terça-feira, 30 de março de 2010

EU TIVE UM SONHO


Certa noite eu tive um sonho, não o de ter o direito de ir e vir, pois este sem que menos esperemos podem nos tirar, não o direito à vida, pois também pode ser tirado. Este meu sonho me dava o direito à liberdade.
Residia em um Estado, em que o direito de expressão era praticado livremente por todos, e que as promessas feitas eram cumpridas. Enfim tive um sonho: eu era livre. Nós éramos livres.
Neste meu sonho tinham pessoas abnegadas que davam tudo de si para satisfazer as necessidades dos mais pobres, procurando nesta sua doação, levar esperanças para tornar realidade à inclusão de todos na sociedade, daqueles que por algum motivo tiveram seus sonhos jogados na vala comum da exclusão social.
Neste sonho, nos era apresentado um Estado mais justo politicamente, onde os direitos e as oportunidades eram iguais para todos, sem qualquer distinção. Que o acesso ao serviço público era feito através de concursos e que os cargos de chefia eram ocupados entre os servidores mais capazes, não através do “Q.I.” (Quem Indicou).
As imagens que apareciam, mostrava que o povo havia se unido para derrubar a dinastia que imperava no Estado por quase meio século, chefiado pelo nefasto coronelismo, comandada por uma facção política, que o transformara em um dos piores em relação aos índices de desenvolvimento, perdendo apenas para o Maranhão, que coincidentemente também era dominado pelo coronelismo político, chefiado pela clã dos Sarneys, cuja coincidência maior, todas as suas lideranças tiveram origem na antiga ARENA, transformado posteriormente em PFL que hoje responde por DEM.
Em nosso sonho, estes políticos profissionais, que por muitos anos estiveram no Poder e nada fizeram, muitos com seus nomes citado em atos de corrupções, mal versação do dinheiro público, fechamento de jornais, tentativas de amordaçar a imprensa, perseguição àqueles que não rezavam em sua cartilha, foram expurgados da vida pública.
Eles que transformaram o patrimônio do Estado em propriedade privada, serviço público em segmento a seu serviço, inchando os seus quadros, através da colocação de familiares, amigos e cabos eleitorais, não para servir a população, mas para se utilizarem do Estado para seus interesses, passaram a ser tripudiados pelo povo.
De repente, ainda durante o sonho, vejo que a população do Estado resolve dar um basta nesta situação. E de forma ordeira, opta por colocar estes coronéis no ostracismo e no ano de 2060, sem que ninguém acreditasse, até as pesquisas eleitorais diziam o contrário, o coronel de plantão é surpreendentemente derrotado, colocando em seu lugar o novo, aquele que apresentava uma mensagem de mudança. Mudança na forma de administrar, mudança nos paradigmas, onde o Estado estaria a serviço de todos principalmente dos mais pobres, onde o servidor público seria respeitado e valorizado, passando a ter orgulho de ser funcionário público; mudança nas prioridades, onde teríamos segurança, saúde e educação de qualidade. Mudança na escolha dos seus quadros, onde seriam escolhidos os melhores dentro do quadro de profissionais existentes para servirem a população e não ficarem a serviço do chefe de plantão. Enfim, optou o povo por novos métodos e ações políticas.
Neste nosso sonho, a população dizia claramente que não queria ver retornar ao Poder aqueles coronéis que tanto mal causaram ao Estado. Enfim,a população mandou uma mensagem que queria vê-los no ostracismo e que não admitiria que as políticas nefastas por eles praticadas continuassem a imperar.
Mas de repente acordei, e voltei à nossa realidade.
Vi que o povo baiano em 2006, havia tomado uma decisão. Mesmo contrariando todas as pesquisas, houvera optado por dar um basta ao coronelismo e a dinastia carlista que imperava e que era responsável pelo atraso que a Bahia se encontrava, pelo sofrimento que o povo passava, aonde a Bahia só ia bem na propaganda e na televisão de propriedade do grupo que a dominava.
Porém, passado 03 anos da derrubada do Poder da oligarquia, observo que o sonho de uma Bahia diferente, onde o funcionalismo público fosse respeitado e sentisse orgulho de ser servidor; que tivéssemos uma efetiva segurança pública; a educação fosse prioridade; a saúde tivesse um tratamento diferenciado e para ser bem atendido não haveria necessidade de se socorrer ao político de plantão; que os cargos de comando fossem ocupados pelos mais capazes e não pelo “Q.I”; que as políticas públicas fossem direcionadas para aqueles mais necessitados, não como um favor ou como moeda de troca, mas por uma obrigação e para resgatar a dívida social histórica. Vejo que tudo isto continua como antes, nada ou quase nada mudou.
Vejo agora que tudo isto foi apenas um sonho, igual ao sonhado.
Quando a população respondeu nas urnas que não queria a continuidade daquela nefasta política, deixou também bastante claro, que também não queria os seus executores, por tudo de ruim que eles haviam implementado ao povo baiano. Queriam aqueles homens no ostracismo, foi esta a resposta da população baiana.
Porém, àqueles a quem foi dado o Poder não entenderam ou não querem entender o recado dado pelo povo. E eis que de repente, aqueles que o povo expurgou do Poder retornam bravos e faceiros a linha de frente do governo, levados por aqueles que os derrotaram, com se nada de mal tivessem feito ao povo baiano. Em nome de uma reeleição. Ou seja em busca da manutenção do Poder.
Retornam e foram perdoados por eles, mas não sei se pela população. Aí só saberemos em outubro, quando as urnas forem abertas, se foram realmente perdoados ou se estão levando aqueles que o perdoaram para a lama em que sempre estiveram.
Todo mundo tem um sonho. Martin Luther King também o tinha. E como Martin Luther King eu também tenho o meu. E faço dele minhas palavras, é claro adaptando-as a nossa realidade: “Eu tenho um sonho que um dia a Bahia se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que meus filhos vão um dia viver em um Estado onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.
Eu tive um sonho.
Não deixe ninguém roubar seus sonhos.

terça-feira, 23 de março de 2010

PUNIÇÃO OU PREMIAÇÃO? ESTA É A NOSSA JUSTIÇA.


