terça-feira, 30 de junho de 2026

Boa vontade americana com família Bolsonaro está com os dias contados

Há boas razões para acreditar que Eduardo Bolsonaro, seu irmão Flávio Bolsonaro e todos os bolsonaristas refugiados nos Estados Unidos não deveriam ficar muito otimistas quanto ao seu futuro no país. Com a iminente mudança na correlação de forças após novembro, o alinhamento de parlamentares norte-americanos com a oposição brasileira pode perder toda a sua relevância prática.

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, enviou um alerta contundente a todos os aliados republicanos de Donald Trump sobre um eventual cenário de derrota eleitoral. Segundo a declaração do congressista norte-americano, uma vitória democrata nas midterms desencadeará investigações severas e processos judiciais contra assessores, doadores, familiares do presidente e demais colaboradores.

Essa ameaça de responsabilização e punição criminal acende o sinal vermelho para figuras brasileiras que usam os Estados Unidos como refúgio político e base de difamação de nossas instituições. O deputado Eduardo Bolsonaro e seus parceiros ideológicos devem se preparar para a perda de blindagem diplomática caso as investigações de Washington atinjam o círculo íntimo de Trump.

O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, corre o risco de ver esgotada toda a influência política que supunha ter junto aos legisladores de extrema-direita de Washington. A derrocada do apoio parlamentar norte-americano expõe a fragilidade de uma estratégia política construída com base na dependência e no oportunismo ideológico internacional.

A conduta do parlamentar fluminense reflete um histórico de traição aos interesses nacionais, evidenciado durante a crise tarifária deflagrada por Washington em meados de 2025. Na ocasião, Flávio Bolsonaro comparou as ameaças de sobretaxas às bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, sugerindo que o Brasil deveria capitular incondicionalmente para evitar uma destruição semelhante.

A retórica de submissão do senador demonstra que seu clã encara as relações exteriores do país sob a lógica de uma capitulação colonial vergonhosa. A soberania e a dignidade do povo brasileiro não podem ser ameaçadas ou oferecidas como barganha política para salvar aliados de governos estrangeiros.

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### Leia a declaração de Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes (Speaker) dos Estados Unidos:

Original em inglês:

“If we lose the midterms, the Democrats will go after the president’s family, the cabinet, his donors, friends, and the rest of you who have committed crimes.”

### Tradução livre:

“Se nós perdermos as eleições parlamentares de meio de mandato (midterms), os democratas vão caçar a família do presidente, o gabinete, seus doadores, amigos e todos vocês outros que cometeram crimes.”

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###Confira a transcrição da fala do senador Flávio Bolsonaro à CNN Brasil em 10 de julho de 2025, resgatada nas redes sociais:

“Se você olhar pra Segunda Guerra Mundial, o que que os Estados Unidos fez com o Japão? Lança uma bomba atômica em Hiroshima pra demonstrar força. […] Qual foi a consequência três dias depois? Uma segunda bomba atômica em Nagasaki pra, aí depois sim, haver no dia 16 de agosto de 1945 […] uma rendição formal por parte do Japão.

Então essa situação tem que ser encarada como uma negociação de guerra, sim, onde nós não estamos em condições normais […] Cabe a nós termos a responsabilidade de evitar que caiam duas bombas atômicas aqui no Brasil […]”

•        Flávio Bolsonaro usa intimidação contra Michelle na disputa pela herança bolsonarista

A reação do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não cabe no figurino confortável da novela familiar. O episódio expõe uma disputa política dura pelo espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível, e pela definição de quem falará em nome da direita bolsonarista na eleição presidencial de 2026.

Depois de Michelle expor publicamente Flávio e relatar o que considera ter sido uma traição na disputa interna pela candidatura presidencial, veio a resposta em tom de enquadramento. O ponto central, registrado pela Revista Fórum, é que a reação não pareceu buscar esclarecimento político, mas disciplina pública de uma personagem que ameaça ocupar espaço próprio dentro do bolsonarismo.

Flávio não é apenas filho do ex-presidente nem mero porta-voz de ressentimentos domésticos. Ele é senador da República, opera no núcleo familiar e tenta se apresentar como herdeiro institucional do sobrenome Bolsonaro, enquanto Michelle comanda o PL Mulher e se consolidou como ativo eleitoral junto à base religiosa e conservadora.

O dado que muda a natureza da briga é eleitoral. Em cenário sem Jair Bolsonaro, levantamento Datafolha apontou Michelle com 22% das intenções de voto, contra 8% de Flávio, uma diferença que desloca a sucessão do clã para fora da linha dinástica que o senador gostaria de controlar.

Essa assimetria ajuda a explicar a aspereza da reação. Quando a ex-primeira-dama, sem mandato eletivo e dependente da marca Bolsonaro, aparece mais competitiva do que o filho parlamentar do ex-presidente, a disputa deixa de ser vaidade familiar e passa a envolver comando de narrativa, base religiosa, influência partidária e poder de veto sobre a candidatura da direita.

