terça-feira, 30 de junho de 2026

O cristofascismo bolsonarista

O reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro, autorizou a licença para capacitação do professor de literatura Vitor Cei Santos para realizar um estágio de pesquisa em Portugal. O projeto acadêmico visa analisar os primeiros romances do escritor Machado de Assis sob a ótica do conceito de cristofascismo bolsonarista, cuja ideologia e manifestações frequentemente pautam debates sobre a condenação de extremistas no judiciário.

A pesquisa tem por título oficial ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista’. O afastamento concedido terá duração de noventa dias no segundo semestre e será desenvolvido na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Durante a estada em território português, o docente brasileiro será supervisionado pelo diretor do Instituto de Filosofia, o filósofo João Constâncio. A aprovação da licença seguiu os trâmites institucionais regulares previstos pela legislação federal e obteve a homologação de todas as instâncias do Departamento de Letras.

A pesquisa também recebeu apoio financeiro público do governo estadual após o pesquisador concorrer em edital aberto de incentivo científico. O projeto obteve a nota final de noventa e seis vírgula vinte e cinco pontos e alcançou a segunda colocação geral entre quatorze docentes participantes de todas as áreas do conhecimento.

O professor Vitor Cei Santos possui uma trajetória consolidada em estudos machadianos e publicou livros de destaque baseados em suas investigações acadêmicas na última década. Sua tese de doutorado foi defendida na Universidade Federal de Minas Gerais com período de intercâmbio na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha.

Essa cooperação internacional reforça o intercâmbio científico e a produção intelectual do corpo docente da instituição de ensino capixaba. A seguir, apresentamos os detalhes da portaria do Diário Oficial da União e as manifestações oficiais dos órgãos envolvidos no processo.

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Reitor da Ufes autoriza afastamento de professor para pesquisar Machado de Assis sob o viés do cristofascismo bolsonarista. Por Manoela Alcântara, reescrito pela redação do O Cafezinho

O reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Eustáquio Vinicius Ribeiro de Castro, autorizou oficialmente a licença para capacitação do professor de literatura Vitor Cei Santos. O docente realizará estágio técnico-científico em Portugal, com o objetivo de desenvolver um projeto de pesquisa focado nos primeiros romances do escritor Machado de Assis sob a ótica do conceito de ‘cristofascismo bolsonarista’.

A portaria autorizativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A pesquisa, intitulada ‘O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista’, terá duração de 90 dias, estendendo-se de 1º de setembro a 29 de novembro deste ano. O estudo será sediado no Instituto de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, sob a supervisão do filósofo João Constâncio.

A licença foi formalizada na modalidade de ônus limitado para a Ufes, o que significa que o docente mantém a remuneração integral de seu cargo, mas sem despesas de diárias ou passagens aéreas por parte da universidade brasileira. O projeto já havia sido aceito pela instituição de ensino portuguesa antes da concessão da licença pela reitoria da Ufes.

Além da dispensa para a capacitação profissional, a pesquisa obteve financiamento estadual por intermédio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). O resultado preliminar da seleção garantiu um apoio financeiro de R$ 32.890 para a realização do estágio científico no exterior, após o pesquisador alcançar a segunda colocação geral em processo de concorrência com 14 docentes de variadas áreas do conhecimento.

Em nota, a reitoria da universidade e a coordenação do Departamento de Letras esclareceram que as licenças solicitadas por docentes seguem regras regimentais, passando pela câmara e conselho do departamento antes do encaminhamento final. Por sua vez, o professor Vitor Cei Santos frisou que a aprovação acadêmica por bancas brasileiras e internacionais atesta a seriedade e relevância científica da pesquisa de pós-doutorado, que se baseia em mais de dez anos de investigações prévias.

•        Escritor analisa religião e submissão política em tempos de eleições

A religião pode ser instrumento de acolhimento, mas também de controle social. É dessa tensão que parte o trabalho do teólogo, pesquisador e escritor Mateus Dolny, autor do livro “deus: a maior mentira já contada”. Nascido em Palmas (TO), doutor em Teologia e criador de conteúdo digital, Dolny reúne mais de 200 mil seguidores nas redes sociais, onde produz vídeos sobre religião, ateísmo, sociedade, masculinidades e pensamento crítico.

Ao longo da entrevista, o pesquisador falou sobre sua trajetória pessoal, a ruptura com a fé cristã, os impactos sociais da religião institucionalizada e os desafios de promover debates críticos em um país onde religião e política seguem profundamente conectadas.

