Donald
Trump está acuado
Como um
rato acuado, Donald Trump tem lutado desesperadamente pela sua própria
sobrevivência. O presidente não tem medido esforços na alegação sem provas de
que qualquer derrota eleitoral nas eleições de novembro, nos EUA, será
resultado de uma fraude. Ao mesmo tempo em que ela emprega todos os meios
necessários para influenciar o resultado das eleições legislativas nos EUA – o
que poderia levar à transferência do controle da Câmara dos Representantes e,
talvez, até do Senado, para os Democratas -, Trump deve intensificar as
tentativas da Casa Branca de interferir nas eleições brasileiras. A sensação de
estar encurralado e a possibilidade de enfrentar um terceiro processo de
impeachment provavelmente desencadeará um ataque feroz contra seus oponentes,
tanto no cenário interno quanto no internacional.
E uma
dessas reações coléricas aconteceu nesta terça-feira, 4 de agosto. O governo
Trump anunciou ter revogado o visto da embaixadora do Brasil em Washington,
Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi anunciada como uma resposta à demora
do Brasil para dar o aval diplomático a Daniel Perez, apontado por Trump como
novo embaixador dos EUA no Brasil — embora os trâmites no Congresso dos EUA não
estejam completamente concluídos.
Embora
Trump tenha feito campanha agressiva nos últimos dois meses para que o
Congresso dos EUA aprovasse a “Lei para Salvar a América” (Save America Act) —
concebida para restringir a participação de eleitores propensos a apoiar
candidatos democratas —, um pequeno grupo de senadores republicanos reticentes
sinalizou que o presidente não dispõe dos votos necessários para aprovar a
legislação, apesar da ira que despejou sobre membros de seu próprio partido.
Na
semana passada, ele enfrentou oposição adicional de senadores republicanos que
havia derrotado nas primárias do partido (o processo interno de seleção do
candidato para disputar as eleições de novembro contra os democratas). Após
perderem para os candidatos apoiados por Trump, os senadores republicanos Bill
Cassidy (do Estado da Louisiana) e John Cornyn (do Texas) — que deixarão a
câmara alta do Legislativo no final do ano — agora estão desafiando timidamente
o presidente, assim como Thom Tillis (da Carolina do Norte), que desistiu de
concorrer a um novo mandato porque Trump declarou que se oporia à sua
candidatura.
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Capataz de Trump gera rachas entre os Republicanos
A fonte
mais visível de dissidência entre os republicanos é a tentativa fracassada do
presidente de nomear Todd Blanche como novo Procurador-Geral. Blanche atua como
Procurador-Geral interino desde que Trump demitiu sua antecessora, Pam Bondi,
devido às falhas dela em alcançar alguns de seus principais objetivos —
especificamente, o uso da poderosa máquina governamental para perseguir (e
processar) democratas considerados inimigos do presidente.
Anteriormente,
Blanche servia como segundo a cargo sob a gestão de Bondi. No último ano e
meio, ele dedicou seu tempo à implementação das políticas mais polêmicas do
Departamento de Justiça, desde a violenta campanha de deportação em massa de
imigrantes até uma entrevista de dois dias com Ghislaine Maxwell, colaboradora
de Jeffrey Epstein no tráfico de jovens e adolescentes para fins de exploração
sexual. Concebida para limpar o nome de Trump de qualquer irregularidade, a
declaração de Maxwell — que afirmava desconhecer qualquer envolvimento do atual
presidente com menores de idade — visava convencer os apoiadores de Trump de
que não havia nada nos 3 milhões de documentos retidos que pudesse
incriminá-lo. Como recompensa por afirmar que Trump nada sabia sobre as
transgressões de Epstein e jamais se envolvera em atividades sexuais ilícitas,
uma semana após a entrevista com Blanche, o governo transferiu Maxwell para uma
prisão de segurança mínima, onde ela tem desfrutado de considerável liberdade.
No
entanto, para um pequeno grupo de republicanos, a gota d’água foi o fato de
Todd Blanche ter firmado um acordo extremamente vantajoso com a família Trump,
depois que o presidente processou o Departamento de Justiça, pedindo 10 bilhões
de dólares, porque um funcionário contratado havia divulgado suas declarações
de imposto de renda. Nesse caso bizarro, Trump, na prática, processou a si
mesmo.
