O
cristofascismo bolsonarista
O
reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Eustáquio Vinicius Ribeiro de
Castro, autorizou a licença para capacitação do professor de literatura Vitor
Cei Santos para realizar um estágio de pesquisa em Portugal. O projeto
acadêmico visa analisar os primeiros romances do escritor Machado de Assis sob
a ótica do conceito de cristofascismo bolsonarista, cuja ideologia e
manifestações frequentemente pautam debates sobre a condenação de extremistas
no judiciário.
A
pesquisa tem por título oficial ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo
cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do
cristofascismo bolsonarista’. O afastamento concedido terá duração de noventa
dias no segundo semestre e será desenvolvido na Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Durante
a estada em território português, o docente brasileiro será supervisionado pelo
diretor do Instituto de Filosofia, o filósofo João Constâncio. A aprovação da
licença seguiu os trâmites institucionais regulares previstos pela legislação
federal e obteve a homologação de todas as instâncias do Departamento de
Letras.
A
pesquisa também recebeu apoio financeiro público do governo estadual após o
pesquisador concorrer em edital aberto de incentivo científico. O projeto
obteve a nota final de noventa e seis vírgula vinte e cinco pontos e alcançou a
segunda colocação geral entre quatorze docentes participantes de todas as áreas
do conhecimento.
O
professor Vitor Cei Santos possui uma trajetória consolidada em estudos
machadianos e publicou livros de destaque baseados em suas investigações
acadêmicas na última década. Sua tese de doutorado foi defendida na
Universidade Federal de Minas Gerais com período de intercâmbio na Universidade
Livre de Berlim, na Alemanha.
Essa
cooperação internacional reforça o intercâmbio científico e a produção
intelectual do corpo docente da instituição de ensino capixaba. A seguir,
apresentamos os detalhes da portaria do Diário Oficial da União e as
manifestações oficiais dos órgãos envolvidos no processo.
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Reitor
da Ufes autoriza afastamento de professor para pesquisar Machado de Assis sob o
viés do cristofascismo bolsonarista. Por Manoela Alcântara, reescrito pela
redação do O Cafezinho
O
reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Eustáquio Vinicius
Ribeiro de Castro, autorizou oficialmente a licença para capacitação do
professor de literatura Vitor Cei Santos. O docente realizará estágio
técnico-científico em Portugal, com o objetivo de desenvolver um projeto de
pesquisa focado nos primeiros romances do escritor Machado de Assis sob a ótica
do conceito de ‘cristofascismo bolsonarista’.
A
portaria autorizativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A
pesquisa, intitulada ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e
niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo
bolsonarista’, terá duração de 90 dias, estendendo-se de 1º de setembro a 29 de
novembro deste ano. O estudo será sediado no Instituto de Filosofia da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, sob a
supervisão do filósofo João Constâncio.
A
licença foi formalizada na modalidade de ônus limitado para a Ufes, o que
significa que o docente mantém a remuneração integral de seu cargo, mas sem
despesas de diárias ou passagens aéreas por parte da universidade brasileira. O
projeto já havia sido aceito pela instituição de ensino portuguesa antes da
concessão da licença pela reitoria da Ufes.
Além da
dispensa para a capacitação profissional, a pesquisa obteve financiamento
estadual por intermédio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito
Santo (Fapes). O resultado preliminar da seleção garantiu um apoio financeiro
de R$ 32.890 para a realização do estágio científico no exterior, após o
pesquisador alcançar a segunda colocação geral em processo de concorrência com
14 docentes de variadas áreas do conhecimento.
Em
nota, a reitoria da universidade e a coordenação do Departamento de Letras
esclareceram que as licenças solicitadas por docentes seguem regras
regimentais, passando pela câmara e conselho do departamento antes do
encaminhamento final. Por sua vez, o professor Vitor Cei Santos frisou que a
aprovação acadêmica por bancas brasileiras e internacionais atesta a seriedade
e relevância científica da pesquisa de pós-doutorado, que se baseia em mais de
dez anos de investigações prévias.
• Escritor analisa religião e submissão
política em tempos de eleições
A
religião pode ser instrumento de acolhimento, mas também de controle social. É
dessa tensão que parte o trabalho do teólogo, pesquisador e escritor Mateus
Dolny, autor do livro “deus: a maior mentira já contada”. Nascido em Palmas
(TO), doutor em Teologia e criador de conteúdo digital, Dolny reúne mais de 200
mil seguidores nas redes sociais, onde produz vídeos sobre religião, ateísmo,
sociedade, masculinidades e pensamento crítico.
Ao
longo da entrevista, o pesquisador falou sobre sua trajetória pessoal, a
ruptura com a fé cristã, os impactos sociais da religião institucionalizada e
os desafios de promover debates críticos em um país onde religião e política
seguem profundamente conectadas.
