“O
Iêmen imobilizou a Arábia Saudita no Mar Vermelho”, diz Pepe Escobar
A
entrada das forças iemenitas em uma nova etapa do conflito no Oriente Médio
colocou a Arábia Saudita diante de uma grave vulnerabilidade econômica e
militar. Ao restringir a navegação de embarcações sauditas pelo estreito de Bab
al-Mandeb, o movimento Ansar Allah passou a ameaçar uma das principais rotas
utilizadas por Riad para exportar petróleo aos mercados asiáticos.
A
avaliação foi feita pelo jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar, em
vídeo publicado no canal Pepe Café no YouTube. Segundo ele, a decisão iemenita
não representa um bloqueio indiscriminado do Mar Vermelho, mas uma operação
direcionada contra os interesses sauditas, concebida para obrigar o reino a
suspender as restrições impostas ao Iêmen há mais de uma década. O anúncio de
ações contra a navegação saudita e os confrontos registrados na região também
foram noticiados por outros veículos nos últimos dias.
“O
Iêmen não bloqueou Bab al-Mandeb. Ele bloqueou Bab al-Mandeb para a Arábia
Saudita”, afirmou Escobar. Na interpretação do jornalista, a medida demonstra a
capacidade das forças iemenitas de selecionar seus alvos e utilizar a posição
estratégica do país como instrumento de pressão política.
O
estreito de Bab al-Mandeb liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano
Índico. Trata-se de uma passagem fundamental para o comércio internacional,
especialmente para navios que utilizam o Canal de Suez. Qualquer interrupção
prolongada nessa rota pode elevar os custos do transporte marítimo, dos seguros
e das entregas de petróleo.
A
estratégia atinge diretamente o porto saudita de Yanbu, localizado na costa do
Mar Vermelho. O terminal recebe petróleo transportado pelo oleoduto
Leste-Oeste, que atravessa a Arábia Saudita desde as regiões produtoras
próximas ao Golfo Pérsico. A estrutura permite que Riad exporte parte de sua
produção sem depender do estreito de Ormuz.
Escobar
sustenta que o bloqueio iemenita reduz justamente essa alternativa. Caso os
petroleiros não possam seguir de Yanbu em direção ao sul, atravessando Bab
al-Mandeb, as embarcações podem ser obrigadas a buscar rotas mais longas ou
permanecer nos portos sauditas.
“Vocês
revogam o bloqueio, e a gente revoga o nosso bloqueio. Caso contrário, vocês
continuarão bloqueados e não vão exportar petróleo pelo Mar Vermelho”, resumiu
o jornalista ao descrever a mensagem que, em sua avaliação, foi enviada pelos
iemenitas a Riad.
O
efeito não se limita à impossibilidade física de navegar. A elevação dos riscos
militares também encarece ou inviabiliza os seguros marítimos. Sem cobertura
adequada, armadores e empresas transportadoras podem se recusar a deslocar
grandes petroleiros pela região, mesmo quando a passagem ainda for tecnicamente
possível.
Outra
possibilidade seria conduzir as embarcações pelo Canal de Suez, atravessar o
Mediterrâneo e contornar todo o continente africano pelo cabo da Boa Esperança
antes de retornar ao oceano Índico. A operação, porém, ampliaria
significativamente o tempo da viagem, o consumo de combustível e os custos
logísticos.
“É um
abacaxi gigantesco para o mercado global de petróleo”, declarou Escobar.
Segundo
o jornalista, a ação de Ansar Allah foi precedida por um ataque saudita ao
aeroporto de Sanaa. Escobar relatou que um avião iraniano da companhia Mahan
Air, que transportava cidadãos iemenitas, teria sido impedido de pousar depois
que a pista foi bombardeada.
O
piloto teria desviado a aeronave para Hodeidah, na costa do Mar Vermelho, onde
conseguiu aterrissar após uma manobra de emergência. Para Escobar, o episódio
provocou forte repercussão entre os iemenitas e levou as forças de Ansar Allah
a preparar uma resposta em escala superior.
“Eles
bombardearam o nosso aeroporto. Então, vamos responder um degrau acima”, disse
o analista ao reconstruir o raciocínio atribuído à liderança iemenita.
A
resposta teria começado com ataques contra instalações sauditas e avançado
posteriormente para o bloqueio direcionado da navegação. Na leitura de Escobar,
a medida possui dois objetivos simultâneos: pressionar a Arábia Saudita a
suspender o cerco ao Iêmen e dificultar uma ofensiva mais ampla dos Estados
Unidos contra o chamado Eixo da Resistência.