Parte mais frágil na defesa de seus interesses, o cidadão tem no Judiciário a certeza em que obterá deste a proteção contra ameaças aos seus direitos, desvios na administração da coisa pública, tratamento desigual em situações idênticas e interpretação da lei em detrimento do justo, entre outras.
O judiciário brasileiro secularmente tem andado na contramão dos anseios da população e ferindo os princípios mínimos da ética nas decisões que envolvem o julgamento de seus membros. O Sistema Judiciário, que deveria ter como objetivo principal o de promover a justiça, tem se tornado um palco interno de injustiças, diante da quantidade de ações irregulares praticadas por diversos juízes, promotores, desembargadores, sem receberem as punições cabíveis, para os atos maléficos praticados contra sociedade. Muito pelo contrário, ao invés de serem punidos em razão das irregularidades praticadas, estes profissionais que tem manchado a magistratura nacional são premiados, contemplados com elevados salários através de uma aposentadoria compulsória.
Temos observado e lido em jornais de circulação nacional, juiz acusado de assassinato, que ao invés de ser julgado como uma pessoa qualquer, pelo crime cometido, ser premiado com aposentadoria, percebendo o salário de final de carreira, ou seja, o maior salário do judiciário.
Recentemente, uma Juíza do Tribunal de Justiça do ES, suspeita (ou envolvida), juntamente com outros membros da família, também integrantes daquele Tribunal, em diversas irregularidades judiciais no Estado, após 07 de exercício da magistratura, recebeu como condenação, a pena máxima, ou seja, foi condenada a aposentar-se aos 33 anos de idade.
Fora estes casos, porém, se tivermos a curiosidade de pesquisar os jornais e atos emanados por nossos Tribunais por certo veremos um sem número de outros juízes e desembargadores obrigados” a se “aposentar”, em razão de terem sido julgados, por ilícitos em suas decisões ou gestões.
Infelizmente, temos que reconhecer que por motivos desconhecidos, os responsáveis pelo julgamento de membros da justiça, a alta cúpula do judiciário, parecem ter esquecido-se do ensinamento que o corporativismo é antiético e o julgamento que eles tem realizado aos seus “colegas” em razão das ações e ou irregularidades praticadas, estão sendo corporativistas, até demais, portanto antiético.
Segundo os jornais, em 05 anos, o Conselho Nacional de Justiça, instância administrativa máxima do Judiciário, já condenou 16 magistrados e afastou oito preventivamente - a maioria por corrupção. Treze deles receberam a pena máxima: aposentadoria compulsória, mas com vencimentos mensais que chegam a R$ 24 mil. Seria esta pena realmente uma condenação ou uma premiação?
Já imaginaram que País das Maravilhas seria o nosso Brasil se todos os funcionários públicos ou privados fossem premiados com aposentadoria, quando fossem observados e ou flagrados por atos de irregularidades em seus serviços?
Está correto o Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, quando diz: "Ter como pena máxima a aposentadoria é uma excrescência. Se a pessoa foi afastada da magistratura, também não tem condições morais e éticas para atuar na advocacia”. É uma afirmativa lógica, desta forma, deveria ter também os seus direitos para advogar cassados.
Deveria ir mais longe e em caso de ocorrer a condenação, além de perder a função e o cargo, deveria ter ainda como conseqüência a perda do salário.
Mais uma vez assiste-se o corporativismo vigorar, quando vemos a defesa realizada pelo presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Mozart Valadares Pires: "Quando você aposenta um magistrado, tira o instrumento de quem estava cometendo a corrupção, que é a caneta". É uma afirmativa simplória demais. E as pessoas prejudicadas como ficam? E as leis só são para o cidadão comum? E a ética onde fica? A Lei não deveria ser para todos?
E a gente e a imprensa só está preocupada com os atos de corrupção de nossos políticos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

CHEGA DE NEGOCIATAS. QUEREMOS ALTERNATIVAS


Entra e sai período eleitoral e todos os anos assistem-se os mesmos escândalos praticados por candidatos a governo - seja federal, estadual ou municipal -, ou a cargos no legislativo, com a prática de acordos e conchavos que deixa até aqueles mais desinformados de cabelo em pé, diante das negociatas feitas á luz do dia. A situação está de tal forma, que já se tornou corriqueiro. Ninguem esconde mais nada. Tudo é normal. Tudo em “nome” dos interesses do “Estado”, mas que traz no fundo a conquista ou manutenção do Poder, naquilo que eles denominam a “guerra” pelo nosso voto.
Sem contar os milhares de empregos prometidos para após as eleições. Ninguém liga para Justiça Eleitoral.
Portanto, esta prática apenas busca favorecer políticos com foro privilegiado, os quais através das “influências” que dizem possuir em diversos setores da sociedade são oferecidos secretarias, diretorias em estatais e distribuição dos cargos de confiança, tudo isso para obter segundos preciosos no horário político eleitoral. E falam em inclusão social.
Quando o ser humano escolhe um partido político, ele está optando pelos ideais programáticos defendidos em seu estatuto. Busca se identificar com a imagem que o partido através dos seus líderes transmite a sociedade. Muitos escolhem o partido com base nos seu manifesto, programa, estatuto partidários, levando em consideração as suas tendências se de esquerda, de direita, de centro, etc. Desta mesma forma age o eleitor em relação ao candidato.
Portanto caberia àqueles que se propõe a submeter o seu nome para escolha popular em ter como prioridade, em lugar dos conchavos e negociatas espúrias, apresentar ao eleitor, propostas, projetos e programas de governo factíveis, compondo a chapa com pessoas comprometidas com as suas propostas, em lugar da divisão e loteamento de cargos.
Será que se o Estado fosse uma empresa de sua propriedade eles agiriam assim?
A crise política por que passamos está colocando a descoberto alguns métodos utilizados por nossos políticos e as suas ligações espúrias em busca da manutenção ou tomada do Poder, cujos objetivos fica cada vez mais claro, que é o da utilização do poder político em benefício próprio, verificando-se claramente a ganância com que busca assaltar os cofres públicos.
Procuram de todas as formas criarem pontes que liguem o Poder aos seus negócios, tráfico de influências, abusos de poder e mesmo corrupção. As negociatas e a política institucional andam de mãos dadas em nosso meio político e até com alguns sindicatos e entidades não governamentais.
Infelizmente, os nossos trabalhadores não têm reagido de forma contundente diante dos fatos. Não devemos permitir que se continue a desviar os recursos públicos para as negociatas tramadas as caladas da noite, beneficiando àqueles que ao longo da nossa existência só têm explorado o povo e mais ainda, que estes recursos sejam retirados de setores importantes como a saúde, educação, etc.
O ato de governar exige daquele que se propõe o dever de compor uma equipe integrada devidamente entrosada com o programa e o projeto discutido e apresentado a sociedade, de forma que cada um desenvolva suas atividades onde venha facilitar o andamento dos projetos e programas de governo. E esta integração só ocorrerá se os escolhidos estiverem envolvidos desde os primeiros passos com o projeto.
Portanto, o desempenho de qualquer governo deve ser associado ao funcionamento de uma equipe de futebol, basquete, vôlei ou de qualquer atividade coletiva, as quais exigem que haja sintonia entre os seus componentes para que os resultados possam ser obtidos. O time tem que está entrosado.
Assim, em lugar de aumentar o número de Ministérios e Secretarias para acomodar companheiros ou adesistas de última hora, o governante deve está preocupado e da total ênfase na escolha daqueles que irão ocupar cargos no Executivo.
Como todos sabem, ser Ministro ou Secretário - do Estado ou do Município, é fator de grande prestígio pessoal, coisas de uma Nação e de uma sociedade onde a política é praticada como meio de enriquecimento fácil, desta forma, obrigam àqueles que irá selecionar os seus assessores a optar pelos mais capacitados, não só intelectualmente, mas e principalmente moralmente, colocá-los na função certa e onde tenham afinidades, uma vez que a eles caberão a responsabilidade de decidirem sobre os rumos do País. Sobre a minha, a sua, a nossa vida.
Não se deve brincar de governar. Não devemos governar com aqueles apenas porque são nossos amigos, correligionários e aliados, ou até mesmo porque nos conchavos resolveram aderir ao novo projeto. Deve-se governar sim, através de projetos e programas de governo discutido com a sociedade e formar o Governo colocando as pedras certas nos lugares certos e mesmo que no decorrer da administração haja a necessidade de se fazer alterações que se busque optar por quadros comprometidos com o programa desde o seu início.
Deve formar uma equipe entrosada nos seus fundamentos, não uma equipe que busque obter as vantagens que o Poder oferece e atender os seus interesses pessoais.

quinta-feira, 11 de março de 2010

UMA TRAIÇÃO ÀQUELES QUE COMERAM SAL E POEIRA.


