quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Flávio Bolsonaro divulga “propostas” que beneficiam Trump, petrolíferas, ricaços e indústria de ultraprocessados

em um plano de desenvolvimento nacional e com a campanha focada na propagação da narrativa histórica anti-Lula da mídia liberal, Flávio Bolsonaro (PL) foi às redes sociais na noite desta terça-feira (4) divulgar 9 “propostas”, mais focadas na área econômica, para governar o Brasil, caso seja eleito presidente.

O amontoado de ideias repete chavões e mantras do neoliberalismo, para agradar setores financistas transnacionais e, especialmente, Donald Trump, que tem patrocinado uma investida sem precedentes dos EUA para interferir nas eleições presidenciais do Brasil.

Com palavras genéricas, que esconde quem seria beneficiados com as propostas, Flávio mira ainda a indústria transnacional do petróleo e dos ultraprocessados – que remetem lucros a Wall Street -, e o aprofundamento da “desregulamentação” do mercado de capitais iniciada por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, que resultou em escândalos financeiros como o do Banco Master.

Para o povo e as camadas mais marginalizadas da população, o filho “01” de Jair Bolsonaro promete um “tesouraço”, que resultariam em um desmonte das políticas de proteção social.

>>> Veja, ponto a ponto, quem Flávio Bolsonaro pretende favorecer com as “propostas” divulgadas:

•        “Tesouraço em tudo que atrasa sua vida”: Basicamente são cortes de investimento na saúde e educação pública, alvos da cobiça de grupos privados. Além da repetição da política de Paulo Guedes de congelamento no aumento do salário-mínimo, BPC (Benefício de Prestação Continuada) – que financia pessoas em vulberabilidade social – e aposentadorias. A repetição da “motosserra” de Javier Milei no Brasil tem como objetivo o desmonte das políticas de proteção social.

•        “Reduzir a alíquota de IOF para os níveis de 2022”: favorecendo a Faria Lima, bancos e especuladores que realizam operações cambiais. A medida ainda abre espaço para perda de arrecadação e contribui para o desequilíbrio nas contas públicas, resultando em cortes no orçamento.

•        “Zerar o imposto de importação de petróleo”: benéfica diretamente as empresas que importam petróleo e combustíveis do truste das petrolíferas internacionais. A medida ainda enterra o projeto de fortalecimento da indústria nacional do petróleo restabelecida por Lula e fornece argumentação ideológica para privatização da Petrobrás.

•        “Rever o imposto seletivo para ultraprocessados”: basicamente, a medida beneficia as transnacionais e grandes grupos de alimentação que lucram com alimentos ultraprocessados, que fazem mal à saúde principalmente de crianças e adolescentes. A proposta ainda infla o sistema de saúde pública em razão das doenças causadas pelo consumo desse tipo de alimento.

•        “Rever o arcabouço fiscal”: sem sinalizar o que seria essa “revisão”, Flávio Bolsonaro tende a endurecer regras para justificar os cortes em investimentos na saúde e educação para agradar a Faria Lima e agentes privatistas”.

•        “Classificar facções como narcoterroristas”: atende diretamente à política de Donald Trump de transformar a América Latina novamente em quintal dos EUA. A medida avalizaria, entre outras, uma ação armada dos EUA sem a necessidade de comunicar autoridades brasileiras.

•        “Redução da maioridade penal”: enfatiza a política punitivista em detrimento da educação. A proposta de segurança, no entanto, não toca em penas para banqueiros ou políticos que cometam crimes.

•        “Castração química”: outra política punitivista para agradar o eleitorado ultraconservador, sem lastro algum que funcione em algum lugar do planeta. A medida, geralmente, é aplicada contra aqueles que não têm direito à defesa e não atingiria aliados do clã Bolsonaro que já foram investigado por assédio e até mesmo estupro.

•        “Acabar com a reeleição”: aceno para partidos aliados do Centrão, que estão optando pela neutralidade nas eleições. A medida acena principalmente ao Republicanos, que negociava apoio visando a cadeira de vice – para Daniella Marques Consentino, a “Paulo Guedes de Saias”. A proposta seria um compromisso de que Flávio abriria mão da reeleição em favor de Tarcísio Gomes de Freitas.

•        Isolado, Flávio Bolsonaro anuncia vice no último dia de prazo para convenções

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciará nesta quarta-feira (5), às 11h, em coletiva de imprensa em Brasília, o nome de seu vice para a disputa presidencial de 2026. A campanha confirmou a escolha na noite de terça-feira (4), sem revelar o nome. O anúncio ocorre no último dia do prazo para as convenções partidárias, após semanas de negociações frustradas com partidos do Centrão, que declararam neutralidade um a um, empurrando o candidato para uma provável chapa “puro-sangue” dentro do próprio PL.

<><> O anúncio do vice e o prazo final

A campanha de Flávio Bolsonaro divulgou nota na noite de terça-feira (4) informando que “foi definido o nome do candidato ou da candidata à Vice-Presidência da República”, sem antecipar a identidade do escolhido. O anúncio oficial está marcado para as 11h desta quarta-feira (5), no Teatro Juca Chaves, no complexo Brasil 21, em Brasília, mesmo prédio onde funciona a sede nacional do PL.

