Elisabeth
Lopes: A ameaça trumpista às eleições de outubro no Brasil e as truculências no
interior da família Bolsonaro
A
América do Sul está passando por uma virada de chave em direção à extrema
direita. Atualmente são sete países nesse campo ultra liberal, com
algumas nuances fascistas: Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile,
Colômbia e Peru. Há fortes ilações que explicam essa virada. Até que ponto os
EUA têm a ver com essa guinada?
De doze
países restaram cinco de esquerda: Brasil, Venezuela, Guiana, Suriname e
Uruguai. Ainda que a Venezuela esteja num momento oscilante, como refém do
governo Trumpista. Que motivações moveram os eleitores sul-americanos para
escolhas de candidatos extremistas de direita tão distantes de suas escolhas
anteriores? A interferência estadunidense nas eleições dos países
sul-americanos já não se preocupa em ser discreta, pelo contrário têm se
realizado em alto e bom som. Nas eleições da Colômbia, por exemplo, Donald
Trump chegou a participar da campanha, pedindo votos para o candidato da
extrema direita
Nesta
semana, Trump publicizou um texto do site americano NewsMax na sua plataforma
Truth Social em que refere que as eleições do Brasil é seu próximo desafio.
Segundo reportagem do UOL, 26/05/26, o texto menciona que Trump ainda precisa
superar quatro grandes desafios. De acordo com a análise, os países mencionados
são Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil. A publicação refere ainda que: “A
eleição já vem provocando um intenso debate sobre a integridade do sistema
eleitoral brasileiro e sobre se a disputa será realizada de forma livre, justa
e reconhecida por todos os envolvidos.”
Outra
sinalização inquestionável da ingerência norte-americana, além da reincidência
do tarifaço, da classificação Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando
Vermelho (CV) como organizações terroristas globais, dos ataques ao Pix e das
últimas declarações de Donald Trump de que o Brasil seria o próximo desafio,
diz respeito à abertura de um edital do Departamento de Estado dos EUA
destinado ao financiamento de organizações da sociedade civil voltadas ao
monitoramento e à denúncia de supostas práticas de censura e de restrições à
liberdade de expressão no país. A iniciativa prevê o acompanhamento de temas
como decisões judiciais, liberdade de expressão, regulação das plataformas
digitais e a atuação das autoridades eleitorais brasileiras. As inscrições permanecerão
abertas até 23 de julho de 2026, e apenas um projeto será selecionado para
execução, com duração prevista entre 18 e 24 meses. O programa será
desenvolvido por meio de um acordo de cooperação que pressupõe a participação
ativa do governo norte-americano. O edital autoriza a candidatura de
organizações não governamentais sediadas tanto nos Estados Unidos quanto em
outros países. Diante dessas provocações de Trump, a céu aberto, a
interferência do governo estadunidense nas eleições de outubro no Brasil
constitui um fato consumado.
Com
base nesse horizonte ameaçador, a coordenação do processo eleitoral brasileiro
deve permanecer em estado de atenção permanente, atuando de forma preventiva
diante de interferências internas e externas. Além da proteção das urnas, é
fundamental resguardar o espaço público de campanhas de desinformação,
ingerências estrangeiras e operações de manipulação da opinião pública,
assegurando que a soberania popular expressa livremente nas urnas seja o único
fator a determinar os rumos da nação brasileira. Sob essa perspectiva, o
ministro Kassio Nunes Marques será posto à prova na presidência do TSE. Caberá
a ele demonstrar se no comando da Justiça Eleitoral resguardará a integridade
do processo eleitoral ou retribuirá a indicação política que o projetou nacionalmente.
Nesse
clima sul-americano sob a égide da intromissão do EUA, a vitória, ainda que
apertadíssima de Abelardo de la Espariella à presidência da Colômbia reforça o
grotesco capítulo do extremismo de direita da América do Sul. Figura
histriônica, multimilionária, visceralmente contrária ao multilateralismo
combinado a uma subserviência canina e constrangedora a Donald Trump, um
padrinho político, que faz da mentira o motor de seu governo, desacreditado não
só pelo partido democrata, mas pela maioria da população norte-americana e,
sobretudo, no plano mundial.
Antes
de se lançar à política, o empresário e advogado Espriella construiu uma
carreira extremamente lucrativa e controversa. Advogou para comandantes
paramilitares e narcotraficantes da Autodefensas Unidas de Colômbia (AUC),
figuras de destaque das desmobilizadas AUC, um violento grupo paramilitar de
extrema-direita, para operadores e financiadores de esquemas de lavagem de
dinheiro, para políticos envolvidos em corrupção de alto escalão, como
congressistas, governadores e prefeitos investigados no escândalo conhecido na
Colômbia como "Parapolítica" (a aliança ilegal entre políticos e
paramilitares para fraudar eleições e desviar fundos públicos). Vale assinalar
que a produção e tráfico de cocaína na Colômbia triplicou na última década
representando 72% do mercado global espalhada em múltiplos cartéis e facções e
o homem que cobrou honorários milionários para livrar criminosos da cadeia
agora assume o poder com a promessa de governar com mão de ferro. A grande
ironia é que ele não vai mais precisar de procuração para lidar com os novos
chefões do narcotráfico, agora, ele tem a própria faixa presidencial.
