Flávio
Bolsonaro divulga “propostas” que beneficiam Trump, petrolíferas, ricaços e
indústria de ultraprocessados
em um
plano de desenvolvimento nacional e com a campanha focada na propagação da
narrativa histórica anti-Lula da mídia liberal, Flávio Bolsonaro (PL) foi às
redes sociais na noite desta terça-feira (4) divulgar 9 “propostas”, mais
focadas na área econômica, para governar o Brasil, caso seja eleito presidente.
O
amontoado de ideias repete chavões e mantras do neoliberalismo, para agradar
setores financistas transnacionais e, especialmente, Donald Trump, que tem
patrocinado uma investida sem precedentes dos EUA para interferir nas eleições
presidenciais do Brasil.
Com
palavras genéricas, que esconde quem seria beneficiados com as propostas,
Flávio mira ainda a indústria transnacional do petróleo e dos ultraprocessados
– que remetem lucros a Wall Street -, e o aprofundamento da “desregulamentação”
do mercado de capitais iniciada por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, que
resultou em escândalos financeiros como o do Banco Master.
Para o
povo e as camadas mais marginalizadas da população, o filho “01” de Jair
Bolsonaro promete um “tesouraço”, que resultariam em um desmonte das políticas
de proteção social.
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Veja, ponto a ponto, quem Flávio Bolsonaro pretende favorecer com as
“propostas” divulgadas:
• “Tesouraço em tudo que atrasa sua vida”:
Basicamente são cortes de investimento na saúde e educação pública, alvos da
cobiça de grupos privados. Além da repetição da política de Paulo Guedes de
congelamento no aumento do salário-mínimo, BPC (Benefício de Prestação
Continuada) – que financia pessoas em vulberabilidade social – e
aposentadorias. A repetição da “motosserra” de Javier Milei no Brasil tem como
objetivo o desmonte das políticas de proteção social.
• “Reduzir a alíquota de IOF para os
níveis de 2022”: favorecendo a Faria Lima, bancos e especuladores que realizam
operações cambiais. A medida ainda abre espaço para perda de arrecadação e
contribui para o desequilíbrio nas contas públicas, resultando em cortes no
orçamento.
• “Zerar o imposto de importação de
petróleo”: benéfica diretamente as empresas que importam petróleo e
combustíveis do truste das petrolíferas internacionais. A medida ainda enterra
o projeto de fortalecimento da indústria nacional do petróleo restabelecida por
Lula e fornece argumentação ideológica para privatização da Petrobrás.
• “Rever o imposto seletivo para
ultraprocessados”: basicamente, a medida beneficia as transnacionais e grandes
grupos de alimentação que lucram com alimentos ultraprocessados, que fazem mal
à saúde principalmente de crianças e adolescentes. A proposta ainda infla o
sistema de saúde pública em razão das doenças causadas pelo consumo desse tipo
de alimento.
• “Rever o arcabouço fiscal”: sem
sinalizar o que seria essa “revisão”, Flávio Bolsonaro tende a endurecer regras
para justificar os cortes em investimentos na saúde e educação para agradar a
Faria Lima e agentes privatistas”.
• “Classificar facções como
narcoterroristas”: atende diretamente à política de Donald Trump de transformar
a América Latina novamente em quintal dos EUA. A medida avalizaria, entre
outras, uma ação armada dos EUA sem a necessidade de comunicar autoridades
brasileiras.
• “Redução da maioridade penal”: enfatiza
a política punitivista em detrimento da educação. A proposta de segurança, no
entanto, não toca em penas para banqueiros ou políticos que cometam crimes.
• “Castração química”: outra política
punitivista para agradar o eleitorado ultraconservador, sem lastro algum que
funcione em algum lugar do planeta. A medida, geralmente, é aplicada contra
aqueles que não têm direito à defesa e não atingiria aliados do clã Bolsonaro
que já foram investigado por assédio e até mesmo estupro.
• “Acabar com a reeleição”: aceno para
partidos aliados do Centrão, que estão optando pela neutralidade nas eleições.
