Espanha,
Ceuta, EUA e israHELL: nem tudo que se vê é mostrado!
Esta
semana todos fomos bombardeados com imagens de marroquinos “invadindo” a Europa
através da Espanha. Na ocasião, através da cidade autônoma espanhola, Ceuta,
que se localiza no norte da África, e faz fronteira com Marrocos.
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Não
demorou para que extremistas da direita propagassem os vídeos dizendo se tratar
de “terroristas” que iniciariam uma guerra santa. Enfim, muito clickbait e
especulações descabidas que geraram engajamento e desinformação.
Vamos
aos fatos:
- Pedro Sánchez é
o atual presidente da Espanha, caracterizando-se por políticas
progressistas, anti-imperialistas e abertamente contra o genocídio de
israHELL contra a Palestina.
- Marrocos, desde
2020, tem acordo com israHELL, com relação diplomática e cooperação
militar intermediada pelos EUA, via Donald Trump.
Dois
pontos chamam a atenção para a atual “invasão de marroquinos” na Espanha,
principalmente por jovens.
O fato
principal, no entanto, é que Marrocos passa por uma crise socioeconômica, o que
ocasiona taxas de desempregos entre jovens entre 15 e 24 anos, está em mais de
35%. Sem perspectivas, houve na atual “invasão” um disparo em massa nas redes
sociais a informação de que as fronteiras com a Espanha estariam abertas, o que
deslocou milhares deles até a fronteira com a Espanha.
Além do
motivo da crise, não podemos descartar a influência das Big Techs,
principalmente as estadunidenses e israHELLenses nesse disparo.
O
posicionamento incômodo do presidente espanhol e seu governo para com os
interesses de EUA e israHELL não pode deixar de ser considerado.
Lembremos
que desde a metade da década de 1970, a região do Saara Ocidental, luta por sua
independência e soberania, que é negada por Marrocos. A monarquia marroquina,
apesar do apoio do povo à Palestina, é conivente com o regime nazissionista de
israHELL, principalmente depois da assinatura dos acordos em 2020, obtendo
apoio tanto dos EUA com de israHELL pelo alinhamento e reconhecimento oficial
da soberania marroquina sobre a região – o que contraria a própria Organização
das Nações Unidas (ONU), que defende um referendo de autodeterminação para o
povo saarauí.
Sendo
assim, não é de se estranhar esse movimento de “invasão” ao continente europeu,
tendo como ponto de passagem a Espanha – o que chamaríamos de “troca de
favores”.
A
fragilidade das fronteiras e até mesmo a conivência do regime marroquino para
que seus cidadãos migrasse para a Espanha, é mais uma peça que se encaixa
perfeitamente no lobby nazissionista, com o intuito de
desmoralizar e causar apreensão no governo, e jogar a opinião pública contra o
presidente que denuncia os crimes de israHELL.
Mas
isso não se fala na mídia convencional. Para eles, meros “invasores/bárbaros”
que ameaçam a Europa.
Abramos
nossos olhos.
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Ceuta e Melilla: a migração como arma geopolítica
A
entrada de dezenas de milhares de marroquinos em Ceuta e Melilla foi
apresentada como mais uma crise migratória. Essa explicação, embora contenha
parte da realidade, é insuficiente.
O
episódio parece resultar da convergência entre uma crise social aguda no
Marrocos, a utilização da migração como instrumento de pressão diplomática e um
contexto geopolítico marcado pelas tensões entre Espanha, Marrocos, Estados
Unidos e “Israel”.
O
primeiro fator é interno. O êxodo de milhares de jovens marroquinos evidencia o
desemprego, a desigualdade e a falta de perspectivas econômicas, contrastando
com a narrativa oficial de prosperidade promovida pelo governo do rei playboy Mohamed
VI. A pressão migratória possui, portanto, causas sociais concretas.
Entretanto,
também é um fato que Marrocos já utilizou o controle migratório como mecanismo
de pressão sobre a Espanha.
A crise
de Ceuta, em 2021, demonstrou que o relaxamento dos controles fronteiriços pode
transformar rapidamente um problema social em uma crise diplomática.
Os
acontecimentos atuais apresentam características semelhantes, sugerindo que
Marrocos administrou, ao menos parcialmente, o nível de controle sobre sua
fronteira.
Embora
não existam provas públicas de que tenha organizado diretamente o deslocamento
das multidões, existem precedentes suficientes para considerar plausível o uso
da migração como instrumento de pressão política.
A
reação espanhola reforça essa percepção.
Durante
visita a Ceuta, o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou os acontecimentos
como um “ataque” e uma “violação da integridade territorial da Espanha”,
deixando de tratá-los apenas como uma emergência migratória e elevando a crise
ao plano da soberania nacional.