No sistema parlamentarista é normal os acordos políticos antes das eleições objetivando ampliar a base de sustentação e oferecer condições para a governabilidade. No presidencialismo, onde o poder é centralizado nas mãos do Executivo, os acordos ocorrem após as eleições.
Porém, no presidencialismo à brasileira, o que se vê não são acordos e sim negociatas feita às escondidas, à surdina, em sua grande maioria não com os partidos políticos como legalmente deveria ocorrer e sim com esta ou aquela “liderança” fisiologista, que utilizam do mandato para satisfação e atendimento dos interesses pessoais ou para fugirem de processos judiciais, para a a posterior buscar atrair o partido.
Este tipo de acordo tem um custo elevado, sempre sai mais caro, como de fato tem acontecido. Aliado a estes acordos espúrios, o Chefe do Executivo, com a eterna desculpa da governabilidade, desrespeita a militância e até mesmo o eleitor, que ao decidir ou optar por um, está dizendo claramente que aquele outro, o derrotado, não deve ou não está dentro do projeto sonhado pelo eleitor.
E em nome da governabilidade, o eleitor é surpreendido vendo aquele que meses antes fora renegado, até pelo seu discurso contrário ao projeto apresentado pelo vitorioso, desfilando de braços dados, como se o que afirmava anteriormente não existisse. Este comportamento espúrio, chega a dá um nó em sua cabeça.
Quando o eleitor opta por um candidato, ele está apoiando e aprovando um projeto político apresentado e discutido com a sociedade no período eleitoral.
Portanto, aquele que foi derrotado fica subtendido que o seu projeto não foi aceito pela maioria da população.
Desta forma, não se entende a mudança repentina de idéias e os motivos que forças políticas tão antagônicas consigam se juntarem, pois nada garante a partir desta união qual o projeto realmente irá vigorar.
Cada governo tem seu estilo de negociar politicamente e fazer suas concessões partidárias mas o que se assiste hoje na Bahia, não é problema de governabilidade e sim, negociatas e mais negociatas. O que vemos na Bahia é uma traição aos eleitores, que em 2006 resolveu dá um basta a dinastia carlista, que imperava a quase 40 anos. Porém, passado 03 anos de governo, observa-se que os vencedores não entenderam a mensagem do povo baiano.
A serem corretos os fatos que os jornais vêm anunciando, é triste e até decepcionante a opção assumida pelo Governo Wagner ao atrair para o seu quadro, na ânsia de obter a reeleição a qualquer custo, quadros do DEM ou de outros partidos políticos que em nada soma à imagem do seu governo, muito pelo contrário, ao aderirem estão levando a lama em que sempre estiveram atolados na sua trajetória política.
As promessas feitas em 2006 com certeza não foram estas. Acaba-se a “panelinha” do DEM e traz os paneleiros para cozinha do seu governo.
Diante do que se anuncia no dia a dia, o que se observa é que os mesmos têm trazido inquietação ao eleitor que está se sentindo traído: afinal que propostas está em jogo? Ou será que ao trazer lideranças de origem não de centro, mas de extrema direita, o governo Wagner ainda tem um projeto de esquerda e de verdadeira mudança, pois os quadros que estão a aderir reconhecidamente não têm este perfil, muito pelo contrário, são pessoas envolvidas em falcatruas com dinheiro público e inclusive com tentativa de fechamento do Jornal A Tarde entre outros órgãos da imprensa, com o empreguismo, com a perseguição política, entre tantos outros fatos negativos.
Será que Wagner e aquele que os assessoram sabem disso?
Qual o modelo administrativo será apresentado a população com estes inusitados acordos?
Continuar matando o servidor público, como eles fizeram? Perseguir aqueles que não rezam em suas cartilhas, como sempre praticaram? Inchar os quadros do Estado com apadrinhados e cabos eleitorais, como sempre foram as suas práticas? Terminar o serviço mal acabado da roubalheira praticada na Cesta do Povo? Entre tantas outras falcatruas, como as denunciadas pelo jornalista e deputado pelo PT, Emiliano José sobre o final do governo Paulo Souto, ou pelo Secretário de Indústria e Comércio recentemente a respeito das negociatas no SUDIC?
Diante do que está ocorrendo, está ficando comprovado que com estes quadros e acordos espúrios, renegando os companheiros municipalistas, principalmente os vereadores da base de sustentação, que ao Governo Wagner faltam propostas, projetos, temas, sugestões. Pois se existissem, o maior entendimento não seria com pessoas de passado que nada honra a história política da Bahia e das esquerdas, Lídice da Mata que o diga quando foi prefeita.
Os acordos e entendimentos legitimos seriam sim, mas com o eleitorado, e não rasgando toda uma história de luta e o discurso sobre a natureza do exercício da política pregado pelo PT na Bahia.
Caso haja estes conchavos, como a imprensa tem colocado, o Governo Wagner estará contribuindo para que o debate político em nosso Estado continue viciado em seus próprios fundamentos, pois é sabido por todos que atrás do discurso de governabilidade vêm sempre associadas à submissão fisiológica na repartição de cargos e outras vantagens e benefícios de interesses pessoais.
O espetáculo chega a ser deprimente, porque não dizer chega às raias do ridículo.
Se analisarmos as adesões anteriores, as atuais já nem conseguem mascarar a entrega de secretarias, empresas estatais, cargos de confiança e por aí vai, embora utilizem de discursos e artifícios retóricos que o que está ocorrendo está fundamentado em uniões programáticas, que estão pensando no melhor para o Estado, como se esse discurso escondesse o principal, que é o loteamento da máquina estatal. Que o diga a Dep. Eliana Boaventura e outros que aderiram. Pois só sabem fazer política usando o Poder.
Utilizam deste artifício inclusive para acuar aqueles que se mantém fieis aos seus ideais partidários e continuam oposição,por não participarem desse loteamento em nome da negociata “partidária”, para uma suposta governabilidade, ou como em moda, em defesa de uma política nacional, visando a eleição de Dilma Russsef. Os eleitores destes, são de direita e jamais votarão em Dilma ou Wagner.
Assim, quem não participa da negociata é acusado de tramar contra o Estado.
E o eleitor que se lixe.

