Revogação
de visto de embaixadora do Brasil por Trump é 'instrumento arbitrário para
pressionar governo brasileiro'
O
governo de Donald Trump revogou nesta terça-feira (4/8) o visto da embaixadora
do Brasil nos Estados
Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma nova escalada na crise
entre os dois países.
Segundo
uma fonte do governo americano ouvida pela BBC News Brasil, a gestão Trump
avalia novas medidas diplomáticas caso o governo brasileiro não autorize a
nomeação do novo embaixador americano.
Por
enquanto, ressalta a fonte, Viotti não foi declarada persona non grata e não
foi expulsa do país. Com a medida atual, a embaixadora terá que solicitar um
novo visto para entrar no país, caso saia dos EUA.
"O
presidente Trump tem o direito de determinar quem representa o povo e os
interesses dos Estados Unidos ao redor do mundo. O presidente Trump está
formando, em toda a sua administração, uma equipe diplomática de primeira linha
pautada pela política 'America First', sujeita ao aconselhamento e
consentimento do Senado. Rejeitamos qualquer tentativa de países estrangeiros
de interferir em nossos processos internos", disse ainda um porta voz do
Departamento de Estado à reportagem.
O ato,
segundo apurou a BBC, foi em resposta à demora do Brasil em autorizar o nome
indicado pela Casa Branca para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel
Perez. No rito diplomático, essa autorização é a concessão de um agrément.
A BBC
apurou que o governo brasileiro não tinha a intenção de bloquear a indicação de
Perez. Contudo, os Estados Unidos anunciaram o nome do embaixador antes de
solicitar formalmente o agrément ao Brasil, contrariando a
praxe diplomática.
Além de
adiar a aprovação de Perez, o Itamaraty
recusou, no mês passado, pedidos de visto de Riley Barnes e Samuel Samson,
funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, após o jornal The
Washington Post ter publicado uma reportagem afirmando que a visita ao Brasil
poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema
eleitoral brasileiro.
Barnes
e Samson visitariam Brasília de 27 a 30 de julho para se reunirem com
autoridades governamentais, líderes religiosos e representantes da sociedade
civil para discutir a integridade eleitoral, a liberdade religiosa e a
liberdade de expressão.
Em
nota, o governo brasileiro repudiou a decisão dos EUA e afirmou que as
justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado são falsas.
O
Itamaraty disse que Washington rompeu a praxe diplomática ao anunciar o
indicado para a embaixada em Brasília antes de solicitar formalmente o agrément e
afirmou que não há prazo definido para a concessão da autorização.
O
governo também acusou os EUA de adotar medidas hostis contra o Brasil e de
tentar interferir nas eleições do país.
"A
decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de
medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com
uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio
também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para
presidente", diz um trecho da nota.
Segundo
o diplomata aposentado Rubens Barbosa, ex-embaixador em Londres e Washington, a
decisão do governo Trump de revogar o visto é um "precedente
perigoso" e marca a escalada da crise política entre os dois países.
"Nunca
houve isso [a revogação do visto da embaixadora] na história do Brasil na
relação com os Estados Unidos", disse à reportagem.
Ela
afirma que foi um problema o governo americano ter ignorado o rito normal da
diplomacia e ter anunciado seu novo embaixador para o Brasil sem antes ter
solicitado o agrément ao governo brasileiro.
"Na
praxe diplomática, a forma é importante. A primeira coisa que têm que fazer é
pedir o agrément", destaca.
"E
o agrément demora uns 30 dias. Então, é uma forçação um pouco
de barra para antecipar a chegada do embaixador aqui", continuou.
Oliver
Stuenkel, professor associado de Relações Internacionais da Fundação Getulio
Vargas (FGV), também vê a reação do governo Trump como algo desproporcional e
que aumenta a pressão da Casa Branca sobre o Brasil.
Ainda
assim, não acredita que o governo Lula autorizará rapidamente que Daniel Perez
assuma a embaixada dos EUA em Brasília. Com isso, ressalta, a embaixadora
brasileira também deve continuar afastada do posto em Washington.
"É
pouco provável que a embaixadora volte ao posto antes das eleições. Eu acho que
o governo brasileiro, diante das declarações públicas de Trump, de Marco Rubio,
prefere não ter um embaixador americano no país que possa buscar legitimar
teorias conspiratórias sobre o sistema eleitoral brasileiro", continuou.
PRESSÃO
A
decisão do governo de Donald Trump de revogar o
visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti,
é "mais uma camada de pressão para que o Brasil se dobre aos interesses do
governo americano", avalia o especialista em relações internacionais e
professor da Florida International University (EUA) Guilherme Casarões.
