Novo
antibiótico dribla superbactérias com ataque inédito
Cientistas
identificaram um novo antibiótico com potencial para reforçar a luta contra as
chamadas superbactérias, microrganismos resistentes aos tratamentos disponíveis
atualmente. Batizada de manikomicina, a substância age de uma maneira inédita
sobre as bactérias, atacando uma estrutura celular já conhecida pela medicina,
mas em um ponto que jamais havia sido explorado por outros antibióticos.
A
descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade de Illinois Chicago
(UIC), nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Nature. Segundo os
autores, o mecanismo inovador pode dificultar que as bactérias desenvolvam
resistência ao medicamento, um dos maiores desafios da saúde global.
A
manikomicina atua sobre o ribossomo, estrutura responsável pela produção de
proteínas dentro das células bacterianas. Embora cerca de um terço dos
antibióticos atualmente prescritos também tenham o ribossomo como alvo, o novo
composto se liga a uma região até então nunca atingida por outras moléculas.
“Este
novo antibiótico é impressionante porque tem como alvo um local do ribossomo
que nunca foi alvo de nenhuma outra molécula”, afirmou Dmitrii Travin,
professor assistente de Ciências Farmacêuticas da UIC e um dos autores do
estudo.
Ao
atingir esse ponto inédito, a manikomicina consegue escapar dos mecanismos de
defesa que muitas bactérias desenvolveram ao longo dos anos para resistir aos
antibióticos convencionais. Na prática, isso torna o surgimento de resistência
muito mais difícil.
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Como o antibiótico funciona
Produzida
naturalmente pela bactéria do solo streptomyces rimosus, a manikomicina
interfere diretamente na fabricação de proteínas, processo essencial para a
sobrevivência dos microrganismos.
Quando
se liga ao ribossomo, o composto bloqueia a saída de uma molécula importante
para a síntese proteica, interrompendo completamente a produção dessas
estruturas. Sem proteínas, a bactéria não consegue sobreviver.
Os
pesquisadores também descobriram que a substância utiliza múltiplas vias para
entrar nas células bacterianas. Essa característica representa mais um
obstáculo para o desenvolvimento de resistência, já que as bactérias
precisariam alterar diferentes mecanismos ao mesmo tempo para impedir sua ação.
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O “caviar escondido” no solo
Embora
a bactéria produtora da manikomicina seja conhecida pela ciência há décadas e
já tenha dado origem a antibióticos amplamente utilizados, como a
oxitetraciclina, a nova substância permaneceu oculta por anos.
Pesquisadores
da Universidade McMaster, no Canadá, empregaram técnicas avançadas de triagem
para identificar compostos produzidos em pequenas quantidades, que antes
passavam despercebidos diante de substâncias mais abundantes.
O
professor Alexander Mankin, também autor do estudo, comparou a descoberta a
encontrar um ingrediente raro escondido em um banquete. “É como servir um
jantar em que todos correm para um excelente bife e ignoram o pequeno prato de
caviar negro que estava ao lado”, explicou.
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Ainda longe das farmácias
Apesar
dos resultados promissores, a manikomicina ainda não está pronta para se
transformar em medicamento. Os cientistas explicam que o composto não permanece
tempo suficiente na corrente sanguínea para eliminar bactérias de forma
eficiente em animais ou seres humanos. Por isso, novas modificações químicas
serão necessárias antes que o antibiótico possa avançar para testes clínicos.
Por
outro lado, os pesquisadores já conseguiram mapear sua estrutura química e
identificar exatamente como ela se conecta ao ribossomo, graças a imagens de
alta resolução produzidas por colaboradores da Universidade de Hamburgo, na
Alemanha.
Agora,
o objetivo é aperfeiçoar a molécula para aumentar sua eficácia e superar
possíveis mecanismos de resistência.
Fonte:
Correio Braziliense

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