Patrimônio
de Elmar Nascimento quase quadruplica e chega a R$ 8,5 milhões
O
patrimônio declarado pelo deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) à
Justiça Eleitoral quase quadruplicou desde a última eleição. Em 2022, o
parlamentar informou possuir R$ 2,28 milhões em bens. Na declaração apresentada
para disputar um novo mandato em 2026, o valor passou para R$ 8,51 milhões, um
crescimento nominal de aproximadamente R$ 6,23 milhões, equivalente a 273%.
Entre
os novos bens, um chama atenção: uma participação societária de R$ 2,6 milhões
na Elmasio Táxi Aéreo Ltda., empresa aberta em 2024 e voltada ao setor de
aviação.
A
apuração do ICL Notícias mostra que a companhia não permaneceu apenas no papel.
Documentos do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), mantido pela Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac), revelam que a empresa é proprietária do
helicóptero PR-CVP, um Robinson R66, cuja transferência foi registrada em 18 de
março de 2025. A aeronave possui certificado de aeronavegabilidade válido até
maio de 2027, não registra gravames e permanece em situação regular perante a
agência.
O mesmo
cadastro, porém, revela outro detalhe.
Embora
seja proprietária do helicóptero, a Elmasio não possui autorização para operar
comercialmente como empresa de táxi aéreo.
Segundo
a consulta da Anac, a empresa não está autorizada a realizar operações sob o
RBAC 135, regulamento que disciplina o transporte aéreo público não regular de
passageiros e cargas. Também não possui autorização para operações comerciais
sob o RBAC 121, Serviço Aéreo Especializado (SAE) nem para voos de instrução. A
aeronave está registrada apenas para operação privada.
Isso
significa que o helicóptero pode ser utilizado em voos particulares, mas não
para a prestação de serviços remunerados de táxi aéreo, atividade que depende
de certificação específica da Anac.
A
participação de R$ 2,6 milhões na Elmasio representa um dos principais ativos
incorporados ao patrimônio de Elmar entre as eleições de 2022 e 2026.
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Empresa também recebeu autorização da Anatel
A
estrutura montada pela empresa, entretanto, vai além da aquisição da aeronave.
Em
julho de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) expediu
autorização para que a Elmasio Táxi Aéreo explorasse Serviços de
Telecomunicações de Interesse Restrito, modalidade utilizada por empresas para
operar sistemas próprios de radiocomunicação.
Esse
tipo de autorização é comum no setor aeronáutico, mas não substitui a
certificação exigida pela Anac para exploração comercial do transporte aéreo.
Na
prática, a cronologia indica que a empresa foi constituída em 2024, adquiriu um
helicóptero em março de 2025 e, meses depois, obteve autorização da Anatel para
seus sistemas de comunicação. Ainda assim, não aparece autorizada a prestar
serviços de táxi aéreo.
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Elmar viajou em jato suspeito
A
descoberta acrescenta um novo capítulo a uma série de reportagens do ICL
Notícias envolvendo o uso de aeronaves por Elmar Nascimento.
Em
março deste ano, o ICL revelou que o deputado foi o único passageiro de um voo
realizado pelo jato PR-JRR, aeronave então operada pela Táxi Aéreo Piracicaba.
Em
depoimento à Polícia Federal, o piloto Mauro Matosinho afirmou que o avião
pertencia ao presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. Na ocasião, o
presidente do União Brasil negou ser dono dos aviões. Ele afirmou por meio de
nota que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como
convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma
realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.
A
reportagem mostrou ainda que a Anac abriu um procedimento administrativo para
apurar possível transporte aéreo clandestino de passageiros após uma
fiscalização realizada no Aeroporto de Brasília. No relatório produzido pelos
fiscais, Elmar aparecia como o único passageiro da aeronave.
Ao
final da investigação, porém, a agência arquivou o procedimento por concluir
que não foi possível comprovar a existência de pagamento ou contraprestação
pelo voo, requisito necessário para caracterizar transporte aéreo remunerado
irregular.