A
Argélia e a República Árabe Saaraui Democrática (RASD) interpretam os
acontecimentos como mais um exemplo da estratégia marroquina de utilizar
diferentes instrumentos de pressão regional.
Para a
leitura saaraui, a crise guarda paralelos com a lógica da Marcha Verde de 1975,
quando grandes deslocamentos populacionais foram empregados para consolidar a
ocupação colonial do Saara Ocidental.
O
contexto internacional amplia ainda mais a importância do episódio.
Desde
os Acordos de Abraão, Marrocos fortaleceu sua parceria estratégica com Estados
Unidos e “Israel”, consolidada pelo reconhecimento norte-americano da soberania
marroquina sobre o Saara Ocidental e pela ampliação da cooperação militar e de
inteligência.
Ao
mesmo tempo, a Espanha assumiu posições cada vez mais críticas às ações
israelenses em Gaza. Benjamin Netanyahu afirmou que Madri “pagaria um preço”
por sua postura diplomática, enquanto Donald Trump declarou que “eles não se
estão a portar bem, mas logo aprenderão”.
Essas
declarações não demonstram coordenação entre os acontecimentos, mas revelam um
ambiente de crescente pressão política sobre o governo espanhol.
Outro
elemento relevante é o aumento da importância estratégica do Estreito de
Gibraltar após a crise da navegação no Mar Vermelho. Nesse cenário, qualquer
instabilidade em Ceuta e Melilla ultrapassa a dimensão migratória e passa a
afetar um dos principais corredores marítimos entre o Mediterrâneo e o
Atlântico.
A maior
contradição, porém, surgiu nas Nações Unidas.
O
representante permanente de “Israel”, Danny Danon, classificou Ceuta como um
território “colonial” e defendeu sua descolonização.
Se esse
princípio deve ser aplicado à Espanha, a mesma lógica inevitavelmente conduz à
ocupação israelense dos territórios palestinos e à ocupação marroquina do Saara
Ocidental, ambos reconhecidos internacionalmente como questões pendentes de
solução.
A
coerência desse argumento exigiria que “Israel” defendesse igualmente o fim da
ocupação da Palestina e que Marrocos aceitasse cumprir as resoluções da ONU
sobre o Saara Ocidental.
Ceuta e
Melilla deixaram de ser apenas uma questão migratória. Tornaram-se um ponto de
encontro entre crise social, disputas territoriais e rivalidades geopolíticas.
Ainda
não existem provas públicas de uma coordenação operacional entre Marrocos,
Estados Unidos e “Israel” para desencadear os acontecimentos. Existe, porém,
uma convergência objetiva de interesses que torna essa crise muito mais ampla
do que um simples fluxo migratório.
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Êxodo a Ceuta desloca 100 mil e abre crise de
desaparecidos
Cerca
de 100 mil pessoas se deslocaram internamente no Marrocos rumo à fronteira com Ceuta nos últimos
dias, disse a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) neste sábado
(1/8). A estimativa é que milhares tenham percorrido longas
distâncias para chegar ao norte marroquino após chamados difundidos nas redes
sociais incentivando a travessia para o território espanhol.
Ao
menos 50 mil dessas pessoas conseguiram entrar no enclave
espanhol,
desencadeando uma crise humanitária agora marcada também por desaparecimentos e
centenas de adolescentes desacompanhados vivendo em condições precárias.
Com o
aumento do número de vítimas, cresceram também os pedidos de informação de
famílias que não conseguem localizar parentes desaparecidos desde a travessia.
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Familiares buscam desaparecidos
Neste
domingo, dezenas de marroquinos se reuniram em Fnideq, no norte do país,
em busca de informações sobre parentes que estavam entre os milhares de pessoas
que tentaram chegar ao enclave espanhol.
A crise
deixou ao menos 72 mortos. A maior parte das vítimas morreu afogada ao tentar contornar a barreira
marítima que separa Marrocos de Ceuta e alcançar as praias do território espanhol.
Segundo
a agência de notícias EFE, as autoridades espanholas orientaram os parentes a
registrar formalmente os desaparecimentos para que as informações possam ser
comparadas com os dados dos corpos recuperados no mar.
Muitos
passaram a recorrer às redes sociais e à imprensa para divulgar fotografias de
pessoas cujo paradeiro permanece desconhecido.
Abdellatif,
trabalhador agrícola de Moulay Bousselham, a cerca de 135 quilômetros de
Fnideq, teme pelo destino do irmão de 17 anos, que partiu com dois amigos rumo
a Ceuta.
