O
colapso da hegemonia americana e ascensão da China
Uma
profunda placa tectônica da geopolítica mundial acaba de se mover com estrondo.
Pela primeira vez em quase duas décadas de pesquisas globais contínuas, a
imagem da China superou a dos Estados Unidos em favorabilidade na maioria dos
países do planeta.
Mais do
que isso: o presidente chinês, Xi Jinping, desfruta hoje de maior confiança
internacional do que o presidente norte-americano, Donald Trump, para gerir os
destinos do mundo. Os dados constam do novo e abrangente estudo do
prestigiado Pew Research Center, realizado com mais de 42 mil adultos em
36 países.
O
levantamento retrata a derrocada acelerada do soft power americano
— estrangulado por políticas unilaterais, sanções arbitrárias e protecionismo
econômico sob a segunda gestão Trump. Em contrapartida, observa-se o avanço
diplomático e a cooperação multipolar liderada por Pequim em todo o globo.
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1. Uma virada histórica na opinião pública global
Entre
2023 e 2026, a curva da opinião pública internacional traçou um movimento
dramático. Em um painel de 20 países acompanhados anualmente pelo Pew Research,
a favorabilidade em relação aos EUA despencou de 58% para 36%, enquanto a visão
positiva sobre a China saltou de 32% para 46%.
A
derrocada é ainda mais expressiva quando se avalia a confiança nos respectivos
chefes de Estado. Com o recrudescimento da agressividade externa dos EUA, a
confiança em Donald Trump desabou para míseros 21% de mediana global, enquanto
a confiança em Xi Jinping subiu para 31%.
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2. Xi Jinping supera Trump na Europa e no Sul Global
A queda
do prestígio americano não se restringe a regiões tradicionalmente críticas aos
Estados Unidos. Na Europa ocidental, onde a aliança atlântica foi
historicamente um pilar de Washington, a rejeição a Trump é acachapante.
Em
nações como Reino Unido (37% de confiança em Xi vs. 26% em Trump), Itália (33%
vs. 17%), Alemanha (28% vs. 16%) e Espanha (33% vs. 21%), o líder chinês supera
o norte-americano por margens expressivas. No mundo islâmico e no Sul Global, o
abismo é estrondoso: no Paquistão, 83% confiam em Xi contra apenas 12% em
Trump, e na Malásia o placar é de 66% a 13%.
O
Brasil também reflete essa dinâmica: 30% dos brasileiros declaram ter confiança
na atuação internacional de Xi Jinping, enquanto apenas 22% confiam em Donald
Trump. Entre 17 países de renda média pesquisados no Sul Global, 75% apontam
que os EUA interferem excessivamente em outros países, enquanto 69% vêem a
China como uma parceira confiável e 58% destacam sua contribuição para a paz
mundial.
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3. A guinada dos vizinhos da América do Norte: Canadá e México
Talvez
o sintoma mais emblemático do declínio da influência americana seja o
comportamento da opinião pública em seus vizinhos mais diretos de fronteira.
Tanto no Canadá quanto no México, a China passou a ter uma imagem mais
favorável do que os Estados Unidos.
No
Canadá, 57% da população via os EUA com bons olhos em 2023, enquanto apenas 14%
tinham simpatia pela China. Três anos depois, a situação se inverteu por
completo: 44% dos canadenses avaliam a China positivamente, contra apenas 33%
que mantêm visão favorável sobre os EUA.
Virada
histórica na América do Norte: canadenses e mexicanos agora avaliam a China de
forma significativamente mais positiva que os EUA. Fonte: Pew Research Center.
No
México, a preferência pela China alcança 59%, enquanto a favorabilidade aos EUA
despencou para 40%. Entre os jovens mexicanos e canadenses com menos de 35
anos, o apoio à China atinge impressionantes 70% e 61%, respectivamente.
Os
números demonstram que a ordem unipolar pós-Guerra Fria encontra-se em
transformação acelerada. Enquanto os EUA apostam no isolacionismo e na coerção,
a China consolida sua presença global através do comércio, investimentos em
infraestrutura e diplomacia pragmática.
¨
Índia abre portas para capital chinês e americano com
novas regras
O
governo indiano cede em frentes sensíveis , tarifas, investimento direto e
comércio eletrônico , para atrair as duas maiores economias do mundo ao mesmo
tempo.
Segundo
o The Hindu, a Índia está
reformulando suas políticas de comércio e investimento para se aproximar
simultaneamente dos Estados Unidos e da China.