<><> Da vocação pastoral ao pensamento crítico

Dolny conta que sua aproximação com a teologia nasceu dentro da própria experiência religiosa. O desejo inicial era tornar-se pastor. No entanto, o aprofundamento acadêmico acabou levando-o a conclusões diferentes das que imaginava quando iniciou os estudos.

“Eu estudei teologia, sobre o cristianismo, religiões ao redor do mundo, e percebi que eu, pessoalmente, não acreditava naquilo. Mas ainda assim me interessava muito estudar sobre o tema”, afirma. Segundo ele, a motivação para seguir pesquisando nunca esteve ligada apenas à religião, mas a uma busca por liberdade e justiça social. Desde a infância, sentia incômodo diante de práticas de exclusão observadas em ambientes religiosos.

“Eu me incomodava com muita coisa ali na igreja, mas não sabia muito bem explicar o porquê. Sempre estava conectado com temas como preconceito e exclusão de pessoas.” Esse desconforto cresceu ao observar discriminações relacionadas à sexualidade, escolhas pessoais e estilos de vida. Foi a partir dessas experiências que começou a reunir argumentos que mais tarde se transformariam em sua produção acadêmica e digital.

Embora hoje encontre nas redes sociais um público receptivo às suas críticas, Dolny relata que a convivência cotidiana nem sempre foi simples. Durante os anos em que estudava teologia, chegou a esconder suas convicções em situações banais para evitar conflitos.

“Chegou um momento em que eu decidi mentir para as pessoas e falar por cima que era cristão, porque sempre que eu falava que era ateu tinha um retorno negativo.” Ele relembra um episódio marcante vivido durante uma corrida de aplicativo, quando o motorista passou boa parte do trajeto tentando convencê-lo a retornar ao cristianismo.

“Esse é apenas um exemplo de como a vida pode ser afetada quando você deixa de acreditar em algo que é tão popular como o cristianismo aqui no Brasil.” Para o pesquisador, a dificuldade de parte da sociedade em aceitar pessoas sem religião demonstra o quanto a identidade religiosa ainda ocupa um espaço central na construção das relações sociais brasileiras.

<><> Religião, política e mecanismos de poder

Um dos temas centrais do livro de Dolny é a relação histórica entre religião e poder político. Em um dos trechos da obra, ele argumenta que a fé institucionalizada frequentemente ultrapassa o campo das crenças individuais e atua como mecanismo de disciplina social.

“A submissão política era reforçada pela submissão espiritual. Questionar o poder passava a soar como questionar a vontade divina.”

Segundo o autor, esse modelo não pertence apenas ao passado. Na sua avaliação, estruturas semelhantes continuam presentes na política contemporânea. “As pessoas conseguem compreender que isso foi um problema na Europa medieval. Mas, quando trazemos para os dias de hoje, muitas vezes não conseguem perceber que as mesmas estratégias continuam sendo utilizadas. Só trocaram os personagens.”

Dolny cita como exemplo a aproximação entre lideranças religiosas e figuras políticas conservadoras, estabelecendo uma relação de benefício mútuo. “Eles conseguem colocar o outro no poder e o outro atua no poder em benefício dessas pessoas.”

Ao analisar declarações recentes de figuras públicas sobre colonização e religião, o pesquisador afirma preferir atribuir muitas dessas posições à falta de conhecimento histórico. “A igreja está bem registrada historicamente como uma instituição que também se beneficiou financeiramente da escravidão e de diversos processos de violência.”

Para além das redes sociais, Dolny acredita que a principal ferramenta de transformação continua sendo a educação. “Quanto mais os países investem em educação desde os anos iniciais, menos tendem a ser religiosos. Isso está relacionado ao desenvolvimento do pensamento crítico.”

<><> O outro projeto: mostrar que homens também podem ser vulneráveis

Além do perfil principal, focado em religião e sociedade, Dolny mantém o projeto “O Homem Que Chora”, voltado para reflexões sobre masculinidade. A proposta surgiu como contraponto ao crescimento de discursos associados à chamada masculinidade tóxica.

“É importante mostrar que não precisa existir apenas o homem fortão, dominador, que nunca demonstra fragilidade.” No perfil, ele compartilha situações cotidianas, dificuldades pessoais e até momentos de constrangimento.

Questionado sobre a relação entre religião e modelos tradicionais de masculinidade, Dolny argumenta que parte significativa dessas construções está associada a interpretações do cristianismo. Para ele, muitos grupos religiosos ainda utilizam personagens bíblicos para justificar relações hierárquicas entre homens e mulheres.

“A Bíblia foi escrita por homens e para homens. Eles são os protagonistas da narrativa.” Segundo o pesquisador, leituras literais e descontextualizadas acabam reforçando visões de superioridade masculina.