A data não é coincidência: esta quarta-feira é o último dia do prazo para a realização das convenções partidárias, etapa em que os partidos oficializam candidaturas e deliberam sobre coligações. O registro das chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode ser feito até 15 de agosto, mas a equipe jurídica da campanha e advogados do PL alertaram que deixar o anúncio do vice para depois do encerramento das convenções poderia abrir espaço para questionamentos judiciais. O próprio Flávio havia dito, em sabatina promovida pelo site O Antagonista e pela empresa G4 na terça-feira (4), que tinha “até o dia 15” e que a “novela” poderia se estender por mais alguns dias. A pressão interna reverteu o cálculo.

<><> O isolamento político e as recusas do Centrão

A decisão de última hora é o desfecho de semanas de negociações que não foram a lugar nenhum. União Brasil, PP, Republicanos e Podemos recusaram aliança com Flávio Bolsonaro e declararam neutralidade na disputa presidencial, um após o outro, esvaziando as principais apostas da campanha para a vaga de vice.

O resultado prático foi a inviabilização de uma série de nomes que chegaram a ser negociados concretamente. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a aceitar o convite, segundo relatos de bastidores, mas foi barrada pela decisão do PP de permanecer neutro, seguida pelo União Brasil, que forma federação com os progressistas. O Republicanos, por sua vez, realizou convenção na terça-feira (4) em que 17 dos 27 diretórios estaduais votaram pela neutralidade, derrotando os estados do Sudeste que defendiam a aliança com o PL. “Eu não posso ser contrário à maioria do partido. Dezessete estados optaram pela independência. Eu não posso impor a minha vontade”, disse o presidente da sigla, deputado Marcos Pereira (SP), após a convenção. O Podemos completou a sequência de recusas no mesmo dia. O contraste com 2022 é direto: PP e Republicanos integraram a coligação de Jair Bolsonaro na última eleição presidencial. A neutralidade dessas siglas agora sinaliza uma reconfiguração do campo da direita que não favorece o herdeiro da candidatura.

<><> A busca por um vice e os nomes cotados

Flávio Bolsonaro havia declarado publicamente, em diversas ocasiões nas últimas semanas, sua preferência por uma mulher na vice-presidência. A estratégia tinha motivação eleitoral clara: reduzir a resistência que o candidato enfrenta entre o eleitorado feminino, que representa 52,8% do total de eleitores. Os nomes buscados fora do PL tinham esse perfil: Tereza Cristina (PP-MS), com trânsito no agronegócio e no mercado financeiro, e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, que chefiava a área econômica da própria campanha de Flávio. A deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP), presidente do partido, também foi avaliada pelo entorno do candidato. As três foram descartadas pela neutralidade de suas respectivas legendas.

Com o Centrão fechado, os nomes passaram a vir de dentro do PL. Entre os mais citados por aliados e integrantes da sigla estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha, o senador e ex-astronauta Marcos Pontes (PL-SP), e as deputadas federais Priscila Costa (PL-CE) e Julia Zanatta (PL-SC). A deputada Bia Kicis (PL-DF) também foi mencionada. Segundo relatos de interlocutores, a escolha estaria entre Marinho, Priscila Costa e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, lançada à disputa pelo Senado no Distrito Federal e citada por aliados como nome cotado para a vice.

<><> Implicações da chapa ‘puro-sangue’

Se confirmada a chapa formada exclusivamente por integrantes do PL, Flávio Bolsonaro disputará a presidência contando apenas com o tempo de propaganda eleitoral e os recursos partidários de sua própria sigla. A ausência de PP e Republicanos na coligação, partidos que em 2022 ampliaram significativamente o tempo de TV e rádio da campanha de Jair Bolsonaro, representa uma desvantagem concreta no horário eleitoral gratuito, instrumento ainda relevante para candidaturas que precisam ampliar reconhecimento nacional.

Flávio não estará sozinho nessa condição. Ronaldo Caiado (PSD) tem o presidente de seu partido, Gilberto Kassab, como vice; Romeu Zema (Novo) anunciou o senador Eduardo Girão (Novo-CE) para a chapa; e Renan Santos, do Missão, terá o correligionário Aroldo Medina ao lado. A tendência de chapas fechadas em torno de uma única sigla, porém, tem peso diferente para cada candidato: para Flávio, significa disputar sem a estrutura de aliados que seu pai teve em 2022. O precedente histórico mais próximo é o próprio Jair Bolsonaro em 2018, que também deixou a definição do vice para o último dia das convenções, em busca de uma composição fora do PSL. A diferença é que, naquele ano, a estratégia funcionou. Em 2026, o filho chega ao mesmo prazo sem a mesma margem de manobra.

Quem é Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro?

escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência da República foi definida e divulgada nesta quarta-feira (5).

