quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Pix passa a valer em 8 países e vira alternativa mais barata que cartão para turistas

Turistas brasileiros já conseguem pagar com Pix diretamente no comércio de oito países, na América do Sul, América do Norte e Europa. A funcionalidade opera dentro dos próprios aplicativos dos bancos brasileiros, viabilizada por parcerias entre fintechs nacionais, instituições financeiras e credenciadoras internacionais de maquininhas.

Hoje, o recurso está disponível em estabelecimentos do Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. O Banco Central faz uma ressalva importante: não existe um “Pix internacional” oficial mantido pelo governo brasileiro fora do país. As transações acontecem por meio de empresas de câmbio credenciadas, chamadas de eFX, responsáveis por converter os valores em tempo real.

O processo nos pontos de venda no exterior segue uma lógica parecida com a usada no Brasil. A maquininha do estabelecimento gera um QR Code na tela, que o turista escaneia pelo aplicativo do próprio banco. Em seguida, o app mostra o valor final já convertido em reais, com as taxas incluídas. A confirmação é feita por senha ou biometria, e a empresa intermediária cuida da conversão da moeda, repassando o pagamento ao comerciante na moeda local, seja em pesos, dólares ou euros.

<><> Por que vale a pena: a economia no imposto

O principal atrativo do Pix internacional está no custo mais baixo em comparação ao cartão de crédito. Compras internacionais no cartão são taxadas com 5,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além da cotação do chamado dólar turismo. Já os pagamentos feitos pelo aplicativo usam taxas de câmbio comercial, mais vantajosas, com impostos reduzidos. A modalidade ainda evita a necessidade de carregar dinheiro em espécie ou recorrer a casas de câmbio no destino.

O uso se concentra em destinos turísticos e redes populares entre brasileiros. Na América do Sul, cobre hotéis, restaurantes, centros de esqui e lojas de fronteira no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. Nos Estados Unidos e na Europa, funciona em estabelecimentos de cidades como Miami, Orlando, Lisboa, Madri e Paris.

<><> Quem viabiliza o serviço

A expansão do Pix fora do Brasil depende de acordos entre diferentes empresas do setor financeiro. No Chile, a fintech PagBrasil trabalha junto com a credenciadora local VirtualPOS para viabilizar o pagamento por QR Code em milhares de terminais. Na Argentina, o Banco do Brasil fechou parceria com o Banco Patagonia, garantindo a leitura direta em mais de 6 mil estabelecimentos.

No Uruguai, quem oferece o serviço é a Getnet, enquanto nos Estados Unidos a integração ficou a cargo da Verifone, em terminais de cidades norte-americanas. Já a estrutura de liquidação entre fronteiras conta com o apoio de bancos como o BS2 e plataformas de câmbio como a Remessa Online.

<><> Uso em alta, mesmo sem dados oficiais consolidados

O Banco Central não divulga números específicos sobre pagamentos presenciais feitos por Pix no exterior, já que esses valores entram no balanço geral de operações de câmbio e transferências internacionais. Ainda assim, dados do próprio setor mostram forte crescimento: a PagBrasil registra alta média de 22,5% ao mês no volume de transações realizadas fora do país. Segundo o Global Payments Report, os 170 milhões de usuários cadastrados no Pix no Brasil têm levado credenciadoras internacionais a adaptar seus sistemas para atender à demanda do turista brasileiro.

•        Registro do Pix como marca fortalece combate a golpes, diz especialista

O reconhecimento do Pix como marca de alto renome pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) amplia os instrumentos jurídicos disponíveis ao Banco Central para combater fraudes, registros indevidos e usos não autorizados da marca. A avaliação é da advogada especializada em propriedade intelectual Anne Holanda, que atua na área de direito marcário desde 2011.

A decisão foi anunciada pelo governo federal nesta semana e concede ao Pix o mais alto nível de proteção previsto pela legislação brasileira de propriedade industrial. Na prática, a medida impede que terceiros registrem ou utilizem a marca em qualquer segmento da economia, mesmo que não tenha relação com serviços financeiros.

Segundo Anne Holanda, o Banco Central já possuía registros da marca vinculados ao setor financeiro, mas a popularização do sistema de pagamentos criou um novo cenário.

“Desde sua implementação em 2020, o Pix se tornou um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros e adquiriu enorme reconhecimento público. Com isso, houve um aumento significativo no número de pedidos de registro contendo o termo ‘Pix’, não apenas no setor financeiro, mas também em áreas completamente distintas”, explica.

A advogada afirma que o reconhecimento de alto renome permite ampliar significativamente a proteção da marca, reduzindo a necessidade de medidas defensivas constantes por parte do Banco Central e dificultando tentativas de apropriação indevida do nome.

<><> Proteção reforçada

Uma das principais consequências da decisão está no fortalecimento da capacidade de reação contra usos indevidos da marca.

De acordo com Anne Holanda, o reconhecimento produz efeitos jurídicos concretos e não apenas simbólicos.

“A principal consequência é a ampliação da proteção da marca para todos os segmentos de atividade econômica, independentemente da existência de afinidade com serviços financeiros”, afirma.

Segundo ela, isso fortalece a capacidade do Banco Central de impedir registros indevidos perante o INPI e de atuar contra o uso não autorizado do nome Pix por terceiros.

A especialista destaca ainda que a medida pode auxiliar no enfrentamento de fraudes e golpes que utilizem a notoriedade do sistema para induzir consumidores ao erro.

“Embora a decisão não elimine, por si só, a ocorrência de fraudes, ela fortalece significativamente os instrumentos jurídicos disponíveis para combater usos indevidos da marca, facilitando medidas para impedir registros oportunistas e exigir a cessação de utilizações não autorizadas”, diz.

<><> Grupo restrito

O reconhecimento também coloca o Pix em um grupo seleto de marcas brasileiras.

Atualmente, existem cerca de 160 marcas com status de alto renome no país. Entre elas estão nomes amplamente conhecidos pelos consumidores, como Petrobras, Caixa e Instituto Butantan.

Para Anne Holanda, o fato de o Pix integrar esse grupo demonstra o grau de reconhecimento alcançado pelo sistema de pagamentos desde seu lançamento.

“Isso demonstra que o reconhecimento é reservado a marcas que atingem um grau excepcional de conhecimento e prestígio perante a população brasileira. O Pix passa agora a integrar esse grupo bastante restrito de ativos que transcendem sua função original e se tornam referências amplamente reconhecidas pela sociedade”, afirma.

A advogada observa que o reconhecimento não foi uma surpresa para especialistas da área. O pedido foi apresentado em 2025 e já refletia a percepção de que a marca havia alcançado notoriedade compatível com esse nível de proteção.

Apesar da existência de registros anteriores contendo o termo “Pix”, prevaleceu o entendimento de que a ampla maioria dos brasileiros associa espontaneamente a expressão ao sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central.

Para a especialista, a decisão consolida a posição que o Pix passou a ocupar na vida dos brasileiros.

“O reconhecimento do alto renome confirma que o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar um dos principais símbolos da transformação digital e da inovação do sistema financeiro brasileiro”, conclui.

 

Fonte: ICL Notícias

 

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