Em
entrevista à BBC News Brasil, Casarões classificou como uma medida sem
precedentes e que não se encaixa nos cenários tradicionais que poderiam
justificar uma ação desse tipo, como um escândalo envolvendo o diplomata ou uma
ruptura das relações entre os países.
"Quando
isso acontece, geralmente acontece quando a pessoa cometeu algum tipo de
infração muito grave e isso gera uma crise diplomática", afirmou.
Segundo
uma fonte do governo americano ouvida pela BBC News Brasil, a gestão Trump
avalia novas medidas diplomáticas caso o governo brasileiro não autorize a
nomeação do novo embaixador americano.
Por
enquanto, ressalta a fonte, Viotti não foi declarada persona non grata e não
foi expulsa do país. Com a medida atual, a embaixadora terá que solicitar um
novo visto para entrar nos EUA, caso saia do país.
Um
porta voz do Departamento de Estado afirmou à reportagem que "o presidente
Trump tem o direito de determinar quem representa o povo e os interesses dos
Estados Unidos ao redor do mundo. O presidente Trump está formando, em toda a
sua administração, uma equipe diplomática de primeira linha pautada pela
política 'America First', sujeita ao aconselhamento e consentimento do Senado.
Rejeitamos qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em nossos
processos internos".
"Isso
que o governo americano apresentou não faz sentido do ponto de vista das
relações diplomáticas. Me parece muito mais um instrumento arbitrário para dar
um recado e colocar pressão sobre o governo brasileiro, dada uma suposta
insatisfação do governo americano que se acumulou ao longo das últimas
semanas", acrescentou.
Segundo
apurou a BBC, a medida foi uma resposta à demora na concessão do agrément —
a autorização formal para que um representante diplomático estrangeiro assuma o
cargo — ao indicado pelos Estados Unidos para ocupar a embaixada em Brasília,
Daniel Perez.
No
mesmo período, o governo brasileiro negou vistos a Riley Barnes e Samuel
Samson, funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o Brasil
após o Washington Post noticiar que a viagem poderia ser usada para levantar
dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
A BBC
também apurou que o governo brasileiro não tinha a intenção de bloquear a
indicação de Daniel Perez e que não havia encontrado declarações ou fatos que
desabonassem o nome indicado pelos Estados Unidos.
No
entanto, houve uma quebra da praxe diplomática quando Washington anunciou o
nome do futuro embaixador antes de solicitar formalmente a autorização ao
governo brasileiro.
Para
Casarões, esse rompimento do rito diplomático é justamente o principal ponto de
incômodo para o Itamaraty.
O
professor comparou o episódio a uma crise envolvendo Brasil e Israel em 2015,
quando o então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou pelo Twitter
(atualmente X) a indicação de Dani Dayan para a embaixada israelense em
Brasília antes da consulta formal ao governo brasileiro.
Na
ocasião, o governo brasileiro demorou meses para se manifestar sobre a
indicação. Segundo Casarões, o problema para o Brasil não era o perfil do
indicado, mas o fato de a nomeação ter sido anunciada antes da consulta
diplomática.
"No
caso do Daniel Perez, foi a mesma coisa: foi uma nomeação que poderia ter
passado pelos protocolos diplomáticos normais. Ele foi anunciado de maneira
unilateral pelo governo americano sem a consulta do governo brasileiro",
explicou Casarões, lembrando que os EUA chegaram a ficar cerca de um ano sem
embaixador no Brasil.
"A
sensação que eu tenho é que o governo americano fica jogando cascas de banana
esperando que o Brasil, em alguma delas, responda de uma determinada forma que
justifique mais medidas restritivas por parte dos Estados Unidos",
destacou.
Em
nota, o governo brasileiro repudiou a decisão e afirmou que as justificativas
apresentadas pelos Estados Unidos para revogar o visto da embaixadora eram
falsas.
O
Itamaraty disse que Washington rompeu a praxe diplomática ao anunciar o
indicado para a embaixada em Brasília antes de solicitar formalmente o agrément e
afirmou que não há prazo definido para a concessão da autorização.
O
governo também acusou os EUA de adotar medidas hostis contra o Brasil e de
tentar interferir nas eleições do país.
"A
decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de
medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com
uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo. Fica óbvio
também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para
presidente", diz um trecho da nota.
A
revogação do visto da embaixadora ocorre em meio a uma crise diplomática entre
Brasil e Estados Unidos que começou em 2025, teve um período de distensão e
voltou a se intensificar no último mês.
No ano
passado, o governo Trump
anunciou um pacote de tarifas sobre produtos brasileiros e
impôs sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de
Moraes com base na Lei Magnitsky, citando perseguição ao
ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro por golpe de Estado e
outros crimes.
Washington
também revogou os vistos de autoridades brasileiras.
