Aos
80, vitalidade de Lula é barreira física contra extrema direita no Brasil e no
mundo
Desde
maio, quando completou um giro de entregas de obras públicas pelo País, o
presidente Lula já cumpriu mais de 50 agendas fora do Palácio do Planalto.
Contando com o Ceará, onde esteve na sexta-feira, 31, ele pisou, discursou e
confraternizou-se com o público em nada menos que 10 estados diferentes. Perto
de completar 81 anos de idade, em 27 de outubro, Lula vai apresentando ao País
– e ao mundo – um show de vitalidade que até os bolsonaristas mais empedernidos
reconhecem, invejam e, especialmente, temem.
“Enquanto
eu viver, a extrema direita não voltará a governar esse país”, cravou o
presidente, em Fortaleza, a milhares de pessoas reunidas na convenção estadual
do PT cearense, em que o governador Elmano de Freitas foi conduzido à disputa
pela reeleição. Ali, Lula fez ontem seu pronunciamento mais enfático sobre o
que se deve esperar dele em termos de garra e disposição na defesa da
democracia brasileira e mundial.
“Vou
dizer mais: que venha quem quiser. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser
vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única
ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a
democracia nesse país”, demarcou ele, sem subterfúgios.
Cada
passo, gesto e palavra que o presidente tem espalhado pelo País reforçam a
barreira ao fascismo que o Brasil – e ele, em pessoa – têm representado, nos
últimos quatro anos, desde a derrota de Jair Bolsonaro para o próprio Lula.
Ao
mesmo tempo em que sabe de cor e de improviso cada verbo e vírgula de seu papel
no chamado teatro das nações, Lula vai apresentando as condições físicas
perfeitas para desempenhá-lo. Ajustou o regime alimentar, tornou-se assíduo em
atividades físicas e se consolida, hoje, como um exemplo pronto e acabado de
força vital que vai além da política. Serve de modelo para toda a população em
busca de vida saudável e ativa.
“O
presidente demonstra uma condição física e cardiovascular bastante favorável
para a sua faixa etária”, atesta o cardiologista Roberto Kalil Filho, médico
que acompanha a saúde de Lula nas últimas décadas. “Ele é um exemplo para todas
as pessoas dos benefícios que o hábito contínuo de praticar exercício pode
trazer como ganho real de densidade óssea, massa magra e controle metabólico.”
No
plano político, Lula se destaca nesta campanha como um arauto bem preparado em
defesa da democracia. “Eu competi contra o Fernando Henrique Cardoso, contra o
José Serra, contra o Geraldo Alckmin”, lembrou o presidente em entrevista
recente. “Nunca houve problema, nenhum deles jamais propôs um golpe ou coisa
parecida. Mas, depois do Bolsonaro, veio essa radicalização. Não posso admitir
que isso prevaleça no nosso Brasil.”
Com uma
vida inteira na atividade sindical e política, Lula é, sem dúvida, a
celebridade mais conhecida do País. Do alto de seu índice 100% de conhecimento,
para usar o jargão das pesquisas eleitorais, ele poderia ter optado por uma
campanha com o tradicional fundo biblioteca, em ambientes controlados,
enumerando as realizações de sua gestão entre efeitos especiais de vídeo. Ao
contrário, está em campo aberto, no meio do povo, exibindo força e vitalidade,
com uma presença pessoal que vai se traduzindo em escalada nas preferencias de
votos. O fascimo global representado no Brasil pelo bolsonarismo e seus
apêndices não chega nem perto desse fôlego todo. Ufa!
¨
“Lula enfrenta um anticristo nesta eleição e o nome dele
é Donald Trump”, diz Ariovaldo Ramos
O pastor Ariovaldo
Ramos afirmou, em entrevista ao Boa Noite 247, que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva enfrentará, na eleição presidencial de 2026, um adversário que,
sob a perspectiva da teologia cristã, representa a figura do “anticristo”.