sexta-feira, 5 de março de 2010

08 DE MARÇO. UMA HOMENAGEM AS MULHERES: REBELEM-SE


No século XIX, pensadores admitiam de que no futuro, a tendência era termos uma sociedade governada pelas mulheres, que iria desbancar a sociedade patriarcal, governada por homens, na qual, as mulheres tinham pouco ou nenhum valor.
Naquela época às mulheres cabia basicamente, a responsabilidade pelos afazeres domésticos, trabalharem na lavoura e o direito a maternidade. A elas não era reconhecido o direito ao estudo e ao trabalho e muito menos ainda a perceberem salário, e, quando ocorria receber algum pagamento este era muito inferior ao salário dos homens.
Se o que os pensadores do sec. XIX buscavam admitir, se tornaria realidade ou não, só o tempo diria, Mas, reflexões à parte, o que se assiste hoje no mundo moderno, vem comprovar as reflexões daquela época, apresentando uma significativa predominância do mundo feminino sobre o masculino.
Como se sabe, antigamente havia empregos e serviços para “homens” e empregos e serviços para “mulheres”. Hoje, já não se observa tão grandemente esta divisão, uma vez que as mulheres já fazem todo tipo de serviço, e na maioria das vezes com melhor qualidade que os próprios homens.
Tornou-se comum vermos nos tribunais mulheres exercendo a profissão de advogadas, promotoras, juízas, profissões e funções estas que antigamente, eram exclusivas dos homens. Nos hospitais mulheres fazendo todo tipo de cirurgia. Nas estradas mulheres ao volante de enormes carretas e ônibus, executando o serviço com a mesma ou até mais habilidade e segurança do que muitos homens. Na construção civil, já é reconhecido a qualidade do trabalho feminino.
Assistimos hoje a presença da mulher em todos os campos e áreas de ação, seja a nível de executivos de empresas ou na esfera pública. Já se observa em muitos países a mulher como Chefe do Executivo, que, diga-se de passagem, tem exercido esses cargos com muita mais competência e honestidade que os homens, pela sua sensibilidade aos problemas sociais, são mais duras de serem corrompidas, administrando com competência, equidade e equilíbrio, aliado que a mulher tem mais pudor em corromper.
O Dia Internacional da Mulher é uma homenagem àquelas que lutaram e ainda lutam para terem os seus direitos respeitados e na busca da conquista pela sua igualdade.
Ao longo dos séculos, observa-se na história da humanidade, a luta de muitas mulheres em busca de sua liberdade e, em razão de suas lutas muitas foram punidas por desejarem o direito da igualdade aos homens. Algumas até chegaram a ser ouvidas, porém, milhares foram covardemente silenciadas.
Portanto, o dia da mulher apesar de ser uma das muitas conquistas obtidas, porém deve ser tratado como o reconhecimento de todos, em qualquer parte do mundo, não só como uma homenagem, mas, principalmente como o dia de reverenciar o martírio feminino ao longo dos séculos.
Devemos render homenagens a todas as mulheres, mais especialmente a mulher da classe operária, pois partiu delas no decorrer da história da humanidade, o início da organização e de enfrentamento dos desafios da época frente a opressão imposta pelas sociedades que diante de uma formação cultural reinante discriminavam e degradavam a imagem da mulher.
O direito de votar e ser votada, de andar nas ruas com o rosto descoberto, de poder escolher com quem casar, de estudar e trabalhar ao lado do homem sem preconceito, enfim, o direito de ser aceita como igual, são conquistas obtidas ao longo dos anos. E não foram fáceis. Quantas foram sacrificadas, para que hoje as mulheres pudessem comemorar a conquistas desses direitos.
Desta forma, o dia da mulher é um dia que em que devem lembrar desses direitos e conquistas obtidas. É um dia que deve servir de reflexão e não apenas para lembrar aos homens, mas principalmente às mulheres do significado das conquistas e reverenciar àquelas que no passado se sacrificaram na sua organização e lutas. Portanto, conquistar a igualdade e a justiça, sempre foi os objetivos que as mulheres buscaram alcançar. E esta luta não é de agora, ela começou a muito tempo e da forma como são tratadas, mesmo nos dias atuais, não tem prazo para acabar.
Estamos na era em da mulher batalhadora, independente, que busca de qualquer maneira se inserir no mercado de trabalho, conscientes dos seus deveres e direitos perante a comunidade que convive. Estamos na época da mulher que tem buscado derrubar tabus, quebrar as tradições e derrubar os muros restritos unicamente aos homens, acabou-se os “clubes do bolinha”. A mulher submissa, tratada como objeto, como uma boneca de louça e do "sexo frágil", está deixando de existir, é cada dia maia raro. Aliás, é um objeto em extinção.
Devemos reconhecer que muitas vitórias e resultados foram alcançados pelas mulheres, mas elas têm que está consciente que ainda tem muito a alcançar. O preconceito, a discriminação, a violência, as desigualdades sociais e salariais ainda são um tormento que atingem a mulher em cheio. E está aí, no seu dia – a – dia.
Por isso as nossas bravas mulheres não podem e não devem silenciar, devem sim, ir atrás de seus direitos e nunca deixarem se abater pelas dificuldades e obstáculos colocados a sua frente por esta sociedade ainda de caráter machista, que procura impor os dogmas masculinos nas suas relações.
Devem cada vez mais estarem unidas, trabalhando em grupos, para que possam denunciar e reagir contra a impunidade que infelizmente ainda impera, de forma que tenham os seus direitos reconhecidos e respeitados, não apenas como mulheres, mas como seres humanos.
Devemos reconhecer que são enormes as conquistas obtidas pelas mulheres em todas as áreas da vida social, ao longo das décadas, principalmente em relação da inclusão das mulheres no mercado de trabalho e ao seu reconhecimento profissional. Porém o problema por si só não está resolvido, cabendo as mulheres continuarem reivindicando cada vez mais seus direitos de cidadania abrindo novas formas e espaços de luta.
Da mesma forma que tem obtido diversas conquistas, por outro lado, não há como negar que todas estas conquistas arduamente conquistadas infelizmente ainda não estão consolidadas. Muito pelo contrário, elas são ameaçadas continuadamente por pressões machistas as mais conservadoras.
Porém, apesar de todas estas lutas e conquistas, ainda não entendemos o porque de tantas mulheres em locais públicos, muitas vezes são até maioria, onde são realizados shows musicais, se esbaldando e aplaudindo artistas e bandas musicais que tem o prazer de cantar letras que as humilham, as depreciam, as ofendem, onde ouve-se letras onde é pedido a ”patinha” da mulher, onde são chamadas de piriguetes, cachorras e ou letras com intenções dúbias, que tenho plena certeza estes autores não o fariam para suas mães.
Está também na hora, das mulheres se unirem e darem um basta neste tipo de ofensa, que tal como ocorria na idade média, também as humilha e lhes tira a dignidade. Está na hora das mulheres se unirem e darem um basta a este mau gosto musical. Está na hora das mulheres rebelarem-se, pois como nas demais conquistas, esta é uma vitória a ser obtida.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ATÉ ONDE IRÁ NOSSA PACIÊNCIA?


