“Janela
de Trump para fechar um acordo com o Irã é cada vez mais estreita”, diz Pepe
Escobar
A
retórica bélica e as sucessivas ameaças formuladas pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, têm efeito “menor que zero” sobre a liderança política e
militar do Irã. Em análise precisa para o canal Judging Freedom,
apresentada pelo juiz Andrew Napolitano, o jornalista e analista
geopolítico Pepe Escobar revelou os bastidores das complexas
negociações indiretas entre Washington e Teerã, alertando que o tempo da Casa
Branca para evitar uma escalada catastrófica no Oriente Médio está prestes a se
esgotar.
Segundo
Escobar, embora o Irã mantenha uma fresta diplomática aberta por respeito
estratégico aos seus parceiros do Sul Global, do mundo árabe e da comunidade
islâmica (Ummah), o governo de Masoud Pezeshkian não cederá às pressões
extremas de Washington. A tentativa norte-americana de inverter a pauta do
Memorando de Entendimento (MOU) — exigindo concessões no programa nuclear antes
mesmo da suspensão de sanções econômicas ou da cessação das hostilidades no
Estreito de Ormuz — foi prontamente classificada por Teerã como inaceitável.
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A Proposta via Rawalpindi e a Pauta Invertida de Washington
Os
bastidores diplomáticos revelam a participação ativa de mediadores no
Paquistão, em Omã e no Catar. Nesta semana, uma delegação norte-americana
desembarcou em Rawalpindi — sede do exército paquistanês — com uma proposta
que, segundo fontes diretas citadas por Escobar, teria se originado no gabinete
do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
A
oferta previa o retorno formal dos Estados Unidos ao Memorando de Entendimento,
mas impunha como ponto de partida o dossiê nuclear. Ao ser informada pelos
mediadores paquistaneses liderados pelo marechal de campo Asim Munir, a
liderança iraniana rejeitou a manobra de imediato. Teerã exige que qualquer
avanço siga rigorosamente a ordem estipulada no MOU: fim dos conflitos e
estabilização no Estreito de Ormuz, descongelamento de ativos bancários (como
os US$ 6 bilhões retidos no Catar) e alívio real das sanções para, somente ao
final, discutir os aspectos técnicos do programa nuclear.
“Os
iranianos disseram expressamente: ‘Isso é uma piada ou o quê?’. A posição de
Teerã é cristalina: só haverá avanço se houver respeito mútuo e cumprimento
bilateral dos 14 pontos do memorando. Não há nada a ser renegociado antes que o
primeiro acordo seja honrado.” — Pepe Escobar
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O ‘Prazo Vermelho’ de Meados de Agosto e os Gargalos de Trump
Diferente
da percepção ocidental de que os Estados Unidos mantêm controle irrestrito
sobre o tempo do conflito, Escobar aponta que o relógio geopolítico é
controlado por Teerã. Relatórios do setor de energia e fontes de Washington
indicam que a janela de manobra para Donald Trump fecha até meados de
agosto.
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Os Três Fatores do Estrangulamento de Washington:
- Reservas
Estratégicas de Petróleo (SPR): A oscilação dos preços do crude e
a alta da inflação impõem um limite crítico aos estoques de emergência dos
EUA até meados de agosto.
- Degradação de
Bases Regionais: Das
cerca de 20 instalações militares dos EUA espalhadas pelo Golfo Pérsico e
Jordânia, a grande maioria enfrenta severas perturbações operacionais e
danos causados por retaliações direcionadas, restando poucas operacionais.
- Eleições de Meio
de Mandato (Midterms): Com o pleito a menos de quatro
meses, o risco de uma disparada do petróleo e uma recessão iminente nos
EUA pressionam a Casa Branca por uma saída que evite um cenário de
humilhação diplomática ou guerra prolongada.
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A Dissuasão Nuclear e o Dilema da Fatwa
Diante
das contínuas ameaças de bombardeios contra a infraestrutura civil e petroleira
do Irã, um novo elemento de dissuasão foi introduzido nas conversas
diplomáticas. Durante diálogo direto entre o presidente Pezeshkian e o
primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, Teerã sinalizou que, em caso de
agressão desproporcional dos EUA, o país poderá realizar um teste de
dispositivo nuclear em seu próprio solo.
