As
mentiras de Washington e o silêncio dos amigos de Trump no Brasil
O
senador brasileiro Flávio Bolsonaro perdeu mais alguns pontos de apoio junto ao
empresariado e na população em geral devido às repercussões negativas de sua
viagem. Esse desgaste político é reflexo direto de sua postura irresponsável
diante da crise comercial que ameaça o setor produtivo nacional.
O
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos propôs recentemente
uma elevação tarifária agressiva de 25% sobre as exportações de 7 importantes
setores produtivos brasileiros, camuflando seu protecionismo unilateral sob o
pretexto infundado de revanchismo contra, entre outras coisas, o sistema de
pagamentos instantâneos do Pix. Essa medida arbitrária ameaça asfixiar a
indústria nacional de calçados, madeira, papel-cartão e metalurgia, revelando o
cinismo e a desonestidade, mascarados como frieza pragmática, com que o governo
norte-americano ignora tratados de cooperação em prol de sua agenda
eleitoralista interna.
Diante
deste grave cenário de agressão econômica e risco iminente de desemprego em
massa para os trabalhadores do nosso país, o senador brasileiro Flávio
Bolsonaro preferiu embarcar para os Estados Unidos com o pretexto inicial de
assistir a partidas esportivas em solo americano. O principal candidato de
oposição utilizou o momento de vulnerabilidade nacional para promover uma
jornada de turismo político privado, demonstrando pouca ou nenhuma preocupação
com o destino das indústrias nacionais afetadas.
Enquanto
o senador viajava, seu irmão, o deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro,
passou a publicar intensamente nas redes sociais digitais a narrativa
fantasiosa de que o parlamentar estaria realizando uma missão de salvação
nacional junto a autoridades em Washington. A máquina de propaganda da
extrema-direita brasileira tentou convencer a opinião pública de que a
proximidade ideológica com o Partido Republicano seria suficiente para blindar
os produtos nacionais contra as sanções iminentes.
No
entanto, essa encenação de relações públicas não resistiu aos fatos da
diplomacia internacional e serviu apenas para expor o isolamento de quem coloca
o partidarismo ideológico acima das políticas de Estado. A politização infantil
de um complexo contencioso comercial de âmbito estatal enfraqueceu os esforços
conjuntos das representações setoriais que buscavam uma solução técnica e
apartidária para o problema.
O
desfecho dessa incursão turística resultou em um claro constrangimento político
quando o secretário de Estado dos Estados Unidos Marco Rubio enviou uma
correspondência oficial extremamente fria ao senador da oposição brasileira. Na
mensagem oficial, o chefe da diplomacia norte-americana asseverou que a
aplicação das barreiras alfandegárias seguirá critérios estritamente
domésticos, descartando qualquer privilégio motivado por afinidades partidárias
de caráter pessoal.
O
episódio demonstra de forma pedagógica que o presidente dos Estados Unidos
Donald Trump comanda uma máquina governamental voltada prioritariamente para o
isolacionismo econômico. A administração americana recusa-se a acolher até
mesmo as advertências técnicas de seus próprios importadores e indústrias
domésticas, que dependem dos insumos e produtos manufaturados provenientes de
parceiros comerciais brasileiros.
Na
verdade, a atual burocracia governamental norte-americana responde quase que
exclusivamente às pressões econômicas exercidas pelo complexo
industrial-militar do setor de armamentos e munições. O outro grande vetor de
influência geopolítica que pauta as decisões de Washington é o lobby
israelense, ao qual a extrema-direita brasileira costuma prestar reverência
contínua e submissão ideológica incondicional.
Além
disso, o governo dos Estados Unidos está refém dos desejos tirânicos do
presidente norte-americano Donald Trump, que despreza a diplomacia tradicional
em suas negociações bilaterais. Ele compreende apenas a coação econômica e a
agressividade como instrumentos válidos para lidar com os desafios e disputas
comerciais de seu país.