O Brasil sofre uma das mais sérias crises de sua história e se fizermos uma rápida análise rapidamente detectaremos diversas fontes causadoras.
Na economia, observa-se uma forte dependência do comércio exterior, resultado de políticas econômicas equivocadas ao longo de décadas, voltadas para os interesses dos países ricos, muitas delas trazendo no seu bojo malefícios para o nosso povo, cujas imposições exigidas, como as reformas da previdência, tributária, trabalhista entre outras, trazem sérias conseqüências para nossa população, gerando desemprego, miséria, exclusão social e desesperança.
Anualmente mais de três milhões de jovens estão ingressando no mercado de trabalho, para um sistema que só tem capacidade de absorção de pouco mais de um milhão. Desta forma, cerca de 45% da população economicamente ativa se encontra fora do mercado formal de trabalho, além do fato de existir cerca de 1/3 desta população desempregada ou subempregada. Isto são dados oficiais.
Aliado à dependência econômica, observa-se ainda uma preponderância do sistema financeiro internacional e nacional sobre a economia e nos meios de comunicação de massa, transformando e amestrando a grande imprensa de forma que esta seja capaz de, influenciar a população, omitindo, desinformando e distorcendo a verdade.
Assiste-se a educação e a saúde pública em frangalhos, em crescente deterioração, apesar da enormidade de recursos existentes e a cada mês o Estado bater recordes de arrecadação.
A previdência pública sendo violentamente dilapidada, chegando ao extremo de impor cobrança aos inativos, aliado ao achatamento da aposentadoria daqueles que, para ter uma velhice mais tranqüila, contribuíram para a mesma com valores acima de um salário mínimo, cujo objetivo é obrigar a população a contribuir com o sistema privado de previdência, com garantias muito duvidosas. Quem não se lembra da CAPEMI ente outros sistemas privados? Lembram-se do golpe? Quem contribuiu recebe quanto hoje? Nada. Pois faliram.
E os direitos trabalhistas, estes estão sendo extintos progressivamente, por imposição de uma economia globalizada. E olha que ainda estamos sobre a administração do PT – Partido dos Trabalhadores – será ainda? Imagine o que nos espera se o Poder passar as mãos do PSDB/DEM, que iniciaram este processo de alto flagelação da classe trabalhadora?
E a nossa segurança pública. Em completo estado caótico, levando milhões de famílias a angústia, medo e porque não, ao terror, em razão da violência, do tráfico de armas e drogas, fruto de uma geração sem maiores perspectivas, aliado a uma persistente campanha de desmoralização das instituições públicas e dos princípios e valores morais e éticos.
No setor político, vivemos a ilusão de um regime democrático, o qual deveria se basear na independência e convivência harmônica entre os três Poderes, cuja prática não é observada em nosso País, ou seja, temos um executivo forte e imperial e um Legislativo e Judiciário exercendo o papel de coadjuvante, sem força, sem poder.
O que se assiste praticar em nome desta democracia é a proliferação de nomeação de membros dos partidos que se aliam ou são cooptados pelo chefe do Executivo, abrindo espaços para milhares de "boquinhas", transformando o Poder Executivo em cabide de empregos para financiadores de campanhas e cabos eleitorais cujas negociatas envolvem ministérios, empresas públicas, autarquias, secretarias de Estado e dos Municípios e milhões da cargos de confiança, entre tantas outras, procurando sempre amparar os correligionários, inclusive os candidatos derrotados, de sofrível desempenho em seus campos de atuação, gerando desta forma uma imagem de incompetência, além de cooptar as lideranças sindicais e de associações organizadas, como forma de conter as reivindicações e organização da população.
No Poder Legislativo, este em franca decomposição moral, sem a mínima preocupação com os anseios de nossa população e as necessidades do seu povo, com a profileração de partidos políticos sem princípios, criados apenas para servirem de legendas de aluguel e um Congresso, Assembléias Legislativas e Câmara Municipais compostas em sua maioria de pessoas apenas interessadas em seus pleitos pessoais, sem a mínima preocupação com a ética, ao ponto de presenciarmos de maneira deprimente e vergonhosa mudanças repentinas de opinião, bastando apenas um afago do Executivo.
Tal qual no Legislativo, também estamos a assistir a degradação do nosso Poder Judiciário, com decisões que vão de encontro ao anseio popular e apenas beneficiando às pessoas próximas aos Poderes ou as elites econômicas e empresariais, retardando ao máximo as suas decisões, de forma que os crimes previstos venham a prescrever.
Outro absurdo é a nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal diretamente por indicação do presidente da República, que apesar de legal demonstra uma ingerência de um Poder no outro.
Tudo isto somado a um processo eleitoral refém do poder econômico, financiador da mídia e de candidatos amestrados aos seus interesses e que após eleitos irão para lá com o objertivo único de defendê-los, virando as costas para as reais necesidades da população, principamente daqueles excluídos pela sociedade.
Mas, mesmo diante deste quadro devemos ter esperança de que esta situação pode melhorar. Basta que cada um faça a sua parte, não aceitando políticos clientelistas e assistencialistas, dando um basta nestes que usam destas armas para se elegerem e depois virar as costas para o povo.
Então é hora de perguntarmos: até onde irá a paciência do povo brasileiro?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O PODER DA COOPTAÇÃO. É DE FAZER MEDO