O
delírio autocrático de Espriella nutre-se, declaradamente, da admiração que ele
devota a referências do bloco de degeneração democrática: Donald Trump, Javier
Milei, Nayib Bukele e Benjamin Netanyahu. Ao inspirar-se nesse quarteto, ele
absorve a prepotência imperialista de Trump, a subserviência de Milei aos
Estados Unidos, o autoritarismo de Bukele, marcado pelo atropelo das garantias
constitucionais em nome de uma ordem extrema, e o desprezo de Netanyahu pelas
instâncias multilaterais, subordinando-as à lógica da sobrevivência política a
qualquer custo. Essa combinação de influências deixa evidente que seu projeto
representa uma síntese do que há de mais nocivo na nova extrema direita global.
No
Brasil, a poucos meses das eleições para a presidência da República e para
mandatos no Congresso, as expectativas são tensas. Desta vez os eleitores não
podem errar nas escolhas de seus candidatos. É primordial mudar o panorama da
atual composição majoritária, formada por parlamentares da direita oportunista
e da extrema direita, tanto no Senado, como na Câmara de Deputados. A virada
para uma bancada progressista, com propostas consistentes para o
desenvolvimento sustentável do país, voltadas à melhoria das condições de vida
da população é crucial.
A
produção da atual bancada de oposição ao governo, tem revelado um quadro
rarefeito de produções legislativas que efetivamente sejam voltadas às
necessidades da população. Quando esses segmentos se movem, fazem-no em
benefício próprio ou de poderosas corporações aliadas no toma-lá-dá-cá que
garante a sobrevivência em seus redutos eleitorais e, não raro, alimenta o duto
de propinas viabilizado por emendas parlamentares cada vez mais suspeitas de
graves ilicitudes. Em certa medida, as ações legislativas dessa ala sombria e
manifestamente antipovo diferenciam-se em algumas nuances. Enquanto o Centrão
se dedica ao pragmatismo rasteiro de ampliar seu poder, barganhar cargos e
controlar verbas públicas, a exemplo do senador Ciro Nogueira (PP-PI), entre
outros, a extrema direita se notabiliza por transformar as redes sociais em um
palco de desinformação, difundindo um verdadeiro tsunami de mentiras, como faz
o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG); por destinar emendas parlamentares até
mesmo para clubes de tiro, como no caso da deputada da coroa de flores Júlia
Zanatta (PL-SC); por manter vultosas quantias de dinheiro em espécie em casa,
como ocorreu com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ); além de cultivar, de
forma permanente, o barulho das pautas ideológicas, o moralismo conservador e
uma oposição obsessiva ao governo.
Essa
fisionomia majoritariamente horrenda do Congresso Nacional, bem como de muitas
assembleias legislativas estaduais, câmaras de vereadores e governos estaduais
controlados pelo Centrão e pela extrema direita, foi eleita em massa na onda do
desprezível bolsonarismo, que tantos prejuízos causou e continua causando ao
povo brasileiro, mantido refém da mentira, dos desvios de recursos públicos
para interesses privados, do populismo, do engodo incomensurável e de falsos
outsiders que se apresentaram sob a enganosa hashtag do antissistema. O mais
preocupante é que o país ainda permaneça sob essa atmosfera bolsonarista,
grotesca e deletéria, o que leva parte da população a acreditar que a única
alternativa ao campo da esquerda progressista se resume aos integrantes da
família Bolsonaro ou a outros representantes da direita que orbitam esse mesmo
universo político, como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo).