É
exatamente perante estes núcleos de poder estrangeiro que a família Bolsonaro e
seus aliados no congresso nacional costumam prostrar-se em discursos marcados
por bajulação. Esse comportamento submisso, porém, recebe como resposta um
desprezo pragmático do governo americano, demonstrando que a soberania nacional
não pode ser defendida por meio de manifestações de vassalagem política.
Em uma
perspectiva estritamente técnica, a Confederação Nacional da Indústria
apresentou um relatório detalhado evidenciando que a maioria esmagadora das
representações na audiência do governo americano rejeitou o aumento tarifário.
Especialistas industriais e importadores norte-americanos alertaram que as
sobretaxas punitivas elevarão os custos de produção no próprio mercado
americano e prejudicarão o consumo de bens de alta qualidade.
Apesar
de toda a contestação documental formulada pelas entidades brasileiras e
americanas, a associação industrial projeta que Washington manterá as tarifas
elevadas como forma de sinalização política interna. Essa estimativa pessimista
comprova que o processo de consulta pública promovido pela representação
comercial americana serviu apenas como uma etapa meramente protocolar para
validar restrições previamente concebidas.
Em
termos relativos, esses produtos sob ameaça representam expressivos 18,60% de
todas as vendas brasileiras destinadas aos Estados Unidos e 1,81% de nossa
pauta exportadora global. Além disso, o mercado norte-americano consome 26,18%
do volume total desses bens exportados pelo Brasil para o mundo, o que
demonstra a forte dependência setorial em relação aos consumidores daquele
país.
A
dimensão desse ataque contra o trabalho nacional é evidenciada pelos números
consolidados do sistema ComexStat, os quais registram que as exportações
brasileiras sob risco acumularam US$ 6,51 bilhões nos últimos 12 meses. Setores
tradicionais como a metalurgia de ferro gusa de Minas Gerais e a indústria
calçadista do Ceará enfrentarão duras perdas financeiras e desemprego
estrutural caso a sobretaxação seja implementada.
Diante
deste cenário desafiador, a preservação dos empregos industriais e a proteção
da economia brasileira exigem uma mobilização séria e coordenada pelo
presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O país precisa aprender com
este episódio que a salvaguarda de seus interesses comerciais estratégicos
faz-se com diplomacia de Estado altiva, e nunca por meio de infantilidades
político-partidárias de caráter subserviente.
• Otoni de Paula denuncia
"subserviência" de Flávio Bolsonaro a Trump e "atentado à
soberania nacional"
O
deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-aliado do clã Bolsonaro, afirmou
neste sábado (27) que a resposta enviada pelo secretário de Estado dos Estados
Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expõe uma relação de
“subserviência” da família Bolsonaro ao governo de Donald Trump e representa um
“atentado à soberania nacional”. Em vídeo publicado nas redes sociais, Otoni
disse que o debate eleitoral brasileiro passa a ter como eixo central a
soberania do país diante da postura atribuída ao presidenciável bolsonarista.
Segundo
Otoni de Paula, a carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro é especialmente grave
porque, além de manter a posição favorável às tarifas comerciais contra o
Brasil, registra que o senador teria colocado uma eventual equipe de transição
de governo à disposição de representantes norte-americanos.
“A
carta de Marco Rubio para Flávio Bolsonaro, quando ele faz um pedido hipócrita
para que a América não tarife o Brasil — hipócrita porque, na verdade, toda
essa tarifação contra o Brasil foi uma proposta da família Bolsonaro contra o
governo Lula, atingindo todo o Brasil, uma proposta eleitoreira”, iniciou
Otoni.
O
deputado acusou a família Bolsonaro de agir movida por interesses próprios e
não por uma preocupação com o país. Para ele, as movimentações políticas em
torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos teriam como objetivo atingir o
governo do presidente Lula (PT), ainda que os efeitos recaíssem sobre a
economia brasileira como um todo. “Não vou permitir que você esqueça que
Eduardo Bolsonaro disse que, para ele, tanto faz se isso aqui viraria uma terra
arrasada ou não, desde que ele pudesse se vingar dos algozes do seu pai.