Em
novembro, após uma conversa por telefone com Lula, Trump
anunciou a retirada parcial das tarifas. No mês seguinte também
suspendeu as sanções contra Moraes, reduzindo a tensão entre os dois países.
A
trégua, porém, durou pouco, e a crise voltou a se intensificar em 2026. No fim
de maio, os Estados
Unidos classificaram as facções criminosas brasileiras Primeiro
Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas
estrangeiras, decisão criticada pelo governo brasileiro.
Já no
fim de julho, Washington
anunciou duas novas tarifas sobre produtos brasileiros, resultado de
investigações distintas: uma de 25%, relacionada a práticas comerciais
consideradas injustas pelos Estados Unidos, e outra de 12,5%, sob a alegação de
que o Brasil falhou em combater adequadamente o trabalho forçado.
Para
Casarões, a revogação do visto da embaixadora representa mais um passo nessa
escalada e evidencia que Washington já lançou mão de praticamente todos os
instrumentos de pressão à sua disposição.
"À
exceção da solução militar, não tem mais muito que os Estados Unidos possam
fazer para pressionar o governo brasileiro. Todas as medidas já foram colocadas
à mesa. De tarifas e investigações comerciais à Lei Magnitsky e à revogação de
vistos de autoridades brasileiras. Só faltava realmente criar uma situação
envolvendo um embaixador."
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'Tentativa de interferência nas eleições'
Na
avaliação de Casarões, a demora na concessão do agrément para o embaixador
americano também está relacionada ao temor do governo brasileiro de uma
possível interferência no processo eleitoral.
"A
posição do governo brasileiro era até meio estratégica: a gente não vai negar o
cara, mas deixa ele vir depois das eleições. O medo é que ele, a partir do
exercício do cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, contribuísse
para favorecer ou facilitar a candidatura do Flávio Bolsonaro, e uma eventual
interferência mais direta nas eleições", afirmou.
Na nota
em que repudiou a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, o
governo brasileiro afirmou que a decisão americana "fica óbvio também o
interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".
Casarões
afirma que episódios recentes corroboram para essa preocupação do governo
brasileiro, citando a tentativa de envio de funcionários americanos ao Brasil
para discutir a integridade do sistema eleitoral e a atuação de autoridades
ligadas ao governo Trump em questões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Você
já tem tantos instrumentos políticos, econômicos e jurídicos que já foram
desdobrados contra o Brasil que é difícil a gente dizer que os Estados Unidos
não querem nada com essa eleição. Eu não consigo não chamar isso de uma
tentativa de interferência."
Apesar
da escalada das tensões, o professor avalia que o governo brasileiro vai tentar
equilibrar uma resposta firme com a necessidade de evitar uma deterioração
ainda maior da crise.
Segundo
ele, o Palácio do Planalto deve buscar construir uma narrativa de defesa da
soberania nacional, mas o Itamaraty tende a agir com cautela diante da
imprevisibilidade do governo Trump.
Uma
saída provável seria o Brasil autorizar a indicação de Daniel Perez, mas apenas
após as eleições, para evitar uma possível interferência no processo eleitoral
e que a decisão seja vista como uma concessão feita sob pressão.
"O
problema não é aceitar o nome. O problema é aceitá-lo como parte de uma
chantagem, como parte de uma negociação de refém. É essa estratégia que o
governo americano vem fazendo sistematicamente, não só com o Brasil, com o
mundo inteiro", afirma Casarões.
¨
Como imprensa internacional noticiou revogação do visto
de embaixadora do Brasil pelos EUA
A
decisão do governo de Donald Trump de revogar o
visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, é
destaque na imprensa internacional.
A
medida tomada na terça-feira (04/08) é mais uma etapa da
escalada de tensões entre Washington e Brasília.
O ato
foi em resposta à demora do Brasil em autorizar o nome indicado
pela Casa Branca para chefiar a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez.
A BBC apurou que o governo brasileiro não tinha a intenção de bloquear a
indicação de Perez. Contudo, os EUA anunciaram o nome do embaixador antes de
solicitar formalmente a sua aprovação ao Brasil, contrariando a praxe
diplomática.
O
Washington Post relata que o problema diplomático é "o mais recente ponto
de tensão em uma disputa crescente entre os EUA e o maior e mais rico país da
América Latina".
A
reportagem diz que um funcionário do Departamento de Estado americano que não
está autorizado a discutir a situação abertamente questionou o que chamou de
"abordagem de confronto" dos EUA, ao dizer ao jornal que,
"sempre que Brasília se apresenta como alguém que enfrenta Trump, a
posição de Lula nas pesquisas [de opinião] só melhora".
"O
cancelamento do visto é o mais recente episódio de divergência entre dois
governos que passaram o último ano oscilando entre o confronto e a
distensão", afirma o jornal americano New York Times.
