quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Complacência com violência policial gera anestesia moral e ameaça democracia, diz pesquisador

Um aumento da complacência com a violência policial, combinado com a viralização de manifestações de ódio nas redes sociais e episódios frequentes de intolerância e brutalidade, pode levar a um estado de “anestesia moral” que induz a fragmentação da sociedade e coloca em risco a estabilidade democrática do Brasil, segundo o sociólogo Sérgio Adorno. Um dos principais especialistas em violência no Brasil, ele falou sobre o tema nesta quarta-feira (29/07), na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Adorno disse estar observando uma profunda mudança na percepção da sociedade sobre a violência, especialmente quando praticada por agentes do Estado. No lugar da indignação com abusos policiais, demonstrada no período de redemocratização, o pesquisador identifica hoje um crescimento expressivo do apoio de parcelas da população a operações de violência e letalidade extremas.

“No início do processo de redemocratização do país, quando aconteciam casos graves de violação de direitos humanos, envolvendo sobretudo violência policial, parte da população apoiava a polícia, defendendo a ideia de que bandido bom é bandido morto. Mas também havia uma forte resistência e indignação de setores da sociedade, apontando que o Brasil, em transição de uma ditadura civil-militar para uma democracia, não deveria tolerar esse tipo de violência policial e, sobretudo, o uso abusivo da força”, relembrou Adorno, que é professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos idealizadores do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP.

Na última década, contudo, tem ocorrido uma espécie de explosão de manifestações de apoio e uma nova tentativa de conferir legitimidade à violência, disse o pesquisador. “As pessoas passaram a afirmar que a violência é um recurso, definem-se como racistas e favoráveis ao extermínio sem julgamento. Essa retomada da violência, em uma reivindicação de legitimidade, tem sido meu objeto de investigação”, contou.

Um dos elementos mais surpreendentes desse fenômeno, segundo o pesquisador, é o apoio de populações vulneráveis e mais desfavorecidas de proteção legal a essas práticas violentas. “É um verdadeiro enigma o fato de que pessoas que são mais vítimas dessas incursões e de maus-tratos da polícia cotidianamente apoiem essas operações.”

O pesquisador, contudo, alertou sobre a necessidade de parcimônia ao interpretar os resultados de sondagens de opinião pública feitas logo após acontecimentos trágicos, para não cair na falácia de acreditar que essas pesquisas expressam de forma categórica a vontade popular, servindo de pretexto para governantes justificarem ações violentas.

As taxas de apoio a essas operações podem variar de acordo com fatores como gênero, raça, idade, estrato socioeconômico e origem regional dos entrevistados. Sabe-se, por exemplo, que as pessoas mais idosas tendem a ter mais medo, e que as mulheres enfrentam situações de insegurança e vulnerabilidade diferentes das dos homens. Além disso, algumas pessoas podem ter sido entrevistadas pouco tempo depois de terem sofrido furto, assalto ou outro tipo de agressão violenta, sublinhou o pesquisador.

Portanto, a despeito de seus méritos, as sondagens também refletem apenas um fragmento momentâneo da opinião pública – muitas vezes captado em contextos de forte carga emocional pós-crime – e possuem limites metodológicos severos, como o fato de entrevistas por telefone sub-representarem o universo dos opinantes, silenciando ou atribuindo menor importância aos moradores de favelas, que são justamente os mais diretamente afetados por operações policiais, ponderou Adorno.

“Dependendo da metodologia de uma sondagem, mesmo que ela possa fazer uma amostragem aparentemente representativa, a coleta é desigual e também não capta aspectos [relacionados ao fato] que algumas pessoas, especialmente moradoras de favelas, não querem falar”, avalia o pesquisador.

<><> Distribuição desigual do medo da violência

Segundo o pesquisador, em um primeiro momento, o morador de favela tem muita dificuldade de falar em sondagens de opinião pública sobre violência, por constrangimento e por medo. Dada a configuração desses conglomerados urbanos, onde não raramente criminosos, trabalhadores e policiais são vizinhos e os filhos frequentam as mesmas escolas, muitos não se sentem confortáveis em dizer o que ouvem ou testemunham sobre as operações policiais.