Portanto, nunca foi pelo Brasil. Sempre foi por eles, pela família Bolsonaro.
Isso é um fato”, declarou.
A
crítica mais dura de Otoni se concentrou no trecho em que Rubio agradece a
Flávio Bolsonaro pela disposição de colaborar com uma equipe norte-americana em
uma eventual transição presidencial. Para o deputado, esse ponto ultrapassa o
campo da disputa política e atinge diretamente a soberania nacional. “Agora, o
que chama atenção nessa carta não é o fato do Marco Rubio dizer que vai
continuar com essas tarifas. Isso a gente já sabia. O que me chama atenção é
ele agradecer ao presidenciável Flávio Bolsonaro por colocar a transição do seu
governo à disposição de uma equipe norte-americana. O que é isto? Um candidato
à Presidência da República colocando uma futura e possível transição do seu
governo à disposição de um outro país, de uma equipe norte-americana?”,
questionou.
O
parlamentar afirmou ainda que não há previsão legal no Brasil para que uma
transição de governo seja submetida a outro país. Na avaliação de Otoni, a
iniciativa atribuída a Flávio Bolsonaro configura uma ameaça institucional e
política à autonomia brasileira. “As leis brasileiras não prevêem este absurdo,
este atentado à soberania nacional. Minha gente, o que estamos discutindo nessa
eleição a partir de agora, com essa sandice e essa subserviência declarada da
família Bolsonaro ao Trump, é soberania nacional”, disse.
Otoni
de Paula também afirmou que a discussão não deve ser reduzida a uma defesa do
presidente Lula, mas tratada como um tema de Estado. Segundo ele, a atitude
atribuída à família Bolsonaro cria um precedente preocupante sobre a relação
entre uma eventual administração brasileira e o governo dos Estados Unidos.
“Esse tema não começa com Lula. Começa com uma ameaça clara e velada da família
Bolsonaro. Como vai sujeitar uma transição de governo a um outro país? Isso é
um absurdo! Isto é um absurdo!”, afirmou.
Na
sequência, o deputado pediu atenção ao rumo político indicado pela aproximação
entre Flávio Bolsonaro e o governo Trump. Ele afirmou que a família Bolsonaro
estaria conduzindo o país a uma situação de dependência em relação aos
interesses norte-americanos. “Então preste atenção para onde nós estamos indo,
independentemente se você gosta ou não do Flávio ou de Bolsonaro. Veja para
onde, para que lugar, para que ponto esta família está levando o país”,
declarou.
Otoni
também comparou a postura da família Bolsonaro às acusações feitas
anteriormente contra Lula em relação à China. Para ele, os bolsonaristas nunca
comprovaram que o atual presidente teria submetido o Brasil a interesses
chineses, enquanto a carta de Rubio evidenciaria a proximidade deles com
Washington. “Eles que tanto acusaram o Lula — e não estou defendendo o Lula
aqui não — de proteger a China e de entregar o Brasil aos interesses chineses.
E nunca provaram isso. Só que nós temos provas da subserviência deles aos
norte-americanos. E a carta de Marco Rubio coloca isso com muita clareza”,
concluiu.
Na
resposta oficial a Flávio Bolsonaro, Marco Rubio reafirmou o apoio do governo
Donald Trump à aplicação de novas tarifas comerciais contra o Brasil e à
classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV)
como organizações terroristas. O secretário de Estado também destacou que
permanecem divergências relevantes entre Brasil e Estados Unidos na área
comercial.
Rubio
mencionou ainda a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de
Comércio dos Estados Unidos (USTR), que poderá resultar na adoção de sobretaxas
contra produtos brasileiros. Segundo a correspondência, o representante
comercial americano, Jamieson Greer, já havia indicado que os dois países
seguem com “diferenças substanciais” sobre a conclusão do processo.
O
secretário de Estado afirmou que Greer propôs a abertura de uma fase de
consulta pública antes da decisão definitiva da administração norte-americana.