Ex-procurador-geral de Justiça, ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, deputado federal e relator da CPMI do INSS, Gaspar carrega consigo uma trajetória de 24 anos no Ministério Público, um histórico de combate declarado ao crime organizado e uma grave acusação de estupro de vulnerável que ainda aguarda desdobramentos.

•        Quem é Alfredo Gaspar

Natural de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto construiu sua reputação pública muito antes de ingressar na política partidária. Graduado em Direito pelo Centro Universitário Cesmac e especialista em Direito Público, ingressou no Ministério Público de Alagoas em 1996, onde atuou por mais de duas décadas. Foi no MP que Gaspar ganhou projeção, especialmente como membro e posterior coordenador do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC), área em que se especializou no enfrentamento ao crime organizado.

Entre 2017 e 2020, ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça de Alagoas, o posto mais alto do Ministério Público estadual, e também comandou a Secretaria de Estado da Segurança Pública no governo Renan Filho.

Foi somente em 2020 que Gaspar deu o salto para a política eleitoral. Pelo MDB, disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno, sendo derrotado por JHC.

Em 2022, já filiado ao União Brasil, elegeu-se deputado federal, concentrando sua atuação na Câmara em temas ligados à segurança pública, ao combate à corrupção e ao endurecimento das leis penais.

Na Câmara, protagonizou a fracassada CPMI do INSS no posto de relator. Foi ali que sua atuação ganhou notoriedade nacional, e também onde sua trajetória começou a ser manchada por denúncias.

Ele foi cotado como senador por Alagoas em 2026, mas seu desempenho nas pesquisas decepcionou aliados. A solução de colocá-lo na vice de Flávio Bolsonaro resolveu um problema da chapa de extrema direita no estado.

<><> O relator da CPMI do INSS e a “cortina de fumaça”

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi o palco principal de Alfredo Gaspar no cenário político nacional.

Como relator, ele produziu um relatório de mais de 4 mil páginas que pedia o indiciamento de 216 pessoas.

O relatório, que foi colocado como “peça frágil” pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), acabou sendo rejeitado pela Comissão.

O documento do relator pedia o indiciamento de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e deixava de fora figuras como Fabiano Zettel (empresário ligado ao caso Master e à fraude do INSS) e o ex-senador Onyx Lorenzoni (ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro), além da polêmica pela proteção à Igreja da Lagoinha, acusada de ter recebido emendas do presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Republicanos).

<><> A grave denúncia de estupro

Durante a apresentação do relatório da CPMI, o deputado Lindbergh Farias (PT) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos) apresentaram à Polícia Federal uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado.

Segundo a denúncia, Gaspar teria mantido um relacionamento com uma menor de idade, que teria resultado em uma gravidez.

À época, ele divulgou nas redes sociais um teste de paternidade e um vídeo com o relato da mulher apontada como suposta filha do crime.

Na gravação, ela nega ser filha de Alfredo Gaspar e afirma que seu pai seria, na verdade, primo do parlamentar. Segundo seu relato, ela teria nascido de uma relação consensual entre os dois, que posteriormente não teria prosperado.

O parlamentar nega todas as acusações.

A acusação contra Alfredo Gaspar foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Federal, setor responsável por avaliar a competência da corporação para investigar o caso e verificar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito.

Até o momento, nenhuma investigação formal foi instaurada, o que significa que a denúncia ainda está em análise preliminar.

Também há um processo de calúnia e difamação movido por Gaspar contra Soraya Thronicke e Lindbergh Farias, atualmente sobre relatoria do ministro Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal.

<><> Um vice menor

A decisão de Flávio Bolsonaro de ter Alfredo Gaspar como vice não foi a primeira opção do senador. Flávio buscava uma vice mulher, numa tentativa de reduzir sua alta rejeição entre o eleitorado feminino.

Chegaram a ser cotados nomes como a senadora Tereza Cristina (PP) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), mas ambas as legendas recusaram a coligação com o PL.

Sem coligações, a chapa “puro-sangue” do PL terá 20% menos tempo de TV do que a do petista Lula, que conta com outras seis legendas.

O anúncio, feito às pressas na véspera do fim do prazo das convenções, escancara o isolamento político do candidato do PL, que viu sucessivos partidos do centrão recusarem uma aliança.

<><> Camaleão político

A trajetória de Alfredo Gaspar na política alagoana também é marcada por mudanças de rumo. Ele foi aliado da família Calheiros durante anos, mas mudou de barco no ano de 2022, quando se filiou ao União Brasil.

Na Câmara, como deputado federal, passou a ocupar uma posição de oposição cada vez mais explícita ao governo Lula.

Em 2026, deixou o União Brasil e foi para o PL, partido de Jair Bolsonaro, aproximando-se definitivamente do campo bolsonarista.

Seu nome, inclusive, não é consensual dentro do partido. Durante a convenção do PL em Alagoas, ele afirmou ter enfrentado articulações para que seu nome não fosse escolhido pelo PL.

“Uma parte da classe política fez de tudo para que o partido não me desse oportunidade. Saíram comitivas daqui para tomar o partido, com a certeza de que iam me derrubar”, declarou.

 

Fonte: Fórum

 

Nenhum comentário: