quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Patrimônio de Elmar Nascimento quase quadruplica e chega a R$ 8,5 milhões

O patrimônio declarado pelo deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) à Justiça Eleitoral quase quadruplicou desde a última eleição. Em 2022, o parlamentar informou possuir R$ 2,28 milhões em bens. Na declaração apresentada para disputar um novo mandato em 2026, o valor passou para R$ 8,51 milhões, um crescimento nominal de aproximadamente R$ 6,23 milhões, equivalente a 273%.

Entre os novos bens, um chama atenção: uma participação societária de R$ 2,6 milhões na Elmasio Táxi Aéreo Ltda., empresa aberta em 2024 e voltada ao setor de aviação.

A apuração do ICL Notícias mostra que a companhia não permaneceu apenas no papel. Documentos do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), mantido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), revelam que a empresa é proprietária do helicóptero PR-CVP, um Robinson R66, cuja transferência foi registrada em 18 de março de 2025. A aeronave possui certificado de aeronavegabilidade válido até maio de 2027, não registra gravames e permanece em situação regular perante a agência.

O mesmo cadastro, porém, revela outro detalhe.

Embora seja proprietária do helicóptero, a Elmasio não possui autorização para operar comercialmente como empresa de táxi aéreo.

Segundo a consulta da Anac, a empresa não está autorizada a realizar operações sob o RBAC 135, regulamento que disciplina o transporte aéreo público não regular de passageiros e cargas. Também não possui autorização para operações comerciais sob o RBAC 121, Serviço Aéreo Especializado (SAE) nem para voos de instrução. A aeronave está registrada apenas para operação privada.

Isso significa que o helicóptero pode ser utilizado em voos particulares, mas não para a prestação de serviços remunerados de táxi aéreo, atividade que depende de certificação específica da Anac.

A participação de R$ 2,6 milhões na Elmasio representa um dos principais ativos incorporados ao patrimônio de Elmar entre as eleições de 2022 e 2026.

<><> Empresa também recebeu autorização da Anatel

A estrutura montada pela empresa, entretanto, vai além da aquisição da aeronave.

Em julho de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) expediu autorização para que a Elmasio Táxi Aéreo explorasse Serviços de Telecomunicações de Interesse Restrito, modalidade utilizada por empresas para operar sistemas próprios de radiocomunicação.

Esse tipo de autorização é comum no setor aeronáutico, mas não substitui a certificação exigida pela Anac para exploração comercial do transporte aéreo.

Na prática, a cronologia indica que a empresa foi constituída em 2024, adquiriu um helicóptero em março de 2025 e, meses depois, obteve autorização da Anatel para seus sistemas de comunicação. Ainda assim, não aparece autorizada a prestar serviços de táxi aéreo.

<><> Elmar viajou em jato suspeito

A descoberta acrescenta um novo capítulo a uma série de reportagens do ICL Notícias envolvendo o uso de aeronaves por Elmar Nascimento.

Em março deste ano, o ICL revelou que o deputado foi o único passageiro de um voo realizado pelo jato PR-JRR, aeronave então operada pela Táxi Aéreo Piracicaba.

Em depoimento à Polícia Federal, o piloto Mauro Matosinho afirmou que o avião pertencia ao presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda. Na ocasião, o presidente do União Brasil negou ser dono dos aviões. Ele afirmou por meio de nota que “já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado”, mas que “nunca participou da compra das aeronaves”. E que costuma realizar seus deslocamentos “em voos comerciais”.

A reportagem mostrou ainda que a Anac abriu um procedimento administrativo para apurar possível transporte aéreo clandestino de passageiros após uma fiscalização realizada no Aeroporto de Brasília. No relatório produzido pelos fiscais, Elmar aparecia como o único passageiro da aeronave.

Ao final da investigação, porém, a agência arquivou o procedimento por concluir que não foi possível comprovar a existência de pagamento ou contraprestação pelo voo, requisito necessário para caracterizar transporte aéreo remunerado irregular.

Na mesma apuração, o ICL Notícias revelou que, após a repercussão das reportagens, a Fênix Participações comunicou à Anac o encerramento da parceria que mantinha com a Táxi Aéreo Piracicaba. Também mostrou que Mauro Matosinho informou à Polícia Federal ter realizado diversos voos para o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, investigado por suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro.

<><> O que diz Elmar

Procurado pelo ICL Notícias, Elmar Nascimento afirmou que a Elmasio Táxi Aéreo Ltda. é uma empresa da qual é o único proprietário e que ela surgiu a partir da cisão de outra empresa na qual possui participação de 50%.

Segundo o deputado, a empresa não realizou nenhuma atividade econômica até o momento e o helicóptero PR-CVP é utilizado exclusivamente para uso pessoal, sem exploração comercial.

Elmar também afirmou que a evolução de seu patrimônio está devidamente registrada em suas declarações de Imposto de Renda e que o aumento patrimonial inclui as dívidas decorrentes da compra parcelada da aeronave.

•        PF mira parentes de senador Weverton Rocha e advogado em investigação sobre fraudes no INSS

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), nova fase da Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes no INSS.

Os principais alvos são o advogado Willer Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Distrito Federal e no Maranhão.

O advogado é conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e chegou a ser preso com base na delação do empresário Joesley Batista, da JBS. Ele também é próximo do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Segundo a PF, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os investigadores apuram se recursos teriam sido ocultados por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações realizadas com dinheiro em espécie.

