Moisés
Mendes: Se Deus não resolver o conflito Michelle-Flávio, chamem o Arcanjo
Valdemar
Deus, o
maior de todos os políticos, há muito tempo reivindicado como uma figura de
direita no Brasil, seria o único capaz de apaziguar Michelle e Flávio. Mas já
se sabe que o Deus da madrasta não é o mesmo Deus do enteado, apesar das
semelhanças aparentes.
O Deus
de Michelle a orientou a ser fiel ao que está na Bíblia, mesmo que invista na
sua nova vocação feminista de líder das mulheres do PL. Deus disse: vá e
enfrente o machismo dos enteados e as punhaladas traiçoeiras deles e dos homens
do seu partido, mas não deixe de ser a ajudadora do marido.
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Fale
por seu marido e o obedeça, foi o que Deus mandou. O Deus de Michelle tem lugar
de fala, é o Deus profissional. O Deus de quem tem raízes religiosas profundas.
Michelle tem intimidade com Deus e é capaz de tratá-lo como você.
O Deus
de Jair e dos filhos é o Deus presente em finais de frases com algum ataque a
alguém, sempre carregado de ódio. “Que Deus nos proteja”, dizem os Bolsonaros
depois de uma agressão.
O Deus
do pai e dos filhos é um Deus de empreitadas, principalmente em eleições e
golpes. Mas fracassou em 2022 e voltou a fracassar na proteção ao plano
golpista. E foi derrotado ao não impedir que o protegido pegasse cadeia.
Vai ser
difícil, com esse Deus de provérbios de curso de catecismo, enfrentar o Deus de
Michelle, bem mais poderoso e decidido. O Deus de Michelle pediu que ela
dissesse, nas redes sociais, logo depois da fala no vídeo: “A falsa testemunha
não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá”.
É algo
mais incisivo do que o versículo manjado de João, citado à exaustão por Jair,
aquele de que só a verdade nos libertará. Mas, se cada um tem seu Deus, a
guerra religiosa de Michelle com Flávio e Eduardo não será resolvida nem por
uma mediação do diabo.
Ela diz
no vídeo, referindo-se aos enteados: “É ao meu Deus que essas pessoas prestarão
contas”. O Deus é dela. Os deuses da direita são distintos e variados porque
também eles têm as suas bolhas.
Por
isso, só Valdemar Costa Neto, que teve de abandonar seu camarote na Copa e
voltar correndo ao Brasil, pode conter a madrasta. Valdemar é o arcanjo da
velha direita sempre pronto a negociar uma trégua dentro da nova extrema
direita.
É o
Arcanjo Miguel do centrão, com décadas de bons serviços prestados, que deve se
dedicar agora a derrotar o satanás que tomou os corpos da família do patriarca.
O Deus
de Valdemar, que já é outro Deus, diferente dos deuses de Michelle e de Flávio,
procura estar sempre na causa, pela tradição de resolver os piores problemas. E
assim caminhamos para uma eleição que será decidida também pela argumentação
das armas religiosas.
E o
Deus de Lula? O Deus de Lula é o mais discreto, é o Deus de dona Lindu, um Deus
que, Lula já disse, encarregava-se de garantir comida para a família. “Hoje não
tem, mas amanhã vai ter”, dizia a mãe de Lula aos filhos famintos.
O Deus
de quem reza para ter comida não é o Deus que se envolve nas guerras de
Michelle, nem o Deus citado só ao final das falas dos filhos de Bolsonaro em
vídeos para o Instagram.
E tem
ainda o Deus do Ciro Nogueira, que entregou o senador ao diabo e à Polícia
Federal quando ele decidiu se divertir com Vorcaro em Courchevel, nos Alpes
Franceses. Porque os deuses também têm seus limites.