A medida acena principalmente ao Republicanos, que negociava apoio visando a
cadeira de vice – para Daniella Marques Consentino, a “Paulo Guedes de Saias”.
A proposta seria um compromisso de que Flávio abriria mão da reeleição em favor
de Tarcísio Gomes de Freitas.
• Isolado, Flávio Bolsonaro anuncia vice
no último dia de prazo para convenções
senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciará nesta quarta-feira (5), às 11h, em coletiva
de imprensa em Brasília, o nome de seu vice para a disputa presidencial de
2026. A campanha confirmou a escolha na noite de terça-feira (4), sem revelar o
nome. O anúncio ocorre no último dia do prazo para as convenções partidárias,
após semanas de negociações frustradas com partidos do Centrão, que declararam
neutralidade um a um, empurrando o candidato para uma provável chapa
“puro-sangue” dentro do próprio PL.
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O anúncio do vice e o prazo final
A
campanha de Flávio Bolsonaro divulgou nota na noite de terça-feira (4)
informando que “foi definido o nome do candidato ou da candidata à
Vice-Presidência da República”, sem antecipar a identidade do escolhido. O
anúncio oficial está marcado para as 11h desta quarta-feira (5), no Teatro Juca
Chaves, no complexo Brasil 21, em Brasília, mesmo prédio onde funciona a sede
nacional do PL.
A data
não é coincidência: esta quarta-feira é o último dia do prazo para a realização
das convenções partidárias, etapa em que os partidos oficializam candidaturas e
deliberam sobre coligações. O registro das chapas no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) pode ser feito até 15 de agosto, mas a equipe jurídica da
campanha e advogados do PL alertaram que deixar o anúncio do vice para depois
do encerramento das convenções poderia abrir espaço para questionamentos
judiciais. O próprio Flávio havia dito, em sabatina promovida pelo site O
Antagonista e pela empresa G4 na terça-feira (4), que tinha “até o dia 15” e
que a “novela” poderia se estender por mais alguns dias. A pressão interna
reverteu o cálculo.
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O isolamento político e as recusas do Centrão
A
decisão de última hora é o desfecho de semanas de negociações que não foram a
lugar nenhum. União Brasil, PP, Republicanos e Podemos recusaram aliança com
Flávio Bolsonaro e declararam neutralidade na disputa presidencial, um após o
outro, esvaziando as principais apostas da campanha para a vaga de vice.
O
resultado prático foi a inviabilização de uma série de nomes que chegaram a ser
negociados concretamente. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a aceitar o
convite, segundo relatos de bastidores, mas foi barrada pela decisão do PP de
permanecer neutro, seguida pelo União Brasil, que forma federação com os
progressistas. O Republicanos, por sua vez, realizou convenção na terça-feira
(4) em que 17 dos 27 diretórios estaduais votaram pela neutralidade, derrotando
os estados do Sudeste que defendiam a aliança com o PL. “Eu não posso ser
contrário à maioria do partido. Dezessete estados optaram pela independência.
Eu não posso impor a minha vontade”, disse o presidente da sigla, deputado
Marcos Pereira (SP), após a convenção. O Podemos completou a sequência de
recusas no mesmo dia. O contraste com 2022 é direto: PP e Republicanos
integraram a coligação de Jair Bolsonaro na última eleição presidencial. A
neutralidade dessas siglas agora sinaliza uma reconfiguração do campo da
direita que não favorece o herdeiro da candidatura.
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A busca por um vice e os nomes cotados
Flávio
Bolsonaro havia declarado publicamente, em diversas ocasiões nas últimas
semanas, sua preferência por uma mulher na vice-presidência. A estratégia tinha
motivação eleitoral clara: reduzir a resistência que o candidato enfrenta entre
o eleitorado feminino, que representa 52,8% do total de eleitores. Os nomes
buscados fora do PL tinham esse perfil: Tereza Cristina (PP-MS), com trânsito
no agronegócio e no mercado financeiro, e Daniella Marques, ex-presidente da
Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, que chefiava a área
econômica da própria campanha de Flávio. A deputada federal Renata Abreu
(Podemos-SP), presidente do partido, também foi avaliada pelo entorno do
candidato. As três foram descartadas pela neutralidade de suas respectivas legendas.