Na
mesma apuração, o ICL Notícias revelou que, após a repercussão das reportagens,
a Fênix Participações comunicou à Anac o encerramento da parceria que mantinha
com a Táxi Aéreo Piracicaba. Também mostrou que Mauro Matosinho informou à
Polícia Federal ter realizado diversos voos para o empresário Roberto Augusto
Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, investigado por suspeita de
comandar um esquema de lavagem de dinheiro.
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O que diz Elmar
Procurado
pelo ICL Notícias, Elmar Nascimento afirmou que a Elmasio Táxi Aéreo Ltda. é
uma empresa da qual é o único proprietário e que ela surgiu a partir da cisão
de outra empresa na qual possui participação de 50%.
Segundo
o deputado, a empresa não realizou nenhuma atividade econômica até o momento e
o helicóptero PR-CVP é utilizado exclusivamente para uso pessoal, sem
exploração comercial.
Elmar
também afirmou que a evolução de seu patrimônio está devidamente registrada em
suas declarações de Imposto de Renda e que o aumento patrimonial inclui as
dívidas decorrentes da compra parcelada da aeronave.
• PF mira parentes de senador Weverton
Rocha e advogado em investigação sobre fraudes no INSS
A
Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), nova fase da
Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro no
esquema de fraudes no INSS.
Os
principais alvos são o advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton
Rocha (PDT-MA). Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e
apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal e
no Maranhão.
O
advogado é conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
chegou a ser preso com base na delação do empresário Joesley Batista, da JBS.
Ele também é próximo do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Segundo
a PF, as investigações avançaram após a identificação de indícios de
movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os
investigadores apuram se recursos teriam sido ocultados por meio da utilização
de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e
operações realizadas com dinheiro em espécie.
A
suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para esconder a
origem e o destino dos valores movimentados.
O
advogado Willer Tomaz disse, por nota, que a diligência de busca e apreensão a
que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser
proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo
senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.
Disse
ainda que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem
qualquer relação com os fatos investigados.
“Willer
Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui
qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado
pela Polícia Federal”, disse o advogado, em nota.
O
senador foi procurando, mas ainda não se manifestou.
A
corporação informou que as diligências desta terça buscam reunir novas provas
para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, identificar a finalidade
dos repasses financeiros e individualizar a conduta de cada um dos
investigados.
A
Operação Sem Desconto já apura um esquema de irregularidades investigado pela
Polícia Federal, e esta nova etapa concentra-se especificamente na possível
prática do crime de lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já sob
investigação.
Em
janeiro deste ano, a Folha mostrou que um ex-funcionário do empresário e
lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, disse em
depoimento à Polícia Federal que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA),
vice-líder do governo, viajou em uma aeronave do empresário.
Segundo
o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no
aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro
de 2024.
A
Polícia Federal já concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com
48 indiciamentos relacionados ao caso da Conafer (Confederação Nacional dos
Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
O
relatório foi apresentado pela corporação ao ministro do STF (Supremo Tribunal
Federal) André Mendonça, relator das investigações, em julho.
Entre
os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o
presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido, e o
lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A lista
inclui também o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o
ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira.
Esta
etapa da investigação se concentra apenas em descontos realizados pela Conafer
e não envolve outros personagens que foram alvo da investigação, como Fábio
Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
• “É o casamento da rachadinha e orçamento
secreto”, diz Boulos sobre Gaspar vice de Flávio
ministro-chefe
da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, alertou
nesta quarta-feira (05), sobre a indicação de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL)
como vice de Flávio Bolsonaro (PL): “Flavio Bolsonaro acabou de indicar para
vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável”.
Boulos
lembrou também que, “como se não bastasse, Alfredo Gaspar é investigado por
emendas PIX de R$6 milhões para um prefeito em Alagoas. É o casamento da
rachadinha com o orçamento secreto. Eles se merecem!”