Em
seguida, o Departamento de Justiça assinou um acordo com seu chefe nominal,
Trump, no qual o governo criaria um fundo de 1,7 bilhão de dólares para
conceder indenizações financeiras aos envolvidos na violenta invasão do
Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. Trump não apenas perdoou os
insurgentes no dia de sua posse, como agora quer recompensá-los por suas ações
rebeldes. O acordo também prevê a isenção de toda a família Trump de qualquer
auditoria fiscal sobre suas finanças pessoais ou empresariais, o que poderia
poupá-los do pagamento de 100 milhões de dólares em multas e impostos em
atraso.
Durante
a audiência no Senado, na semana passada, para confirmar a indicação de
Blanche, o Procurador-Geral interino declarou que o fundo não estava mais
operacional. Democratas, bem como os republicanos Cassidy e Tillis, insistiram
que ele formalizasse sua promessa por escrito. No primeiro momento, Blanche
recusou-se a fazê-lo. Isso levou os dois republicanos a adiar o voto favorável
à recomendação de Blanche ao plenário do Senado para a confirmação final.
Observadores
políticos notaram que a hesitação de Blanche em fornecer uma garantia por
escrito decorria da relutância de Trump em desistir de distribuir recompensas
financeiras aos seus apoiadores leais, de quem poderia precisar no futuro.
Quando ficou claro que os republicanos do Comitê Judiciário não tinham votos
suficientes para aprovar a indicação e encaminhá-la ao plenário do Senado,
Trump suspendeu o processo de nomeação de Blanche. No entanto, após negociações
com os dois senadores, Blanche concordou em revogar a ordem referente ao fundo,
declarando que ela não tem mais “força ou efeito”. Isso abriu caminho para que
o Comitê Judiciário desse prosseguimento à indicação.
Isso,
no entanto, não significa que Trump desistirá da ideia de recompensar seus
leais insurretos. O presidente revelou suas verdadeiras intenções, prometendo
buscar outra forma de repassar recursos do governo federal para recompensar
seus insurgentes leais — que se tornaram, em grande parte, uma milícia privada
de Trump, pronta para atender a um chamado à ação, inclusive nas próximas
eleições.
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Trump insiste em mentiras repetidas
Apesar
da dissidência entre os políticos que Trump afastou de seus cargos, a base de
apoio principal de Trump permanece intacta. Há, no entanto, uma certa queda em
seus índices de aprovação entre os republicanos. Enquanto há um mês 81% dos
republicanos propensos a votar apoiavam o presidente, esse percentual caiu para
78% nas pesquisas mais recentes. Grande parte da insatisfação conservadora com
Trump está ligada ao alto custo de vida e à guerra no Irã.
Entre
os eleitores independentes, a situação de Trump é ainda pior, uma vez que estão
se inclinando cada vez mais à esquerda. Uma pesquisa recente indica que 76% dos
eleitores independentes estão insatisfeitos com a forma como o presidente está
conduzindo a economia e seus esforços de guerra no Oriente Médio.
Ironicamente,
em vez de apresentar medidas governamentais de grande repercussão para
fortalecer a economia e encerrar a guerra com o Irã, Trump insiste em focar-se
em outras questões. Além disso, como é de seu costume, ele nega qualquer
responsabilidade por eventuais falhas de seu governo.
Isso
ficou cristalino nesta semana, quando a comentarista de extrema-direita da Fox
News, Jeanine Pirro — atualmente Procuradora-Geral dos EUA para o Distrito de
Colúmbia —, desistiu do caso contra um atleta olímpico, três vezes participante
dos Jogos, acusado de vandalismo contra propriedade governamental por
supostamente danificar o espelho d’água do National Mall, em Washington. Ao
perceber que não dispunha de provas para sustentar as acusações contra David
Hearn — que poderiam ter resultado em uma pena de 10 anos de prisão —, Pirro
retirou todas as acusações.
No
entanto, Trump continua insistindo que vândalos danificaram seu projeto de 15
milhões de dólares para mudar a cor do fundo do espelho d’água para o “azul da
bandeira americana”.
Aqueles
que acompanham de perto o presidente observam que sua saúde mental e física
parece estar se deteriorando rapidamente. Jornalistas relatam tornozelos
inchados, manchas arroxeadas nas mãos e no pescoço — disfarçadas com maquiagem
—, fala arrastada e frases confusas, como a referência à “República Islâmica do
Japão”. Mas Trump é um mentiroso tão patológico que, mesmo quando todas as
evidências provam que ele está errado, permanece irredutível e insiste na
veracidade de suas mentiras.
Essa
atitude de avestruz — de enfiar a cabeça na areia — pode ser uma das razões
pelas quais Trump parece caminhar para um desastre em 3 de novembro, nove dias
após o segundo turno das eleições no Brasil.
Fonte:
Por James Green, da Agencia Pública

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