“A referência que muitos recebem é que as mulheres devem ser submissas e servir aos homens.” Ele ressalta, porém, que interpretações mais amplas dos textos bíblicos podem apontar para relações de reciprocidade e cuidado mútuo, algo frequentemente ignorado por lideranças religiosas interessadas em preservar estruturas tradicionais de poder.

Ao olhar para o futuro do Brasil, Dolny admite ter uma visão cautelosa. “Pelo momento, não tenho muita esperança em mudanças tão profundas.” Ainda assim, enxerga sinais positivos no crescimento de criadores de conteúdo que discutem criticamente religião, política e direitos sociais.

“Mais do que aumentar o número de pessoas ateias, está se criando um contexto em que as pessoas se sentem mais livres para expor aquilo que pensavam esse tempo todo.”

Para ele, essa abertura ao debate pode representar uma transformação importante, ainda que lenta. Em um país onde religião, política e costumes continuam profundamente entrelaçados, a disputa por narrativas permanece intensa. A diferença, avalia, é que cada vez mais pessoas passaram a encontrar espaços para questionar certezas antes consideradas intocáveis.

•        Entregas de Lula X Intrigas de Michelle. Por Marco Damiani

A agenda eleitoral está de cabeça para baixo. Nesta semana, a escaramuça de Michelle contra Flávio Bolsonaro pareceu ser um tema mais importante do que a impressionante sucessão de entregas realizadas, no mesmo período, pelo presidente Lula. Não é. O dela é factóide. O dele é fato.

Para o desenvolvimento do Brasil, o lançamento ao mar de uma fragata militar construída totalmente em solo nacional; a modernização da estrada com o maior tráfego do país; a retomada da fabricação de fertilizantes em solo nacional; e ampliações em três aeroportos de alta frequência importam muito mais do que um jogo de intrigas em vídeos e declarações.

Entre uma gravação oportunista e uma sucessão de realizações concretas, o que conta mais ‘no fim do dia’ para a sociedade e a economia do País?

“Nunca houve tanto investimento simultâneo como agora”, destacou Lula após cortar a fita de inauguração de novas pistas da via Dutra no trecho da Serra das Araras, na terça-feira, 23. A entrega vai beneficiar um tráfego mensal de cerca de 390 mil veículos, dos quais 40% são caminhões com cargas comerciais. O presidente lembrou que a economia brasileira teve uma ativação de 1 trilhão e 700 bilhões de reais em investimentos durante a sua gestão. Noventa por cento desses aportes já foram executados em obras espalhadas pelo país.

Um exemplo. Na quinta-feira, 25, Lula participou da inauguração de novas alas para passageiros nos aeroportos de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Os três fazem parte de um bloco de 11 terminais administrados pela concessionária Aena, vencedora do leilão realizado no início da atual gestão federal. No conjunto, até aqui, a Aena já investiu 650 milhões de reais em modernizações, cumprindo determinações estabelecidas nas novas regras de concessão.

Também ontem, no mesmo Mato Grosso do Sul, Lula reabriu mais uma obra de um segmento econômico fechado no governo de Jair Bolsonaro, o de fertilizantes. Foram retomadas pela Petrobras, em Três Lagoas, as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III. Reinserida no planejamento de investimentos da estatal, a fábrica receberá 5 bilhões de reais em investimentos nos próximos anos. Hoje, o agronegócio ainda precisa importar a quase totalidade desse insumo. Esse dependência será reduzida fortemente.

Em mais um setor estratégico, o da Defesa Nacional, o presidente liderou, anteontem, a cerimônia de lançamento ao mar da fragata ‘Cunha Moreira’, em Itajaí, Santa Catarina. O novo equipamento de defesa foi construído em solo nacional, pelo estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, dentro do planejamento feito pelo Núcleo do Poder Naval da Marinha do Brasil. Com investimentos de 13,9 bilhões de reais entre 2019 e 2030, o Programa Fragatas Classe Tamandaré irá gerar no período cerca de 23 mil novos, significando a retomada da capacidade do Brasil de construir embarcações militares.

Nesse contexto, o destaque espertamente obtido por Michele Bolsonaro com sua própria vitimização diante de Flávio nada acrescenta à vida real da sociedade brasileira. Mesmo se o movimento dela resultar em assumir o lugar do enteado desgastado, ainda assim o show de planejamento, investimentos e entregas que Lula vai exibindo é de muito maior relevância para todos nós.

 

Fonte: O Cafezinho/Brasil 247

 

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