Boa
vontade americana com família Bolsonaro está com os dias contados
Há boas
razões para acreditar que Eduardo Bolsonaro, seu irmão Flávio Bolsonaro e todos
os bolsonaristas refugiados nos Estados Unidos não deveriam ficar muito
otimistas quanto ao seu futuro no país. Com a iminente mudança na correlação de
forças após novembro, o alinhamento de parlamentares norte-americanos com a
oposição brasileira pode perder toda a sua relevância prática.
O
presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson,
enviou um alerta contundente a todos os aliados republicanos de Donald Trump
sobre um eventual cenário de derrota eleitoral. Segundo a declaração do
congressista norte-americano, uma vitória democrata nas midterms desencadeará
investigações severas e processos judiciais contra assessores, doadores,
familiares do presidente e demais colaboradores.
Essa
ameaça de responsabilização e punição criminal acende o sinal vermelho para
figuras brasileiras que usam os Estados Unidos como refúgio político e base de
difamação de nossas instituições. O deputado Eduardo Bolsonaro e seus parceiros
ideológicos devem se preparar para a perda de blindagem diplomática caso as
investigações de Washington atinjam o círculo íntimo de Trump.
O
senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, corre o risco de ver esgotada toda a
influência política que supunha ter junto aos legisladores de extrema-direita
de Washington. A derrocada do apoio parlamentar norte-americano expõe a
fragilidade de uma estratégia política construída com base na dependência e no
oportunismo ideológico internacional.
A
conduta do parlamentar fluminense reflete um histórico de traição aos
interesses nacionais, evidenciado durante a crise tarifária deflagrada por
Washington em meados de 2025. Na ocasião, Flávio Bolsonaro comparou as ameaças
de sobretaxas às bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, sugerindo
que o Brasil deveria capitular incondicionalmente para evitar uma destruição
semelhante.
A
retórica de submissão do senador demonstra que seu clã encara as relações
exteriores do país sob a lógica de uma capitulação colonial vergonhosa. A
soberania e a dignidade do povo brasileiro não podem ser ameaçadas ou
oferecidas como barganha política para salvar aliados de governos estrangeiros.
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Leia a declaração de Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes
(Speaker) dos Estados Unidos:
Original em inglês:
“If we lose the midterms, the Democrats will go after
the president’s family, the cabinet, his donors, friends, and the rest of you
who have committed crimes.”
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Tradução livre:
“Se nós
perdermos as eleições parlamentares de meio de mandato (midterms), os
democratas vão caçar a família do presidente, o gabinete, seus doadores, amigos
e todos vocês outros que cometeram crimes.”
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###Confira
a transcrição da fala do senador Flávio Bolsonaro à CNN Brasil em 10 de julho
de 2025, resgatada nas redes sociais:
“Se
você olhar pra Segunda Guerra Mundial, o que que os Estados Unidos fez com o
Japão? Lança uma bomba atômica em Hiroshima pra demonstrar força. […] Qual foi
a consequência três dias depois? Uma segunda bomba atômica em Nagasaki pra, aí
depois sim, haver no dia 16 de agosto de 1945 […] uma rendição formal por parte
do Japão.
Então
essa situação tem que ser encarada como uma negociação de guerra, sim, onde nós
não estamos em condições normais […] Cabe a nós termos a responsabilidade de
evitar que caiam duas bombas atômicas aqui no Brasil […]”
• Flávio Bolsonaro usa intimidação contra
Michelle na disputa pela herança bolsonarista
A
reação do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, à ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro não cabe no figurino confortável da novela familiar. O
episódio expõe uma disputa política dura pelo espólio eleitoral do
ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível, e pela definição de quem falará
em nome da direita bolsonarista na eleição presidencial de 2026.
Depois
de Michelle expor publicamente Flávio e relatar o que considera ter sido uma
traição na disputa interna pela candidatura presidencial, veio a resposta em
tom de enquadramento. O ponto central, registrado pela Revista Fórum, é que a
reação não pareceu buscar esclarecimento político, mas disciplina pública de
uma personagem que ameaça ocupar espaço próprio dentro do bolsonarismo.
Flávio
não é apenas filho do ex-presidente nem mero porta-voz de ressentimentos
domésticos. Ele é senador da República, opera no núcleo familiar e tenta se
apresentar como herdeiro institucional do sobrenome Bolsonaro, enquanto
Michelle comanda o PL Mulher e se consolidou como ativo eleitoral junto à base
religiosa e conservadora.
O dado
que muda a natureza da briga é eleitoral. Em cenário sem Jair Bolsonaro,
levantamento Datafolha apontou Michelle com 22% das intenções de voto, contra
8% de Flávio, uma diferença que desloca a sucessão do clã para fora da linha
dinástica que o senador gostaria de controlar.
Essa
assimetria ajuda a explicar a aspereza da reação. Quando a ex-primeira-dama,
sem mandato eletivo e dependente da marca Bolsonaro, aparece mais competitiva
do que o filho parlamentar do ex-presidente, a disputa deixa de ser vaidade
familiar e passa a envolver comando de narrativa, base religiosa, influência
partidária e poder de veto sobre a candidatura da direita.
Há
também uma dimensão material que costuma desaparecer quando a imprensa trata o
bolsonarismo como folhetim. Dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre a
distribuição do Fundo Partidário de 2024 mostram o PL entre os três maiores
beneficiários nacionais, atrás apenas de PT e União Brasil, com fatia superior
a R$ 130 milhões no ano.
