quinta-feira, 6 de agosto de 2026

“Janela de Trump para fechar um acordo com o Irã é cada vez mais estreita”, diz Pepe Escobar

A retórica bélica e as sucessivas ameaças formuladas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm efeito “menor que zero” sobre a liderança política e militar do Irã. Em análise precisa para o canal Judging Freedom, apresentada pelo juiz Andrew Napolitano, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar revelou os bastidores das complexas negociações indiretas entre Washington e Teerã, alertando que o tempo da Casa Branca para evitar uma escalada catastrófica no Oriente Médio está prestes a se esgotar.

Segundo Escobar, embora o Irã mantenha uma fresta diplomática aberta por respeito estratégico aos seus parceiros do Sul Global, do mundo árabe e da comunidade islâmica (Ummah), o governo de Masoud Pezeshkian não cederá às pressões extremas de Washington. A tentativa norte-americana de inverter a pauta do Memorando de Entendimento (MOU) — exigindo concessões no programa nuclear antes mesmo da suspensão de sanções econômicas ou da cessação das hostilidades no Estreito de Ormuz — foi prontamente classificada por Teerã como inaceitável.

<><> A Proposta via Rawalpindi e a Pauta Invertida de Washington

Os bastidores diplomáticos revelam a participação ativa de mediadores no Paquistão, em Omã e no Catar. Nesta semana, uma delegação norte-americana desembarcou em Rawalpindi — sede do exército paquistanês — com uma proposta que, segundo fontes diretas citadas por Escobar, teria se originado no gabinete do vice-presidente dos EUA, JD Vance.

A oferta previa o retorno formal dos Estados Unidos ao Memorando de Entendimento, mas impunha como ponto de partida o dossiê nuclear. Ao ser informada pelos mediadores paquistaneses liderados pelo marechal de campo Asim Munir, a liderança iraniana rejeitou a manobra de imediato. Teerã exige que qualquer avanço siga rigorosamente a ordem estipulada no MOU: fim dos conflitos e estabilização no Estreito de Ormuz, descongelamento de ativos bancários (como os US$ 6 bilhões retidos no Catar) e alívio real das sanções para, somente ao final, discutir os aspectos técnicos do programa nuclear.

“Os iranianos disseram expressamente: ‘Isso é uma piada ou o quê?’. A posição de Teerã é cristalina: só haverá avanço se houver respeito mútuo e cumprimento bilateral dos 14 pontos do memorando. Não há nada a ser renegociado antes que o primeiro acordo seja honrado.” — Pepe Escobar

<><> O ‘Prazo Vermelho’ de Meados de Agosto e os Gargalos de Trump

Diferente da percepção ocidental de que os Estados Unidos mantêm controle irrestrito sobre o tempo do conflito, Escobar aponta que o relógio geopolítico é controlado por Teerã. Relatórios do setor de energia e fontes de Washington indicam que a janela de manobra para Donald Trump fecha até meados de agosto.

>>>> Os Três Fatores do Estrangulamento de Washington:

  • Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR): A oscilação dos preços do crude e a alta da inflação impõem um limite crítico aos estoques de emergência dos EUA até meados de agosto.
  • Degradação de Bases Regionais: Das cerca de 20 instalações militares dos EUA espalhadas pelo Golfo Pérsico e Jordânia, a grande maioria enfrenta severas perturbações operacionais e danos causados por retaliações direcionadas, restando poucas operacionais.
  • Eleições de Meio de Mandato (Midterms): Com o pleito a menos de quatro meses, o risco de uma disparada do petróleo e uma recessão iminente nos EUA pressionam a Casa Branca por uma saída que evite um cenário de humilhação diplomática ou guerra prolongada.

<><> A Dissuasão Nuclear e o Dilema da Fatwa

Diante das contínuas ameaças de bombardeios contra a infraestrutura civil e petroleira do Irã, um novo elemento de dissuasão foi introduzido nas conversas diplomáticas. Durante diálogo direto entre o presidente Pezeshkian e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, Teerã sinalizou que, em caso de agressão desproporcional dos EUA, o país poderá realizar um teste de dispositivo nuclear em seu próprio solo.

