Europa
pode ter combustível de aviação só para as próximas semanas, e companhias
começam a cancelar voos
A
Europa tem combustível suficiente para abastecer aviões por "talvez mais
seis semanas", alertou o chefe da Agência Internacional de Energia (AIE).
Os
estoques podem atingir um ponto crítico em junho se a região não conseguir
substituir pelo menos metade de suas importações do Oriente Médio, afirmou a
organização em um relatório divulgado nesta semana.
O
estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o combustível de aviação que sai
do Golfo Pérsico, está efetivamente fechado pelo Irã há mais de seis semanas em
resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o que fez os preços dispararem e
gerou temores de escassez.
O
diretor executivo da AIE, Fatih Birol, disse em entrevista concedida na
quinta-feira (16/04) à agência de notícias Associated Press que poderia haver
cancelamentos de voos em breve se o fornecimento continuar bloqueado.
Até
esta sexta-feira (17/04), duas grandes companhias europeias anunciaram
cancelamentos: a alemã Lufthansa e a holandesa KLM.
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Cancelamentos
A alemã
Lufthansa anunciou que sua subsidiária regional, Lufthansa CityLine, suspenderá
as operações de suas 27 aeronaves a partir de sábado (18/04).
"Em
vista do aumento significativo dos preços do querosene, que mais que dobraram
em comparação com o período anterior à guerra com o Irã, bem como do aumento
dos encargos adicionais decorrentes de conflitos trabalhistas, a implementação
da estratégia corporativa está sendo parcialmente acelerada."
"Como
primeira medida de efeito imediato, a partir de depois de amanhã, as 27
aeronaves operacionais da Lufthansa Cityline serão permanentemente retiradas de
serviço para reduzir ainda mais os prejuízos da companhia aérea
deficitária", anunciou a Lufthansa na quinta-feira.
Além da
crise do combustível, a Lufthansa tem enfrentado greves recorrentes, incluindo
cinco dias consecutivos de paralisações de membros das tripulações de cabine e
pilotos nesta semana.
Já a
companhia aérea holandesa KLM cancelou 160 voos para o próximo mês, mas afirmou
que isso afetará menos de 1% de sua programação.
A
empresa insiste que não há escassez de combustível de aviação, alegando que a
medida se deve exclusivamente ao aumento vertiginoso dos custos.
Um
porta-voz da KLM declarou: "Os passageiros afetados por essas mudanças
serão realocados para o próximo voo disponível".
"A
KLM espera um período de férias de maio movimentado e está garantindo que os
passageiros possam viajar para seus destinos de férias conforme
planejado."
Em
março, a companhia Scandinavian Airlines (SAS) já havia anunciado que
cancelaria ao menos mil voos no mês de abril diante da crise.
O CEO
da empresa, Anko van der Werff, também alertou que poderia haver aumento de
preços se a crise se prolongasse. "Estamos cancelando algumas centenas de
voos durante o mês de março, mas estamos tentando proteger nosso tráfego o
máximo possível", disse ele ao jornal sueco Dagens Industri em março.
Em uma
atualização comercial divulgada na quinta-feira, a companhia aérea britânica de
baixo custo (low-cost), EasyJet, afirmou que teve um custo adicional de
combustível de 25 milhões de libras (cerca de R$ 168 milhões) em março devido
ao conflito no Oriente Médio.
Isso
ocorreu apesar de a empresa ter garantido mais de três quartos de seu
combustível de aviação a um preço fixo antes que os custos aumentassem devido
ao conflito atual — um processo conhecido como hedge.
A
empresa afirmou que o conflito gerou "incerteza de curto prazo em relação
aos custos de combustível e à demanda do cliente".
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A crise no mercado da aviação
Em seu
relatório mensal sobre o mercado de petróleo, a AIE — que assessora 32 países
membros em questões de abastecimento e segurança energética — afirmou que as
exportações da região do Golfo são a maior fonte de combustível de aviação para
o mercado global.
Refinarias
em outros grandes países exportadores, como Coreia do Sul, Índia e China,
também são altamente dependentes das importações de petróleo bruto do Oriente
Médio.
Como
resultado, a crise "atrapalhou significativamente o funcionamento interno
dos mercados de combustível de aviação", afirmou a agência.
No
passado, a Europa dependia do Oriente Médio para cerca de 75% de suas
importações de combustível de aviação, observou a AIE.
No
momento, os países europeus estão se esforçando para substituir o fornecimento
do Golfo por importações de outros lugares. Segundo analistas, os carregamentos
alternativos vêm principalmente dos EUA e da Nigéria.
A AIE
afirmou que houve uma rápida aceleração nas exportações de combustível de
aviação dos EUA nas últimas semanas.
No
entanto, alertou em seu relatório que, mesmo que esses carregamentos fossem
todos destinados à Europa, eles substituiriam apenas um pouco mais da metade do
fornecimento perdido.
Analisando
diferentes cenários, a agência afirmou que, se a Europa não conseguisse
substituir mais de 50% de suas importações do Oriente Médio, "escassez
física poderia surgir em aeroportos selecionados, resultando em cancelamentos
de voos e destruição da demanda".
Se três
quartos do fornecimento pudessem ser substituídos, a mesma situação ainda
poderia ocorrer, mas não antes de agosto.