Segundo ele, esse papel não é desempenhado por um político brasileiro, mas pelo
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja influência sobre a extrema
direita internacional, incluindo o bolsonarismo, ultrapassa as fronteiras
norte-americanas.
Ao
desenvolver sua análise, Ariovaldo sustentou que a disputa política brasileira
não pode ser compreendida apenas como uma competição eleitoral. Em sua
avaliação, trata-se de um embate em torno da instrumentalização da religião
para a conquista do poder político, fenômeno que, segundo ele, tem origem nos
Estados Unidos e vem sendo importado para o Brasil por setores da extrema
direita.
Para
justificar sua afirmação, o pastor recorreu ao conceito bíblico de
“anticristo”. Ele destacou que, na tradição cristã, o termo não designa
qualquer governante autoritário ou líder responsável por guerras, mas alguém
que surge de dentro da própria comunidade cristã para reivindicar uma
autoridade espiritual que pertence exclusivamente a Jesus Cristo.
Segundo
Ariovaldo, essa é precisamente a característica que identifica Donald Trump.
“Donald Trump é um anticristo”, afirmou durante a entrevista. Para ele,
diferentemente de outros líderes internacionais frequentemente criticados por
suas ações militares ou políticas, Trump procura apresentar-se como
representante da vontade divina, apropriando-se da linguagem religiosa para
legitimar seu projeto político.
O
pastor explicou que, em sua interpretação, figuras como Benjamin Netanyahu não
se enquadram nesse conceito porque não reivindicam ocupar o lugar de Cristo
perante os cristãos. Trump, ao contrário, seria apresentado por segmentos
religiosos como uma espécie de enviado divino, imagem que, segundo Ariovaldo, o
próprio presidente norte-americano reforça em suas manifestações públicas.
Ele
citou, inclusive, uma publicação nas redes sociais em que Trump aparece
representado com uma iconografia semelhante à de Cristo, abençoando pessoas.
Para o pastor, esse tipo de construção simbólica procura transformar um líder
político em referência espiritual, deslocando a centralidade da mensagem cristã
para a figura de um governante.
Ariovaldo
também relacionou esse fenômeno ao bolsonarismo. Segundo ele, Jair Bolsonaro
desempenhou papel semelhante no Brasil ao mobilizar parte significativa do
eleitorado evangélico em torno da ideia de que sua candidatura representaria
uma missão religiosa. Agora, afirma, a principal referência desse movimento
encontra-se nos Estados Unidos.
Na
avaliação do pastor, o avanço dessa estratégia está associado ao chamado
dominionismo, corrente religiosa surgida nos Estados Unidos que defende que
igrejas e lideranças cristãs devem exercer controle direto sobre as estruturas
do Estado. Para Ariovaldo, essa concepção contradiz o próprio ensinamento
cristão.
Ele
argumentou que a tradição de Jesus de Nazaré aponta para a defesa do Estado
laico e para a separação entre poder político e autoridade religiosa. “A fé
cristã é pelo Estado laico e ponto. Todo mundo tem direito de crer segundo o
seu arbítrio”, declarou durante a entrevista.
O
pastor afirmou ainda que essa concepção poderá marcar profundamente a campanha
presidencial de 2026. Em sua análise, caso o Partido Liberal escolha uma
candidatura capaz de mobilizar o eleitorado evangélico por meio de discursos
religiosos, o país poderá assistir a uma campanha centrada na ideia de uma
“batalha espiritual”, em vez de um debate sobre programas de governo.
Sem
citar propostas eleitorais específicas, Ariovaldo disse acreditar que a extrema
direita recorrerá novamente ao uso da religião como instrumento de mobilização
política. Segundo ele, o enfraquecimento de algumas lideranças conservadoras
não significa que esse campo político tenha perdido capacidade de
reorganização.
“O PL
pode surpreender o Brasil”, afirmou. Caso isso ocorra, acrescentou, haverá uma
tentativa de transformar a disputa presidencial em um confronto religioso,
utilizando o carisma de determinadas lideranças para apresentar a eleição como
um embate entre forças espirituais.