Esse
eixo reúne forças e organizações alinhadas ou próximas ao Irã, como Ansar
Allah, no Iêmen, o Hezbollah, no Líbano, e grupos que integram as Forças de
Mobilização Popular no Iraque. Segundo o jornalista, os serviços de
inteligência iemenitas teriam identificado preparativos norte-americanos para
atacar diferentes integrantes dessa articulação regional.
“Os
iemenitas abriram um novo front e esvaziaram uma ofensiva americana contra o
Eixo da Resistência”, afirmou.
Escobar
argumenta que a abertura de uma frente no Mar Vermelho obriga Washington e seus
aliados a distribuir recursos militares e políticos por uma área mais extensa.
A estratégia também aumenta a pressão de países exportadores de petróleo e de
governos preocupados com os efeitos da guerra sobre os preços da energia e
sobre o comércio internacional.
Na
avaliação do jornalista, as forças iemenitas demonstraram nos últimos anos que
ataques aéreos e operações navais conduzidos pelos Estados Unidos não foram
suficientes para impedir o lançamento de mísseis e drones contra embarcações na
região.
“Não há
como a Marinha americana impor sua vontade no Mar Vermelho contra os mísseis e
drones das Forças Armadas do Iêmen”, declarou.
O
analista também ressaltou que o bloqueio seria seletivo. De acordo com as
informações apresentadas por ele, navios sauditas transportando petróleo
destinado à China poderiam receber autorização para atravessar Bab al-Mandeb,
em razão da relação histórica mantida entre Pequim e as autoridades de Sanaa.
A
diferenciação reforçaria o caráter político da operação. Em vez de interromper
todo o comércio marítimo, os iemenitas estariam preservando relações
consideradas estratégicas e concentrando a pressão sobre a Arábia Saudita e
outros parceiros dos Estados Unidos.
Escobar
afirmou ainda que as forças iemenitas podem ampliar os ataques contra
refinarias, terminais e contra o próprio oleoduto Leste-Oeste. Caso essa
infraestrutura seja atingida, Riad não enfrentaria apenas dificuldades para
embarcar o petróleo, mas também para transportá-lo das regiões produtoras até a
costa do Mar Vermelho.
“Se
vocês continuarem assim, nós vamos bombardear o oleoduto. Aí vocês nem terão
petróleo para exportar”, afirmou o jornalista ao reproduzir a advertência
atribuída aos iemenitas.
Para
Escobar, a capacidade de ameaça decorre da experiência adquirida pelo Iêmen
durante anos de guerra. Desde 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita
realiza operações militares no país após Ansar Allah conquistar Sanaa e assumir
o controle de amplas áreas do norte iemenita.
O
jornalista recordou ter visitado Sanaa e Saada e relatou ter visto
universidades, hospitais e outras estruturas atingidas durante os bombardeios.
Segundo ele, a destruição acumulada não eliminou a capacidade de organização
política e militar do movimento.
“Os
iemenitas estão acostumados à barra mais pesada possível em termos de
bombardeio, intimidação, sanções e bloqueio”, afirmou.
A nova
ofensiva também se conecta, segundo Escobar, à guerra entre Estados Unidos e
Irã. O jornalista avalia que as ações iemenitas aumentam os custos econômicos
da escalada e podem ampliar a pressão sobre o governo norte-americano para que
retome as negociações com Teerã.
Escobar
disse que Paquistão, Omã e Catar atuam como mediadores e tentam reconstruir uma
via diplomática. De acordo com as informações apresentadas por ele, autoridades
iranianas aceitariam retomar as conversas desde que Washington cumpra
compromissos anteriores e adote medidas concretas para restabelecer a
confiança.
Entre
as exigências estariam a liberação de recursos iranianos congelados no
exterior, algum alívio das sanções econômicas e entendimentos relacionados à
circulação pelo estreito de Ormuz. Somente depois dessas etapas Teerã aceitaria
discutir novamente seu programa nuclear.
“Os
iranianos não abandonam a diplomacia, mas impõem suas condições. Diplomacia,
sim, desde que haja confiança e respeito mútuos”, declarou.
O
principal impasse, segundo Escobar, é que os Estados Unidos pretendem iniciar
as negociações pelo tema nuclear e condicionar qualquer concessão econômica à
aceitação das exigências de Washington. O Irã, por sua vez, considera
necessário que medidas de confiança sejam adotadas antes de uma nova rodada de
negociações.
Embora
veja poucas chances de acordo imediato, o jornalista afirmou que a atuação dos
mediadores ainda mantém aberta uma pequena possibilidade de evitar uma nova
escalada.
“A
única notícia minimamente auspiciosa é que existe uma janela de oportunidade
para trazer os americanos de volta à mesa”, disse.