A suspeita é de que essas estruturas tenham sido utilizadas para esconder a origem e o destino dos valores movimentados.

O advogado Willer Tomaz disse, por nota, que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.

Disse ainda que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados.

“Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, disse o advogado, em nota.

O senador foi procurando, mas ainda não se manifestou.

A corporação informou que as diligências desta terça buscam reunir novas provas para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, identificar a finalidade dos repasses financeiros e individualizar a conduta de cada um dos investigados.

A Operação Sem Desconto já apura um esquema de irregularidades investigado pela Polícia Federal, e esta nova etapa concentra-se especificamente na possível prática do crime de lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já sob investigação.

Em janeiro deste ano, a Folha mostrou que um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, disse em depoimento à Polícia Federal que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, viajou em uma aeronave do empresário.

Segundo o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro de 2024.

A Polícia Federal já concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com 48 indiciamentos relacionados ao caso da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).

O relatório foi apresentado pela corporação ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator das investigações, em julho.

Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A lista inclui também o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira.

Esta etapa da investigação se concentra apenas em descontos realizados pela Conafer e não envolve outros personagens que foram alvo da investigação, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.

•        “É o casamento da rachadinha e orçamento secreto”, diz Boulos sobre Gaspar vice de Flávio

ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, alertou nesta quarta-feira (05), sobre a indicação de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) como vice de Flávio Bolsonaro (PL): “Flavio Bolsonaro acabou de indicar para vice um cidadão que foi acusado de estupro de vulnerável”.

Boulos lembrou também que, “como se não bastasse, Alfredo Gaspar é investigado por emendas PIX de R$6 milhões para um prefeito em Alagoas. É o casamento da rachadinha com o orçamento secreto. Eles se merecem!”

R$ 6 milhões em emendas Pix

O deputado federal Alfredo Gaspar  passou a ser alvo de apurações do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) em razão do envio de R$ 6 milhões em emendas parlamentares na modalidade de transferência especial, conhecidas como “emendas Pix”, ao município de São José da Laje, no interior de Alagoas.

Os recursos foram repassados por meio de três transferências realizadas entre julho e dezembro de 2024. Nesse modelo de emenda, o dinheiro é transferido diretamente para a conta da prefeitura beneficiada, sem necessidade de convênios prévios, cabendo ao município executar os recursos e prestar contas aos órgãos de fiscalização.

A auditoria do TCU foi instaurada após técnicos da Corte identificarem indícios de fragilidades na aplicação das verbas públicas. O tribunal determinou que a Prefeitura de São José da Laje apresente, com urgência, planos de trabalho, notas fiscais e relatórios que comprovem a destinação dos R$ 6 milhões.

<><> Lindbergh abriu notícia-crime

O caso também chegou à Procuradoria-Geral da República. Em abril de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia-crime pedindo a abertura de investigação criminal sobre os repasses.

Na representação, o parlamentar argumenta que o volume de recursos destinados a um único município levanta dúvidas sobre a finalidade das transferências, sobretudo em razão da ligação política entre o deputado e lideranças locais.

Os recursos foram destinados a São José da Laje em articulação com Rodrigo Valença, ex-prefeito do município e atual primeiro suplente da chapa de Alfredo Gaspar. A cidade é considerada um dos principais redutos políticos do grupo liderado por Valença.

O volume das emendas também chamou a atenção de técnicos ligados ao acompanhamento do Orçamento no Congresso Nacional, já que São José da Laje possui menos de 25 mil habitantes, o que resulta em um valor per capita superior ao destinado a diversos outros municípios da região.

<><> Gaspar nega

Procurado, Alfredo Gaspar negou qualquer irregularidade na destinação dos recursos.

Segundo o deputado, os repasses obedeceram integralmente às regras previstas na legislação federal para emendas parlamentares. Ele afirmou ainda que a destinação dos recursos atendeu a solicitações apresentadas por Rodrigo Valença para investimentos em obras de infraestrutura no município.

A defesa do parlamentar sustenta que a responsabilidade do deputado se limita à indicação e ao envio das emendas, cabendo à administração municipal executar os recursos, prestar contas e responder perante os órgãos de controle pela aplicação do dinheiro público.

As investigações ocorrem em meio ao aumento da fiscalização sobre as chamadas emendas Pix, modalidade que permite a transferência direta de recursos da União para estados e municípios e que vem sendo alvo de questionamentos por órgãos de controle devido à necessidade de maior transparência e rastreabilidade dos gastos.

O resultado da auditoria do TCU poderá definir eventual responsabilização administrativa dos gestores envolvidos e, caso sejam identificadas irregularidades, resultar na aplicação de sanções ou em novas medidas de controle sobre a execução dos recursos.

<><> Blindou Vorcaro

Na mesma linha, o deputado federal Rogério Correia lembrou que “Gaspar foi o relator, que junto com o presidente, senador Carlos Viana, fizeram a blindagem, na CPMI do INSS de Vorcaro e de Zettel”. O deputado lembra que “não deixaram que a CPMI fizesse essa investigação. Eles não são citados no relatório, não são indiciados, como foram no nosso relatório, exatamente pela proteção que deu”.

Ao final, Correia afirma: “talvez seja uma sinalização que o Flávio Bolsonaro quer dar ao Vorcaro de dentro da prisão. Enfim, se merecem. Como diz o ditado, um gambá cheira o outro.”

 

Fonte: ICL Notícias

 

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