Com o
Centrão fechado, os nomes passaram a vir de dentro do PL. Entre os mais citados
por aliados e integrantes da sigla estão o senador Rogério Marinho (PL-RN),
coordenador-geral da campanha, o senador e ex-astronauta Marcos Pontes (PL-SP),
e as deputadas federais Priscila Costa (PL-CE) e Julia Zanatta (PL-SC). A
deputada Bia Kicis (PL-DF) também foi mencionada. Segundo relatos de
interlocutores, a escolha estaria entre Marinho, Priscila Costa e a
ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, lançada à disputa pelo Senado no Distrito
Federal e citada por aliados como nome cotado para a vice.
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Implicações da chapa ‘puro-sangue’
Se
confirmada a chapa formada exclusivamente por integrantes do PL, Flávio
Bolsonaro disputará a presidência contando apenas com o tempo de propaganda
eleitoral e os recursos partidários de sua própria sigla. A ausência de PP e
Republicanos na coligação, partidos que em 2022 ampliaram significativamente o
tempo de TV e rádio da campanha de Jair Bolsonaro, representa uma desvantagem
concreta no horário eleitoral gratuito, instrumento ainda relevante para
candidaturas que precisam ampliar reconhecimento nacional.
Flávio
não estará sozinho nessa condição. Ronaldo Caiado (PSD) tem o presidente de seu
partido, Gilberto Kassab, como vice; Romeu Zema (Novo) anunciou o senador
Eduardo Girão (Novo-CE) para a chapa; e Renan Santos, do Missão, terá o
correligionário Aroldo Medina ao lado. A tendência de chapas fechadas em torno
de uma única sigla, porém, tem peso diferente para cada candidato: para Flávio,
significa disputar sem a estrutura de aliados que seu pai teve em 2022. O
precedente histórico mais próximo é o próprio Jair Bolsonaro em 2018, que
também deixou a definição do vice para o último dia das convenções, em busca de
uma composição fora do PSL. A diferença é que, naquele ano, a estratégia
funcionou. Em 2026, o filho chega ao mesmo prazo sem a mesma margem de manobra.
Quem é
Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro?
escolha
de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência
da República foi definida e divulgada nesta quarta-feira (5).
Ex-procurador-geral
de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, deputado federal e
relator da CPMI do INSS, Gaspar carrega consigo uma trajetória de 24 anos no
Ministério Público, um histórico de combate declarado ao crime organizado e uma
grave acusação de estupro de vulnerável que ainda aguarda desdobramentos.
• Quem é Alfredo Gaspar
Natural
de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto construiu sua reputação pública
muito antes de ingressar na política partidária. Graduado em Direito pelo
Centro Universitário Cesmac e especialista em Direito Público, ingressou no
Ministério Público de Alagoas em 1996, onde atuou por mais de duas décadas. Foi
no MP que Gaspar ganhou projeção, especialmente como membro e posterior
coordenador do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC),
área em que se especializou no enfrentamento ao crime organizado.
Entre
2017 e 2020, ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas, o posto
mais alto do Ministério Público estadual, e também comandou a Secretaria de
Estado da Segurança Pública no governo Renan Filho.
Foi
somente em 2020 que Gaspar deu o salto para a política eleitoral. Pelo MDB,
disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno, sendo derrotado por
JHC.
Em
2022, já filiado ao União Brasil, elegeu-se deputado federal, concentrando sua
atuação na Câmara em temas ligados à segurança pública, ao combate à corrupção
e ao endurecimento das leis penais.
Na
Câmara, protagonizou a fracassada CPMI do INSS no posto de relator. Foi ali que
sua atuação ganhou notoriedade nacional, e também onde sua trajetória começou a
ser manchada por denúncias.
Ele foi
cotado como senador por Alagoas em 2026, mas seu desempenho nas pesquisas
decepcionou aliados. A solução de colocá-lo na vice de Flávio Bolsonaro
resolveu um problema da chapa de extrema direita no estado.