Na
avaliação de Escobar, a ofensiva iemenita reforça a transformação do equilíbrio
regional. Um país submetido durante anos a bombardeios e restrições passou a
controlar uma passagem marítima capaz de interferir diretamente nas exportações
de uma das maiores potências petrolíferas do mundo.
Ao
atingir a alternativa saudita ao estreito de Ormuz, Ansar Allah vincula as duas
principais rotas energéticas da região. Riad passa a enfrentar riscos tanto no
Golfo Pérsico quanto no Mar Vermelho, enquanto os custos econômicos de uma
guerra prolongada se espalham para os mercados globais.
“O novo
front iemenita influi diretamente na economia americana e na economia global”,
concluiu Escobar.
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Arbaeen leva milhões de xiitas ao Iraque sob tensão da
guerra no Oriente Médio
Eram 7h
da manhã de 29 de julho quando a reportagem de Opera
Mundi desembarcou no aeroporto de Bagdá. O local costuma ter um fluxo de
passageiros reduzido devido à recente abertura do Iraque a nacionalidades
estrangeiras após um período de isolamento internacional marcado por disputas
territoriais com o grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS). Na ocasião, porém,
o terminal de desembarque encontrava-se cheio de viajantes ao chegar à capital
iraquiana.
Na
quinzena que antecede o Arbaeen, feriado religioso xiita, o aeroporto apresenta
uma movimentação excepcional de aproximadamente sete a oito mil passageiros por
dia, segundo o diretor de Residência e Passaportes do aeroporto internacional
de Bagdá, Ahmad Al-Kinani, à mídia estatal INA.
A
grande maioria dos passageiros em questão são peregrinos xiitas que vêm ao
Iraque para o Arbaeen. O evento está previsto para culminar no dia 4 de agosto
deste ano, mas não tem data fixa no calendário gregoriano. Isto ocorre pois o
islamismo se baseia no calendário lunar, cuja contagem difere do calendário
solar e, por isso, apresenta pequenas variações anuais.
O nome
do feriado, em árabe, significa “quarenta” e é marcado pelo quadragésimo dia
após a comemoração anual do martírio do Imã Hussein, neto do profeta Maomé, que
foi morto na histórica Batalha de Karbala. A prática fúnebre está associada a
uma tradição enraizada no islã xiita: a família de Hussein visitava seu túmulo,
no local de seu falecimento, somente após 40 dias de luto. Segundo a tradição
que acompanha esta vertente da religião, este é o período necessário, por meio
de orações, para que a alma do falecido entre em estado de paz. Esse costume
não ocorre em outras vertentes do islã, como o sunismo.
O
significado por trás da Batalha de Karbala, que marca o xiismo enquanto
vertente religiosa, repousa no combate à injustiça e corrupção. O contexto do
confronto se baseia na decisão do Imã Hussein de não se curvar perante a
liderança do califa Yazid I, que herdou o poder do califado Omíada de forma
hereditária, violando a regra de sucessão que, até então, era baseada em
mérito, consulta pública e eleição entre os membros mais influentes da
comunidade. Os princípios de Hussein são invocados na busca do povo adepto ao
xiismo por resiliência, que em face da ofensiva estadunidense, recai nos mesmos
princípios refletidos pelo imã: a justiça e responsabilidade perante o poder.
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Maior peregrinação do mundo
A
peregrinação ocorre da cidade de Najaf até Karbala, onde os fiéis percorrem, a
pé, aproximadamente 88 quilômetros por um período estimado de três dias. A
caminhada pode partir de cidades mais distantes, como Basra, no sul do país, e
durar uma ou duas semanas a mais, mas sempre passando pelo ponto de início
oficial, que é Najaf.
A
escolha do ponto de partida não é coincidência: Najaf é o lugar onde o Imã Ali,
genro do profeta Maomé, descansa no santuário que leva seu nome. O percurso
simboliza, portanto, a trajetória de um pai que vai até o filho para pagar
tributo à sua vida póstuma.
A
reportagem de Opera Mundi se deslocou de Bagdá até Najaf no intuito
de acompanhar a peregrinação, que reúne entre 20 e 25 milhões de pessoas, sendo
assim, a maior peregrinação anual do mundo. O evento é marcado pela
convergência entre tradição e comunidade, representada pela ação conjunta de
fiéis que, pela estrada que conecta ambas as cidades, distribuem água, preparam
refeições e abrigam os peregrinos em seus lares para passar a noite – tudo
gratuitamente. O esforço conjunto ocorre para que todos os envolvidos assegurem
a capacidade de cumprir com a missão de pagar tributo a Imã Hussein.
