Argentina de Milei entra na lista dos 10
piores países para trabalhadores
Questionado
por seu comportamento em relação aos direitos trabalhistas, o governo da argentina recebeu uma
forte sanção. A principal confederação sindical mundial colocou a Argentina
entre os dez piores países no que diz respeito ao respeito aos direitos
sindicais.
Trata-se
de uma classificação que representa uma verdadeira condenação a Javier Milei. Inabalável e,
passadas algumas semanas, o governo argentino parece não ter dado importância a
essas sérias críticas internacionais.
Segue
adiante com seu amplo programa de ajuste — fortalecido pela recente visita ao
país da diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) — e com suas medidas
antissindicais.
Por sua
vez, as organizações sindicais e os movimentos sociais ratificaram, em 22 de
julho, seu “Plano de Luta” contra o governo Milei, anunciando uma marcha na
primeira semana de agosto e uma mobilização para quando o governo convocar
empregadores e sindicatos ao Conselho do Salário Mínimo, com o objetivo de
definir o novo piso salarial.
O
panorama sindical publicado em junho passado pela Confederação Sindical
Internacional (CSI), a maior organização de trabalhadores do mundo, reconhece
como tendência global um aumento das violações da liberdade de expressão e de
reunião ao longo do último ano, bem como dos casos de agressão violenta contra
trabalhadores e dos ataques frontais às liberdades civis, como se observa pelo
número de prisões e detenções de trabalhadores e de seus representantes.
Em seu
relatório de 2026, Índice Global dos Direitos da CSI: Os piores países
do mundo para os trabalhadores e as trabalhadoras, essa organização
manifesta preocupação com a perseguição a líderes sindicais, algo cada vez mais
comum em um número crescente de países, e alerta para o uso cada vez mais
frequente de novas tecnologias como método de controle, vigilância,
disciplinamento e silenciamento dos trabalhadores. Além disso, avalia que cada
vez menos governos consultam os sindicatos antes de alterar ou promulgar leis
trabalhistas.
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Alarmante ataque ao sindicalismo
O
diagnóstico da CSI, entidade que reúne 344 centrais e federações de 171 países,
representando mais de 200 milhões de membros, é contundente: o que está
ocorrendo é uma erosão global dos princípios democráticos, resultado do que
classifica como um “Golpe de Estado dos multimilionários contra a democracia”.
Trata-se de um desgaste financiado pelos ricos e implementado por líderes
autoritários e de extrema-direita.
“A
concentração dos lucros e o fato de que as expectativas de arrecadação de
impostos sobre o patrimônio não se concretizem na prática”, argumenta a CSI,
“fazem com que esse Golpe de Estado se traduza em uma deterioração do padrão de
vida”. Como consequência, as reivindicações dos trabalhadores e das
trabalhadoras, que deveriam constituir a base da democracia, são silenciadas,
enquanto aqueles que as enfraquecem concentram ainda mais riqueza em suas mãos.
Para a
CSI, trata-se de “um padrão que os poderosos prefeririam manter oculto: o
enfraquecimento sistemático da democracia por meio de ataques aos
trabalhadores, aos sindicatos e à negociação coletiva”. Da repressão às greves
à erosão das medidas de proteção jurídica e à criminalização dos sindicatos,
nada disso constitui incidentes isolados, mas sim táticas de uma estratégia
mais ampla que busca silenciar a dissidência e consolidar as desigualdades.
Diversos
indicadores ilustram a deterioração dos direitos trabalhistas essenciais. Em
50% dos países, por exemplo, houve ataques à liberdade de expressão e de
reunião. Em 75 países (50% dos avaliados), trabalhadores foram presos ou
detidos, um recorde histórico. O direito ao registro legal dos sindicatos foi
dificultado em 75% dos países. O direito de greve foi violado em 87% dos
países. A negociação coletiva foi restringida em 121 países, o mesmo número do
ano anterior e, em três de cada quatro países, a liberdade de associação, bem
como a criação de sindicatos e a filiação a eles, foi obstaculizada.