Essa
permanência, contudo, não significa coesão interna. Embora a família Bolsonaro
viva frequentes disputas por protagonismo político, o capital eleitoral
construído ao longo dos últimos anos continua sendo disputado pelos seus
integrantes. Um exemplo disso foi o recente embate entre Michelle Bolsonaro e
seu enteado, Flávio Bolsonaro, materializado em um longo vídeo publicado nas
redes sociais, com desabafos sobre a postura autoritária e grosseira do enteado
com ela, repleto de recados subliminares e divulgado, deliberadamente, no mesmo
dia de um importante jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Sobre
esse episódio, há várias elucubrações na tentativa de explicar o teor do vídeo
publicado por Michelle. Na minha avaliação, todas as hipóteses levantadas por
comentaristas, tanto da mídia corporativa quanto da mídia progressista
independente, podem ser viáveis, com exceção de que ela se revelou como
feminista. Ao contrário de que ela atuaria como uma defensora das causas
femininas, sua conduta aponta para o pragmatismo político. O verdadeiro
objetivo parece ser a busca por protagonismo e visibilidade, elementos
essenciais para angariar suas ambições e projetos de poder. Não se pode
descartar que a verdadeira motivação seja a mais inesperada e só venha a ser
compreendida mais adiante. Nessa família, tudo parece possível, inclusive
aquilo que hoje sequer imaginamos como explicação. Quando se trata dos
Bolsonaro, à exceção das inúmeras trapalhadas protagonizadas pelos integrantes
homens da família, Michelle se destaca pela capacidade de articulação, pela
astúcia e pela habilidade com que transita tanto nos espaços estritamente
políticos quanto naqueles que, em aparência, não o são.
Diante
dos desdobramentos políticos internos que antecedem as eleições de outubro e
das crescentes ameaças de Donald Trump à América do Sul, expressas no discurso
de retomar a região como o "quintal" dos Estados Unidos e em
iniciativas destinadas a influenciar o cenário político brasileiro em favor de
um candidato alinhado à extrema direita, como Flávio Bolsonaro, ou de qualquer
outro representante desse campo político subserviente, o panorama nacional
aponta para tempos desafiadores. Essa postura intervencionista dos Estados
Unidos persiste mesmo após a resposta diplomática do secretário de Estado Marco
Rubio à carta de Flávio Bolsonaro, nesta semana. Embora a negativa à isenção
tarifária tenha frustrado as expectativas sabujas de Flávio, a declaração final
de Rubio, de que os EUA estão prontos para cooperar com os líderes que o povo
brasileiro eleger, em uma agenda “mutuamente benéfica” revela a continuidade de
um desejo de tutela, disfarçado cinicamente de cooperação.
Esse
ambiente de pressões externas soma-se à atuação de uma direita oportunista e de
uma extrema direita local atoladas até o pescoço em escândalos de corrupção,
chantagens, produção massiva de fake news e no fisiologismo sem precedentes da
distribuição de emendas parlamentares para alimentar seus currais eleitorais.
Para agravar ainda mais esse quadro, a elite econômica, representada pelos
barões da Faria Lima, e a mídia corporativa atuam de forma sistemática para
inviabilizar a reeleição de Lula, relegando a segundo plano resultados
expressivos alcançados em seu governo. Entre eles estão a retirada do Brasil do
Mapa da Fome, a aprovação da histórica reforma tributária, a ampliação da faixa
de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos, a
retomada e expansão do programa Minha Casa, Minha Vida, inclusive para a classe
média, além dos recordes na geração de empregos e da política de valorização do
salário mínimo acima da inflação. Frente a esse poderoso entrelaçamento entre
desinformação, poder econômico, fisiologismo político e pressões geopolíticas,
as forças progressistas de esquerda enfrentarão enormes dificuldades para
romper a bolha informacional e conscientizar os brasileiros sobre o que
realmente estará em jogo para o futuro do país e para as condições de vida de
sua população.
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Crise dos EUA e avanço da extrema direita expõem disputa
global, diz Afonso de Albuquerque
A crise
interna dos Estados Unidos tem ampliado a disputa global conduzida pela extrema
direita e tornado mais instável a atuação internacional de Washington, avaliou
o professor Afonso de Albuquerque, nesta terça-feira (23). Segundo ele, o
governo Donald Trump expressa um cenário de fragmentação política, perda de
consistência estratégica e acirramento das disputas em escala internacional. As
informações são do Giro das Onze, da TV 247. Durante o programa, Afonso
analisou o avanço da extrema direita na América Latina, a soberania digital, o
papel das big techs, a influência histórica dos Estados Unidos sobre a região e
a crise envolvendo Jaques Wagner.
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Ordem global em transição
Para o
professor, o mundo atravessa um período de transição, no qual a ordem antiga já
perdeu estabilidade, mas uma nova ainda não foi consolidada. Esse intervalo,
afirmou, produz caos, disputas e incertezas, mas não deve ser interpretado
apenas como motivo para pessimismo. “A gente tá vivendo o momento transição,
né? Aquela famosa frase do Gramsci de que o velho mundo está morrendo e o novo
ainda não surgiu. Acho que esse é o momento que nós estamos”, afirmou. Afonso
avaliou que a extrema direita se beneficia do desgaste das instituições
democráticas, mas não consegue oferecer uma alternativa institucional
consistente quando chega ao poder. Segundo ele, esse traço aparece em
diferentes países da América Latina e ajuda a explicar crises de legitimidade
após vitórias eleitorais desse campo político.“Houve ali um desgaste das
instituições, né? E a extrema direita ela surfa nisso, no desgaste das
instituições. Aí quando a extrema direita assume, ela não é capaz de propor
novas instituições”, disse.
