Ciro
Nogueira tenta conter o estrago do escândalo Master
O
escândalo do Banco Master entrou de vez no cálculo político de Ciro Nogueira.
Alvo da Polícia Federal em uma investigação que apura supostas vantagens
recebidas de Daniel Vorcaro, dono do banco, o senador e presidente nacional do
PP agora tenta evitar que o caso comprometa seu mandato, seu comando partidário
e sua influência nas articulações da direita para 2026.
Segundo
a PF, há indícios de que Ciro teria recebido pagamentos mensais que variavam de
R$ 300 mil a R$ 500 mil, além de benefícios como viagens internacionais,
hospedagens, restaurantes, voos privados e uso de imóveis de alto padrão
ligados a Vorcaro. A investigação também apura se o senador teria atuado no
Congresso em favor de interesses do Banco Master.
Um dos
pontos centrais é a suspeita de que iniciativas legislativas relacionadas ao
sistema financeiro teriam sido usadas para beneficiar o banco. Entre elas,
aparece a discussão sobre mudanças no Fundo Garantidor de Crédito, tema
sensível porque poderia ampliar a segurança de investidores e, indiretamente,
fortalecer instituições em dificuldade.
Ciro
nega qualquer irregularidade e afirma ser vítima de uma tentativa de atingir
sua honra. A defesa repudia ilações de ilicitude e sustenta que o senador não
cometeu crime. Mas, politicamente, o dano já está instalado. O problema de Ciro
não é apenas jurídico; é de sobrevivência pública.
O caso
atinge um dos operadores mais experientes do Centrão. Ex-ministro da Casa Civil
de Jair Bolsonaro, presidente do PP e peça-chave nas negociações do Congresso,
Ciro sempre construiu poder pela capacidade de transitar entre governos,
bancadas e interesses econômicos. Agora, essa mesma proximidade com o poder
financeiro virou fonte de vulnerabilidade.
A
operação também expõe uma engrenagem mais ampla. O colapso do Banco Master
deixou de ser apenas um problema bancário e passou a revelar as conexões entre
dinheiro, influência política e decisões legislativas. A pergunta que move a
investigação é direta: Vorcaro comprava prestígio, proteção e acesso em
Brasília?
Para
Ciro, o risco é duplo. No campo institucional, pode enfrentar desdobramentos no
Supremo, no Senado e em eventuais ações de responsabilização. No campo
eleitoral, o caso ameaça sua imagem de articulador forte e coloca o PP diante
de uma escolha desconfortável: blindar seu presidente ou preservar distância de
um escândalo que ainda pode crescer.
O
timing é especialmente delicado. A direita tenta reorganizar seu campo para
2026, enquanto nomes ligados ao bolsonarismo também aparecem associados ao
universo do Banco Master. Isso transforma o caso em munição para adversários e
cria constrangimento para aliados que dependem de discurso anticorrupção.
O
escândalo ainda está em investigação, e não há condenação contra Ciro. Mas a
força política de uma apuração desse porte não depende apenas do desfecho
judicial. Depende da sucessão de revelações, da exposição pública e da
capacidade do investigado de explicar relações que, até agora, parecem difíceis
de separar da influência parlamentar.
Ciro
Nogueira tenta salvar o mandato, mas também tenta preservar algo maior: seu
lugar no centro da engrenagem política de Brasília. O caso Master ameaça
justamente isso — a imagem de intocabilidade de quem sempre operou nos
bastidores do poder.
• O luxo obsceno do destino de Vorcaro e
Ciro Nogueira nos Alpes. Por Jamil Chade
Num dos
hotéis mais luxuosos de Courchevel, os funcionários acostumados com clientes de
luxo e algumas das maiores fortunas do mundo levaram um susto na última
temporada de inverno. Um dos clientes queria agradar sua esposa e ordenou que o
estabelecimento decorasse a suite onde ficariam com 1001 rosas vermelhas.
Em
pleno inverno e no topo dos Alpes, o desafio não era apenas encontrar as
flores. Mas transportá-las para uma estação de esqui. A operação exigiu uma
organização impecável e 16 mil euros. No dia seguinte, o casal deixou o local,
de volta para seu país de origem.
O caso,
porém, é apenas mais uma anedota de uma estação de esqui que coleciona relatos
extravagantes de algumas das maiores fortunas do mundo.
Próximo
de 2 mil metros de altitude, o vilarejo de 2,5 mil habitantes passou a ser um
dos principais destinos de milionários em busca de neve, cenários
impressionantes, alguns dos melhores chefs do mundo e, acima de tudo,
privacidade.
Entre
eles, em janeiro de 2025, dois personagens chamaram a atenção da Polícia
Federal; Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. De acordo com o inquérito realizado no
país, Courchevel, na França, recebeu os brasileiros em uma viagem que teria
custado R$ 1,8 milhão.
O ICL
Notícias, nesta semana, visitou a estação de esqui que, em pleno verão europeu,
está passando por uma reforma completa. Mas os sinais de luxo e extravagância
estão por todas as partes.