A
Europa e as Américas (América do Norte, Central e do Sul) receberam as piores
avaliações desde 2014, ano em que esse índice foi criado. Como forma de
advertência e sanção, todos os anos a CSI aponta os dez piores países, ou seja,
aqueles que menos respeitam os direitos sindicais. Em 2026, a Argentina passou
a integrar essa categoria ao lado de outras duas nações latino-americanas,
Panamá e Equador; Turquia e Belarus, na Europa; Tunísia, Egito, Nigéria e
Essuatíni, na África; e Myanmar (Birmânia), na Ásia.
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Cair mais baixo, quase impossível: o mau exemplo argentino
A
Argentina está hoje entre os países com pior avaliação em matéria de direitos
sindicais, e sua posição no ranking piorou pelo segundo ano consecutivo,
passando da categoria de “existência de violações regulares dos direitos” para
uma situação em que “os trabalhadores não têm seus direitos garantidos”.
Segundo a CSI, “desde sua chegada ao poder em 2023, o presidente de
extrema-direita Javier Milei lidera um programa radicalmente antissindical,
enfraquecendo direitos básicos dos trabalhadores, liberdades civis e a
atividade sindical”.
Essa
queda abrupta e sem precedentes em apenas 24 meses deixa a Argentina no nível 3
de uma escala de 5, na qual o nível 5+ é o pior, caracterizado por “direitos
não garantidos devido à destruição do Estado de Direito”. Trata-se do mesmo
nível em que se encontram apenas nações marcadas por situações de conflito
extremo, catástrofes ou guerras, como Haiti, Sudão do Sul, Síria, Burundi e
Líbia. A Argentina aproxima-se perigosamente dessa classificação extrema.
A
avaliação que a CSI faz da Argentina detalha os fatos concretos por trás de uma
nota tão ruim. Por exemplo, a imposição, por parte do governo, de níveis
obrigatórios de serviços “mínimos” aos trabalhadores. Ou seja, a exigência de
que, em um contexto de greve, eles continuem, de qualquer forma, desempenhando
as funções e tarefas estritamente necessárias para proteger as instalações da
empresa e garantir a prestação dos serviços, sob severas sanções em caso de
descumprimento.
Além
disso, destaca que os trabalhadores e os sindicalistas precisam enfrentar
abusos sistemáticos e uma redução do espaço cívico. Em agosto de 2025, lembra a
CSI, a polícia deteve Federico Giuliani, secretário-geral da seção de Córdoba
da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), vinculada à Central de
Trabalhadores da Argentina Autônoma (CTA-A), juntamente com outros 14
manifestantes. Depois de ser libertado, Giuliani foi obrigado a fugir para a
Espanha na condição de refugiado político.
Como
resposta à ofensiva do governo Milei ao longo dos últimos 30 meses, as três
principais confederações sindicais argentinas convocaram várias greves. Segundo
o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), durante esse mesmo período
fecharam 28.262 empresas e foram perdidos 350 mil postos de trabalho formais, o
que ilustra a dimensão do projeto antissocial do atual governo.
Na
linha de frente da resistência contra Milei não estão apenas o movimento
sindical e, em especial, seus setores mais combativos. Há também centenas de
mobilizações sociais em nível local, regional e nacional, acompanhadas por um
aumento da repressão.
Todas
as quartas-feiras, há vários meses, o Movimento dos Aposentados realiza
manifestações nas principais cidades do país. A cada 24 de março (aniversário
do Golpe de Estado de 1976), milhares de pessoas vão às ruas em defesa da
Memória e, agora, também com palavras de ordem contra o governo.
Também
ganha força, de maneira crescente e muito significativa, o movimento de
mulheres e diversidades, que se autoconvoca duas vezes por ano. A última Marcha
do Orgulho LGBTIQ+, realizada em novembro de 2025, reuniu, segundo diversas
fontes, mais de um milhão e meio de participantes, e milhares de pessoas
voltaram a se mobilizar em fevereiro deste ano na segunda Marcha do Orgulho
Antifascista e Antirracista para protestar contra a precarização da vida e a
reforma trabalhista implementada pelo governo, iniciativa que reduz os direitos
dos trabalhadores e busca enfraquecer os sindicatos.
