Jamil
Chade: Contas de aliados de Trump anunciam - ‘vitória de Flávio é vitória dos
EUA’
Contas
nas redes sociais de aliados do presidente Donald Trump intensificam os ataques
contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas das eleições no
Brasil. Desde o último final de semana, sites passaram a dar destaque para a
eleição brasileira com uma frequência maior, atingindo milhões de seguidores.
A conta
Commentary Trump Daily, que traz a imagem usada oficialmente pelo americano
para suas contas nas redes sociais e chega a quase 3 milhões de pessoas, é uma
das mais ativas. Neste domingo, uma postagem compara Joe Biden ao presidente
Lula, reforçando a tese de que nenhum dos dois venceu supostamente suas
respetivas eleições.
A
narrativa de uma fraude na eleição em que Trump foi derrotado é parte do centro
das campanhas do movimento de extrema direita nos EUA.
“Lula é
o presidente ilegítimo do Brasil”, diz a postagem. O texto ainda diz que tanto
Biden quanto Lula usaram o governo para perseguir seus adversários políticos.
A conta
é administrada pela Red Audience, uma plataforma digital com forte tendência
conservadora e ligada ao movimento MAGA (Make America Great Again).
Mais
cedo, numa outra postagem, a mensagem foi ainda mais direta. “O ex-presidente
Jair Bolsonaro teve sua eleição roubada pelo radical comunista Lula, que então
o prendeu”, disse.
Agora,
segundo eles, Flávio Bolsonaro tenta recuperar o poder. “É um aliado
conservados e forte de Trump e os EUA. Uma vitória de (Flávio) Bolsonaro é uma
vitória dos EUA”, constata. A mensagem é concluída com a frase inspirada no
slogan trumpista: “Make Brazil Great Again”.
A
postagem foi vista por quase 4 milhões de pessoas.
Jason
Miller, estrategista de comunicação e ex-conselheiro de Trump, é outro que tem
ocupado parte de suas redes sociais com mensagens sobre Flávio.
Ex-CEO
da rede social Gettr, ele tem postado até mesmo resultados de pesquisas
estaduais que mostram o bolsonarista em vantagem.
Desde
meados do ano, o governo brasileiro sinalizou que o período próximo da eleição
poderia ser marcados por ações
orquestradas por parte de grandes plataformas digitais, com o objetivo de criar
uma turbulência política no país e influenciar a eleição.
Com
suspensão de vistos, tarifas, sanções e ofensas americanas, Brasília considera
que existe uma ingerência do governo Trump desde 2025, que a eleição de outubro
é revelante para a estratégia dos EUA e que a ofensiva pode ganhar ainda mais
força até outubro.
Ao
longos dos últimos meses, membros do governo tentaram entender por onde poderia
vir os próximos lances dessa ingerência e de um processo de desestabilização.
A
principal aposta é de que o instrumento usado para isso seja o impulsionamento
de desinformação a partir de fora do país, com a possibilidade de plataformas
agindo de forma subterrânea para impactar na opinião pública.
A
operação repetiria o modelo que acaba de ser adotado com êxito na eleição
Colômbia e, há poucos meses, em Honduras. Ambos garantiram a vitória de aliados
de Donald Trump.
Trabalhar
com o “medo” da população também poderia ser um instrumento que tem sido
avaliado como um risco por parte do Brasil para abalar padrões de votos. Para
autoridades brasileiras, as cenas de 70 mil imigrantes em Ceuta, a partir da
difusão de uma desinformação, reforçaram a tese de uma orquestração para abalar
democracias.
A
avaliação no Palácio do Planalto é de que, apesar da liderança de Luiz Inácio
Lula da Silvas nas pesquisas de opinião, o pleito continua acirrado e que uma
operação de manipulação poderia virar votos suficientes para transformar a
eleição em um dos momentos mais tensos do país em décadas.
Membros
do governo ainda estudaram os casos das vitórias de aliados de Trump em
Honduras e na Colômbia, beneficiados por uma forte atividade de narrativas que
viriam de fora desses países. No caso do pleito em Bogotá, o que se observou
foi uma proliferação intensa de Inteligência Artificial e de DeepFake.
Uma das
estratégias seria o impulsionamento de desinformação a partir de perfis falsos,
criados nos exterior. O material poderia promover mudanças abruptas na opinião
pública, faltando poucos dias para a eleição e capaz de virar votos.
O
cálculo do envolvimento das plataformas é por conta do impacto de uma reeleição
para o setor. O governo estima que as Big Techs seriam os grandes perdedores
com a vitória de Lula. Se o petista vencer, a estimativa é de que poderia usar
seu quarto mandato para promover uma regulamentação das redes digitais e das
Bets.
Um
possível retorno do ativismo de Elon Musk também é monitorado, principalmente
diante de seu histórico de realizar provocações em eleições em todo o mundo, às
vésperas do pleito.
Esperar
até o último momento para fazer a operação também impediria que houvesse tempo
suficiente para investigações e eventuais denúncias do envolvimento de um grupo
ou outro no processo de desestabilização.
• Trump anuncia sanções contra autoridades
latinas que ‘minem a democracia’
O
governo de Donald Trump anunciou, nesta segunda-feira, sanções contra
autoridades latino-americanas que tenham supostamente atuado contra as
democracias. Juízes, procuradores, autoridades e políticos acusados de
“corrupção” foram alvos de sanções e restrição de vistos para entrar nos EUA. A
iniciativa envolve, por enquanto, autoridades bolivianas, peruanas, colombianas
e equatorianas.