O gesto serviria como uma demonstração inequívoca de capacidade de dissuasão defensiva. Contudo, Pepe Escobar ressalta a enorme complexidade teológica e política por trás de tal movimento no sistema político iraniano. Qualquer passo nessa direção exigiria uma revisão ou revogação formal da fatwa (decreto religioso) instituída pelo líder supremo, que proíbe categoricamente a produção, posse e uso de armas de destruição em massa sob os preceitos do islã xiita.

<><> O Eixo Eurasiano e a Inviolabilidade do Irã

A ilusão de que o Irã pode ser isolado ou subjugado militarmente colide com a realidade do novo arranjo multipolar. A aliança estratégica tripartite entre Rússia, China e Irã consolidou o coração geográfico e econômico da Eurásia. O Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul (INSTC), que conecta a Rússia ao Oceano Índico passando pelo Mar Cássio e pelo porto iraniano de Bandar Anzali, é uma artéria vital imune ao cerco ocidental.

Como destacou Pepe Escobar, as menções recentes da Casa Branca ao “Eixo Eurasiano” refletem o diagnóstico de Washington diante de um cenário de poder compartilhado. Longe de ser um ator solitário, o Irã integra a espinha dorsal do BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai (OCX). Como reforçam analistas seniores, Rússia e China consideram o equilíbrio geopolítico do Irã vital para a integração eurasiana.

<><> A conclusão de Pepe Escobar

A diplomacia do alarde e do ultimato perpetrada por Washington esbarra na firmeza estratégica de Teerã. Se Donald Trump pretende evitar um colapso econômico e militar nas portas do Golfo Pérsico, precisará abandonar o unilateralismo e cumprir os compromissos assumidos no memorando de entendimento. O tempo corre, a janela de oportunidades se estreita a cada dia e o novo arranjo multipolar eurasiano não aceita mais ter os seus rumos ditados por ultimatos de Washington.

¨      Irã vai apoiar qualquer decisão palestina no processo de negociação, diz presidente

O Irã vai apoiar qualquer decisão tomada pelos líderes palestinos durante o processo de negociação, afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, nesta quarta-feira (5).

Mais cedo, Pezeshkian conversou por telefone com Khalil al-Hayya, líder do escritório político do movimento palestino Hamas.

"Apoiaremos qualquer decisão tomada pela liderança palestina no processo de negociação", disse Pezeshkian, segundo a agência de notícias local.

O presidente iraniano também garantiu ao líder do Hamas que as questões relacionadas à Palestina sempre serão uma prioridade na política externa iraniana.

No dia 31 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o Conselho de Paz havia aprovado um acordo que prevê o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados na Faixa de Gaza.

De acordo com o plano, as forças israelenses iniciariam uma retirada gradual do enclave à medida que o processo de desarmamento avançasse. O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou posteriormente que Israel havia expressado aos EUA suas preocupações sobre o plano de desarmamento do Hamas.

Em 14 de janeiro, os EUA anunciaram o lançamento da segunda fase do plano de 20 pontos de Trump para resolver a situação na Faixa de Gaza. O plano prevê, em particular, o envio diário de pelo menos 600 caminhões com ajuda humanitária, a reconstrução da infraestrutura de Gaza e a formação de um comitê tecnocrático palestino de transição, operando sob a supervisão do Conselho de Paz.

<><> Trump alerta que Irã será 'atingido com força' se recuar nas negociações

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que seu governo teve “discussões muito boas” com o Irã durante as negociações que duraram o dia todo nesta terça-feira (04/08).

“Eles negociaram o dia todo”, disse o republicano ao programa @ Night da Fox News. O Estreito de Ormuz “será aberto muito em breve”, acrescentou Trump. “Se eles recuarem novamente, serão atingidos com força.”