Há também uma dimensão material que costuma desaparecer quando a imprensa trata o bolsonarismo como folhetim. Dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre a distribuição do Fundo Partidário de 2024 mostram o PL entre os três maiores beneficiários nacionais, atrás apenas de PT e União Brasil, com fatia superior a R$ 130 milhões no ano.

Esse dinheiro público transforma o conflito em luta por máquina. Controlar o PL significa influir sobre diretórios, candidaturas, tempo político, recursos partidários e a arquitetura da campanha de 2026, motivo pelo qual a tensão entre Flávio e Michelle interessa ao público brasileiro muito além da curiosidade sobre as fissuras da família Bolsonaro.

A expressão tática miliciana, usada pela fonte original, deve ser tratada com cuidado. O ponto jornalístico não é imputar crime, mas apontar o método político de constrangimento público: quando a hierarquia interna é ameaçada, a resposta vem como enquadramento e disciplina, não como debate transparente.

O herói dessa história não é Michelle, que também participa da disputa pela herança de um projeto autoritário. O interesse público está do lado da sociedade brasileira, que precisa enxergar o que existe por trás da embalagem religiosa, dos vídeos emocionais e da encenação de família perseguida.

O bolsonarismo sempre vendeu a si mesmo como movimento moral, mas opera como condomínio privado de poder. Quando a partilha dos votos, do dinheiro partidário e do comando simbólico entra em jogo, a retórica da fé dá lugar à velha linguagem do controle, com Flávio Bolsonaro tentando lembrar ao partido e à base que o sobrenome ainda reivindica a chave do cofre e do palanque.

•        Planalto avalia que Marco Rubio usa guerra comercial em tentativa de dar protagonismo a Flávio Bolsonaro

O Palácio do Planalto avalia que a carta escrita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi uma maneira de o político do Partido Republicano dar protagonismo ao senador em meio à guerra comercial lançada pelo governo Donald Trump contra o Brasil. Interlocutores da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos pela coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, entenderam que o aliado do presidente estadunidense estaria tentando atribuir ao parlamentar um papel que o próprio congressista da extrema direita brasileira não ocupa nas negociações oficiais entre os dois países sobre o tarifaço de 25% defendido pela Casa Branca contra o país sul-americano.

A correspondência de Rubio foi enviada na última terça-feira (23) em resposta a uma carta encaminhada por Flávio Bolsonaro no início de junho. O senador teria feito um pedido ao secretário dos EUA para rejeitar o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o território estadunidense, mas, conforme sinalizou o Planalto, os dois políticos apenas ensaiam uma tentativa de legitimar o parlamentar como interlocutor no debate sobre as tarifas.

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Aliados do presidente brasileiro avaliam ser difícil convencer o governo Trump a abandonar as tarifas. Para auxiliares de Lula, a eventual suspensão do tarifaço seria interpretada como uma vitória diplomática do governo brasileiro.

A avaliação no Planalto é a de que a disputa comercial também passou a ter peso político, especialmente diante da leitura de que setores do governo dos EUA teriam interesse em favorecer Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral brasileiro.

<><> Negociações feitas pelo governo Lula

O governo Lula pretende manter abertas as negociações oficiais até a data prevista para a entrada em vigor das tarifas. As tratativas consideradas formais pelo governo Lula ocorrem em outro ambiente diplomático e comercial. Desde a visita de Lula a Donald Trump na Casa Branca, em 7 de maio, foi criado um grupo de trabalho com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, e do chefe do USTR, Jamieson Greer.

A expectativa no governo é a de que os dois representantes façam ao menos mais uma reunião antes de 15 de julho. O objetivo brasileiro é tentar reduzir o impacto da investigação comercial e evitar que o impasse avance para uma nova fase de tensão nas relações econômicas entre Brasil e EUA.

A posição brasileira é a de que a audiência pública mencionada por Rubio é voltada à manifestação de representantes do setor privado. Segundo essa leitura, nenhum país investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, como ocorre agora com o Brasil, costuma apresentar sua defesa formal nesse tipo de procedimento.

No governo, a expectativa é a de que Flávio Bolsonaro use a audiência nos EUA, marcada para julho, para tentar rebater críticas de que teria atuado politicamente para estimular sanções comerciais contra o Brasil. A carta de Rubio, nesse contexto, é interpretada por auxiliares de Lula como uma forma de oferecer ao senador uma plataforma pública no debate sobre as tarifas.

<><> Ataques dos EUA ao Brasil

A investigação comercial anunciada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) foi concluída em 2 de junho e sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. O relatório estadunidense menciona práticas consideradas desleais pelo governo dos EUA, incluindo temas ligados ao Pix, à propriedade intelectual, a decisões judiciais e ao desmatamento.

O motivo para os ataques dos EUA ao governo brasileiro são as condenações em investigações sobre tentativas de golpe. O Supremo Tribunal Federal condenou 29 pessoas na investigação da trama golpista. Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão. Em outra apuração, sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o STF determinou mais de 1,4 mil condenações.

 

Fonte: O Cafezinho/Brasil 247

 

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