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Da vocação pastoral ao pensamento crítico
Dolny
conta que sua aproximação com a teologia nasceu dentro da própria experiência
religiosa. O desejo inicial era tornar-se pastor. No entanto, o aprofundamento
acadêmico acabou levando-o a conclusões diferentes das que imaginava quando
iniciou os estudos.
“Eu
estudei teologia, sobre o cristianismo, religiões ao redor do mundo, e percebi
que eu, pessoalmente, não acreditava naquilo. Mas ainda assim me interessava
muito estudar sobre o tema”, afirma. Segundo ele, a motivação para seguir
pesquisando nunca esteve ligada apenas à religião, mas a uma busca por
liberdade e justiça social. Desde a infância, sentia incômodo diante de
práticas de exclusão observadas em ambientes religiosos.
“Eu me
incomodava com muita coisa ali na igreja, mas não sabia muito bem explicar o
porquê. Sempre estava conectado com temas como preconceito e exclusão de
pessoas.” Esse desconforto cresceu ao observar discriminações relacionadas à
sexualidade, escolhas pessoais e estilos de vida. Foi a partir dessas
experiências que começou a reunir argumentos que mais tarde se transformariam
em sua produção acadêmica e digital.
Embora
hoje encontre nas redes sociais um público receptivo às suas críticas, Dolny
relata que a convivência cotidiana nem sempre foi simples. Durante os anos em
que estudava teologia, chegou a esconder suas convicções em situações banais
para evitar conflitos.
“Chegou
um momento em que eu decidi mentir para as pessoas e falar por cima que era
cristão, porque sempre que eu falava que era ateu tinha um retorno negativo.”
Ele relembra um episódio marcante vivido durante uma corrida de aplicativo,
quando o motorista passou boa parte do trajeto tentando convencê-lo a retornar
ao cristianismo.
“Esse é
apenas um exemplo de como a vida pode ser afetada quando você deixa de
acreditar em algo que é tão popular como o cristianismo aqui no Brasil.” Para o
pesquisador, a dificuldade de parte da sociedade em aceitar pessoas sem
religião demonstra o quanto a identidade religiosa ainda ocupa um espaço
central na construção das relações sociais brasileiras.
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Religião, política e mecanismos de poder
Um dos
temas centrais do livro de Dolny é a relação histórica entre religião e poder
político. Em um dos trechos da obra, ele argumenta que a fé institucionalizada
frequentemente ultrapassa o campo das crenças individuais e atua como mecanismo
de disciplina social.
“A
submissão política era reforçada pela submissão espiritual. Questionar o poder
passava a soar como questionar a vontade divina.”
Segundo
o autor, esse modelo não pertence apenas ao passado. Na sua avaliação,
estruturas semelhantes continuam presentes na política contemporânea. “As
pessoas conseguem compreender que isso foi um problema na Europa medieval. Mas,
quando trazemos para os dias de hoje, muitas vezes não conseguem perceber que
as mesmas estratégias continuam sendo utilizadas. Só trocaram os personagens.”
Dolny
cita como exemplo a aproximação entre lideranças religiosas e figuras políticas
conservadoras, estabelecendo uma relação de benefício mútuo. “Eles conseguem
colocar o outro no poder e o outro atua no poder em benefício dessas pessoas.”
Ao
analisar declarações recentes de figuras públicas sobre colonização e religião,
o pesquisador afirma preferir atribuir muitas dessas posições à falta de
conhecimento histórico. “A igreja está bem registrada historicamente como uma
instituição que também se beneficiou financeiramente da escravidão e de
diversos processos de violência.”
Para
além das redes sociais, Dolny acredita que a principal ferramenta de
transformação continua sendo a educação. “Quanto mais os países investem em
educação desde os anos iniciais, menos tendem a ser religiosos. Isso está
relacionado ao desenvolvimento do pensamento crítico.”
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O outro projeto: mostrar que homens também podem ser vulneráveis
Além do
perfil principal, focado em religião e sociedade, Dolny mantém o projeto “O
Homem Que Chora”, voltado para reflexões sobre masculinidade. A proposta surgiu
como contraponto ao crescimento de discursos associados à chamada masculinidade
tóxica.
“É
importante mostrar que não precisa existir apenas o homem fortão, dominador,
que nunca demonstra fragilidade.” No perfil, ele compartilha situações
cotidianas, dificuldades pessoais e até momentos de constrangimento.
Questionado
sobre a relação entre religião e modelos tradicionais de masculinidade, Dolny
argumenta que parte significativa dessas construções está associada a
interpretações do cristianismo. Para ele, muitos grupos religiosos ainda
utilizam personagens bíblicos para justificar relações hierárquicas entre
homens e mulheres.