O
movimento envolve concessões em três frentes sensíveis: tarifas antidumping,
investimento estrangeiro direto e regras para o comércio eletrônico.
Os
dados revelam uma mudança concreta e acelerada.
Levantamento
do Centre for Digital Economy Policy mostra que a taxa de rejeição de tarifas
antidumping, que era mínima antes de 2020, passou a oscilar entre 20% e 62% nos
últimos anos. A maioria dos casos rejeitados envolve produtos chineses.
Essa
abertura coincide com uma transformação no perfil das importações vindas da
China. O país passou a importar menos produtos acabados e mais bens
intermediários, como componentes eletrônicos usados na manufatura local para
posterior exportação.
O
ministro de Estado para Comércio e Indústria, Jitin Prasada, defendeu a
estratégia. Para ele, grande parte do que a Índia importa da China são bens de
capital, insumos e matérias-primas que alimentam a produção de bens finais
destinados à exportação.
A
política enfrenta resistência interna. O Swadeshi Jagaran Manch, braço
econômico do Rashtriya Swayamsevak Sangh, rejeita a lógica do governo e defende
que tarifas antidumping são instrumentos de correção de mercado, não
protecionismo a ser abandonado.
No
campo do investimento direto, o gabinete indiano aprovou em março de 2026 uma
mudança relevante: empresas com até 10% de participação chinesa passaram a
poder entrar no país pela rota automática, sem necessidade de aprovação
governamental explícita. Pouco depois, quatro empresas com vínculos chineses
foram autorizadas a participar de licitações no setor de energia.
Para
atrair capital americano, o governo também alterou as regras do comércio
eletrônico. Por quase uma década, o investimento estrangeiro direto foi
proibido em empresas que mantinham estoque no país, sendo permitido apenas para
plataformas de marketplace puras. A mudança agrada empresas como a Amazon, mas
provoca forte oposição de associações de comerciantes locais.
¨ Índia e China reabrem
rotas comerciais de fronteira fechadas desde a pandemia
Índia
e China reativam passagens comerciais fechadas desde 2020 em sinal concreto de
reaproximação diplomática entre as duas maiores populações do mundo.
Segundo
a Prensa Latina, Índia e China
reabriram neste sábado (2) rotas comerciais transfronteiriças suspensas desde
2020, quando a pandemia de Covid-19 interrompeu o fluxo de mercadorias entre os
dois países.
A
cerimônia ocorreu no mercado de Chhupan, em Namgya, no distrito indiano de
Kinnaur, conduzida pelo ministro de Receita de Himachal Pradesh, Jagat Singh
Negi, com a participação de 17 comerciantes credenciados.
As
passagens reativadas incluem o Passo Nathula, em Sikkim, e os passos de Shipki
La, em Himachal Pradesh, e Lipulekh, em Uttarakhand, corredores com uso
histórico desde os tempos da Rota da Seda.
A
reabertura integra um processo mais amplo de reaproximação diplomática entre
Nova Delhi e Pequim. O secretário de Assuntos Exteriores da Índia, Vikram
Misri, esteve recentemente em Pequim para reunião com a vice-ministra das
Relações Exteriores da China, Hua Chunying.
No
encontro, os dois lados revisaram o estado das relações bilaterais e
reafirmaram a importância de manter paz e estabilidade nas regiões de
fronteira. A diplomacia indiana também se reuniu com Hong Liang,
subsecretário-geral do 14º Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política
do Povo Chinês.
A
retomada deve beneficiar diretamente comerciantes registrados, operadores de
transporte e empresas de logística nas regiões de fronteira. Autoridades locais
esperam impulso à economia regional nos próximos meses.
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China exporta fábricas e marcas para driblar tarifas e desaceleração
Segundo
o SCMP, a China está
mudando de estratégia: em vez de exportar apenas produtos, o país passa a
exportar fábricas, marcas e tecnologia para outros territórios.
A
mudança responde a dois problemas simultâneos: a desaceleração interna e o
avanço do protecionismo em mercados como França e Alemanha.
O
modelo que sustentou décadas de crescimento chinês está encontrando seus
limites.
O PIB
cresceu apenas 4,3% no segundo trimestre, o ritmo mais lento em anos. As
exportações subiram 27% em junho, mas as vendas no varejo avançaram apenas 1%,
revelando uma economia em formato de K, com setores industriais aquecidos e
outros, como o imobiliário, em queda acentuada.
