sábado, 8 de agosto de 2026

Automedicação nutricional entre atletas amadores pode prejudicar desempenho

A automedicação nutricional sem prescrição médica pode prejudicar o desempenho e afetar a saúde a médio e longo prazo entre atletas amadores. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil explicam que a prática está associada ao desejo de resultados rápidos.

Segundo o médico Sandro Ferraz, nutrólogo e especialista em medicina esportiva, o custo de tentar acelerar resultados de atividades físicas, como musculação ou corrida, pode implicar na queda do redimento, da saúde metabólica e no aumento do risco de lesões.

“Quando alguém tenta acelerar seus resultados nos treinos a qualquer custo, em lugar de ter mais disposição e crescimento de massa muscular, por exemplo, o que acontece é justamente o oposto", afirma.

Um levantamento da Scanntech, em parceria com a McKinsey, apontou que, entre janeiro e outubro do ano passado, o consumo de whey protein cresceu 124%, enquanto a creatina teve alta de 89%. Além disso, cereais proteicos (21%), iogurtes proteicos (16%), produtos pré e pós-treino (16%) e leites saborizados com proteína (14%) também tiveram aumento do uso.

Os suplementos são vistos como grandes aliados na jornada de treinos, uma vez que podem fornecer mais energia, auxiliar no ganho de massa muscular e potencializar o desempenho.

No entanto, um estudo publicado na Revista Brasileira de Nutrição Esportiva no ano de 2021 indicou que 70% dos praticantes de musculação disseram usar suplementações sem orientação profissional, sendo influenciadores e redes sociais suas principais fontes de informação.

O dado, segundo Ferraz, é alarmante. O médico explica que o organismo não responde a modismos, sendo que cada pessoa possui uma necessidade metabólica diferente.

“É comum encontrarmos pessoas que querem treinar como atletas de alto rendimento, mantendo uma alimentação baseada na ‘na dieta da vez’. Mas é preciso respeitar o seu ritmo”, afirma.

<><> Influência da alimentação na performance

O médico alerta que a restrição severa de carboidratos pode trazer o efeito contrário do esperado, reduzindo a performance, sobretudo durante a prática de exercícios de intensidade moderada e alta. O especialista também é ex-atleta.

Um erro muito comum é achar que quem quer correr melhor ou ganhar força muscular precisa retirar carboidratos para acelerar os resultados. Muitas vezes, ocorre justamente o oposto. A redução drástica de carboidratos diminui os estoques de glicogênio muscular, causando fadiga precoce, o que piora o rendimento e dá maior sensação de cansaço durante o exercício. - Sandro Ferraz, nutrólogo e especialista em medicina esportiva

Sandro complementa que a automedicação nutricional sem supervisão médica não é o recomendado. Ele explica que antes da suplementação, é necessário a realização de testes como a bioimpedância e avaliações laboratoriais.

“Não existe um suplemento mágico que funcione para todos. Cada corpo é único, e muitas vezes o que funciona para o seu amigo pode fazer mal para você”, alerta.

<><> Cuidados com o treino

O especialista ainda reforça uma outra prática alarmante, conhecida como overtraining, quando o volume de treinos é muito intenso e supera a capacidade de recuperação do organismo.

Segundo Sandro, na tentativa de conseguir resultados mais rápidos, algumas pessoas acabam criando uma rotina de treinos extremamente rigorosa e intensa, exagerando nos exercícios e ignorando os sinais do corpo.

“Às vezes, alguns confundem queda de desempenho e fadiga constante com uma rotina de trabalho agitada e dores musculares prolongadas com uma carga nova. A melhora na condição física é construída com constância, pouco a pouco. Acelerar o ritmo e pular etapas pode colocar a saúde em risco ou mesmo provocar graves acidentes”.

O especialista conclui que, para além da constância dos treinos, é imprenscíndivel que haja o respeito dos limites do corpo, mantendo também uma boa rotina alimentar e do sono.

•        Massa muscular obtida com anabolizantes é perdida após ciclo, diz estudo

Um artigo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism indica que a maior parte da massa muscular adquirida com o uso de anabolizantes é perdida poucos meses após a interrupção dos chamados "ciclos".

A pesquisa tinha como objetivo avaliar as alterações na composição corporal durante e após ciclos de andrógenos autoiniciados. Para isso, o projeto contou com a participação de 79 homens (com idadade mediana de 30 anos) que planejavam iniciar o uso por conta própria.

Durante o estudo, feito entre 2022 e 2024, foram avaliados o peso corporal, a massa livre de gordura e a massa gorda dos participantes em três momentos: antes do início do ciclo, durante o uso e três meses após a interrupção.

O ciclo teve duração mediana de dez semanas, com uma dose semanal mediana de 600 mg. A análise não determinou nem orientou o uso das substâncias, uma vez que os participantes já haviam decidido iniciar o ciclo por conta própria.

Durante o período de uso, segundo a pesquisa, o peso corporal aumentou, em média, 4,9 kg. Desse total, 4,4 kg corresponderam ao aumento da massa livre de gordura.

Três meses após a interrupção do ciclo, no entanto, os ganhos haviam diminuído de forma significativa. Em média, os participantes mantiveram 1,6 kg de peso corporal adicional e 1,2 kg de massa livre de gordura em comparação com o início do estudo.

Segundo os pesquisadores, resultados semelhantes foram observados tanto entre os chamados usuários intermitentes, que interromperam o uso após o ciclo, quanto entre aqueles que mantiveram o consumo de andrógenos.

A massa gorda, por outro lado, não apresentou alterações significativas ao longo dos períodos avaliados.

Os autores concluíram que o uso de andrógenos pode provocar aumentos expressivos de massa magra no curto prazo, mas que grande parte desses ganhos é perdida poucos meses após a interrupção do ciclo.

O estudo também destaca que os resultados ajudam a dimensionar os efeitos buscados por pessoas que fazem uso abusivo dessas substâncias em comparação com os riscos à saúde associados ao consumo de andrógenos.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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