No início da carta, Rubio também agradeceu a mensagem enviada por Flávio
Bolsonaro e a visita do senador a Washington, ressaltando convergências
políticas entre ambos.
Ao
encerrar a correspondência, Rubio citou o otimismo manifestado por Flávio
Bolsonaro em relação às eleições presidenciais brasileiras de outubro. Segundo
o conteúdo divulgado, o senador informou ao governo dos Estados Unidos que
colocaria à disposição uma “equipe de transição” caso fosse eleito presidente
da República. O secretário afirmou que a proposta foi registrada por Washington
e disse que os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com os líderes
escolhidos pelo povo brasileiro em busca de uma estrutura de investimentos
considerada mutuamente benéfica.
• Flávio Bolsonaro recebeu de Rubio
“tratamento adequado de legítimo vira-latas”, diz Pedro Uczai
O líder
do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, publicou duas críticas à extrema
direita brasileira nesta sexta-feira (26) após a carta enviada pelo secretário
de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),
em um documento que defendia o tarifaço de 25% sobre parte dos produtos
brasileiros exportados para o país presidido por Donald Trump.
“O
senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, viajou até Washington
para fazer lobby e acabou recebendo o tratamento adequado de um legítimo
vira-latas”, escreveu o petista na rede social X. De acordo com o deputado do
Partido dos Trabalhadores, “a política externa de submissão da extrema direita
brasileira acaba de render mais um capítulo vergonhoso”.
Conforme
o líder do PT, a carta enviada por Rubio ao senador brasileiro “escancara o que
todo mundo já sabe: a família Bolsonaro (Flávio, Eduardo e o clã inteiro) não
passa de um grupo de ‘lambe-botas’ de Donald Trump”. “Eles humilham o Brasil no
cenário internacional, batem palma para os líderes norte-americanos que quebram
as nossas indústrias e acham que vão governar o país de joelhos para
Washington”, continuou.
“Em
resposta oficial à sua carta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio,
reafirmou as pesadas taxações americanas sobre o Brasil. Um deboche com o nosso
setor produtivo e com o nosso povo. Eles defendem os interesses dos bilionários
americanos, enquanto o trabalhador e o empresário brasileiro pagam a conta. Que
vergonha!”, desabafou Uczai.
Outras
lideranças, como os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ), Carlos
Zarattini (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), também se pronunciaram sobre a
carta, defenderam a soberania brasileira e demonstraram repúdio às articulações
feitas pela família Bolsonaro junto ao governo do presidente dos EUA, Donald
Trump.
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Entenda
No
começo de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos
(USTR, na sigla em inglês) defendeu tarifas de 25% sobre parte dos produtos
brasileiros. O órgão fez críticas ao Pix e, mesmo sem provas, acusou o governo
brasileiro de implementar ações ilegais na área do comércio.
Também
no início deste mês, os EUA classificaram as facções criminosas brasileiras
Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações
terroristas. Por consequência, a medida estimula sanções contra o Brasil.
O
motivo para a guerra comercial lançada pelos EUA e para a classificação das
facções são as condenações em investigações sobre tentativas de golpe. O
Supremo Tribunal Federal condenou 29 pessoas no inquérito da trama golpista.
Jair Bolsonaro (PL) recebeu a pena mais alta: 27 anos de cadeia.
O STF
também determinou mais de 1,4 mil condenações no inquérito sobre os atos
golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram o Palácio do
Planalto, onde fica o gabinete presidencial. O STF e o Congresso Nacional
também foram invadidos pelos participantes das manifestações terroristas.
Outra
punição do Judiciário brasileiro foi anunciada em novembro de 2022, quando o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões ao PL,
partido de Jair Bolsonaro, após a legenda questionar a confiança das urnas
eletrônicas.
Práticas
golpistas são defendidas tanto por bolsonaristas no Brasil como por trumpistas
nos EUA. Em janeiro de 2021, quando Trump perdeu a eleição, vários apoiadores
dele invadiram o Legislativo e acusaram o sistema eleitoral de ser fraudulento.
Fonte:
O Cafezinho/Brasil 247

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