Em regimes que se definem como democráticos, a formação de partidos políticos é talvez uma das principais manifestações de opinião, haja vista que, a organização de um partido político pressupõe a formação ou reunião de um grupo de pessoas que partilham de perspectivas e interesses comuns.
Porém, como os partido é composto por pessoas, muitas dessas lideranças ao alcançarem determinados patamares da vida pública, muitas sem uma formação moral e ética convicta, iniciam um processo de degradação moral e política, o qual tem início com pequenas benesses culminando com a cooptação por parte daqueles que estão no Poder e ou que lá querem chegar.
Apesar de hoje já está se tornando corriqueiro e a população anestesiada aceitar como normal no meio político, porém se há uma palavra que assusta os homens públicos, especialmente os políticos, mesmo quando estão fazendo exatamente aquilo que a expressão significa, é a expressão “cooptar”, até por conta das interpretações pejorativas que a palavra passou a ter.
Porém cooptar é o papel exercido por qualquer político que trabalha todo o tempo para tentar atrair lideranças que integram os quadros dos seus adversários. Não é exatamente isto o que o governo Lula tem feito? Que os governos estaduais fazem ao investir sobre as bases políticas no interior? E o que os opositores têm tentado nos seus contatos, ou José Serra, Aécio Neves e Cia. Ltda., são santinhos e quando viajam pelos Estados não tem buscado convencer prefeitos e lideranças que é sua a melhor proposta de governo e, com isto, transformar adversários em aliados? E isto não um trabalho de cooptação?
Portanto que fique claro: o que os políticos fazem em período de campanha eleitoral é, pura e simplesmente, cooptação. O que torna o termo pejorativo é a forma que usam para alcançar os seus objetivos.
A história tem mostrado que o processo de cooptação, sempre existiu ao longo dos séculos e foi realizado em sua grande maioria pela burguesia, que sempre buscou atrair para os seus quadros, líderes, dirigentes, intelectuais, artistas ou simplesmente militantes de esquerda ou do movimento sindical, ou seja, todos aqueles que direta ou indiretamente atravessavam os seus caminhos, principalmente aquelas lideranças de trabalhadores ou de lutas anticapitalistas.
E como se dá esta cooptação. O líder ao iniciar sua atividade, o faz de modo resoluto, mesmo que ideologicamente esteja despreparado, nas suas organizações e nos seus partidos políticos, de forma que adquira a confiança da classe a que representa. Porém com a convivência com a ala burguesa, a partir de dado momento, sente-se atraído pelos seus apelos, modo e forma de viver. Este é o apelo, o chamamento da burguesia.
A partir deste chamamento se inicia um processo de adaptação, onde é instalado no aparelho, utilizando da desculpa que está se sacrificando, a título de dar continuidade a luta dos interesses dos trabalhadores. Instalado no cargo de dirigente, seja em empresa privada ou em cargos de órgãos estatais, aí se inicia sua readaptação, passando a defender os interesses das elites econômicas e ou políticas, na verdade administrando os negócios e as crises do capital e da burguesia, negando todo o passado, passando a praticar as ações anteriormente criticadas e a qual combatia, entre elas, a repressão sobre a classe trabalhadora, sempre em nome da disciplina e da ordem. É claro da disciplina e da ordem emanada do capital e da classe burguesa.
Vejamos o maior exemplo de nosso País. O Presidente Lula. Daquele metalúrgico de ontem, das greves do ABC, compare ao Lula de hoje. Antes, um líder operário à frente de sua classe; depois, um líder a serviço do Estado, do capital, da burguesia e das elites econômicas e financeiras. Antes, dirigindo greves e manifestações; hoje, reprimindo-as.
Para entender o caso Lula é necessário que entendamos todo o processo de cooptação, o qual ocorre não de uma vez só, na verdade, quando um ex-dirigente, ex-operário ou intelectual alcança uma cadeira de Poder, ele já passou pelo processo de reeducação muito antes e várias vezes.
Voltemos ao nosso exemplo, o caso Lula e um pouco de sua trajetória e discursos. Após o surgimento do PT, em 1981, Lula se julgava e o partido como de “esquerda”. Por diversas vezes em seus discursos ele dizia: “Além de o PT ser um partido de esquerda, é um partido que tem um objetivo socialista”. 04 anos após, em 1985, esta era a palavra de ordem: "Não podemos, não queremos e não devemos pagar a dívida externa”. Um ano após, em 1986: “Quando chegarmos ao socialismo vamos dizer como ele será”, e em 1989: “Onde tiver um terreno vazio o trabalhador sem moradia deve invadir”. E ainda, “quando chegarmos ao Poder será criada uma auditoria sobre a dívida externa e interna, para comprovar que ela já foi paga várias vezes”. Estas eras as palavras de ordem de Lula, a liderança maior do PT, gravado e arquivados nos diversos jornais e revistas de circulação no Brasil.
Lula, que nunca foi um socialista, como ele mesmo afirmou e tem afirmado, até porque, ele, absolutamente nada sabia acerca de socialismo, estava nesta época na fase de readaptação, ou seja, no estágio do Lech Walesa, seu amigo, de 1980. O nosso ex-líder sindical não passava de um social-democrata ainda radical e inserido numa luta anti - ditatorial, que se travava na época.
Já em 1998, portanto 09 anos depois, quando seu processo de readaptação estava em curso, ou seja, passando para a condição de neoliberal, Lula muda de discurso: “Podemos fazer alianças sem nos prostituir”. Assim, mostra definitivamente a cara: “O PT não está propondo o calote das dívidas externa e interna. Nós queremos, sim, a auditoria da dívida externa”. Em 2001: “Eu acho que essa discussão numa campanha eleitoral, capitalismo e socialismo, estão defasados e fora de época”. Ainda em 2001: “Existem contratos que não podem deixar de ser cumpridos, mas isso não significa que sejamos obrigados a concordar com eles”. As duas últimas opiniões de Lula poderiam muito bem ter saído dos lábios do próprio FHC.
Isto significa que Lula e seu partido, o PT, já se encontravam totalmente domados, prontos e paramentados para assumirem a chefia do Estado neoliberal brasileiro como manda o figurino do atual estágio do capitalismo “globalizado”.
Portanto, se compararmos as idéias de Lula 1981 a 1989 com as de 1998 a 2000 e atuais, inclusive com as companhias políticas escolhidas após a ascensão ao Poder, veremos que só faltando dizer o mesmo de FHC, ou seja,: “Esqueçam de tudo o que eu disse e fiz no passado”.
Portanto, aí está o maior exemplo de cooptação feito pelas elites, não só a uma liderança, mas ao partido como um todo, pois sabemos que o sonho é o Poder e para alcançá-lo temos que nos submeter aos ditames das elites.
Um dia isto mudará. Quando? Aí só o tempo, o sonho e os ideais de alguém ou de um grupo poderá determinar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A SAÍDA ESTÁ NOS MOVIMENTOS SOCIAIS


No Brasil de hoje, se respira um ar de democracia como regime político, no entanto, devemos reconhecer que entre o nosso povo ainda impera uma cultura antidemocrática que vem desde aqueles que ocupam o andar de cima respingando para as camadas inferiores.
Esse é o grande desafio para as organizações e movimentos populares sociais, enfrentar esta cultura enraizada no seio da maioria da população, de forma que possam ser combatidas e vencidas em todas as suas etapas buscando obter uma organização mínima em que possam ser ampliadas significativamente as liberdades democráticas e suas conquistas.
Porém, para que alcancemos e ampliemos as liberdades democráticas é importante a participação e o envolvimento da população, cujos resultados só serão possíveis de ser alcançados através da pressão popular, dos sindicatos, agremiações, organizações e movimentos sociais.
Sabemos existir em nosso País diversas organizações voltadas para a defesa dos interesses de determinados segmentos, tais como o MST, o Movimento dos Sem Teto, Associações de bairros, sindicatos, etc., que diante de suas mobilizações aos longos dos anos de existência, têm conquistado um importante espaço político.
O grande desafio imposto a esses segmentos será como superar estes poucos momentos de sucesso, transformando-o em atos e movimentos sociais de longo alcance e duradouro.
Vejamos os exemplos de nossos sindicatos e associações de classe que de combativos e atuantes foram facilmente domesticados e cooptados, apenas por está no Poder alguém que surgiu destes movimentos.
Está na hora dos sindicatos e agremiações superarem este estágio de cooptação e atrelamento ao Estado, e voltarem suas ações em defesa não só da categoria que representa, mas também sair em defesa dos interesses da Nação. É chegado o momento dos sindicalistas e as pessoas deixarem de creditar e acreditar que toda e qualquer ação de modificação da estrutura social é de responsabilidade unicamente de determinadas personalidades a cada período eleitoral.
Está na hora de todos os movimentos se unirem e amadurecerem e independente de quem está no Poder, acabar com este culto a personalidade, forma utilizada pelo mercado para cooptar os movimentos, e independente se é governo de “esquerda” ou de “direita”, eliminar esta conveniência, paciência ou até mesmo paralisia e ou letargia, abrirem os olhos e retomar as mobilizações, pois independente de quem assume o Poder, fará um governo que em seu conteúdo pouco ou nada irá diferir do anterior, pois no fundamental tem como objetivo perpetuar as políticas sócio-econômicas neoliberais ditadas pelo grande capital.
Ou será que no Governo Lula tem sido diferente?
É necessário que os nossos movimentos sociais, cooptados ou não, façam uma autocrítica, não se utilizando dos velhos chavões de direita e esquerda, mas, uma reavaliação das políticas e movimentos de lutas estabelecidos, aprofundando a análise diante do atual modelo de acumulação capitalista neoliberal, que tem sido um retumbante fracasso nas esperanças por mudanças sociais significativas.
Mas para que esta avaliação possa ocorrer, só terá significativo valor, legitimidade e credibilidade, se os nossos movimentos sociais obtiverem autonomia plena, abandonar os carpetes luxuosos dos palácios governamentais e ou empresariais para os quais foram cooptados, transformando suas ações em permanentes mobilizações sociais em prol da comunidade e em defesa de seus direitos, praticando uma política de participação e apoio popular, e que apresentem experiências que apontem para novas práticas sociais que sejam antagônicas ao atual modelo neoliberal.
Portanto, as experiências de assentamentos e uma nova agricultura camponesa, com ênfase na agricultura familiar, conforme defende e pratica o MST, se contrapondo a agroindústria e suas ações contra o meio ambiente, são exemplos que podem manter acesa a chama da esperança de derrotar o medo de um mundo desumanizado que o capitalismo nos tem imposto.
Devemos reconhecer que esta esperança as camadas sociais no Brasil respiraram com a eleição de Lula, que acendeu a chama de ser criada outra via de desenvolvimento político, econômico e social para o nosso povo.
Infelizmente, na prática o Governo Lula não correspondeu às expectativas e esperanças nele depositadas, pois continuamos a viver sob a ditadura do capital neoliberal, apesar das armações, armadilhas e truques estatísticos estabelecidos pelos intelectuais e burocratas de plantão do governo para tentar nos convencer que a situação de miséria é hoje menos ruim do que antes.
Chegaram ao extremo de estabelecer que quem ganha salário mínimo em nosso País, faz parte da classe média. Isto só ocorre no Brasil. Em País nenhum, a pessoa que ganha o salário mínimo, é considerado de classe média. Pois como o seu próprio nome diz, deveria ser o mínimo para que a pessoa consiga sobreviver. E o nosso mínimo nem a isto atende, pois segundo o DIEESE ele deveria hoje está na casa de R$ 1.900,00. Será que pouco mais de R$ 500,00 reais inclui quem o recebe na classe média?
Portanto, é importante que todos estejam conscientes, que as lutas a serem travadas pelos movimentos sociais, devem perder sua vinculação em relação ao governo, e independentemente de quem está no Poder, elas devem ser desenvolvidas com ou sem a participação deste, pois o objetivo é a busca da construção de outra relação social, amadurecida, sobretudo no que se refere às conquistas sociais, estabelecer uma consciência política, traçar estratégias e táticas que de forma que possa atrair e congregar todos os setores e camadas populacionais, principalmente os excluídos pela sociedade capitalista, para que organizados possamos obter significativos avanços no processo de democratização, e que consigamos sair desta ditadura neoliberal.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

