Por
que a Coreia do Sul está virando um dos principais destinos do turismo médico
Liping
Chao acaba de chegar a Seul. Olhando pela janela do seu táxi, ele observa os
famosos arranha-céus da capital sul-coreana.
Mas, em
vez de ir passear na Torre Namsan ou visitar as famosas lojas do bairro de
Myeongdong, Chao segue para o distrito de Mapo, até o Centro Médico Medione.
Na
espaçosa e asséptica sala de espera, ele observa mais rostos estrangeiros do
que coreanos.
Chao se
troca no vestiário e guarda seus pertences. Uma enfermeira traz a sua ficha e o
leva para o primeiro exame.
Não se
tratava de uma emergência médica. Tudo aquilo era um dos pontos do seu roteiro
de viagem.
Chao
faz parte de um grupo cada vez maior de visitantes estrangeiros que incluem
check-ups de saúde nas suas viagens à Coreia do Sul.
Entre
sessões de noraebang (o karaokê coreano) e pratos da comida de rua, juntam-se
agora exames de sangue, ultrassons e até colonoscopias.
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Tendência contagiosa
Esta
tendência não dá sinais de parar tão cedo.
O
Ministério da Saúde e Bem-Estar da Coreia do Sul indica que 2 milhões de
pacientes estrangeiros visitaram o país em 2025. Este número representa 71,7% a
mais que o ano anterior.
Os
pacientes vêm principalmente da China e do Japão, seguidos por Taiwan e pelos
Estados Unidos.
Donkyo
Seo é o CEO (diretor-executivo) da Himedi, um serviço de concierge de saúde de
Seul. Ele explica que, "para a Coreia, o turismo médico é uma indústria de
exportação". A atividade recebe ativo apoio da legislação local, criada
para promover a expansão da medicina do país no exterior.
Mas por
que voar até a Coreia do Sul em busca de assistência médica?
A CEO
da agência de viagens de Seul Creatrip, Heamin Lee, explica que, em última
análise, é uma questão de custo e eficiência.
Os
pacientes de muitos países enfrentam encaminhamentos, aprovações de seguro e
longas filas de espera. Mas muitos centros de triagem coreanos oferecem
check-ups abrangentes de saúde em uma única consulta.
O
melhor é que a assistência médica na Coreia do Sul é considerada a segunda
melhor do mundo, segundo o Índice de Assistência Médica CEOWorld de 2025. E é
bastante acessível, já que o governo regulamenta os preços dos serviços de
saúde pelo governo.
"A
diferença é significativa", segundo Lee.
"Em
muitos casos, o preço de uma única ressonância magnética nos Estados Unidos
pode cobrir um exame corporal completo na Coreia... Mesmo considerando a
passagem aérea, ainda pode ser mais acessível."
Além do
apelo da alta qualidade e dos custos mais baixos, Hyeonah Hong, chefe de
divisão do Instituto Médico da Coreia (KMI, na sigla em inglês), destaca que
"a Coreia tem um sistema de assistência médica bem estabelecido e voltado
à prevenção. Este ambiente permite a detecção precoce de doenças."
Este
motivo levou Heather Barlow a acrescentar uma consulta médica às suas
atividades de férias.
"Tenho
problemas de saúde e meu médico recomendou que eu conseguisse uma avaliação
completa", explica ela. "Uma avaliação similar no meu país [Hong
Kong] custaria três a quatro vezes o que paguei na Coreia."
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Odisseias médicas
Como
muitos outros turistas de saúde, Chao e Barlow ficaram sabendo dos serviços de
assistência médica oferecidos na Coreia do Sul por meio de amigos que passaram
por procedimentos no país.
Chao
reservou seu voo de Los Angeles, nos Estados Unidos, para Seul em abril de
2026. Em seguida, ele começou a pesquisar no Google e nas redes sociais, em
busca de clínicas de saúde.
Os
vídeos de muitos visitantes satisfeitos, que passaram por check-ups no país com
bons resultados, aumentaram sua confiança.
"A
Coreia do Sul é uma meca da beleza", segundo ele. "A saúde não está
longe disso, o que me fez confiar ainda mais."
"A
enorme quantidade de exames que eles oferecem me deixou confortável para poder
confiar nos profissionais de saúde."
Esta
prática pode estar ganhando popularidade entre os não coreanos. Mas, para os
cidadãos do país que moram no exterior, viajar para a Coreia do Sul para
check-ups médicos é uma prática comum há anos.
A
coreano-americana Rebecca Gladstone, moradora de Nova York, nos Estados Unidos,
ficou sabendo dos check-ups avançados oferecidos no país a custos acessíveis
pelos seus amigos e parentes coreanos. Por isso, ela deu início à sua própria
pesquisa.
"Eu
já tinha planos de ir à Coreia e sabia que aproveitaria a oportunidade para
programar um check-up", ela conta. "Ainda estou surpresa por
conseguir um exame completo em uma única consulta."
Gladstone
marcou seu exame no setor especializado em saúde da mulher do Centro Médico da
Universidade CHA. Ela pagou pouco menos de 754.951 wones (US$ 516, cerca de R$
2,6 mil).
Barlow
também descreve uma experiência rápida e perfeita no Instituto KMI Gwanghwamun.