Grande
parte dos xiitas presentes vêm do Irã, país no qual a população
majoritariamente integra esta vertente da religião. A comemoração ocorre em
paralelo à escalada da guerra com os Estados Unidos, que se iniciou
oficialmente em 28 de fevereiro deste ano. Na data, o governo de Donald Trump,
junto a Israel, bombardeou diversas partes do território iraniano com o
pretexto de interromper a continuidade do programa nuclear do país.
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Iraque atacado
Ainda
na quarta-feira (29/07), em decorrência da retomada dos ataques dos Estados
Unidos ao Irã, e a resposta contra bases militares norte-americanas na região,
que a coalizão estadunidense-saudita bombardeou instalações das Forças de
Mobilização Popular (PMF) em diversas áreas do Iraque, incluindo Bagdá, Basra e
Karbala, onde se concentra a peregrinação do Arbaeen.
Os
bombardeios mataram 20 membros do grupo paramilitar e deixaram ao menos 32
feridos. O ataque foi reivindicado pelos Estados Unidos como uma resposta às
supostas ofensivas com drones do PMF, grupo apoiado pela República Islâmica do
Irã, contra tropas norte-americanas no Oriente Médio e estruturas energéticas
sauditas. As Forças de Mobilização Popular iraquianas negam qualquer
envolvimento nos ataques e classificam a resposta como infundada e passível de
retaliação severa.
No dia
seguinte, na quinta (30/07), Opera Mundi acompanhou a cerimônia
fúnebre que homenageou os mártires das Forças de Mobilização Popular mortos no
ataque A homenagem ocorreu em conjunto com o Arbaeen: fiéis se reuniram no
santuário Imã Ali, em Najaf, para carregar os caixões dos mártires, em
procissão, até o interior da mesquita. Na ocasião, os xiitas ali presentes
clamaram em uníssono por justiça e pelo fim das agressões americanas e
sionistas na região.
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Israel vendeu armas aos Emirados Árabes Unidos após
ataque houthi em 2022, apontam documentos
Em
janeiro de 2022, os houthis do Iêmen atacaram os
Emirados Árabes Unidos com mísseis e drones, atingindo instalações petrolíferas
e o Aeroporto de Abu Dhabi, matando três pessoas. Dois meses depois, a empresa
israelense Elbit Systems respondeu a um pedido urgente dos Emirados com uma proposta
para fornecer seus drones mais avançados.
Segundo
o jornal israelense Haaretz, documentos vazados
da Elbit revelam discussões sobre a venda de sistemas de armas avançados para
os Emirados, evidenciando os laços de segurança forjados após os Acordos de
Abraão. Esses laços se intensificaram com a guerra conjunta contra o Irã, incluindo
a instalação de baterias do Domo de Ferro em solo emiradense e a visita secreta
de Netanyahu ao país.
Os
documentos, obtidos por hackers ligados ao Irã, mostram práticas negligentes de
segurança, com executivos usando e-mails pessoais para trocar informações
sensíveis. Em 2021, a Elbit discutiu com o Ministério da Defesa israelense a
venda de drones Hermes 900 e munições SkyStriker para os Emirados, entre outros
sistemas.
Após
o ataque houthi, os Emirados
solicitaram seis drones Hermes 900. A Elbit propôs dois sistemas, cada um com
três aeronaves e diversos equipamentos de vigilância, incluindo câmeras,
sistemas de interceptação e guerra eletrônica. Cada sistema foi orçado em cerca
de US 90 milhões, mas os Emirados queriam expandir para 15 sistemas, um acordo
de cerca de US 1,3 bilhão.
Outros
documentos revelam uma “lista de desejos” para aeronaves de inteligência e a
munição SkyStriker, além de uma proposta para o drone Hermes 650, oferecido
antes de seu lançamento oficial. Em 2022, a Elbit anunciou publicamente apenas
um contrato de US$ 50 milhões com os Emirados.
Os
laços de segurança se fortaleceram após o ataque de Israel e EUA ao Irã, em
fevereiro de 2026. O Irã respondeu com mais de 3.000 mísseis e drones contra os
Emirados. Israel enviou baterias do Domo de Ferro, um sistema a laser e
estabeleceu uma ponte aérea para auxílio militar, enquanto os Emirados também
adquiriram sistemas de defesa aérea israelenses.
Um
funcionário americano elogiou a relação entre Israel e os Emirados Árabes
Unidos, destacando que os Emirados conseguem realizar projetos humanitários em
Gaza, como um duto para água dessalinizada, que outros países ou agências da
ONU não conseguiriam realizar. A Elbit afirmou que não comenta assuntos
comerciais com clientes e que os dados vazados não refletem sua realidade
comercial.
Fonte:
Brasil 247/Opera Mundi

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