Em seu
Terceiro Relatório Especial sobre a Repressão ao Protesto Social, publicado em
janeiro, a Comissão Provincial da Memória constatou que, em 2025, quatro em
cada dez mobilizações públicas foram reprimidas e que houve repressão em 34 das
79 manifestações realizadas (contra 17 de 60 no ano anterior); que cerca de
1.369 pessoas ficaram feridas (1.216 no ano anterior), algumas em estado
gravíssimo, como ocorreu com o fotojornalista Pablo Grillo; e que duas pessoas
perderam a visão de um dos olhos. O relatório também registra que dobrou o
número de profissionais da imprensa feridos e aumentaram as detenções
arbitrárias em relação ao ano anterior.
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Ultradireita versus sindicatos latino-americanos
Uma
delegação da UNI Global, principal confederação internacional de sindicatos do
setor de serviços, com sede em Nyon, na Suíça, visitou a região sul-americana
no fim de junho deste ano. Em seu relatório sobre essa visita, afirma que “a
Argentina não é um caso isolado, já que, em todas as Américas, governos de
direita vencem as eleições e muitos deles adotam a mesma política quando chegam
ao poder”. De que forma? Invocando a noção de urgência econômica para impor
reformas por decreto, o que lhes permite contornar o debate e a consulta
pública.
Como
ocorreu no Brasil durante o governo Bolsonaro (2019–2023) e como ocorre hoje na
Argentina sob o governo Milei, ressalta o relatório da UNI Global, esses
governos acabam minando a capacidade dos sindicatos de obter os recursos de que
necessitam para continuar funcionando.
Por
outro lado, o Chile dificultou consideravelmente a realização de greves ao
impor um nível excessivo de “serviços mínimos”, semelhante ao que Milei promove
na Argentina. Enquanto isso, Equador e Peru vêm limitando as manifestações
sindicais a áreas classificadas como de “baixo impacto”, ao passo que Trinidad
e Tobago restringiu os locais onde é permitido protestar, limitando-os
especificamente a zonas afastadas das instituições públicas. No Panamá e em El
Salvador, líderes sindicais foram processados e presos.
Existem
alternativas viáveis diante desse programa antissindical? Mais do que receitas
teóricas, este é o momento de fortalecer a unidade dos movimentos sociais em
nível nacional e regional. O relatório da CSI vislumbra essa proposta de
“organizar, negociar e fazer campanha juntos”, o que dará aos trabalhadores e
às trabalhadoras o poder necessário para reverter essa erosão de seus direitos
e construir um futuro mais justo, inclusivo e democrático para todos.
Em
tempos nos quais as instituições democráticas se encontram sob constante
pressão, os sindicatos não defendem apenas os direitos no mundo do trabalho.
Eles também salvaguardam a própria democracia.
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Com exclusão de trechos, Senado argentino aprova lei que
altera direitos sobre terra
Após
quase 11 horas de debate, o Senado argentino aprovou parcialmente, na madrugada
desta sexta-feira (7), a chamada “Lei Inviolabilidade da Propriedade Privada”,
um projeto proposto pelo governo de extrema direita de Javier Milei para mudar
regras do Código de Processo Civil, endurecendo despejos e modificando as leis de expropriação e propriedade
comunitária de
povos originários.
A
iniciativa foi aprovada em geral com 37 votos a favor e 33 contra, tendo o
endosso do partido governista e da oposição pró-diálogo. Agora, o texto segue
para a Câmara dos Deputados.