O gesto
serviria como uma demonstração inequívoca de capacidade de dissuasão defensiva.
Contudo, Pepe Escobar ressalta a enorme complexidade teológica e política por
trás de tal movimento no sistema político iraniano. Qualquer passo nessa
direção exigiria uma revisão ou revogação formal da fatwa (decreto
religioso) instituída pelo líder supremo, que proíbe categoricamente a
produção, posse e uso de armas de destruição em massa sob os preceitos do islã
xiita.
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O Eixo Eurasiano e a Inviolabilidade do Irã
A
ilusão de que o Irã pode ser isolado ou subjugado militarmente colide com a
realidade do novo arranjo multipolar. A aliança estratégica tripartite
entre Rússia, China e Irã consolidou o coração geográfico e econômico
da Eurásia. O Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul (INSTC), que
conecta a Rússia ao Oceano Índico passando pelo Mar Cássio e pelo porto
iraniano de Bandar Anzali, é uma artéria vital imune ao cerco ocidental.
Como
destacou Pepe Escobar, as menções recentes da Casa Branca ao “Eixo Eurasiano”
refletem o diagnóstico de Washington diante de um cenário de poder
compartilhado. Longe de ser um ator solitário, o Irã integra a espinha dorsal
do BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai (OCX). Como reforçam
analistas seniores, Rússia e China consideram o equilíbrio geopolítico do Irã
vital para a integração eurasiana.
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A conclusão de Pepe Escobar
A
diplomacia do alarde e do ultimato perpetrada por Washington esbarra na firmeza
estratégica de Teerã. Se Donald Trump pretende evitar um colapso econômico e
militar nas portas do Golfo Pérsico, precisará abandonar o unilateralismo e
cumprir os compromissos assumidos no memorando de entendimento. O tempo corre,
a janela de oportunidades se estreita a cada dia e o novo arranjo multipolar
eurasiano não aceita mais ter os seus rumos ditados por ultimatos de
Washington.
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Irã vai apoiar qualquer decisão palestina no processo de
negociação, diz presidente
O Irã
vai apoiar qualquer decisão tomada pelos líderes palestinos durante o processo
de negociação, afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, nesta
quarta-feira (5).
Mais
cedo, Pezeshkian conversou por telefone com Khalil al-Hayya, líder do
escritório político do movimento palestino
Hamas.
"Apoiaremos
qualquer decisão tomada pela liderança palestina no processo de
negociação", disse Pezeshkian, segundo a agência de notícias local.
O
presidente iraniano também garantiu ao líder do Hamas que as questões
relacionadas à Palestina sempre serão uma prioridade na política externa
iraniana.
No dia
31 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o Conselho de Paz
havia aprovado um acordo que prevê o desarmamento do Hamas e de outros grupos
armados na
Faixa de Gaza.
De
acordo com o plano, as forças israelenses iniciariam uma retirada gradual
do enclave à medida que o processo de desarmamento avançasse. O gabinete
do primeiro-ministro
israelense Benjamin
Netanyahu afirmou posteriormente que Israel havia expressado aos EUA suas
preocupações sobre o plano de desarmamento do Hamas.
Em 14
de janeiro, os EUA anunciaram o lançamento da segunda fase do plano de 20
pontos de Trump para resolver a situação na Faixa de Gaza. O plano prevê, em
particular, o envio diário de pelo menos 600 caminhões com ajuda humanitária,
a reconstrução da
infraestrutura de Gaza e a formação de um comitê tecnocrático palestino de
transição, operando sob a supervisão do Conselho de Paz.
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Trump alerta que Irã será 'atingido com força' se recuar nas negociações
O presidente dos
EUA, Donald Trump,
disse que seu governo teve “discussões muito boas” com o Irã durante as
negociações que duraram o dia todo nesta terça-feira (04/08).
“Eles
negociaram o dia todo”, disse o republicano ao programa @ Night da Fox
News. O Estreito de Ormuz “será aberto muito em breve”, acrescentou Trump.
“Se eles recuarem novamente, serão atingidos com força.”
Nesse
cenário, os preços do petróleo caíram e as ações dispararam nas negociações
asiáticas na quarta-feira (05/08), depois que Wall Street atingiu recordes
históricos com a esperança de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para
restabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado.