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O relator da CPMI do INSS e a “cortina de fumaça”
A
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi o palco principal de
Alfredo Gaspar no cenário político nacional.
Como
relator, ele produziu um relatório de mais de 4 mil páginas que pedia o
indiciamento de 216 pessoas.
O
relatório, que foi colocado como “peça frágil” pelo deputado federal Paulo
Pimenta (PT-RS), acabou sendo rejeitado pela Comissão.
O
documento do relator pedia o indiciamento de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e
deixava de fora figuras como Fabiano Zettel (empresário ligado ao caso Master e
à fraude do INSS) e o ex-senador Onyx Lorenzoni (ex-ministro da Previdência do
governo Bolsonaro), além da polêmica pela proteção à Igreja da Lagoinha,
acusada de ter recebido emendas do presidente da comissão, o senador Carlos
Viana (Republicanos).
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A grave denúncia de estupro
Durante
a apresentação do relatório da CPMI, o deputado Lindbergh Farias (PT) e a
senadora Soraya Thronicke (Podemos) apresentaram à Polícia Federal uma acusação
de estupro de vulnerável contra o deputado.
Segundo
a denúncia, Gaspar teria mantido um relacionamento com uma menor de idade, que
teria resultado em uma gravidez.
À
época, ele divulgou nas redes sociais um teste de paternidade e um vídeo com o
relato da mulher apontada como suposta filha do crime.
Na
gravação, ela nega ser filha de Alfredo Gaspar e afirma que seu pai seria, na
verdade, primo do parlamentar. Segundo seu relato, ela teria nascido de uma
relação consensual entre os dois, que posteriormente não teria prosperado.
O
parlamentar nega todas as acusações.
A
acusação contra Alfredo Gaspar foi encaminhada à Corregedoria da Polícia
Federal, setor responsável por avaliar a competência da corporação para
investigar o caso e verificar se há elementos suficientes para a abertura de um
inquérito.
Até o
momento, nenhuma investigação formal foi instaurada, o que significa que a
denúncia ainda está em análise preliminar.
Também
há um processo de calúnia e difamação movido por Gaspar contra Soraya Thronicke
e Lindbergh Farias, atualmente sobre relatoria do ministro Gilmar Mendes no
Supremo Tribunal Federal.
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Um vice menor
A
decisão de Flávio Bolsonaro de ter Alfredo Gaspar como vice não foi a primeira
opção do senador. Flávio buscava uma vice mulher, numa tentativa de reduzir sua
alta rejeição entre o eleitorado feminino.
Chegaram
a ser cotados nomes como a senadora Tereza Cristina (PP) e a ex-presidente da
Caixa Daniella Marques (Republicanos), mas ambas as legendas recusaram a
coligação com o PL.
Sem
coligações, a chapa “puro-sangue” do PL terá 20% menos tempo de TV do que a do
petista Lula, que conta com outras seis legendas.
O
anúncio, feito às pressas na véspera do fim do prazo das convenções, escancara
o isolamento político do candidato do PL, que viu sucessivos partidos do
centrão recusarem uma aliança.
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Camaleão político
A
trajetória de Alfredo Gaspar na política alagoana também é marcada por mudanças
de rumo. Ele foi aliado da família Calheiros durante anos, mas mudou de barco
no ano de 2022, quando se filiou ao União Brasil.
Na
Câmara, como deputado federal, passou a ocupar uma posição de oposição cada vez
mais explícita ao governo Lula.
Em
2026, deixou o União Brasil e foi para o PL, partido de Jair Bolsonaro,
aproximando-se definitivamente do campo bolsonarista.
Seu
nome, inclusive, não é consensual dentro do partido. Durante a convenção do PL
em Alagoas, ele afirmou ter enfrentado articulações para que seu nome não fosse
escolhido pelo PL.
“Uma
parte da classe política fez de tudo para que o partido não me desse
oportunidade. Saíram comitivas daqui para tomar o partido, com a certeza de que
iam me derrubar”, declarou.
Fonte:
Fórum

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