Para
Ariovaldo Ramos, portanto, o principal desafio da próxima eleição será impedir
que símbolos, crenças e referências do cristianismo sejam utilizados como
instrumentos de disputa pelo poder. Em sua visão, a tradição cristã não
autoriza a apropriação da fé por projetos políticos nem admite que governantes
sejam elevados à condição de representantes exclusivos da vontade divina.
Segundo ele, esse será um dos principais campos de disputa durante a campanha
presidencial de 2026.
¨
Por que essa pode ser a eleição mais difícil para Lula
desde 2002
Em meio
ao que pode ser a eleição mais disputada da história desde a redemocratização,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializa sua
candidatura à reeleição neste domingo (2/8) na convenção do PT em São Paulo.
A
convenção partidária, um rito exigido pelo Código Eleitoral, marca o início
oficial de uma campanha centrada, novamente, em Lula e Bolsonaro, representado
neste ano pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
As pesquisas mostram que, mesmo com
uma campanha cheia de turbulências para Flávio
Bolsonaro —
com dificuldades para formar alianças, a briga com Michelle Bolsonaro, e seu
nome atrelado ao escândalo do Banco Master — Lula não consegue se firmar num
patamar confortável de intenções de voto.
A dois
meses do primeiro turno, os levantamentos apontam que esta eleição pode ser
ainda mais acirrada que a de 2022, quando a diferença entre Lula e Jair
Bolsonaro (PL) ficou em 1,8% dos votos válidos. Aquele havia sido o pleito mais
disputado desde a redemocratização. Até o momento.
Hoje, a
diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno é a menor
se comparada ao mesmo período de 2002, quando o petista enfrentou José Serra
(PSDB), e em 2006, contra Geraldo Alckmin (na época no PSDB), segundo
levantamento realizado pelo agregador de pesquisas PollingData para a BBC News
Brasil.
Até
mesmo em 2022, quando Lula disputou com Jair Bolsonaro (PL) e não tinha a
máquina na mão, o petista estava em uma posição mais confortável nas pesquisas
do que agora.
A
comparação foi realizada com base nas simulações de segundo turno, no mesmo
período (fim de julho). Hoje, Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro (PL) 42%. Não só
a distância entre o petista e seu principal rival é menor, como o percentual de
intenções de voto é mais baixo em relação aos outros anos, quando o petista
tinha entre 49% e 50% e seus oponentes entre 38% e 39%.
"Olhando
para os dados, dá a impressão de que essa vai ser a disputa mais apertada da
história", afirma Neale El-Dash, fundador do PollingData. "Em todas
as disputas eleitorais neste momento, Lula tinha uma vantagem de 11, 12 pontos,
e desta vez ele tem uma vantagem de 4 pontos."
Ele
explica, no entanto, que outros dados são importantes para fazer essa leitura.
"A simulação de 2º turno é interessante, conta uma história, mas a
aprovação do presidente que está no cargo é um dos fatores mais importantes
para aumentar a chance de ele ser reeleito", diz.
El-Dash
ressalta que o índice de aprovação do presidente em exercício exerce influência
direta nas chances de ele ser reeleito ou não. "Estatisticamente falando,
a partir de 40% de aprovação, as chances de vitória são de 50%."
Neste
mesmo período em 2022, 38% aprovavam o governo de Jair Bolsonaro, segundo o
PollingData. "Mas chegando próximo do dia da eleição, ele chegou a 45% de
aprovação e ficou competitivo", diz.
Naquele
momento, pesava sobre o ex-presidente — o primeiro na história da
redemocratização que não conseguiu se reeleger — a má condução da pandemia de
coronavírus. Por isso, a dois meses do primeiro turno, Bolsonaro sancionou diversas medidas para injetar dinheiro
na conta de brasileiros por meio de auxílios sociais, no que ficou conhecido
como "pacote das bondades".
Ele
aumentou o valor do Auxílio Brasil, autorizou empréstimo consignado para quem
recebia o benefício, reduziu o ICMS e concedeu um voucher de R$ 1 mil para
caminhoneiros e taxistas.
Assim,
o governo Bolsonaro saiu de 38% de aprovação no fim de julho para 40% no fim de
agosto, permanecendo estável durante todo o mês de setembro, e atingiu 45% no
fim de outubro.
Agora,
em um esforço para melhorar sua aprovação, o governo Lula também lançou mão de
políticas para estimular a economia, como a redução do imposto de renda para a
classe média.
Turbinou programas sociais como o Gás do
Povo e Luz do Povo, criou linhas de crédito para entregadores e reeditou o Desenrola, para a negociação
de dívidas.
No
entanto, do começo do ano para cá, a aprovação de seu governo aumentou pouca
coisa, saindo de 45%, no início de fevereiro, para 47% agora.
"Se
Lula não conseguir subir essa aprovação, talvez de fato seja a eleição mais
disputada da história", afirma El-Dash.
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'A última dança'
A
convenção do PT deste domingo deve ser protocolar. A campanha vai priorizar a
realização de um comício no dia 16 em São Bernardo do Campo, no estádio
Primeiro de Maio, na Vila Euclides. A data marca o primeiro dia oficial de
campanha desta eleição, estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O local
é o berço político de Lula e a escolha carrega essa simbologia. Foi ali que o
presidente liderou imensas assembleias com metalúrgicos durante o período que
ficou conhecido como as greves do ABC, entre 1979 e 1980, e discursou para um
estádio abarrotado de gente.
A ideia
agora é Lula "terminar onde começou" e realizar "a última
dança", nas palavras de uma fonte próxima à campanha. Ali, Lula quer
reunir a militância, tomar fôlego para os próximos dois meses e tentar avançar
pelo Estado de São Paulo, prioridade desta campanha.
A
concepção do comício foi inspirada nas convenções partidárias dos Estados
Unidos, onde o palco fica no meio e os apoiadores ficam ao redor do candidato,
prevendo a valorização dos enquadramentos para a televisão e as redes sociais.
Essa estética já foi testada no lançamento da campanha de Fernando Haddad ao governo do
Estado de São Paulo realizado em Campinas no sábado passado.
Aos 80
anos, esta é a sétima — quiçá a última — eleição que Lula disputa. Liderando as
pesquisas, ainda que de forma apertada, ele não deve participar dos debates
televisivos para evitar o desgaste.
Pesou
na decisão de realizar o evento em São Bernardo do Campo no dia 16 o fato de
ser a mesma data marcada para o primeiro debate presidencial, na Band. No
entanto, após a divulgação do ato petista no ABC, a rede televisiva alterou o
debate para o dia 23 de agosto.
Ainda
assim, Lula não deve comparecer.
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'Geração lava-jato'
Assim como em 2022, as mulheres podem
ser decisivas nesta eleição. Essa fatia do eleitorado, que hoje corresponde à
maioria dos votantes brasileiros, aparece mais indecisa do que a média.
"Hoje,
na espontânea [quando o entrevistador não apresenta todos os nomes dos
candidatos, deixando a pergunta aberta: "em quem você vai votar?"],
45% das mulheres não citam nenhum nome", afirma Luciana Chong, diretora do
Datafolha. "Em 2022, eram 31%."
Já no
total, entre homens e mulheres, este percentual é de 37%, mais alto do que no
mesmo período em 2022, que era de 25%.
O
eleitorado feminino, no entanto, não forma um grupo homogêneo. Na simulação de
segundo turno feita pelo Datafolha, Lula tem vantagem em relação a Flávio entre
as mulheres mais jovens (16 a 34 anos) e entre as com mais de 45 anos.
O
eleitorado feminino é o Calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro, exceto na
faixa entre 35 e 44 anos, em que ele tem vantagem de 11 pontos percentuais em
relação a Lula.
Chong
afirma que as notícias de corrupção atreladas ao PT têm peso nesse recorte da
pesquisa.