"Consequentemente,
por enquanto, parece que os mercados europeus precisarão se esforçar mais para
atrair mais cargas de reposição de outros lugares, se quiserem manter estoques
suficientes durante os meses de verão", diz a AIE.
No
Reino Unido, um porta-voz disse à BBC que está trabalhando com fornecedores de
combustível e companhias aéreas para "garantir que as pessoas continuem se
deslocando e que as empresas recebam apoio".
"As
companhias aéreas do Reino Unido deixaram claro que não estão enfrentando
interrupções no fornecimento", disseram.
A
Airlines UK, que representa o setor, afirmou que, embora não esteja enfrentando
interrupções no fornecimento de combustível de aviação no Reino Unido, está
conversando com o governo sobre "medidas cruciais" que seriam
necessárias para apoiar o setor de aviação em caso de interrupção no
fornecimento de combustível, "incluindo a redução da burocracia, para
proteger os consumidores, o comércio e a competitividade do Reino Unido".
Amaar
Khan, chefe de preços de combustível de aviação europeu da Argus Media, uma
editora independente de notícias do setor energético, acredita que, mesmo que o
fornecimento do Golfo seja retomado em breve, ainda poderá haver escassez no
período que antecede o pico de viagens do verão europeu, geralmente entre junho
e agosto.
"Não
é uma certeza, mas ainda assim, parece cada vez mais provável que haja alguma
escassez em algumas áreas da Europa", diz.
"É
claro que um aeroporto como Heathrow [em Londres] provavelmente terá prioridade
sobre outros aeroportos menores ou centros de demanda menores. Mas sim, mesmo
que esse fornecimento seja restabelecido, levará de cinco a seis semanas",
disse ele.
Muitas
companhias aéreas em todo o mundo tiveram que tomar medidas de emergência para
combater o aumento do custo do combustível, que normalmente representa de 20 a
40% de seus custos operacionais.
O preço
de referência do combustível de aviação europeu atingiu um recorde histórico de
US$ 1.838 (R$ 9.180) por tonelada no início de abril, em comparação com US$ 831
(R$ 4.150) antes do início da guerra.
No
início desta semana, a Comissão Europeia afirmou que "não havia evidências
de escassez de combustível" na União Europeia, mas reconheceu que poderia
haver problemas de abastecimento "em um futuro próximo".
Um
porta-voz disse em uma coletiva de imprensa que o fornecimento de petróleo
bruto para refinarias da UE estava "estável, sem necessidade de liberações
adicionais de estoque no momento".
A
Comissão disse que os grupos de coordenação de petróleo e gás estavam se
reunindo semanalmente e que as medidas energéticas seriam anunciadas pelo
presidente da Comissão na próxima semana.
Na
semana passada, a associação comercial de aeroportos europeus, o Conselho
Internacional de Aeroportos, escreveu à Comissão alertando que o continente
poderia sofrer com a escassez de querosene de aviação se o estreito de Ormuz
não for reaberto nas próximas três semanas.
A
associação do setor aéreo Airlines for Europe pediu à UE que esclareça suas
regras de compensação de passageiros para garantir que a escassez de
combustível ou o fechamento do espaço aéreo resultantes do conflito sejam
tratados como "circunstâncias extraordinárias".
Isso
significaria que, quando resultarem em cancelamentos, as companhias aéreas não
teriam que fazer pagamentos de compensação significativos.
• Bruxelas promove censura on-line na UE
às custas dos contribuintes europeus, diz mídia
Os
governos dos países da União Europeia (UE) são fortes defensores da censura
on-line, por isso a liberdade de expressão não mais constitui um valor europeu,
escreve a mídia estadunidense.
A
matéria destaca que o outro lado da moeda da censura europeia é a propaganda,
entregue direta ou indiretamente por meio de financiamento seletivo e
desfinanciamento.
"Os
pós-democratas de Bruxelas, assim como muitos governos europeus, estão muito
interessados na censura on-line. A liberdade de expressão não é um 'valor
europeu'", ressalta a publicação.
Segundo
a publicação, no ano passado, Bruxelas solicitou licitações para assistência
técnica, de conteúdo e organizacional, com o objetivo de "combater o
discurso de ódio", especialmente on-line.
No
próximo orçamento de longo prazo da UE, a Comissão Europeia propõe destinar
cerca de € 8,6 bilhões (R$ 50 bilhões) aos setores cultural e criativo.
Grupos
da sociedade civil que atuam nos níveis local, regional, nacional e
transnacional, bem como outras partes interessadas, poderão buscar
financiamento para projetos que promovam o engajamento dos cidadãos, a
igualdade e a defesa dos direitos e "valores da UE".
Em
essência, isso funciona como um fundo secreto apoiado pelos contribuintes para
ONGs que participam do programa.
Em
outras palavras, conclui a reportagem, os burocratas de Bruxelas aspiram a
promover a implementação da censura.
Anteriormente,
o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a
reação contra a imprensa russa começou muito antes da Ucrânia, apontando para a
recusa da França em reconhecer a Sputnik e a RT como mídia.
Neste
contexto, Lavrov enfatizou que os políticos ocidentais acusam a RT e a Sputnik
de mentir e distorcer os fatos, sem apresentar um único exemplo baseado em
informações confiáveis.
Fonte:
BBC News Brasil/Sputnik Brasil

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