• Miola cobra mais investigações contra
Flávio Bolsonaro e diz que Michelle já 'aposta na derrota' da candidatura do
senador
O
analista político Jeferson Miola cobrou nesta semana mais investigação da
Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, em participação no
programa Giro das Onze, disse que as fraudes financeiras envolvendo o Banco
Master não devem aparecer como um escândalo genérico do País. O núcleo de
grandes fraudes financeiras está no mundo empresarial (privado) e não público,
sugeriu o colunista. Mas, na esfera política, afirmou ele, o bolsonarismo é a
força central para atender a interesses privados da instituição bancária, que
tem como controlador o empresário Daniel Vorcaro, detido e investigado por
envolvimento em um esquema de R$ 12 bilhões em fraudes financeiras, conforme
estimativas da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
“O
Master é um fenômeno essencialmente bolsonarista”, pontuou Miola, citando Jair
Bolsonaro, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o ex-presidente do Banco
Central Roberto Campos Neto. “Começou com Bolsonaro, Paulo Guedes do Bolsonaro,
Roberto Campos Neto do Bolsonaro, a flexibilidade do Banco Central durante o
período Bolsonaro e todos os vínculos do establishment bolsonarista, extremista
e direitista vinculado ao Banco Master”.
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Durante
sua participação na TV 247, Miola também analisou a crise na extrema direita
após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmar ter sido “apunhalada” e
humilhada por Flávio Bolsonaro em meio a divergências políticas dentro do
Partido Liberal. De acordo com o analista, a gravação não representa apenas uma
crise familiar, mas um movimento político voltado ao futuro da extrema direita.
“Quando eu assisti ao vídeo, a minha sensação é de que ela aposta na derrota da
candidatura" presidencial do senador. Atualmente, o filho de Jair
Bolsonaro é pré-candidato. O prazo de registro de candidaturas vai até 15 de
agosto.
O
Datafolha mostrou no último dia 20 que o presidente Lula (PT) derrotaria todos
os nomes testados em cenários de segundo turno. Na Pesquisa CNT de Opinião,
feita pelo Instituto MDA, o petista abriu 12,5 pontos de diferença para Flávio
Bolsonaro. No levantamento Quaest, encomendado pela Genial Investimentos,
registrou distância de seis pontos percentuais entre os dois.
No
cenário político atual, disse Miola, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
"está se projetando para ser conformar uma liderança do bolsonarismo após
a eleição”. “A gente vê que ela faz uma simbiose política e religião. Ela adota
um tom bíblico no que ela fala. Esse contorno que ela dá ao bolsonarismo com o
neopentecostalismo, ele é muito poderoso e muito potente”.
Ao
falar sobre o setor privado brasileiro, o analista comentou a relação entre o
bolsonarismo e o Master. Miola cobrou medidas patrimoniais mais duras contra
Daniel Vorcaro. “Deveria ter até o último centavo dele sequestrado”, disse
Miola, que também comentou sobre o caso Americanas. A PF e o Ministério Público
Federal investigam fraudes contábeis estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões
no caso das Lojas Americanas investigado pela Operação Disclosure.
Segundo
o comentarista, agentes públicos podem aparecer como parte dos esquemas, mas o
núcleo de grandes fraudes estaria no mundo empresarial. Miola cobrou mais
investigação contra agentes privados. Em vez de mirar apenas periferias e
comunidades, as investigações financeiras poderiam alcançar escritórios,
bancos, fundos e estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro, sinalizou o
colunista.
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Jaques Wagner e comparação com outros casos
No
âmbito político, Miola viu falta de transparência sobre a escolha de alvos,
datas e prioridades no avanço das apurações da 9ª fase da Operação Compliance
Zero contra o senador Jaques Wagner (PT-AB). O colunista perguntou por que não
houve medidas semelhantes contra figuras como Antônio Rueda (presidente do
União Brasil), Davi Alcolumbre (presidente do Senado pelo União-AP), Hugo Motta
(presidente da Câmara pelo Republicanos-PB) e Flávio Bolsonaro (senador do
PL-RJ e pré-candidato à presidência da República).
Apesar
dos questionamentos, Miola evitou afirmar que não havia razões para diligências
da Operação Compliance Zero, da PF, contra o senador Jaques Wagner. “Não quero
aqui dizer que não deve não tinha razões para para fazer uma operação no Jaques
Wagner, porque e desde o início isto era assunto, que teria problemas na
Bahia”, afirmou o colunista do 247.