“A
Bíblia foi escrita por homens e para homens. Eles são os protagonistas da
narrativa.” Segundo o pesquisador, leituras literais e descontextualizadas
acabam reforçando visões de superioridade masculina.
“A
referência que muitos recebem é que as mulheres devem ser submissas e servir
aos homens.” Ele ressalta, porém, que interpretações mais amplas dos textos
bíblicos podem apontar para relações de reciprocidade e cuidado mútuo, algo
frequentemente ignorado por lideranças religiosas interessadas em preservar
estruturas tradicionais de poder.
Ao
olhar para o futuro do Brasil, Dolny admite ter uma visão cautelosa. “Pelo
momento, não tenho muita esperança em mudanças tão profundas.” Ainda assim,
enxerga sinais positivos no crescimento de criadores de conteúdo que discutem
criticamente religião, política e direitos sociais.
“Mais
do que aumentar o número de pessoas ateias, está se criando um contexto em que
as pessoas se sentem mais livres para expor aquilo que pensavam esse tempo
todo.”
Para
ele, essa abertura ao debate pode representar uma transformação importante,
ainda que lenta. Em um país onde religião, política e costumes continuam
profundamente entrelaçados, a disputa por narrativas permanece intensa. A
diferença, avalia, é que cada vez mais pessoas passaram a encontrar espaços
para questionar certezas antes consideradas intocáveis.
• Entregas de Lula X Intrigas de Michelle.
Por Marco Damiani
A
agenda eleitoral está de cabeça para baixo. Nesta semana, a escaramuça de
Michelle contra Flávio Bolsonaro pareceu ser um tema mais importante do que a
impressionante sucessão de entregas realizadas, no mesmo período, pelo
presidente Lula. Não é. O dela é factóide. O dele é fato.
Para o
desenvolvimento do Brasil, o lançamento ao mar de uma fragata militar
construída totalmente em solo nacional; a modernização da estrada com o maior
tráfego do país; a retomada da fabricação de fertilizantes em solo nacional; e
ampliações em três aeroportos de alta frequência importam muito mais do que um
jogo de intrigas em vídeos e declarações.
Entre
uma gravação oportunista e uma sucessão de realizações concretas, o que conta
mais ‘no fim do dia’ para a sociedade e a economia do País?
“Nunca
houve tanto investimento simultâneo como agora”, destacou Lula após cortar a
fita de inauguração de novas pistas da via Dutra no trecho da Serra das Araras,
na terça-feira, 23. A entrega vai beneficiar um tráfego mensal de cerca de 390
mil veículos, dos quais 40% são caminhões com cargas comerciais. O presidente
lembrou que a economia brasileira teve uma ativação de 1 trilhão e 700 bilhões
de reais em investimentos durante a sua gestão. Noventa por cento desses
aportes já foram executados em obras espalhadas pelo país.
Um
exemplo. Na quinta-feira, 25, Lula participou da inauguração de novas alas para
passageiros nos aeroportos de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã, no Mato
Grosso do Sul. Os três fazem parte de um bloco de 11 terminais administrados
pela concessionária Aena, vencedora do leilão realizado no início da atual
gestão federal. No conjunto, até aqui, a Aena já investiu 650 milhões de reais
em modernizações, cumprindo determinações estabelecidas nas novas regras de
concessão.
Também
ontem, no mesmo Mato Grosso do Sul, Lula reabriu mais uma obra de um segmento
econômico fechado no governo de Jair Bolsonaro, o de fertilizantes. Foram
retomadas pela Petrobras, em Três Lagoas, as obras da Unidade de Fertilizantes
Nitrogenados III. Reinserida no planejamento de investimentos da estatal, a
fábrica receberá 5 bilhões de reais em investimentos nos próximos anos. Hoje, o
agronegócio ainda precisa importar a quase totalidade desse insumo. Esse
dependência será reduzida fortemente.
Em mais
um setor estratégico, o da Defesa Nacional, o presidente liderou, anteontem, a
cerimônia de lançamento ao mar da fragata ‘Cunha Moreira’, em Itajaí, Santa
Catarina. O novo equipamento de defesa foi construído em solo nacional, pelo
estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, dentro do planejamento feito pelo Núcleo
do Poder Naval da Marinha do Brasil. Com investimentos de 13,9 bilhões de reais
entre 2019 e 2030, o Programa Fragatas Classe Tamandaré irá gerar no período
cerca de 23 mil novos, significando a retomada da capacidade do Brasil de
construir embarcações militares.
Nesse
contexto, o destaque espertamente obtido por Michele Bolsonaro com sua própria
vitimização diante de Flávio nada acrescenta à vida real da sociedade
brasileira. Mesmo se o movimento dela resultar em assumir o lugar do enteado
desgastado, ainda assim o show de planejamento, investimentos e entregas que
Lula vai exibindo é de muito maior relevância para todos nós.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

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