Acostumada
a receber os donos do dinheiro do mundo, a cidade de Courchevel decidiu ter seu
próprio aeroporto, nem que para isso a pista seja inclinada, como a de um
esquiador. São poucos os pilotos que se atrevem a pousar numa das pistas mais
curtas do mundo, no topo de uma montanha e em desnível. O resultado é um preço
elevado para que um magnata chegue até ali com um jato privado. Ainda assim, os
funcionários locais garantem que há “engarrafamento” de aviões no auge da
temporada de inverno.
Escolher
onde ficar é o próximo aspecto crucial da estação de esqui. Uma noite no
prestigioso hotel Cheval Blanc pode custar 70 mil euros (R$ 430 mil). Em apenas
2,5 mil quilometro quadrados, são 33 hotéis com cinco estrelas e 5 palácios.
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Aluguel de 100 mil euros por semana
Para
quem prefira alugar um chalé inteiro, as opções são variadas. Numa das agências
imobiliárias da cidade, o ICL Notícias foi informado de que os alugueis dessas
casas podem custar 100 mil euros por semana, mais de meio milhão de reais. Isso
sem contar os serviços.
Comprar
um imóvel no vilarejo é para poucos. Para a reportagem, a imobiliária
apresentou um dos chalés por 33,5 milhões de euros (quase R$ 200 milhões). Se
alguns deles contam com elevadores internos, outros oferecem ainda motorista e
até uma cabelereira à disposição da família que ocupar o local, em tempo
integral.
No ano
passado, uma dessas casas bateu um recorde. O milionário Stéphane Courbit pagou
135 milhões de euros (R$ 800 milhões) para ficar com o chalé para a família
Ojjeh. Outro destaque é o chalé de Zinedine Zidane, também avaliado em alguns
milhões de euros.
A
experiência de esquiar é diferente na rede de 600 quilômetros de pistas. As
tradicionais cenas de turistas carregando seus equipamentos são evitadas. Os
esquis e botas são levados por funcionários dos hotéis até a borda da pista. Os
monitores que guiam os estrangeiros pelas pistas ainda são verdadeiros
mordomos, organizando almoços e tudo o que for solicitado.
Mas é
depois que as pistas fecham que as festas realmente começam. Restaurantes e
bares competem entre si para trazer o chef mais renomado daquele ano, enquanto
adegas de dar inveja aos maiores colecionadores de vinho são construídas com
garrafas raras e preços exorbitantes.
Vorcaro
e Ciro sabem disso. No exclusivo La Soucoupe, no alto de uma das montanhas, o
cartão de crédito do banqueiro indicava uma conta de R$ 63,6 mil no
restaurante.
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Sashimi por R$ 6 mil e dromedários vivos
No Le
Tremplin, na rua das lojas de luxo da cidade, foram mais R$ 58,5 mil. No
cardápio, o caviar sai por 1,1 mil euros e a pizza de trufa por 92 euros, mais
de R$ 500. Há ainda a opção por sashimi de lagosta por 1,3 mil euros.
No
cardápio de bebidas, a champagne pode sair
por 45 mil euros (R$ 270 mil), enquanto as garrafas de vinho variam
entre 9 mil, 15 mil ou mais de 30 mil euros cada. .
Para as
festas de Ano Novo, alguns desses locais chegam a trazer animais vivos como
dromedários para decorar os salões e alguns hotéis chegam a oferecer organizar
até mesmo o aniversário dos animais de estimação dos hóspedes. Num deles, a
festinha custa cerca de mil euros, com direito a Champagne. Claro, para os
donos do cão ou do gato de estimação. Um valor extra é cobrado se a família
optar por contratar um fotógrafo para a ocasião.
No
centro nevrálgico da cidade, as lojas de marcas de luxo competem por quem ocupa
o local mais estratégico. Rolex, Hermés, Dior, Moncler e tantas outras disputam
a atenção dos turistas. Nas lojas, colares de até 2 milhões de euros são
exibidos sem cerimônia.
Nos
últimos anos, o local reuniu os mais diversos grupos de pessoas. A lista inclui
Ivanka Trump, filha do presidente americano, o presidente do Azerbaijão, Ilham
Aliev, além de Daniel Ek (Spotify) e Pavel Durov (Telegram), a família dona do
aço mundial Mittal, donos do petróleo, os príncipes de Dubai, Arábia Saudita e
Marrocos, empresários ucranianos, chineses e muitos outros.
Por
anos, Courchevel foi ainda o destino preferido do rei Juan Carlos da Espanha,
do então príncipe Charles, do Xá do Irã.
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Suspeitas de lavagem de dinheiro pairam sobre as montanhas
O
volume de dinheiro no local desperta ainda suspeitas. Ao longo dos últimos
anos, diferentes ações da Justiça passaram a olhar para o que ocorre sob o
manto da neve do local.
Em
2023, por exemplo, a procuradoria de Paris anunciou que estava abrindo um
inquérito contra o bilionário francês Bernard Arnault e o oligarca russo
Nikolai Sarkisov por suposta lavagem de dinheiro em um resort de luxo nos
Alpes.