Ela
agendou um pacote intermediário, que incluía exames de laboratório de rotina,
raios X, ultrassons e alguns procedimentos minimamente invasivos.
"A
espera entre um exame e outro foi curta", segundo ela. "O máximo que
precisei esperar foram 15 minutos."
"Você
pode levar seu telefone ou livro todo o tempo, de forma que, em nenhum momento,
fiquei entediada ou ansiosa enquanto esperava."
"Todos
os funcionários, enfermeiros e médicos eram gentis e pacientes. Não me senti
fazendo os exames de forma apressada. Além disso, o ambiente como um todo era
muito eficiente."
Barlow
entrou na clínica às 8h30 e terminou seus exames às 13 horas.
Liping
Chao relembra ter ficado um pouco nervoso durante seus exames. Ele pediu um
pacote básico, que incluía um exame de sangue, raio X do peito, ultrassom e
endoscopia.
"O
exame, do início ao fim, levou cerca de três horas", ele conta. "Este
tempo inclui a sedação para a endoscopia... Fui orientado a não comer por cerca
de quatro horas após o exame porque eles retiraram pólipos do meu
estômago."
Sua
conta total foi de 456.706 wones (US$ 312, cerca de R$ 1,6 mil).
Mesmo
com o procedimento surpresa no estômago, Chao descreve seu exame como uma
"experiência tranquila e confortável, muito acolhedora para um
estrangeiro".
Ele
terminou ao meio-dia e seguiu para seu passeio em Seul. Chao encontrou um amigo
no badalado bairro de Seonsu-dong, cortou o cabelo e terminou a noite com um
jantar no luxuoso distrito de Gangnam.
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Nada se perde na tradução
Mas
possíveis barreiras linguísticas e sistemas desconhecidos podem fazer o
agendamento de procedimentos de saúde no exterior parecer confuso.
Rebecca
Gladstone fala coreano fluentemente. Ela marcou o exame completo de saúde da
mulher com a Himedi, para ajudar a gerenciar a logística.
"Mesmo
com recomendações de amigas, eu precisava entrar em contato com as clínicas e
descobrir como marcar os exames", explica ela.
"Mas
a Himedi já tinha os contatos e finalizou a reserva para mim, além de fornecer
uma intérprete", para esclarecer os termos médicos.
Na
clínica, "minha intérprete designada, JeeSu, me encontrou e tudo foi
tranquilo. Ela me acompanhou de uma sala de exame para outra."
"Também
tive uma breve consulta com um dos médicos para esclarecer questões antes de
começar o meu check-up."
Gladstone
recebeu seus resultados por e-mail protegido por senha, em inglês, algumas
semanas depois. Um ultrassom pélvico indicou um ponto que precisava de
acompanhamento.
Com o
agente de reserva e a clínica, ela conseguiu fazer ao médico coreano algumas
perguntas e também teve seus resultados analisados pelo seu médico local.
O
detalhamento e a eficiência do check-up foram exatamente o que suas amigas
descreveram. Agora, ela própria recomenda uma visita ao médico na Coreia do Sul
para outros visitantes.
As
consultas de acompanhamento também podem ser feitas na Coreia após o exame.
"Se
um exame de saúde identificar uma condição que exija tratamento posterior, nós
encaminhamos os pacientes para a nossa rede de instituições médicas e hospitais
afiliados, para que eles possam receber os cuidados adequados", explica o
chefe de divisão do KMI, Hyeonah Hong.
Heather
Barlow também pediu um tradutor à Himedi e recomenda este procedimento para os
visitantes.
"A
maior parte dos enfermeiros fala inglês básico e todos os médicos que encontrei
falam inglês fluentemente, mas não era o caso de alguns funcionários e acabei
usando o aplicativo de tradução Papago para me comunicar."
Mas, de
forma geral, a experiência de Barlow no centro de saúde "foi muito
positiva".
"Provavelmente
retornarei à Coreia para outro exame daqui a um ou dois anos, pois alguns dos
exames mostraram regiões que precisam ser acompanhadas. E o custo e a
eficiência ainda valem a pena para mim, mesmo com os gastos de viagem e
hospedagem."
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Planeje o seu check-up
Os
serviços de concierge de saúde, como a Creatrip e a Himedi, ajudam os
visitantes estrangeiros a reservar pacotes.
Agende
seus exames com antecedência e programe os serviços para o início da sua
viagem, pois pode ser necessário um período de jejum, sedação ou acompanhamento
posterior.
Hospitais
e clínicas de triagem especializadas oferecem check-ups completos. As clínicas
são mais baratas, mas os pacientes que apresentarem resultados fora dos padrões
podem ser encaminhados para o hospital.
O apoio
em língua estrangeira (basicamente, inglês) varia entre as instituições. Por
isso, confirme a disponibilidade de um intérprete antes de programar os exames.
Os
resultados são normalmente enviados por e-mail em sete a 14 dias após o exame e
disponíveis em diversas línguas. O Instituto Médico da Coreia (KMI, na sigla em
inglês) e o Hospital da Universidade Nacional de Seul fornecem serviços
totalmente em inglês.
É
recomendável encaminhar os resultados ao seu médico local e contratar seguro de
viagem para turismo de saúde.
Fonte:
BBC Travel

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