A PF
apontou que o senador recebeu apartamento de R$ 2,45 milhões do banqueiro
Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O parlamentar também teria comprado
imóvel de R$ 9 milhões em Salvador. A PF apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros em
endereços ligados ao congressista. Outro alvo da operação foi Augusto Ferreira
Lima, sócio do Master.
Conforme
a Agência Brasil, a defesa do senador pediu ao STF a anulação da busca e
apreensão cumprida pela PF e disse que ele "jamais atuou no Congresso para
favorecer o Master". "Prova disso é que a única emenda de sua autoria
sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros
e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do
Banco", disse a defesa.
Sobre
os valores em espécie encontrados durante as buscas, o advogado Pablo Domingues
afirmou que o dinheiro tem origem lícita. "Parte é proveniente de diárias
publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra
parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição
financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério
Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens".
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Atuação de Fernando Haddad
Ao
comentar o papel do governo no enfrentamento ao crime organizado, Miola afirmou
que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São
Paulo, teve participação importante na formulação de uma estratégia baseada na
asfixia financeira quando ocupava o ministério.
“Quando
o tema da do combate ao crime ganhou a discussão no nosso País, qual era o
principal ministro de Estado que atuava na discussão? Não era ministro da
justiça e não era o delegado, o diretor da Polícia Federal, era o ministro
Fernando Haddad”, avaliou o comentarista na TV 247.
Segundo
Miola, essa escolha revela uma mudança de método. “Por quê? Porque aqui tem uma
inteligência na estratégica de combater o crime, asfixia financeira”, afirmou,
acrescentando que Haddad “desenhou toda essa arquitetura que hoje está sendo
implementada gradativamente”.
O
analista afirmou que essa rede envolve diferentes órgãos do Estado. “Envolve
Receita Federal, envolve COAF, envolve Polícia Federal, né, envolve todos os
órgãos de fiscalização de estado, de controle de fluxos financeiros. Vão chegar
não na favela, vão chegar na Faria Lima, vão chegar no no no escritório do
Paulo Lemann, vão chegar no refit, no gabinete do governador do Rio de Janeiro,
Cláudio Castro, e por aí é fora”, disse.
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Investigações
Em
junho de 2024, a Polícia Federal iniciou a primeira etapa da Operação
Disclosure. Na ocasião, foram executados 14 mandados de busca e apreensão
contra antigos executivos das Americanas. A corporação também pediu a prisão
preventiva do ex-CEO Miguel Gutierrez e da ex-diretora Anna Christina Ramos
Saicali, ambos fora do país naquele momento. A apuração apontou suspeitas de
crimes como manipulação de mercado, uso indevido de informação privilegiada,
associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A
segunda fase da operação (25/06/2026) mirou o cumprimento de nove mandados de
busca e apreensão. A Justiça Federal ordenou o bloqueio de R$ 54 bilhões em
bens e valores dos investigados. O valor é o prejuízo das fraudes indicadas nos
laudos técnicos periciais. Ex-dirigentes aumentavam o Caixa da Americanas e os
lucros artificialmente, escondiam dívidas e mudavam balanços, para subir o
valor das ações na Bolsa. Segundo a investigação, os envolvidos recebiam bônus
milionários pelo desempenho financeiro da empresa e obtinham ganhos vendendo
ações valorizadas de forma artificial.
No caso
da Compliance Zero, da operação chegou à nona etapa, que teve Jaques Wagner
como alvo. Até à oitava fase das operações da PF, tinham sido decretadas pelo
menos 21 prisões temporárias (de até cinco dias, prorrogáveis pelo mesmo
período) ou preventivas (sem prazo para ser revogada), incluindo a do próprio
banqueiro. Também foram expedidos 116 mandados de busca e apreensão de provas e
autorizações judiciais para o bloqueio e o sequestro de bens em valores
próximos a R$ 27,71 bilhões.
Fonte:
Brasil 247

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