Esse
dinheiro público transforma o conflito em luta por máquina. Controlar o PL
significa influir sobre diretórios, candidaturas, tempo político, recursos
partidários e a arquitetura da campanha de 2026, motivo pelo qual a tensão
entre Flávio e Michelle interessa ao público brasileiro muito além da
curiosidade sobre as fissuras da família Bolsonaro.
A
expressão tática miliciana, usada pela fonte original, deve ser tratada com
cuidado. O ponto jornalístico não é imputar crime, mas apontar o método
político de constrangimento público: quando a hierarquia interna é ameaçada, a
resposta vem como enquadramento e disciplina, não como debate transparente.
O herói
dessa história não é Michelle, que também participa da disputa pela herança de
um projeto autoritário. O interesse público está do lado da sociedade
brasileira, que precisa enxergar o que existe por trás da embalagem religiosa,
dos vídeos emocionais e da encenação de família perseguida.
O
bolsonarismo sempre vendeu a si mesmo como movimento moral, mas opera como
condomínio privado de poder. Quando a partilha dos votos, do dinheiro
partidário e do comando simbólico entra em jogo, a retórica da fé dá lugar à
velha linguagem do controle, com Flávio Bolsonaro tentando lembrar ao partido e
à base que o sobrenome ainda reivindica a chave do cofre e do palanque.
• Planalto avalia que Marco Rubio usa
guerra comercial em tentativa de dar protagonismo a Flávio Bolsonaro
O
Palácio do Planalto avalia que a carta escrita pelo secretário de Estado dos
Estados Unidos, Marco Rubio, para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi uma maneira de o
político do Partido Republicano dar protagonismo ao senador em meio à guerra
comercial lançada pelo governo Donald Trump contra o Brasil. Interlocutores da
gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos pela coluna da
jornalista Malu Gaspar, de O Globo, entenderam que o aliado do presidente
estadunidense estaria tentando atribuir ao parlamentar um papel que o próprio
congressista da extrema direita brasileira não ocupa nas negociações oficiais
entre os dois países sobre o tarifaço de 25% defendido pela Casa Branca contra
o país sul-americano.
A
correspondência de Rubio foi enviada na última terça-feira (23) em resposta a
uma carta encaminhada por Flávio Bolsonaro no início de junho. O senador teria
feito um pedido ao secretário dos EUA para rejeitar o tarifaço de 25% sobre
produtos brasileiros exportados para o território estadunidense, mas, conforme
sinalizou o Planalto, os dois políticos apenas ensaiam uma tentativa de
legitimar o parlamentar como interlocutor no debate sobre as tarifas.
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Aliados
do presidente brasileiro avaliam ser difícil convencer o governo Trump a
abandonar as tarifas. Para auxiliares de Lula, a eventual suspensão do tarifaço
seria interpretada como uma vitória diplomática do governo brasileiro.
A
avaliação no Planalto é a de que a disputa comercial também passou a ter peso
político, especialmente diante da leitura de que setores do governo dos EUA
teriam interesse em favorecer Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral brasileiro.
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Negociações feitas pelo governo Lula
O
governo Lula pretende manter abertas as negociações oficiais até a data
prevista para a entrada em vigor das tarifas. As tratativas consideradas
formais pelo governo Lula ocorrem em outro ambiente diplomático e comercial.
Desde a visita de Lula a Donald Trump na Casa Branca, em 7 de maio, foi criado
um grupo de trabalho com a participação do ministro do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, e do chefe do USTR, Jamieson
Greer.
A
expectativa no governo é a de que os dois representantes façam ao menos mais
uma reunião antes de 15 de julho. O objetivo brasileiro é tentar reduzir o
impacto da investigação comercial e evitar que o impasse avance para uma nova
fase de tensão nas relações econômicas entre Brasil e EUA.
A
posição brasileira é a de que a audiência pública mencionada por Rubio é
voltada à manifestação de representantes do setor privado. Segundo essa
leitura, nenhum país investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos
Estados Unidos, como ocorre agora com o Brasil, costuma apresentar sua defesa
formal nesse tipo de procedimento.
No
governo, a expectativa é a de que Flávio Bolsonaro use a audiência nos EUA,
marcada para julho, para tentar rebater críticas de que teria atuado
politicamente para estimular sanções comerciais contra o Brasil. A carta de
Rubio, nesse contexto, é interpretada por auxiliares de Lula como uma forma de
oferecer ao senador uma plataforma pública no debate sobre as tarifas.
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Ataques dos EUA ao Brasil
A
investigação comercial anunciada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na
sigla em inglês) foi concluída em 2 de junho e sugeriu a aplicação de tarifas
de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. O relatório
estadunidense menciona práticas consideradas desleais pelo governo dos EUA,
incluindo temas ligados ao Pix, à propriedade intelectual, a decisões judiciais
e ao desmatamento.
O
motivo para os ataques dos EUA ao governo brasileiro são as condenações em
investigações sobre tentativas de golpe. O Supremo Tribunal Federal condenou 29
pessoas na investigação da trama golpista. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena
mais alta, de 27 anos de prisão. Em outra apuração, sobre os atos golpistas de
8 de janeiro de 2023, o STF determinou mais de 1,4 mil condenações.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

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