Nesse cenário, os preços do petróleo caíram e as ações dispararam nas negociações asiáticas na quarta-feira (05/08), depois que Wall Street atingiu recordes históricos com a esperança de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para restabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado.

No entanto, outra fonte informada sobre o assunto disse ao veículo iraniano Sepah News que a interferência dos EUA e as ameaças do presidente americano Donald Trump são os principais motivos para o atraso na obtenção de um acordo entre o Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz.

“Enquanto a interferência dos EUA e as ameaças de ação militar contra o Irã continuarem, o acordo permanecerá atrasado”, disse a fonte, enfatizando que Teerã “não concluirá nenhum acordo sob ameaças”.

Da mesma forma, a mídia estatal iraniana IRIB, citando uma fonte bem informada, afirmou que um acordo com Omã sobre o estreito, que normalmente transporta cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito, será adiado “enquanto os Estados Unidos continuarem a ameaçar o Irã”.

Qualquer acordo entre Teerã e Mascate sobre os futuros procedimentos de navegação no Estreito de Ormuz “não levaria à reabertura imediata dessa via navegável estratégica”, acrescentou a IRIB.

“O possível acordo entre o Irã e Omã sobre as regras para a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz não tem nada a ver com a abertura imediata desse estreito”, disse a fonte, acrescentando que “a reabertura do Estreito de Ormuz depende de uma mudança no comportamento dos EUA e da correção de suas violações”.

As declarações também surgiram após relatos na mídia iraniana de que Teerã estava perto de chegar a um entendimento com Mascate sobre um novo corredor de navegação, desde que os EUA parassem de interferir nas negociações.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, havia declarado no início desta semana que as negociações estão focadas no estabelecimento de rotas marítimas seguras, ao mesmo tempo que salvaguardam os direitos soberanos e os interesses de segurança tanto do Irã quanto de Omã.

Segundo fontes bem informadas e familiarizadas com as negociações, o acordo proposto permitiria que Teerã supervisionasse o tráfego marítimo de entrada por meio de uma rota de navegação controlada pelo Irã, mantendo a visibilidade sobre o tráfego de saída e conservando a autoridade para intervir sempre que necessário para proteger a segurança e a navegação.

Segundo o modelo descrito, as embarcações que partem do Golfo Pérsico transitariam por uma rota gerida em conjunto com Omã, sendo a autorização final de saída emitida pelas autoridades omanitas após notificação a Teerã.

Relatos também indicam que as negociações incluem planos para estabelecer um novo “corredor central” no Estreito de Ormuz, que substituiria as atuais rotas de navegação do norte e do sul. Espera-se que o mecanismo proposto inclua ainda taxas de segurança e serviços ambientais, e que esteja vinculado à remoção das restrições impostas pelos EUA aos portos iranianos.

Autoridades iranianas têm reiteradamente afirmado que qualquer acordo relativo à navegação no Estreito de Ormuz deve respeitar integralmente os direitos soberanos e os interesses de segurança nacional do país, enfatizando que nenhum acordo será alcançado enquanto os Estados Unidos mantiverem sua política de pressão e ameaças militares.

¨      Ataque a 5 países e risco de recessão: guerra dos EUA no Irã está saindo do controle, diz mídia

Na semana passada, o conflito entre EUA e Irã, em rápida escalada, saiu do controle, espalhando-se pelo Oriente Médio e desencadeando ataques e contra-ataques em pelo menos cinco outros países, escreveu um jornal britânico.

A reportagem destaca que, em vez de travar uma guerra rápida para derrubar o governo do Irã, Washington desencadeou um conflito regional que coloca em risco o fornecimento e os preços globais de energia, podendo levar o mundo a uma recessão.

"Após alguns dias de relativa calma, o conflito recomeçou, com o Pentágono realizando ataques noturnos contra o Irã e Teerã retaliando contra bases militares dos EUA na região. O conflito também se estendeu a ataques na Arábia Saudita, no Iraque, no Iêmen, na Jordânia e no Egito", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, os ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita no Iraque, realizados sem o conhecimento prévio de Bagdá, não apenas aprofundaram a desconfiança iraquiana, como também arrastaram o frágil equilíbrio de poder do país para a crescente tempestade regional.