A meia
aprovação apenas se deu após a renúncia de alguns capítulos que geraram maior
resistência entre os senadores da oposição, no que diz respeito à modificação
da Lei de Gestão de Incêndios. Esta legislação falava na redução da proibição
de 30 anos para mudar o uso de terras rurais, pastagens e áreas agrícolas
devastadas por incêndios. De acordo com organizações ambientais, a medida
poderia incentivar a provocação de incêndios intencionais para possibilitar a
reconversão de imóveis ou agrícolas.
A
sessão ocorreu sem o capítulo que permitia a venda de terras para cidadãos
estrangeiros e empresas, em uma decisão que já havia sido adotada na última
quarta-feira (5), em uma reunião entre a líder do bloco governista, Patricia
Bullrich, e blocos aliados, após vários governadores decidirem votar contra
esse capítulo. O projeto previa a venda de até 25% das terras rurais.
“Sob a
desculpa de defender a propriedade privada dos invasores e usurpadores, o que
eles fazem é incluir nos despejos expressos inquilinos com contrato pelo mero
atraso no pagamento em um contexto em que as pessoas não conseguem pagar as
contas e acabam se endividando”, afirmou o kirchnerista Mariano Recalde.
Do lado
de fora do Congresso, milhares de pessoas se mobilizaram para rejeitar a
iniciativa de Milei. Em defesa da soberania argentina e sob o lema “A pátria
não está à venda, não é queimada nem despejada”, o chamado reuniu sindicatos
trabalhistas, organizações ambientais e civis e setores do peronismo e da
esquerda.
A
polícia reprimiu violentamente os manifestantes, com uso de caminhões-pipa e
gás lacrimogêneo. De acordo com o portal Página 12, que descreveu
as cenas como uma “repressão brutal”, os policiais avançaram contra os
manifestantes, disparando “indiscriminadamente” balas de borracha.
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Quem ganha (e quem perde) com o projeto de lei de terras
na Argentina, proposto por Milei
Em
conversa com o Brasil de Fato, Hugo Yasky, presidente da CTA dos
Trabalhadores, uma das organizadoras da marcha, classificou o projeto de lei
como uma demonstração de insensibilidade social. “A Argentina vive uma situação
social em que muitas pessoas não conseguem chegar ao fim do mês. Muitos
argentinos estão se endividando com cartão de crédito para comprar comida,
pagar o transporte público e quitar as tarifas de serviços”, explica. “Tentar
aprovar uma lei que torne os despejos mais rápidos demonstra uma profunda falta
de sensibilidade social”, denuncia.
Já Hugo
Godoy, secretário-geral da CTA Autônoma, também responsável pelos protestos de
hoje no país, avaliou, em conversa com o Brasil de Fato, que o projeto é
inconstitucional, uma vez que “derroga leis e uma delas é a que reconhece o
direito constitucional dos povos originários à propriedade comunitária”,
pondera.
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Um freio à desregulação total
Pelo
projeto original, o governo Milei pretendia elevar de 15% para 25% o limite de
terras rurais argentinas que poderiam pertencer a estrangeiros em cada
província do país. A ampliação alteraria o percentual fixado como limite em
2011, ainda durante o governo Cristina Kirchner [2007-2015],
cujo objetivo é impedir a apropriação privada em larga escala não apenas das
terras rurais, mas de lagos, rios e áreas de fronteira.
A
pressão dos movimentos populares e da oposição surtiu efeito e, na última
quarta-feira (5), o governo recuou da iniciativa. “A mobilização popular e a
rejeição da sociedade a esse projeto já produziram resultados concretos”,
aponta Godoy, que explica se tratar do ponto mais contestado.
Ainda
assim, as centrais sindicais mantiveram o ato em Buenos Aires. Para Yansky, a
manutenção da marcha é necessária porque, mesmo que o principal trecho tenha
sido derrubado, o governo Milei, segundo ele, “está avançando com reformas
estruturais que pretendem moldar um país em que o privilégio é dado aos grandes
sonegadores, aos operadores financeiros, e onde os setores produtivos e
populares sempre pagam a conta”.