No
entanto, outra fonte informada sobre o assunto disse ao veículo iraniano Sepah
News que a interferência dos EUA e as ameaças do presidente americano
Donald Trump são os principais motivos para o atraso na obtenção de um acordo entre o Irã e
Omã sobre o Estreito de Ormuz.
“Enquanto
a interferência dos EUA e as ameaças de ação militar contra o Irã continuarem,
o acordo permanecerá atrasado”, disse a fonte, enfatizando que Teerã “não
concluirá nenhum acordo sob ameaças”.
Da
mesma forma, a mídia estatal iraniana IRIB, citando uma fonte bem
informada, afirmou que um acordo com Omã sobre o estreito, que normalmente
transporta cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural
liquefeito, será adiado “enquanto os Estados Unidos continuarem a ameaçar o Irã”.
Qualquer
acordo entre Teerã e Mascate sobre os futuros procedimentos de navegação no
Estreito de Ormuz “não
levaria à reabertura imediata dessa via navegável estratégica”, acrescentou a
IRIB.
“O
possível acordo entre o Irã e Omã sobre as regras para a passagem de
embarcações pelo Estreito de Ormuz não tem nada a ver com a abertura imediata
desse estreito”, disse a fonte, acrescentando que “a reabertura do Estreito de
Ormuz depende de uma mudança no comportamento dos EUA e da correção de suas
violações”.
As
declarações também surgiram após relatos na mídia iraniana de que Teerã estava
perto de chegar a um entendimento com Mascate sobre um novo corredor de
navegação, desde que os EUA parassem de interferir nas negociações.
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, havia
declarado no início desta semana que as negociações estão
focadas no estabelecimento de rotas marítimas seguras, ao mesmo tempo que
salvaguardam os direitos soberanos e os interesses de segurança tanto do Irã
quanto de Omã.
Segundo
fontes bem informadas e familiarizadas com as negociações, o acordo proposto
permitiria que Teerã supervisionasse o tráfego marítimo de entrada por meio de
uma rota de navegação controlada pelo Irã, mantendo a visibilidade sobre o
tráfego de saída e conservando a autoridade para intervir sempre que necessário
para proteger a segurança e a navegação.
Segundo
o modelo descrito, as embarcações que partem do Golfo Pérsico transitariam por
uma rota gerida em conjunto com Omã, sendo a autorização final de saída emitida
pelas autoridades omanitas após notificação a Teerã.
Relatos
também indicam que as negociações incluem planos para estabelecer um novo
“corredor central” no Estreito de Ormuz, que substituiria as atuais rotas de
navegação do norte e do sul. Espera-se que o mecanismo proposto inclua ainda
taxas de segurança e serviços ambientais, e que esteja vinculado à remoção das
restrições impostas pelos EUA aos portos iranianos.
Autoridades
iranianas têm reiteradamente afirmado que qualquer acordo relativo à navegação
no Estreito de Ormuz deve respeitar integralmente os direitos soberanos e os
interesses de segurança nacional do país, enfatizando que nenhum acordo será
alcançado enquanto os Estados Unidos mantiverem sua política de pressão e
ameaças militares.
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Ataque a 5 países e risco de recessão: guerra dos EUA no
Irã está saindo do controle, diz mídia
Na
semana passada, o conflito entre EUA e Irã, em rápida escalada, saiu do
controle, espalhando-se pelo Oriente Médio e desencadeando ataques e
contra-ataques em pelo menos cinco outros países, escreveu um jornal britânico.
A
reportagem destaca que, em vez de travar uma guerra rápida para derrubar
o governo do Irã, Washington
desencadeou um conflito regional que coloca em risco o fornecimento e os
preços globais de energia, podendo levar o mundo a uma recessão.
"Após
alguns dias de relativa calma, o conflito recomeçou, com o Pentágono realizando
ataques noturnos contra o Irã e Teerã retaliando contra bases militares dos
EUA na
região. O conflito também se estendeu a ataques na Arábia Saudita, no
Iraque, no Iêmen, na Jordânia e no Egito", ressalta a publicação.