A
investigação parisiense apurava transações envolvendo a compra de 14
propriedades em Courchevel durante um período de algumas semanas no outono de
2018, de acordo com o jornal Le Monde. As propriedades estariam localizadas em
Jardin Alpin, um bairro particularmente exclusivo do resort de esqui,
caracterizado por restaurantes caros com vista para as pistas.
Outro
caso é o de uma fraude fiscal de US$ 230 milhões envolvendo autoridades russas
e que tem sido alvo da Justiça francesa.
Dmitry
Klyuev, um empresário russo, é acusado de lavagem de dinheiro agravada e de
promover uma vasta conspiração que desviou centenas de milhões de dólares do
Tesouro russo. O caso foi descoberto pelo advogado tributarista russo Sergei
Magnitsky, que morreu em uma prisão de Moscou em 2009, após expor a corrupção.
Foi justamente sua morte levou os EUA a aprovarem a Lei Magnitsky, a lei que
permite o governo americano impor proibições de visto e congelamento de bens a
violadores de direitos humanos e funcionários corruptos em todo o mundo.
Parte
dessa lavagem de dinheiro, segundo o inquérito, teria ocorrido em uma joalheria
de luxo em Courchevel e em um pacote turístico.
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1 bilhão de euros por temporada
No
teleférico que leva os turistas ao topo da montanha, um cartaz parece
simbólico. A estação é apresentada como a capital mundial do esqui. E do amor,
óbvio.
A cada
dia, 10 milhões de euros mudam de mãos no auge do inverno em Courchevel. Numa
temporada, a estação movimenta 1 bilhão de euros. Haja amor.
• Na mira da PF, Ciro Nogueira tenta
blindar projeto de reeleição e intensifica campanha no Piauí
Pressionado
após ser alvo de operação da Polícia Federal no caso do Banco Master, o senador
Ciro Nogueira, um dos principais líderes do centrão e presidente nacional do
PP, intensifica agenda política no Piauí e tenta blindar seu projeto de
reeleição ao Senado.
Ciro
Nogueira sofreu busca e apreensão durante operação da PF em 7 de maio. A
investigação apura se o senador recebeu de Daniel Vorcaro, do Master,
pagamentos mensais recorrentes, além de outras vantagens, sob suspeita de troca
de favores. Ele nega as acusações e diz ser vítima de "ataque
fabricado".
O
senador, que chegou a ser cotado para a vaga de vice na chapa presidencial de
Flávio Bolsonaro (PL), tem evitado contato com a imprensa e buscado consolidar
redutos que construiu no Piauí, principalmente com prefeitos eleitos e
lideranças regionais.
Ciro
Nogueira chegou a visitar seis municípios em um único dia neste mês e, nos
próximos dez dias, participando de sessões virtualmente, pretende fazer uma
maratona de atividades no interior do estado em busca de apoios políticos. Ele
participará de solenidades de inaugurações e visitará obras.
No
Piauí, Ciro Nogueira faz oposição ao governador Rafael Fonteles (PT), que tenta
a reeleição, e lançou como adversário ao petista o ex-prefeito de Floriano,
Joel Rodrigues (PP).
Na
capital, o senador conta com o apoio do prefeito de Teresina, Silvio Mendes
(União Brasil).
No
estado, um recuo governista pode favorecer a reeleição dele. Lideranças
petistas avaliam que a desistência da pré-candidatura de Iasmin Dias (PT),
filha do ministro Wellington Dias, como suplente ao Senado fortalece a
pré-candidatura de Ciro Nogueira.
O nome
de Iasmin Dias era visto como o principal contraponto de peso para evitar que
lideranças governistas, com interferência de Wellington Dias, votem em Ciro
Nogueira.
A
arquiteta e empresária era cotada para ser primeira suplente de Júlio César,
deputado federal do PSD e pré-candidato ao Senado na chapa do governador Rafael
Fonteles. Mas, na semana passada, Iasmin anunciou que não será mais candidata.
João de
Deus, ex-presidente do PT, diz não crer nessa tese de vantagem a Ciro Nogueira.
"É uma questão já resolvida. O ministro Wellington Dias conversou com o
presidente do partido, Fábio Novo, declarou o seu apoio à candidatura de Júlio
César e disse que vai se engajar na campanha", afirmou.
Ele
disse ainda que o PT e Wellington Dias concordaram em indicar o nome da
ex-vereadora Rosário Bezerra (PT) como primeira suplente de Júlio César.
No
Piauí, Ciro Nogueira conta com apoio de pelo menos 200 prefeitos, incluindo
gestores petistas e da base governista, como MDB e PSD. Nas eleições
municipais, o PP elegeu 34 prefeitos nos 224 municípios existentes.
O
senador tem evitado atrelar sua imagem à dos bolsonaristas no Piauí. O PL, de
Flávio Bolsonaro, lançou candidatura própria ao Governo do Piauí com o nome do
jornalista Toni Rodrigues. Mesmo com o alinhamento político de oposição aos
petistas, o PP e PL vão para as eleições em palanques diferentes no estado.
Fonte:
O Cafezinho/FolhaPress

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