Em pesquisas qualitativas mais aprofundadas, porém, os relatos costumam ser diferentes. As mesmas pessoas tendem a relativizar o apoio à violência ao narrarem histórias reais de vizinhos e familiares inocentes vitimados por operações policiais, comparou Adorno. “As mesmas pessoas que, em um primeiro momento, podem até apoiar, depois começam a dizer: olha, não é bem assim”, disse.

Embora o medo da violência seja disseminado por todas as classes sociais, sua distribuição é desigual, apontou o pesquisador. Um projeto de pesquisa do jornal Folha de S. Paulo em parceria com o Datafolha, denominado DNA Paulistanos e realizado entre 2008 e 2012 com a contribuição de Adorno, confirmou essa constatação. Foram ouvidas mais de 25 mil pessoas em todos os 96 distritos de São Paulo para mapear a vida, a satisfação e os problemas dos moradores da cidade.

“As maiores taxas de medo da violência foram observadas em bairros de classe média e alta onde as taxas de crimes eram as mais baixas. Em contrapartida, na periferia, as pessoas não falavam muito sobre o medo. Ele existia, mas os problemas delas eram muito mais concretos: calçamento, iluminação, transporte e escola, por exemplo. Na percepção dessas pessoas, a violência já estava presente no cotidiano e não representava mais um problema”, disse Adorno.

<><> Legitimação da barbárie

De acordo com o pesquisador, o emprego da violência é um elemento constitutivo da cultura política brasileira. Diferentes formas de violência sempre estiveram presentes na história social e política da sociedade brasileira desde o período colonial. Esse cenário, porém, se tornou ainda mais grave com a escalada da violência urbana, iniciada na década de 1980, impulsionada pela chegada do crime organizado durante a transição da ditadura civil-militar para a democracia, consolidando a violência como um componente estruturante da sociedade brasileira.

“É grave constatar que, após 40 anos de retorno do Brasil ao Estado democrático de direito, as instituições republicanas não conseguem modificar esse cenário e estancar as mortes. A democracia não foi suficiente para mudar as políticas de segurança no país e há um complexo jogo de poder no qual, na questão da segurança, as heranças do passado são atualizadas”, avaliou.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública citados pelo pesquisador apontam que, entre 2016 e 2025, intervenções policiais resultaram na morte de 60.500 civis, um crescimento acumulado de 55,7%. O ano de 2025 registrou um recorde histórico com 6.602 mortos, o que representa 10% do total de uma década em apenas um ano.

Na opinião de Adorno, essas operações policiais em áreas de baixa renda, embora criticadas por setores de direitos humanos, tornaram-se padrões costumeiros que beiram a normalidade institucional. “Tudo opera como se a segurança funcionasse segundo lógicas próprias dos aparelhos de contenção, para as quais os constrangimentos constitucionais praticamente não existem”, observou.

O pesquisador destacou que essa dinâmica cria uma “esquizofrenia social” nas periferias: moradores vivem sob a pressão antagônica do crime organizado, que impõe regras territoriais, e da polícia, cujas incursões frequentemente resultam em vítimas sem antecedentes criminais. Nesse contexto, a vida passa a ser relativizada conforme a classe, a raça ou a localização geográfica.

<><> Ódio e anestesia moral

Os estudos conduzidos no NEV-USP sob a coordenação de Adorno também identificam uma mutação preocupante na sociedade civil desde 2013: o fortalecimento de grupos que apostam na violência como recurso de poder e dominação. Esse fenômeno se manifesta na explosão de intolerância racial, religiosa e política, muitas vezes disfarçada sob o pretexto da liberdade de expressão.