EDUCAÇÃO PÚBLICA: falta comprometimento e responsabilidade.


Em diversos temas abordados - como o aumento da violência, o elevado consumo de drogas, hoje realizado a luz do dia e a falta de segurança generalizada -, temos defendido que uma das saídas está na EDUCAÇÃO, porém, quando trato da educação, estou defendendo uma educação de qualidade, com o comprometimento de todos, seja dos dirigentes públicos como da comunidade e principalmente do professor, que deve ser responsabilizado não só com a formação educacional, mas com a constituição do futuro dos jovens que estão sob a sua guarda.
Quando falo em Educação, não estou tratando desta educação que aí está, onde se observa total falta de compromisso e o mínimo de respeito aos jovens, por todos os envolvidos. É claro que existe exceções, mas são raras.
O Executivo usa da educação como moeda de troca eleitoreira e como tema para discursos para ser aplaudido pelos puxa sacos de plantão, massageando o seu ego e utilizando-se desta área para eleger vereadores e deputados.
Os Secretários de Educação, muito nem sabem o que estão ali fazendo (até por não estarem preparados), nem sequer visitam uma escola da periferia, se consideram o todo poderoso, enclausurando-se em salas confortáveis, desconhecendo completamente a realidade educacional do seu Município ou Estado.
As Coordenações Pedagógicas, tais quais os Secretários, vivem fora da realidade e como os chefes pouco ou nunca vão às escolas - coordenam dos gabinetes. Depois constam de belos relatórios dados e ações que nunca executaram.
Os Sindicatos estão apenas preocupados na arrecadação e nas benesses que receberão do Executivo, também fazem de conta que estão preocupados com a educação - nem a categoria defendem -, uma vez que transformaram o cargo de dirigente sindical em profissão e o Sindicato em sua propriedade.
As Diretoras assumem os cargos, não para defender um ensino de qualidade e transformar a sua unidade em modelo, mas sim, para ficar fora da sala de aula e receber uma gratificação significativa pela função, pouco preocupada com a qualidade de ensino ou até mesmo com a freqüência do docente em sala de aula. Ela quer o voto para se reeleger.
O professor, passa o dia mais preocupado com os salários, com o próximo aumento, com bate papos e conversas nos corredores, ficando a sala de aula em segundo plano, esquecendo do compromisso maior, que é a formação da criança, esta preocupação passa longe, faltando à maioria dos nossos docentes compromisso com a qualidade na formação educacional, demonstrando desrespeito e desprezo com o futuro desta geração. Diante do desprezo com que tratam a educação pública, podem ganhar o salário de Ministro do Supremo Tribunal, e continuaremos a assistir o mesmo nível de irresponsabilidade com o preparo do jovem.
Por fim a comunidade, representada pelas famílias, colocam os filhos nas escolas, não com o objetivo de vê-los educados, mas para se verem livres da responsabilidade de criá-los. Não fiscalizam e nem cobram comprometimento e qualidade.
E no meio dessa queda de braço está a criança, que diante do tratamento dado pelos docentes à educação, se transforma no produto final, ou seja, jovens que concluem o ensino fundamental sem saber ler nem escrever, que não conseguem interpretar um texto. Diante do descaso com que são tratados, busca outros exemplos vitoriosos para sua formação e uma saída honrosa para sua sobrevivência. Então só lhe resta a criminalidade e a vioência.
Será que não está na hora de nos perguntarmos: os professores que assim agem tem um sono tranqüilo ao ver o resultado de sua obra, ou seja, nada ter contribuído para evitar que os nossos jovens se transformem em presas fáceis para o crime organizado? Ou eles pensam que ao não se comprometerem com a qualidade, não quantidade, do conteúdo e na formação da juventude, também não são responsáveis pela geração de marginais e aumento crescente da violência?
Diante deste quadro de faz de conta, torna-se urgente que medidas sejam tomadas para reverter o presente quadro, para tanto é necessário que os gestores públicos e legisladores tenham a hombridade, dignidade e humildade para considerar a educação de qualidade como prioridade e reconhecer o professor como a mais nobre das profissões entre todas as existentes. Que entendessem que ninguém chegaria onde está, se em sua vida não tivesse passado um professor.
E que os nossos professores exercessem a profissão tendo em mente o comprometimento e a responsabilidade para reverter a situação de falência educacional em que vivemos, e assumissem o compromisso de educadores e de formadores de personalidades deixando de brincar de dá aulas.
Portanto, uma nação que se diz civilizada, que deseja idealizar projetos e sonhos de paz e tranqüilidade social, que pretende reduzir a desigualdades sociais, tem que ter na educação o seu princpio fundamental, e caberá ao professor, se comprometer com este projeto, e não fazer como assistimos hoje, total descompromisso com a educação pública, cabendo a eles a responsabilidade em razão de seus atos e ações, para que a categoria de professor seja realmente valorizada.
Assim, mais um ano letivo se inicia, e com a certeza veremos a mesma rotinas de anos anteriores, ou seja, assistir-se-á as mesmas cenas pré-histórica que acompanha as nossas escolas públicas e as práticas docentes, ou seja as crianças enfileiradas, sentadas uma atrás das outras em cadeiras desconfortáveis, em frente a uma lousa arcaica, recebendo informações centralizada por um professor - sempre o dono da razão -, fora da sua realidade e que fora da escola se defronta com um outro mundo, fora dos devaneios transmitidos em sala de aula. Muitos desses professores que para escolas se deslocam completamente desmotivados, descomprometido e sem o mínimo respeito àqueles jovens que estão a sua frente.
Mais uma vez veremos as secretarias de educação, investir grande parte dos recursos na aquisição de livros didáticos e muito pouco ou quase nada em materiais que permitam o livre exercício de criar. Mais um ano iremos ver passar com as escolas passando conteúdos às crianças fora da sua realidade, fruto de uma matriz ou grade curricular arcaica e obsoleta, montada ainda no século XIX.
Nada contra a aquisição de livros, mas devemos entender que, diante da rapidez e das mudanças que ocorrem no mundo globalizado e da forma imediata que chegam ao nosso conhecimento, investir em livros didáticos da forma como é feito são dispensáveis. Deveriam sim, canalizar os recursos para investir em tecnologias da informação, pois esta se perpetuaria e serviria de apoio pedagógico imediato. Seria inserir a escola e o aluno no mundo real em que vivemos.
Aprender é um processo simples onde o conhecimento é facilmente passado para o outro. Porém educar este é mais complexo, pois traz no seu conteúdo a possibilidade de oferecer e incentivar a pesquisa e a criatividade. Para isto temos que ter aluno motivado e professor comprometido.
Cabe ao professor entender, que a globalização está igualando todos, a informação está aí disponível para qualquer um e as nossas escolas não devem e não podem ficar de fora, pois a escola ainda deve ser o local para preparar os nossos jovens para o futuro, e não pode preparar os jovens se a escola oferece resistência à modernização e se o professor a ela não se dedicar com amor e comprometimento, estará deixando uma herança maldita para as futuras gerações.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SEGURANÇA PÚBLICA: Um desafio ao Estado de Direito