"Essa
geração entre 35 e 44 anos é a que chamamos de 'geração lava-jato', que cresceu
muito tomada pelas notícias sobre corrupção", afirma ela.
Entre
os homens, Lula só fica na frente na faixa de 45 anos ou mais.
As
campanhas terão que fazer suas apostas para tentar mudar os cenários.
"Pode ser que, com o início da campanha, as mulheres sejam mais
mobilizadas", afirma Chong.
Assim
como Neale El-Dash, ela faz uma ressalva: o recorte sobre o segundo turno em
uma pesquisa não é uma previsão fiel do que pode acontecer até o fim de
outubro.
Ela
explica que as simulações de segundo turno refletem mais o antilulismo do que
necessariamente um favoritismo.
"Por
isso, quando fazemos uma simulação com Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema
(Novo), o cenário não muda."
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“A eleição de 2026 é a escolha mais fácil do mundo”, diz
Paulo Nogueira Batista Júnior
Ao
contrário do ambiente de incertezas e de falsas equivalências que marcou
disputas passadas, o cenário político para a eleição presidencial de 2026
apresenta contornos de absoluta clareza. Em entrevista à TV 247, o
economista Paulo Nogueira Batista Júnior classificou o pleito vindouro como a
“escolha mais fácil do mundo”, ao colocar em lados opostos a normalidade
democrática representada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colapso
institucional oferecido pela extrema-direita.
Paulo
Nogueira refletiu sobre o contraste entre o projeto de reconstrução nacional
liderado por Lula e a precariedade da chapa liderada por Flávio Bolsonaro,
apoiada abertamente por figuras controversas do cenário internacional, como o
presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro israelense Benjamin
Netanyahu. Para o analista, esse alinhamento internacional explicita o risco de
submissão do Brasil a projetos extremistas e sem compromisso com o
desenvolvimento soberano.
“Nós
temos uma opção entre um candidato razoável, experiente, equilibrado e uma
calamidade. Essa escolha é a escolha mais fácil do mundo. Até setores da
direita tradicional e das elites econômicas percebem que a volta da
extrema-direita seria a repetição do caos institucional e da incompetência
administrativa”,
afirmou o economista.
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O Realismo das Elites e o Fracasso da Terceira Via
Na
avaliação do economista, o apoio velado ou a tolerância da camada dirigente em
relação a uma eventual reeleição de Lula — na consolidação do chamado “Lula 4”
— deriva de um cálculo de pragmatismo. As elites econômicas e o capital
produtivo reconhecem que o governo Lula reestabeleceu a previsibilidade, a
estabilidade e o prestígio internacional do país, enquanto a candidatura de
Flávio Bolsonaro representa desorganização e descalabro na gestão pública.
Além
disso, o economista destacou a completa inviabilidade das alternativas de
“terceira via”, que se mostram sem densidade ou apelo eleitoral diante da
polarização entre as duas grandes forças políticas da nação. Segundo Paulo
Nogueira, os nomes cotados pela mídia tradicional possuem prestígio restrito,
mas não têm peso nas urnas.
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Desafios Econômicos e Taxas de Investimento
Apesar
de defender a vitória de Lula para a preservação democrática, Paulo Nogueira
fez ressalvas às projeções econômicas do FMI e do Banco Mundial, que apontam
crescimento moderado em torno de 2,5% ao ano. Para ele, o Brasil precisa
superar travas fiscais e elevar substancialmente a taxa de investimento público
e privado para garantir um salto qualitativo de longo prazo.
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Frente Ampla e a Governança no Lula 4
Projetando
o provável cenário de segundo turno e a composição de um quarto mandato do
presidente Lula, o economista ressaltou que a governabilidade exigirá novamente
a articulação de uma ampla frente de forças políticas. O desafio principal do
próximo ciclo será equilibrar os compromissos com a estabilidade e a
necessidade de promover transformações sociais e industriais profundas que o
país requer.
Fonte:
Brasil 247/BBC News Brasil

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