Entre
os alvos da Casa Branca está Albania Chane Cabellero, juíza boliviana que
decretou a prisão de Fernando Cerimedo, um aliado dos bolsonaristas e
denunciado por divulgação de desinformação eleitoral na América Latina.
O
Brasil não faz parte da lista. Mas a iniciativa sugere que, se Flávio Bolsonaro
cumprir sua promessa de campanha e colocar o Brasil na mesma aliança, medidas
similares serão adotadas contra brasileiros.
Além
disso, o instrumento permite que a Casa Branca adote sanções sempre que
considerar que alguma autoridade de qualquer país está violando o que
Washington acredita ser o resultado “correto” de uma eleição.
“Sob a
administração Trump, autoridades estrangeiras corruptas não podem mais entrar
livremente nos Estados Unidos”, anunciou Washington. “Hoje, o Departamento de
Estado está tomando medidas para cumprir os compromissos de defender a
governança democrática em todo o nosso hemisfério contra a corrupção e o
narcotráfico — compromissos assumidos na Cúpula de Doral e reafirmados na
declaração dos líderes da iniciativa “Escudo das Américas” de 22 de setembro”,
afirmou.
Segundo
o governo, em consonância com essa declaração, que estabelece o compromisso de
coordenar sanções, designações e ações financeiras contra terroristas e
criminosos que minam a segurança, o Estado de Direito e a democracia, o
Departamento anuncia uma nova política de restrição de vistos.
“Essa
política restringe a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros — e seus
familiares imediatos — que minem um governo democraticamente eleito por meio de
corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, alertou.
“Minar
um governo democraticamente eleito representa uma ameaça à segurança e ao
Estado de Direito nas Américas e não será tolerado”, insistem.
“Trata-se
de um mecanismo duradouro que permite aos Estados Unidos agir rapidamente, em
coordenação com nossos parceiros, à medida que surgem evidências”, explica.
Por
enquanto, o Departamento de Estado está tomando medidas imediatas para impor
restrições de vistos sob essa política, em apoio aos demais participantes da
iniciativa “Escudo das Américas”.
<><>
Bolívia
Um
total de doze cidadãos bolivianos e suas famílias serão atingidas. O
Departamento revogou os vistos existentes dos seguintes indivíduos e de suas
famílias:
Martin
Daniel IRUSTA FLORES, Promotor Sênior
Albania
Chane CABALLERO SAAVEDRA, Primeira Juíza de Instrução Anticorrupção e de
Violência contra a Mulher no Departamento de Santa Cruz, Bolívia
Alberto
ZEBALLOS FLORES, Promotor-Chefe de Santa Cruz
Rosario
Ximena FLORES PANIAGUA, Juíza de Instrução Criminal no Departamento de Santa
Cruz
Ivan
Manolo LIMA MAGNE, Ex-Ministro da Justiça e Transparência Institucional
Alvaro
Mauricio NAVA MORALES CARRASCO, atual Promotor Sênior e ex-Promotor
Departamental de Chuquisaca, Bolívia
Israel
Ramiro CAMPERO MENDEZ, Magistrado Constitucional
Alberto
Samuel SOTO DE LA VIA, Ex-Presidente Executivo da Alfândega Nacional
Ivan
Ramiro CAMPERO VILLALBA, Ex-Magistrado Suplente da Suprema Corte
Rodrigo
Aldo VEDIA ESPINOZA, Juiz da Primeira Vara de Instrução Criminal de La Guardia
Frans
William CABRERA QUISPE, Coronel da Polícia Boliviana
Jose
Luis IRIARTE CUSSI, Empresário do setor privado
Nove
outros cidadãos bolivianos que atualmente não possuem vistos, bem como suas
famílias, foram declarados inelegíveis para a obtenção de vistos.
<><>
Colômbia
Euclides
Antonio TORRES ROMERO, Empresário do setor privado, proprietário de um
conglomerado que atua principalmente nos setores de energia, sinalização de
trânsito e iluminação pública
Martha
Isabel PERALTA EPIEYU, Senadora filiada ao Pacto Histórico (Pacto Histórico) e
ao Movimento Alternativo Indígena e Social (Movimiento Alternativo Indígena y
Social – MAIS)
<><>
Peru
Juan Carlos NUNEZ MATOS, Juiz do Tribunal
Constitucional do Primeiro Circuito de Lima
“Essas medidas de restrição de vistos são
adotadas com base na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade
(INA), que veda a entrada de pessoas cuja admissão ou atividades pretendidas
possam acarretar consequências adversas graves para a política externa dos
Estados Unidos”, diz.
O
Departamento de Estado também está designando publicamente o Procurador-Geral
da Bolívia, Roger Mariaca, por seu envolvimento em atos significativos de
corrupção. Essa medida torna Mariaca e seus familiares imediatos, em regra,
inelegíveis para entrar nos Estados Unidos.
“Mariaca
— eleito em 2024 para um mandato de seis anos como procurador-geral durante a
gestão do presidente de extrema-esquerda Luis Arce, e ex-procurador-geral de
Santa Cruz — abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar propinas
para facilitar o narcotráfico e ao ajudar criminosos violentos a escapar da
justiça”, diz.
“Suas
ações colocam em risco os esforços do presidente Trump para combater o
narcoterrorismo, ao mesmo tempo em que minam as próprias instituições
democráticas que a Bolívia, como participante da iniciativa Escudo, trabalha
para fortalecer. A mensagem do presidente Trump e do secretário Rubio é
simples: autoridades corruptas — e os criminosos que elas protegem — não são
bem-vindas nos Estados Unidos”, completou.
Fonte:
ICL Notícias

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