A crueldade extrema em crimes cotidianos, como feminicídios com mutilações, é vista como um desejo de eliminação não apenas física, mas simbólica do outro. “O ódio se avizinha de um fenômeno conhecido no mundo contemporâneo: o genocídio. Busca-se varrer do mundo dos vivos sinais de pertencimento ou identidade”, explicou Adorno.

O pesquisador concluiu com um alerta sobre os riscos para o futuro da democracia brasileira, comparando o atual estado de indiferença pública ao cenário que antecedeu regimes totalitários. “Essas operações vão acontecer cada vez com maior frequência e cada vez mais a sociedade vai ser tomada de uma anestesia moral. E nós sabemos que a anestesia moral esteve na base de todos os regimes totalitários e fascistas que conhecemos”, apontou.

•        Brasil reduz mortes violentas, mas mantém um modelo de segurança profundamente desigual

O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior e o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Pela primeira vez, a taxa nacional ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes, alcançando 19,1. Os dados, apresentados no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, demonstram um avanço importante em um dos principais indicadores da violência no país.

Os dados do Anuário revelam um cenário contraditório, enquanto homicídios, roubos e outras categorias apresentaram queda, cresceram justamente formas de violência que atingem de maneira mais intensa grupos historicamente vulnerabilizados. A letalidade policial e os feminicídios aumentaram, e a população negra continuou concentrando a maior parcela das vítimas.

Em 2025, 6.602 pessoas foram mortas em decorrência de intervenções policiais, um aumento de 5,4% em comparação com 2024. Esse é o maior número registrado na série histórica. As mortes provocadas por agentes do Estado passaram a representar 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país, o equivalente a uma em cada seis vítimas.

O crescimento desse indicador mostra que a redução da violência letal não está sendo acompanhada por uma diminuição proporcional do uso da força pelo Estado, pelo contrário. A participação das mortes decorrentes de intervenções policiais no conjunto da violência brasileira permanece elevada e continua avançando. Para David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública;

“A importante redução de mortes violentas intencionais entre 2024 e 2025 em mais de 8% é um dado bastante significativo. Consolida uma tendência de redução que a gente vem acompanhando desde 2018 nas estatísticas, praticamente ininterrupta. A gente está diante de um fenômeno a ser comemorado dentro da política de segurança pública do Brasil”.

Os dados raciais tornam esse cenário ainda mais grave. Pessoas negras representaram 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais em 2025, pretos e pardos correspondem a 55,5% da população brasileira. Nos homicídios dolosos, o percentual chegou a 79,9%. Nas mortes decorrentes de intervenção policial, 82% das vítimas eram negras, enquanto pessoas brancas representaram 17,7%. Isso significa que uma pessoa negra teve, em média, 3,5 vezes mais risco de morrer em uma intervenção policial do que uma pessoa branca.

Raça, idade, gênero e território aparecem como marcadores que ajudam a definir quem está mais vulnerável à violência no Brasil. Homens representam 90,8% das vítimas de mortes violentas intencionais e 99,3% das mortes decorrentes de intervenções policiais. Jovens de 18 a 29 anos concentram 41,6% das vítimas, revelando o impacto da violência sobre uma parcela da população que deveria estar iniciando sua vida adulta, profissional e familiar.

Uma pesquisa do Instituto Sou da Paz mostra que a maioria dos brasileiros rejeita o discurso de que “bandido bom é bandido morto”. Apenas 20% dos entrevistados concordam com essa afirmação, enquanto a maioria defende políticas de segurança pública voltadas à prevenção da violência, à inteligência policial e ao fortalecimento das instituições. O levantamento também aponta amplo apoio ao uso de câmeras corporais pelas polícias (82%) e indica que 73% da população acredita que o aumento da circulação de armas contribui para ampliar a violência, reforçando a preferência por políticas públicas baseadas em evidências e na proteção da vida.