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Estratégia dos EUA perdeu unidade
Na
leitura do professor, os Estados Unidos deixaram de operar com uma estratégia
externa unificada, como ocorria em outros períodos históricos. A antiga elite
bipartidária, que sustentava políticas de Estado entre governos democratas e
republicanos, perdeu força diante de uma disputa interna mais fragmentada. “As
pessoas falam os Estados Unidos, a estratégia dos Estados Unidos, e me parece
bastante claro que não existe mais isso”, afirmou. Para Afonso, a política
externa de Trump não representa uma orientação nacional estável, mas uma agenda
antidemocrata projetada internacionalmente. Ele também ponderou que uma
eventual política democrata tenderia a funcionar como reação antirrepublicana,
o que enfraquece a continuidade da ação externa norte-americana. “A política do
Trump não é uma política dos Estados Unidos, é uma política antidemocrata em
escala internacional”, declarou.
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Washington mais perigosa
Apesar
disso, Afonso alertou que a instabilidade norte-americana não reduz os riscos
para outros países. Na avaliação dele, Washington se tornou mais perigosa
justamente porque perdeu parte da noção de limite, embora esteja menos sólida
estruturalmente do que no passado. “A gente tá lidando com os Estados Unidos
que são mais perigosos porque de alguma forma perderam a noção de limite”,
afirmou. Segundo o professor, os Estados Unidos ainda têm capacidade de causar
danos no cenário internacional, mas já não dispõem da mesma legitimidade e
consistência de outros momentos históricos. Para ele, essa combinação de poder
remanescente e instabilidade política torna a conjuntura especialmente
sensível.
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América Latina no centro da disputa
Afonso
também analisou o impacto dessa crise sobre a América Latina. Para ele, a
região voltou a ser um espaço decisivo na disputa política internacional,
especialmente diante do avanço de lideranças de extrema direita alinhadas ao
trumpismo. O professor afirmou que o Brasil não deve analisar o cenário
regional com medo, mas com consciência dos riscos. Segundo ele, o medo tende a
produzir decisões ruins e a reduzir a capacidade de mobilização política.
“Quando a gente tem medo, eu acho que a gente desiste de lutar, né? E quando a
gente desiste de lutar, a gente perde”, afirmou. Na avaliação de Afonso, o
Brasil possui características próprias em relação a outros países da região,
sobretudo pela existência de forças sociais, partidárias e institucionais mais
estruturadas. Essa diferença, disse, pode ser decisiva diante das pressões
internacionais e do avanço da extrema direita.
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Soberania digital e big techs
O
professor também relacionou a crise dos Estados Unidos à disputa por soberania
digital. Segundo ele, a dependência brasileira de infraestruturas privadas
estrangeiras representa uma vulnerabilidade estratégica, especialmente porque
essas empresas estão submetidas a obrigações legais e políticas ligadas ao
governo norte-americano. “Nós dependemos de uma infraestrutura privada
estrangeira que legalmente deve obrigações de segurança com o governo dos
Estados Unidos. Então, eu diria, essa é a grande apreensão”, disse. Para
Afonso, o Brasil precisa enfrentar esse debate de forma estrutural. Ele
defendeu a criação de plataformas públicas, inclusive em formatos
transnacionais, como resposta ao poder das big techs e à dependência
tecnológica. “Eu tenho insistido, né? Eu acho que as plataformas, teremos que
criar plataformas públicas”, afirmou. Segundo ele, a questão digital deixou de
ser apenas tecnológica e passou a integrar o núcleo da soberania nacional. O
controle sobre dados, infraestrutura e comunicação, afirmou, tornou-se parte da
disputa política global.
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“Otimista e proativo”
Apesar
do diagnóstico crítico, Afonso rejeitou uma leitura paralisante da conjuntura.
Para ele, o caos pode ser entendido como parte de uma transição histórica, e
não apenas como sinal de derrota. “O caos tem duas maneiras de olhar o caos. A
primeira é você dizer: ‘Perdemos a ordem’. A segunda maneira é dizer: ‘A antiga
ordem apodreceu, nós estamos rumando para uma nova ordem’. No intervalo entre
essas duas ordens é caos”, afirmou. O professor disse preferir uma postura
ativa diante da instabilidade política e internacional. Segundo ele, o
pessimismo tende a produzir reação defensiva, enquanto a ação propositiva
permite disputar o sentido da nova ordem em formação. “Eu prefiro ser otimista
e proativo do que pessimista, porque o pessimista tende a ser reativo”,
declarou.
Fonte:
Brasil 247

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