Segundo
a matéria, os ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque, realizados
sem o conhecimento prévio de Bagdá, não apenas aprofundaram a desconfiança
iraquiana, como também arrastaram o frágil equilíbrio de poder do país
para a crescente tempestade regional.
Enquanto
Riad intensifica seus ataques contra aliados do Irã no Iraque, prepara uma
grande ofensiva contra os houthis no Iêmen, ameaçando derrubar o já frágil
cessar-fogo e reabrir uma devastadora guerra por procuração em uma segunda
frente.
Ao
mesmo tempo, os houthis intensificaram o bloqueio no mar Vermelho, forçando a Arábia
Saudita a redirecionar quase metade de suas exportações de petróleo e
visando diretamente a infraestrutura energética do reino, transformando assim
uma rota marítima global vital em um novo ponto de inflamação.
Com o
fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã e os repetidos ataques às instalações
energéticas do Golfo, a economia da Arábia Saudita já sofreu uma contração
significativa, e as campanhas militares cada vez maiores estão
causando ondas de choque nos mercados globais de petróleo e elevando
o espectro de uma recessão mundial, observa o jornal.
Em meio
a tudo isso, as negociações de paz entre EUA e Irã, intermediadas pelo
Paquistão e Catar, mostram pouco progresso, enquanto os líderes regionais se
distanciam cada vez mais da estratégia de Washington — sinais claros de
que o conflito está escapando rapidamente de qualquer contenção
diplomática ou militar, conclui a reportagem.
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Tensões aumentam após fim do cessar-fogo
Em 8 de
julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o
cessar-fogo firmado com o Irã na noite de 18 de junho havia deixado de
vigorar.
Desde
então, forças norte-americanas realizaram diversas séries de ataques contra
alvos iranianos. O Comando Central dos EUA afirmou que as operações foram
uma resposta a ações atribuídas a Teerã contra embarcações comerciais que
cruzavam o estreito de Ormuz.
Em
resposta, as Forças Armadas iranianas atacaram bases militares dos Estados
Unidos em diferentes países do Oriente Médio. O governo iraniano também acusou
Washington de violar o memorando que previa a interrupção das hostilidades.
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Irã adverte aliados dos EUA por apoio a ataques:
'queimarão nas chamas da guerra'
O
comandante do Quartel-General de Khatam al-Anbiya, Ali Abdullahi, declarou
neste sábado (01/08) que qualquer país que se torne um “escudo defensivo” para
os Estados Unidos “arderá nas chamas da guerra”.
Em um
comunicado divulgado pela agência de notícias Tasmin, o chefe da divisão afirmou que
Washington está avançando “com velocidade crescente” rumo a uma conflagração
generalizada em uma guerra regional.
A este
respeito, ele afirmou que essa política faz parte de uma estratégia destinada a
expandir e exercer uma “dominação ilegítima” em toda a região do Oriente Médio.
Acrescentou que os EUA demonstraram, durante a recente guerra contra o Irã, que “não hesitam em
cometer qualquer atrocidade ou destruição” para atingir seus objetivos,
inclusive contra os interesses e recursos dos muçulmanos.
O
comandante também detalhou que Washington usa o capital, a riqueza, a
infraestrutura vital e os recursos estratégicos dos países muçulmanos da região
como um “escudo defensivo” para seu Exército, enquanto fortalece “a máquina de
guerra e a segurança do regime sionista“, chamando o governo
israelense de “assassino de crianças e terrorista”.
Além
disso, ele afirmou que o Irã, juntamente com suas Forças Armadas e a frente de
resistência, demonstrou que o equilíbrio de poder na região “não segue mais os
parâmetros anteriores” e que a incapacidade dos EUA de executar suas
estratégias contra a nação persa levou os militares dos EUA e o “falso regime
sionista” a instigar guerras e transferir os custos do conflito para outros
países da região.
Abdullahi
instou as nações muçulmanas a “monitorarem” os crimes norte-americanos e a
reconsiderarem sua cooperação e
aliança com Washington. “Caso contrário, qualquer país que se torne um escudo
defensivo para os Estados Unidos, criminosos e agressivos, será consumido pelas
chamas da guerra”, alertou.
Fonte:
Brasil 247/Opera Mundi/Sputnik Brasil

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