Entre crianças e adolescentes, a desigualdade racial se aprofunda com a idade. Pessoas negras correspondem a 62,6% das vítimas entre zero e 11 anos. Na faixa de 12 a 17 anos, esse percentual sobe para 86,3%, o equivalente a quase nove em cada dez adolescentes assassinados no país.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 ainda mostram que a desigualdade racial também atravessa as corporações policiais. Em 2025, 61,8% dos policiais civis e militares mortos no Brasil eram negros, enquanto 38,2% eram brancos. Entre as 139 mortes violentas intencionais de agentes registradas no período, 98,2% das vítimas eram homens e quase dois terços tinham entre 30 e 49 anos. O perfil revela que policiais negros também estão mais expostos aos efeitos de uma estrutura de violência marcada por desigualdades raciais, mesmo ocupando uma posição distinta na dinâmica da segurança pública.

O levantamento também chama atenção para a saúde mental dos profissionais. Pelo nono ano consecutivo, o suicídio foi a principal causa de morte entre policiais, superando as mortes em confrontos ou em ocorrências fora do serviço. Em 2025, 110 agentes tiraram a própria vida, enquanto 59 foram mortos fora do horário de trabalho e 29 morreram em confrontos durante o exercício da função. Os dados indicam que proteger a vida dos policiais exige ir além do enfrentamento armado, com políticas permanentes de assistência psicossocial, prevenção ao suicídio, saúde ocupacional e melhoria das condições de trabalho nas corporações.

Estudos apontam que cada morte violenta gera custos elevados para o Estado. Segundo dados do Atlas da Violência 2025, cada morte violenta custa, em média, R$ 1 milhão aos cofres públicos, considerando despesas com saúde, segurança, Justiça e perda de produtividade.

Outro ponto de atenção é o crescimento dos feminicídios. Em 2025, o Brasil registrou 1.571 vítimas, alta de 4% em relação ao ano anterior. Os assassinatos motivados por razões de gênero passaram a representar 44,4% das mortes violentas de mulheres, o maior percentual desde a criação da Lei do Feminicídio.

As mulheres negras foram 65,1% das vítimas de feminicídio e 74,6% das mulheres vítimas das demais mortes violentas intencionais, embora representem cerca de 56% da população feminina brasileira. Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esse cenário evidencia que a violência de gênero é atravessada por desigualdades raciais, sociais e econômicas. Como destaca o Anuário,

“esse dado está ligado à interseccionalidade que precisa ser levada em conta no debate sobre violência contra mulheres”, reforçando que diferentes formas de discriminação se sobrepõem e ampliam a vulnerabilidade das mulheres negras.

Além dos feminicídios, aumentaram as tentativas de assassinato, os casos de perseguição (stalking), violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas. Esses registros demonstram que a morte de uma mulher geralmente é precedida por um processo de controle, ameaças e escalada da violência, tornando evidente a importância de identificar sinais de risco antes que a violência alcance seu desfecho mais extremo.

O enfrentamento ao feminicídio exige, portanto, mais do que o endurecimento de penas. É necessário fortalecer as redes de proteção, ampliar o acesso e a fiscalização das medidas protetivas, garantir atendimento especializado, promover autonomia econômica para mulheres em situação de violência e incorporar uma perspectiva interseccional às políticas públicas, reconhecendo que raça, gênero e condição socioeconômica influenciam diretamente a exposição à violência e o acesso à proteção do Estado.

Os registros de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram 67,3% no Brasil em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Foram contabilizadas. A violência se concentra principalmente a partir dos 10 anos de idade, com maior incidência do bullying entre crianças de 10 a 13 anos e do cyberbullying aos 14 anos, período em que a presença de adolescentes nas redes sociais tende a aumentar.

Como bullying e cyberbullying passaram a ser tipificados como crimes em 2024, parte da alta pode ser explicada pela adaptação das polícias, das escolas e da sociedade às novas formas de registro e denúncia. Ainda assim, os boletins de ocorrência representam apenas uma parcela do problema; dados do IBGE indicam que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying. Para Cauê Martins, sociólogo e pesquisador no Fórum Brasileiro de Segurança Pública

“A gente percebe como ainda é uma parcela mais restrita dos casos que chega à polícia. A tendência é que nos próximos anos os registros de bullying e cyberbullying continuem a crescer por serem tipos penais novos, então tanto as próprias polícias estão se adaptando a esse novo registro, quanto a população brasileira, que ainda está entendendo o fenômeno”, analisa Martins.