O New
York Times disse que a aprovação de nomes indicados para embaixador antes de
qualquer anúncio é "uma tradição diplomática de longa data observada pela
maioria dos países".
"No
Brasil, essa omissão [dos EUA] foi interpretada como uma grave desfeita
diplomática que agravou as relações já desgastadas entre as duas nações,
segundo uma autoridade de alto escalão do governo brasileiro que pediu
anonimato", diz a reportagem do New York Times.
A
agência de notícias Bloomberg entrevistou uma autoridade de alto escalão do
governo americano, sem fornecer seu nome, que disse que os EUA não estão
expulsando Maria Luiza Ribeiro Viotti do país e que restabelecerão seu visto
assim que o Brasil aprovar Daniel Perez para o cargo de embaixador em Brasília.
"As
tensões entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental se acirraram
desde que os EUA impuseram tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros
em julho, alegando práticas comerciais desleais", relata a Bloomberg.
O Wall
Street Journal também destacou a piora nas relações entre Brasil e EUA.
"A
disputa ocorre em um momento de deterioração das relações entre Washington e
Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Washington de
interferir nas próximas eleições do país, em outubro, enquanto o governo Trump
argumenta que as autoridades brasileiras têm visado injustamente conservadores
e restringido a liberdade de expressão", diz o Wall Street Journal.
"As
tensões pareciam ter diminuído quando os dois líderes se reuniram em privado na
Casa Branca, em maio deste ano. No entanto, as relações permaneceram tensas
durante a maior parte do segundo mandato de Trump, com os EUA impondo tarifas
de 50% e sanções ao governo de Lula devido a alegações de uma 'caça às bruxas'
política contra conservadores do país — incluindo o ex-presidente Jair
Bolsonaro."
O
jornal financeiro britânico Financial Times observa que a crise na relação
bilateral "eclodiu há mais de um ano, quando Trump impôs tarifas de 50% ao
Brasil em uma tentativa fracassada de fazer com que as acusações de conspiração
golpista contra Jair Bolsonaro fossem retiradas".
O
jornal britânico The Guardian destaca que os governos de Trump e Lula já
discordaram em outros pontos no passado, como em questões referentes à
Venezuela, Cuba e o papel dos EUA na região.
"Trump
interveio repetidamente em disputas políticas na América Latina, enquanto Lula
fez da soberania nacional um tema central de sua campanha", disse o
Guardian.
"O
presidente brasileiro atribuiu a Rubio a responsabilidade por algumas das ações
da administração americana contra seu governo, embora tenha buscado evitar um
confronto pessoal direto com Trump e afirmado que ambos se deram bem quando se
conheceram."
A rede
americana CBS News recorda que a disputa sobre embaixadores ocorre após a
decisão do Brasil de negar vistos
a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA, acusados por
Brasília de tentar interferir nas eleições de outubro ao questionar a
integridade do sistema de votação do país, algo que o governo americano nega.
¨
Quem é Daniel Perez, indicado de Trump para ser
embaixador dos EUA no Brasil
Daniel
Pérez foi indicado por Trump para assumir a embaixada americana no Brasil em 1º
de junho.
Seu
nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano antes de ser confirmado
no cargo.
Aos 38
anos, Perez preside desde 2024 a Câmara dos Representantes da Flórida,
equivalente a uma Assembleia Legislativa no Brasil.
Integrante
do Partido Republicano, ele é aliado de Trump e, no ano passado, chegou a ser
citado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado.
Filho
de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida
ainda criança, em 1993. Advogado, formou-se pela Faculdade de Direito da Loyola
University New Orleans. Ele é casado e pai de três filhos.
Perez
foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2017. Segundo informações
divulgadas em seu site oficial, sua atuação parlamentar tem como foco temas
ligados ao bem-estar infantil, saúde, fortalecimento das famílias, educação e
integridade eleitoral.
Nas
redes sociais, ele costuma adotar o slogan Make America Great Again (Maga),
associado ao movimento político liderado por Donald Trump, que em português
significa 'Faça a América Grande Novamente'. Em diversas publicações, também
manifesta apoio às principais pautas do presidente americano.
Em
janeiro deste ano, Perez elogiou a operação
militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura
do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa.
Em uma
publicação no X, afirmou que Trump havia tomado "medidas decisivas para
trazer paz e segurança ao nosso hemisfério" e para desferir "um
grande golpe contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição
de vidas americanas".
Caso
tenha o nome aprovado pelo Senado, Perez será o primeiro embaixador dos Estados
Unidos no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente
Joe Biden. O posto está vago desde janeiro de 2025, quando Trump retornou à
Casa Branca.
Fonte:
BBC News Brasil

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