Pequim
responde com uma nova fronteira de expansão: instalar fábricas no exterior,
estabelecer marcas chinesas em mercados estrangeiros e incorporar tecnologia e
padrões industriais chineses nas cadeias globais de suprimento. A lógica é
direta: presença local contorna tarifas e reduz a dependência de acesso
externo.
A
política interna também se ajusta ao novo momento. O governo chinês intensifica
o suporte macroeconômico e acelera os gastos fiscais para sustentar o
desenvolvimento em um ambiente externo mais hostil.
O
movimento representa uma mudança estrutural no papel da China na economia
global. O país deixa de ser apenas fornecedor de bens manufaturados e passa a
disputar espaço como exportador de modelo industrial, padrões tecnológicos e
capacidade produtiva instalada em outros territórios.
¨ China admite que
copiar o Ocidente chegou ao limite e busca modelo próprio de inovação
Segundo
o SCMP, a China chegou ao
limite do que consegue avançar copiando o Ocidente.
Lu Bai,
neurobiólogo e presidente da Academia de Ciências Naturais de Xangai, declarou
publicamente que o país atingiu um patamar em que replicar avanços estrangeiros
já não sustenta o ritmo de desenvolvimento.
O
alerta foi dado durante um encontro em Xangai com Kevin Kelly, editor-fundador
da revista Wired, e expõe uma crise estrutural que vai além da disputa
geopolítica.
Dois
obstáculos internos dominam o diagnóstico: a priorização de métricas
quantitativas em detrimento da criatividade, e a deferência cultural à
autoridade. Juntos, esses fatores inibem a experimentação e o questionamento,
elementos centrais para qualquer inovação disruptiva.
Por
décadas, a China avançou rapidamente absorvendo conhecimento estrangeiro,
adaptando tecnologias e escalando produção. Esse modelo funcionou, mas esgotou
seu potencial justamente quando as barreiras externas, como restrições a chips
impostas pelos Estados Unidos, se intensificaram.
O que
está em jogo agora é a capacidade de criar, não apenas reproduzir. O país
precisa gerar novos produtos, abrir fronteiras científicas e definir padrões
globais, algo que exige um ambiente institucional radicalmente diferente do
atual.
Os
sinais de tensão já aparecem nos mercados. Avanços tecnológicos chineses
recentes na produção de chips avançados causaram quedas significativas no valor
de concorrentes globais, mostrando que o país ainda compete com força, mas sob
um modelo que ele próprio reconhece como insustentável.
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Goldman Sachs projeta US$ 13 bilhões em receita de IA chinesa até o fim de 2026
Segundo
o SCMP, o Goldman Sachs
elevou em 30% sua projeção para o mercado de modelos de inteligência artificial
da China, que passa de US$ 10 bilhões para US$ 13 bilhões em receita recorrente
anualizada (ARR) até o fim de 2026.
A
revisão para cima combina cortes agressivos de custos, avanços técnicos nos
modelos domésticos e aceleração da adoção corporativa. “Esperamos que a
competição pelo melhor equilíbrio entre performance e preço se intensifique
entre os modelos chineses”, diz o relatório do banco.
O
Goldman elevou as estimativas de ARR de duas empresas listadas em Hong Kong: a
Zhipu AI passou a ter meta de US$ 2,5 bilhões, e a MiniMax, de US$ 1 bilhão. A
MiniMax lançou recentemente o modelo H3, com arquitetura open-weight e
capacidade multimodal para processar texto, imagem, vídeo, áudio e música,
precificado entre 30% e 50% abaixo dos concorrentes.
A
DeepSeek abriu o acesso à API do modelo V4 Flash, cujas capacidades de
codificação frontal rivalizam com o GLM-5.2, modelo principal da Zhipu. O
GLM-5.2 ocupa o sétimo lugar no ranking global de codificação frontal; o
DeepSeek V4 Flash, o oitavo.
O
padrão que emerge é consistente: modelos chineses avançando em desempenho
enquanto reduzem preços de forma agressiva. Essa combinação acelera a adoção em
escala corporativa e reposiciona a China no mercado global de inteligência
artificial.
A
projeção de longo prazo é ainda mais ambiciosa: o Goldman estima que a receita
de APIs e assinaturas dos modelos chineses passe de 35 bilhões de yuans em 2026
para 879 bilhões de yuans até 2030 — cerca de 25 vezes mais consumo diário de
tokens em quatro anos.