Os estelionatos continuam sendo um dos crimes que mais crescem no Brasil. Em 2025, o país registrou mais de 2,26 milhões de ocorrências, o equivalente a quatro golpes por minuto, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa um novo recorde e confirma uma tendência observada nos últimos anos: enquanto os roubos tradicionais diminuem, as fraudes, especialmente as digitais, seguem em expansão. Apenas os golpes praticados em ambientes digitais cresceram 20,6% no último ano, impulsionados pela popularização do Pix, pela digitalização dos serviços financeiros e pelo uso cada vez mais intenso das plataformas digitais pela população.

O Anuário aponta que essa transformação também reflete uma mudança na atuação do crime organizado, que passou a investir em fraudes de baixo risco e alta rentabilidade. Entre os golpes mais comuns estão a clonagem de cartões, o golpe do WhatsApp, falsas centrais bancárias, fraudes envolvendo Pix, mensagens falsas sobre CPF e lojas virtuais fraudulentas. O estudo alerta ainda que mais de 97% dos estelionatos registrados não chegam ao Poder Judiciário, o que reforça a importância de investir em prevenção, educação digital e mecanismos mais eficazes de investigação e responsabilização.

“A taxa de registros acompanha o grau de bancarização, digitalização e integração ao sistema financeiro formal de cada estado — o que ajuda a explicar por que unidades mais urbanizadas e digitalmente conectadas, como São Paulo e Distrito Federal, encabeçam a lista”, dizem Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, pesquisadores do fórum.

Os dados positivos sobre a redução das mortes violentas devem ser reconhecidos, mas não podem encobrir as permanências estruturais do sistema. Um país não pode medir o sucesso de sua política de segurança apenas pela queda do número total de homicídios, quando a violência estatal cresce, os feminicídios batem recordes, casos de bullying e cyberbullying seguem crescendo e pessoas negras continuam morrendo em proporção muito superior à sua presença na população.

Esse conjunto de indicadores apresentados no Anuário ajuda a explicar por que a segurança pública deve ocupar posição central nas eleições de 2026. Embora alguns crimes tenham diminuído, a sensação de insegurança permanece elevada diante da persistência da violência letal, do fortalecimento do crime organizado, da expansão dos golpes digitais e da violência contra mulheres. Esse debate também ocorre em um contexto regional marcado por mudanças nas estratégias de enfrentamento ao crime, influenciadas por modelos de endurecimento penal e por novas formas de cooperação internacional contra organizações criminosas. Nesse cenário, o desafio dos candidatos será apresentar propostas capazes de responder às preocupações da população sem abrir mão da proteção dos direitos fundamentais. Para o gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques:

“Então, isso é extremamente importante para o cenário eleitoral, justamente porque coloca em evidência os discursos políticos que vão ser formulados pelos candidatos, tanto em nível federal quanto em nível estadual, para lidar com essa questão, né? Indicadores de vitimização altos são um cenário de sensação de insegurança bastante disseminado entre a população. Com certeza vai ter uma centralidade no debate eleitoral aqui no país, e vão se sair melhor os candidatos que conseguirem convencer os eleitores da sua preocupação, né, genuína e do potencial que as ações propostas têm de sair do papel e, mais do que isso, de trazer algum alívio para essas preocupações e para essa vitimização, de fato, que afeta a população brasileira com relação à segurança”, afirma.

E o Brasil possui capacidade institucional, conhecimento técnico, organizações da sociedade civil, universidades e experiências locais capazes de construir alternativas para garantir políticas de segurança pública eficazes.

 

Fonte: Por Elton Alisson, da Agência FAPESP/Pacto pela Violência

 

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