R$ 6
milhões em emendas Pix
O
deputado federal Alfredo Gaspar passou a
ser alvo de apurações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da
Procuradoria-Geral da República (PGR) em razão do envio de R$ 6 milhões em
emendas parlamentares na modalidade de transferência especial, conhecidas como
“emendas Pix”, ao município de São José da Laje, no interior de Alagoas.
Os
recursos foram repassados por meio de três transferências realizadas entre
julho e dezembro de 2024. Nesse modelo de emenda, o dinheiro é transferido
diretamente para a conta da prefeitura beneficiada, sem necessidade de
convênios prévios, cabendo ao município executar os recursos e prestar contas
aos órgãos de fiscalização.
A
auditoria do TCU foi instaurada após técnicos da Corte identificarem indícios
de fragilidades na aplicação das verbas públicas. O tribunal determinou que a
Prefeitura de São José da Laje apresente, com urgência, planos de trabalho,
notas fiscais e relatórios que comprovem a destinação dos R$ 6 milhões.
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Lindbergh abriu notícia-crime
O caso
também chegou à Procuradoria-Geral da República. Em abril de 2026, o deputado
federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia-crime pedindo a
abertura de investigação criminal sobre os repasses.
Na
representação, o parlamentar argumenta que o volume de recursos destinados a um
único município levanta dúvidas sobre a finalidade das transferências,
sobretudo em razão da ligação política entre o deputado e lideranças locais.
Os
recursos foram destinados a São José da Laje em articulação com Rodrigo
Valença, ex-prefeito do município e atual primeiro suplente da chapa de Alfredo
Gaspar. A cidade é considerada um dos principais redutos políticos do grupo
liderado por Valença.
O
volume das emendas também chamou a atenção de técnicos ligados ao
acompanhamento do Orçamento no Congresso Nacional, já que São José da Laje
possui menos de 25 mil habitantes, o que resulta em um valor per capita
superior ao destinado a diversos outros municípios da região.
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Gaspar nega
Procurado,
Alfredo Gaspar negou qualquer irregularidade na destinação dos recursos.
Segundo
o deputado, os repasses obedeceram integralmente às regras previstas na
legislação federal para emendas parlamentares. Ele afirmou ainda que a
destinação dos recursos atendeu a solicitações apresentadas por Rodrigo Valença
para investimentos em obras de infraestrutura no município.
A
defesa do parlamentar sustenta que a responsabilidade do deputado se limita à
indicação e ao envio das emendas, cabendo à administração municipal executar os
recursos, prestar contas e responder perante os órgãos de controle pela
aplicação do dinheiro público.
As
investigações ocorrem em meio ao aumento da fiscalização sobre as chamadas
emendas Pix, modalidade que permite a transferência direta de recursos da União
para estados e municípios e que vem sendo alvo de questionamentos por órgãos de
controle devido à necessidade de maior transparência e rastreabilidade dos
gastos.
O
resultado da auditoria do TCU poderá definir eventual responsabilização
administrativa dos gestores envolvidos e, caso sejam identificadas
irregularidades, resultar na aplicação de sanções ou em novas medidas de
controle sobre a execução dos recursos.
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Blindou Vorcaro
Na
mesma linha, o deputado federal Rogério Correia lembrou que “Gaspar foi o
relator, que junto com o presidente, senador Carlos Viana, fizeram a blindagem,
na CPMI do INSS de Vorcaro e de Zettel”. O deputado lembra que “não deixaram
que a CPMI fizesse essa investigação. Eles não são citados no relatório, não
são indiciados, como foram no nosso relatório, exatamente pela proteção que
deu”.
Ao
final, Correia afirma: “talvez seja uma sinalização que o Flávio Bolsonaro quer
dar ao Vorcaro de dentro da prisão. Enfim, se merecem. Como diz o ditado, um
gambá cheira o outro.”
Fonte:
ICL Notícias

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