ivan Ramiro CAMPERO VILLALBA, Ex-Magistrado Suplente da Suprema Corte

Rodrigo Aldo VEDIA ESPINOZA, Juiz da Primeira Vara de Instrução Criminal de La Guardia

Frans William CABRERA QUISPE, Coronel da Polícia Boliviana

Jose Luis IRIARTE CUSSI, Empresário do setor privado

Nove outros cidadãos bolivianos que atualmente não possuem vistos, bem como suas famílias, foram declarados inelegíveis para a obtenção de vistos.

<><> Colômbia

Euclides Antonio TORRES ROMERO, Empresário do setor privado, proprietário de um conglomerado que atua principalmente nos setores de energia, sinalização de trânsito e iluminação pública

Martha Isabel PERALTA EPIEYU, Senadora filiada ao Pacto Histórico (Pacto Histórico) e ao Movimento Alternativo Indígena e Social (Movimiento Alternativo Indígena y Social – MAIS)

<><> Peru

 Juan Carlos NUNEZ MATOS, Juiz do Tribunal Constitucional do Primeiro Circuito de Lima

 “Essas medidas de restrição de vistos são adotadas com base na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), que veda a entrada de pessoas cuja admissão ou atividades pretendidas possam acarretar consequências adversas graves para a política externa dos Estados Unidos”, diz.

O Departamento de Estado também está designando publicamente o Procurador-Geral da Bolívia, Roger Mariaca, por seu envolvimento em atos significativos de corrupção. Essa medida torna Mariaca e seus familiares imediatos, em regra, inelegíveis para entrar nos Estados Unidos.

“Mariaca — eleito em 2024 para um mandato de seis anos como procurador-geral durante a gestão do presidente de extrema-esquerda Luis Arce, e ex-procurador-geral de Santa Cruz — abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar propinas para facilitar o narcotráfico e ao ajudar criminosos violentos a escapar da justiça”, diz.

“Suas ações colocam em risco os esforços do presidente Trump para combater o narcoterrorismo, ao mesmo tempo em que minam as próprias instituições democráticas que a Bolívia, como participante da iniciativa Escudo, trabalha para fortalecer. A mensagem do presidente Trump e do secretário Rubio é simples: autoridades corruptas — e os criminosos que elas protegem — não são bem-vindas nos Estados Unidos”, completou.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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