Agora,
o governo Milei tenta aprovar os demais pontos. No Congresso, a principal
responsável pelas articulações é a senadora Patricia Bullrich, ex-ministra de
Milei e um dos principais nomes da coalizão política que sustenta o governo.
Uma das
mudanças mais significativas que o projeto estabelece é a criação do “desejo
expresso”, por meio do qual, após notificação, pessoas teriam três dias de
prazo para serem removidas de suas casas por atraso no aluguel ou outro
descumprimento de cláusulas contratuais. Essa mudança teria implicações
processuais, já que a Justiça poderia determinar a devolução da propriedade
antes mesmo do encerramento do processo, caso considere que o direito do
proprietário esteja suficientemente comprovado.
O
contingente de pessoas afetadas pela mudança é significativo. Segundo os dados
mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos, 17,4% da população
do país vive em moradias alugadas. Em grandes centros urbanos, como Buenos
Aires, a proporção varia entre 35% e 40%.
Se os
inquilinos temem um aperto ainda maior nas finanças, dado o quadro econômico da
Argentina sob Milei, os investidores em propriedades privadas têm sido bem
acolhidos pelo governo desde 2023. Assim que chegou à Casa Rosada, em dezembro
daquele ano, Milei tratou de aprovar uma nova lei para os aluguéis no país,
prevendo atualizações semestrais nos valores, encurtando o prazo mínimo de
locação e formalizando o pagamento em moeda estrangeira.
O
ímpeto do governo Milei para facilitar a aquisição de terras argentinas por
estrangeiros não é fortuito. Alguns nomes da primeira prateleira do capital
global têm interesses concretos no negócio. O cenário é o seguinte: atualmente,
cerca de 13 milhões de hectares estão nas mãos de estrangeiros, o equivalente a
toda a província de Santa Fé ou do território da Inglaterra. O patamar é de
cerca de 5% da superfície rural argentina, segundo o Mapa de Estrangeirização
de Terras, elaborado por pesquisadores da Universidade de Buenos Aires (UBA) e
do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet). Na prática,
em certas regiões (como Misiones e Corrientes), os percentuais de terra em mãos
estrangeiras chegam a 40% e até a 50%, em patamar muito superior à lei atual.
Segundo o mesmo levantamento, nomes como Ted
Turner (fundador da rede de televisão CNN) e do Grupo Benetton (do
bilionário Luciano Benetton) estão entre os detentores de grandes propriedades.
Em casos assim, não é incomum o contexto de disputa territorial com populações
locais e de restrição de acesso a recursos naturais.
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Riscos ao meio ambiente
O
projeto também modifica a Lei de Manejo do Fogo, que, hoje em dia, impede a
mudança de uso de terras atingidas por incêndios. O mecanismo foi criado para
desestimular queimadas para fins de exploração imobiliária, turística ou
produtiva. A Casa Rosada propõe uma redução no alcance das restrições,
limitando a proteção de áreas.
Além
disso, regras elementares de desapropriação podem ser alteradas pelo projeto.
Hoje em dia, quando o Estado argentino precisa se apropriar de um terreno para
a construção de uma estrutura, é necessário justificar a utilidade pública e
pagar uma indenização equivalente ao valor do imóvel. O projeto do governo
Milei prevê o pagamento dos chamados “lucros cessantes”, que são os ganhos que
o proprietário, em tese, deixaria de obter no caso de não ser mais o
proprietário da terra.
Para
Hugo Godoy, o projeto faz parte de uma “estratégia de caráter colonial” do
governo Milei. “Trata-se de uma iniciativa que pretende favorecer apenas os
supermilionários interessados em se apropriar da terra, dos bens comuns, das
terras raras, dos recursos minerais, do petróleo, do gás e, em última
instância, da própria vida do povo argentino”, denuncia, destacando que a CAT
Autônoma trabalha pela construção de uma greve nacional e de uma marcha federal
que percorra o território argentino antes da chegada do papa Leão XIV ao país,
prevista para novembro.
Fonte:
Diálogos do Sul Global/Opera Mundi

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