Enquanto Riad intensifica seus ataques contra aliados do Irã no Iraque, prepara uma grande ofensiva contra os houthis no Iêmen, ameaçando derrubar o já frágil cessar-fogo e reabrir uma devastadora guerra por procuração em uma segunda frente.

Ao mesmo tempo, os houthis intensificaram o bloqueio no mar Vermelho, forçando a Arábia Saudita a redirecionar quase metade de suas exportações de petróleo e visando diretamente a infraestrutura energética do reino, transformando assim uma rota marítima global vital em um novo ponto de inflamação.

Com o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã e os repetidos ataques às instalações energéticas do Golfo, a economia da Arábia Saudita já sofreu uma contração significativa, e as campanhas militares cada vez maiores estão causando ondas de choque nos mercados globais de petróleo e elevando o espectro de uma recessão mundial, observa o jornal.

Em meio a tudo isso, as negociações de paz entre EUA e Irã, intermediadas pelo Paquistão e Catar, mostram pouco progresso, enquanto os líderes regionais se distanciam cada vez mais da estratégia de Washington — sinais claros de que o conflito está escapando rapidamente de qualquer contenção diplomática ou militar, conclui a reportagem.

<><> Tensões aumentam após fim do cessar-fogo

Em 8 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo firmado com o Irã na noite de 18 de junho havia deixado de vigorar.

Desde então, forças norte-americanas realizaram diversas séries de ataques contra alvos iranianos. O Comando Central dos EUA afirmou que as operações foram uma resposta a ações atribuídas a Teerã contra embarcações comerciais que cruzavam o estreito de Ormuz.

Em resposta, as Forças Armadas iranianas atacaram bases militares dos Estados Unidos em diferentes países do Oriente Médio. O governo iraniano também acusou Washington de violar o memorando que previa a interrupção das hostilidades.

¨      Irã adverte aliados dos EUA por apoio a ataques: 'queimarão nas chamas da guerra'

O comandante do Quartel-General de Khatam al-Anbiya, Ali Abdullahi, declarou neste sábado (01/08) que qualquer país que se torne um “escudo defensivo” para os Estados Unidos “arderá nas chamas da guerra”.

Em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasmin, o chefe da divisão afirmou que Washington está avançando “com velocidade crescente” rumo a uma conflagração generalizada em uma guerra regional.

A este respeito, ele afirmou que essa política faz parte de uma estratégia destinada a expandir e exercer uma “dominação ilegítima” em toda a região do Oriente Médio. Acrescentou que os EUA demonstraram, durante a recente guerra contra o Irã, que “não hesitam em cometer qualquer atrocidade ou destruição” para atingir seus objetivos, inclusive contra os interesses e recursos dos muçulmanos.

O comandante também detalhou que Washington usa o capital, a riqueza, a infraestrutura vital e os recursos estratégicos dos países muçulmanos da região como um “escudo defensivo” para seu Exército, enquanto fortalece “a máquina de guerra e a segurança do regime sionista“, chamando o governo israelense de “assassino de crianças e terrorista”.

Além disso, ele afirmou que o Irã, juntamente com suas Forças Armadas e a frente de resistência, demonstrou que o equilíbrio de poder na região “não segue mais os parâmetros anteriores” e que a incapacidade dos EUA de executar suas estratégias contra a nação persa levou os militares dos EUA e o “falso regime sionista” a instigar guerras e transferir os custos do conflito para outros países da região.

Abdullahi instou as nações muçulmanas a “monitorarem” os crimes norte-americanos e a reconsiderarem sua cooperação e aliança com Washington. “Caso contrário, qualquer país que se torne um escudo defensivo para os Estados Unidos, criminosos e agressivos, será consumido pelas chamas da guerra”, alertou.

 

Fonte: Brasil 247/Opera Mundi/Sputnik Brasil

 

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