Mesmo
com esse ritmo, o gap com os Estados Unidos permanece expressivo. O banco
estima que os hyperscalers chineses (Alibaba, Tencent, ByteDance e Baidu)
invistam US$ 102 bilhões em capex de IA em 2026, contra US$ 764 bilhões dos
hyperscalers americanos (AWS, Microsoft, Google, Meta e Oracle) — uma diferença
de cerca de oito vezes, que persiste até 2027 mesmo após ajuste por poder de
compra.
¨ China freia drones e
pune 6 empresas dos EUA em resposta a tarifas
Segundo
o The Hindu, Pequim anunciou
nesta quarta-feira (5) restrições à exportação de drones, componentes e
tecnologia aos Estados Unidos, em retaliação direta às novas tarifas impostas
por Washington. As novas regras de escrutínio sobre exportações de drones para
os EUA passam a valer nesta mesma data.
Junto
às restrições, a China sancionou seis empresas americanas e abriu investigações
de segurança nacional sobre importações de impressoras e copiadoras de
escritório.
O
Ministério do Comércio chinês (MOFCOM) afirmou que as ações dos EUA “prejudicam
seriamente os direitos e interesses legítimos da China” e que Pequim “não tem
alternativa senão tomar as contramedidas necessárias”.
As
tarifas americanas atingiram a China e outros 59 países, com alíquotas de 10% a
12,5%, somando-se a uma série de medidas comerciais recentes que ameaçam romper
a chamada “estabilidade estratégica construtiva” firmada em outubro entre
Donald Trump e Xi Jinping. A retaliação chinesa também responde à decisão
americana da semana passada de banir importações de 43 empresas chinesas sob
alegação de abusos contra minorias étnicas.
Além do
controle sobre drones, a China suspendeu inspeções de acompanhamento em
fábricas por órgãos de certificação chineses e incluiu empresas americanas de
testes de conformidade em sua lista negra.
As
sanções atingem seis companhias, entre elas a de biotecnologia Applied DNA
Sciences e a de pesquisa em geociências Stratum Reservoir. Organizações e
indivíduos na China ficam proibidos de realizar transações, cooperação ou
qualquer outra atividade com essas empresas.
O
ministério justificou as sanções afirmando que as seis entidades “ajudaram e
apoiaram sanções ilegais dos EUA relacionadas a Xinjiang”, região onde a ONU
documentou possíveis crimes contra a humanidade contra a minoria uigur. Pequim
rejeita as acusações.
O
principal negociador comercial chinês, He Lifeng, expressou “grave preocupação”
ao representante comercial americano, Jamieson Greer, em ligação relatada pela
agência estatal Xinhua. Na semana anterior, a China já havia acusado Washington
de tentar “suprimir” empresas chinesas após os EUA proibirem importações de
robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior.
A
escalada acontece a poucas semanas de uma cúpula prevista entre Xi Jinping e
Trump nos Estados Unidos — visita que sinalizava aproximação entre as duas
maiores economias do mundo e que agora enfrenta o teste das novas fricções
tarifárias e tecnológicas.
¨
China testa míssil nuclear de submarino com alcance para
EUA
Pequim
confirma novo patamar em sua capacidade nuclear marítima ao disparar míssil
intercontinental de submarino, em meio a exercícios conjuntos com a Rússia e à
cúpula da OTAN.
Segundo
o SCMP, a China realizou em
6 de julho o primeiro teste confirmado de um míssil balístico lançado de
submarino nuclear em águas internacionais em mais de 40 anos — o segundo
lançamento chinês do tipo em mar aberto desde 1980.
O
disparo envolveu o míssil JL-3, que percorreu cerca de 8.000 quilômetros
carregando uma ogiva simulada.
Esse
alcance é suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a
partir de águas chinesas.
O JL-3
é o componente marítimo central da estratégia de dissuasão de Pequim. Sua
função principal é garantir capacidade de retaliação mesmo após um eventual
primeiro ataque inimigo.
O
míssil pode ser configurado para carregar veículos de planagem hipersônica,
aumentando sua capacidade de penetrar sistemas de defesa antimísseis. Essa
característica reforça a credibilidade da dissuasão chinesa baseada no mar.
O teste
coincidiu com o início de exercícios navais conjuntos entre China e Rússia e
com a realização da cúpula da OTAN. Analistas apontam o alinhamento de datas
como uma demonstração deliberada de força e capacidade de projeção estratégica.
Pequim
afirmou que o teste integra seu programa rotineiro de treinamento militar anual
e que os países relevantes foram notificados com antecedência. A primeira
aparição pública do JL-3 havia ocorrido em um desfile militar em Pequim em
setembro do ano anterior.
Fonte:
O Cafezinho

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