A Constituição Federal/88 estabeleceu um novo modelo de segurança pública, inovando na sua concepção, ao considerar ser dever de todos a responsabilidade pela segurança, descaracterizando, pelo menos teoricamente a exclusividade dos órgãos policiais na abordagem do assunto.
Todavia, a ação repressiva da violência e da criminalidade cabe ao Estado a sua responsabilidade, e em virtude das conseqüências desastrosas em razão de seu crescimento, não se tem observado de parte deste Estado ações que tragam uma solução ou mesmo uma esperança, mesmo lá, no final do túnel.
Apesar da situação atual vivida, algumas comunidades têm lutado pela efetivação da disposição constitucional de uma polícia cidadã, cujo tema, com muita relutância, entrou em pauta nos poderes constituídos recentemente.
É preciso que se entenda que a segurança, é um dos mais relevantes instrumentos da democracia, porém da forma como estão organizados os nossos organismos de segurança, observa-se claramente que o assunto é tratado ainda seguindo orientações arcaicas, onde predominam os valores do totalitarismo e do arbítrio.
Diante desta situação de conflito, a população, sem saída, entrega a responsabilidade da segurança como uma atribuição exclusiva da polícia, e que a redução da violência e da criminalidade só será alcançada através do aumento do contingente policial, de sua manifestação invasiva e rigorosa, mesmo diante dos resultados desastrosos até agora obtidos.
É importante que entendamos que o fenômeno da criminalidade é de uma complexidade que ultrapassa o simplismo como vem sendo tratado, envolvendo questões que superam a necessidade unicamente dos serviços de proteção.
Devemos entender, que a violência em sua essência deriva de uma reação a uma ação contrária na tentativa de sua buscar uma solução que não foi conseguida através do diálogo. Significa dizer que a violência é uma resposta ao fracasso, às frustrações, ao desrespeito e à prepotência, extravasando as relações interpessoais, causada pela desigualdade social e da péssima distribuição de renda e pela dominação de classes, que infelizmente ainda impera em nosso País.
Desta forma a violência e a criminalidade hoje reinante devem ser vistas e tratadas como oriundas dos problemas sociais graves ainda existentes, cujo diagnóstico os nossos órgãos repressores estão sendo incompetentes em fazê-lo, para que possam ir à busca do tratamento específico.
Já está comprovado a ineficácia da abordagem repressiva e mecânica dos moldes atuais.
Portanto, a questão da segurança pública é o principal desafio ao estado de direito no Brasil.
Diante da dimensão em relação à violência, a segurança pública está presente em qualquer mesa de debates tanto de especialistas, e estes não faltam, como da população.
E problemas não faltam para esta sensação de insegurança e temor na população: as taxas de criminalidade que só tem aumentado que leva ao crescimento da sensação de insegurança, principalmente nas médias e grandes cidades, sem esquecer que também já estão chegando às pequenas e nas cidades incrustadas lá nos rincões do nosso Brasil; a degradação do espaço público e do meio ambiente; a reforma das instituições da administração da justiça criminal está a exigir uma solução urgente; a violência e o abuso de autoridade do sistema policial e sua ineficiência em relação a prevenção; a questão da superpopulação nos presídios (que passaram a ser depósito de homens e faculdade do crime) e nas cadeias (as quais não foram construídas para a função que hoje exercem, ou seja, manter enjaulada pessoas que são tratadas como animais), com isto dando margem a rebeliões, fugas; as péssimas condições de internação de jovens que infringiram a lei; os atos corrupção praticadas por nossas lideranças políticas e a impunidade das elites envolvidas em atos de flagrante desrespeito as leis em vigor; os descasos relacionados a investigação criminal e das perícias policiais; a eterna morosidade judicial, principalmente quando envolve pessoas do mesmo convívio social dos seus julgadores, entre tantos outros, representam desafios para o sucesso na consolidação de uma política de segurança no Brasil.
O que os governantes deveriam ter em mente, era a necessidade de transformar a segurança em gestão participativa, incutindo a noção de segurança cidadã, que em síntese deve fundamentar a política de segurança pública visando sua compatibilização com o modelo democrático, resgatando a cidadania, a solidariedade e o respeito e a valorização aos direitos humanos entre todos envolvidos na efetivação da segurança, priorizando a educação como instrumento de transformação.
Portanto, transformar a política de segurança, hoje reduzida a meia dúzia de “cabeças pensantes” em gestão participativa, por meio da polícia comunitária, é um desafio posto, e se assim começarem a agir, estarão oferecendo um leque de opções para a mudança deste modelo tradicional arcaico, alterando o organograma funcional que hoje impera, onde o problema é tratado como segredo de estado, cujo objetivo claro é a manutenção do status quo do Estado neoliberal e suas elites, sem uma política de segurança para aqueles que em ultima análise sustentam a pirâmide social.
É fundamental que políticas públicas sejam estabelecidas visando a melhoria da qualidade de vida das populações em situação de riscos e renegadas pela sociedade neoliberal, para que haja a melhoria da qualidade da segurança pública.