Segundo
ele, os amigos telefonaram na sexta-feira informando que haviam iniciado a
travessia no dia anterior, mas se separaram do adolescente depois que ele
sofreu uma lesão muscular.
"Meu
maior medo é voltar para casa sem ele", disse Abdellatif, de 27 anos.
"Não entendo por que ele fez isso e não entendo o silêncio das
autoridades."
Os
corpos localizados até agora foram encaminhados para exames periciais e
procedimentos de identificação. A expectativa é que a chegada de equipes
especializadas acelere as autópsias e o reconhecimento das vítimas. Até o
momento, as autoridades informaram apenas que uma mulher está entre os mortos.
Uma
mulher relatou alívio ao saber que seu filho havia sido visto em Ceuta no
sábado.
Com o telefone celular e um carregador nas mãos, os olhos marcados pelo choro,
Rachida Mamakh, de 48 anos, perguntava a cada recém-chegado sobre o paradeiro
de seu filho, Zouhair, de 23 anos.
Ela
contou que o jovem ligou na quinta-feira para informar que havia chegado a
Ceuta, mas desde então não respondeu mais às mensagens. Desempregado, Zouhair
havia aprendido alemão e sonhava em construir uma vida melhor na Alemanha,
segundo a mãe.
Mohammed,
encanador de 27 anos, também procura dois primos, de 18 e 22 anos, que
conseguiram chegar a Ceuta. "Eles estão bem, mas há grupos de jovens
perseguindo migrantes por lá", disse.
Segundo
Mohammed, o último contato ocorreu na noite de quinta-feira, quando aconselhou
os dois a procurar as autoridades para solicitar repatriação. Desde então, não
recebeu mais notícias e decidiu ir pessoalmente em busca deles.
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Adolescentes desacompanhados em Ceuta
Entre
os desaparecidos estão adolescentes e menores de idade. Enquanto
milhares de migrantes já foram devolvidos ao Marrocos, grupos de adolescentes
permanecem em Ceuta sem condições adequadas de abrigo.
Em
reportagem publicada neste sábado, a AFP encontrou adolescentes que afirmaram
não se alimentar adequadamente havia vários dias e disseram ter realizado a
travessia sozinhos, sem a companhia de familiares. Muitos dormem ao relento ou
ocupam galpões abandonados em uma área industrial desativada da cidade.
Os
jovens improvisaram abrigos com pallets, estruturas metálicas e pedaços de
papelão. Alguns ocupam depósitos abandonados com pisos cobertos por água e
lama. Em determinados pontos, dependem de uma única mangueira para tomar banho
e relatam falta de comida, roupas e assistência básica.
Ainda
segundo a AFP, em uma das áreas ocupadas por migrantes havia dezenas de
adolescentes e apenas um adulto. Também não foram observados policiais nem
representantes das autoridades locais no local.
Pela
legislação espanhola, menores desacompanhados devem receber proteção imediata e
ser encaminhados aos serviços de assistência à infância.
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"Tínhamos um sonho, mas ele foi destruído"
Ouvido
pela AFP, Ayoub, de 16 anos, estava entre os muitos jovens marroquinos que
seguiram para Ceuta. Bom aluno em sua cidade, ele vê a Espanha como sinônimo de
"liberdade" e uma oportunidade de escapar do elevado desemprego em
Marrocos.
O
adolescente acreditava, por engano, que não seria devolvido por ser menor de
idade.
Já
Abdulah Buji, quando soube que a fronteira havia sido rompida, também partiu de
sua casa no norte do Marrocos rumo a Ceuta. Como dezenas de milhares de
compatriotas, tentou alcançar a cidade espanhola atravessando o mar.
A ideia
era aproveitar a passagem em massa para realizar o sonho de chegar à Espanha e
construir uma nova vida na Europa.
"A
Espanha dá a você a oportunidade de construir seu futuro, ao contrário do
Marrocos", disse Buji à AP, de 21 anos, estudante de formação de
professores. "Sou um jovem talentoso. Só quero uma oportunidade."
Agências
de notícias coletaram diversos depoimentos parecidos de jovens que deixaram
dezenas de cidades no país rumo a Ceuta, como Tânger e Rabat.
Marrocos
vive um período de expansão econômica, com crescimento de 5% em 2025. Ainda
assim, as desigualdades permanecem elevadas. Segundo dados do Banco Mundial, o PIB per capita da
Espanha é cerca de oito vezes maior que o marroquino.
Youssef,
salva-vidas de 27 anos, foi mandado de volta de Ceuta junto com um grupo de
amigos. "No fim das contas, não há lugar melhor do que Marrocos",
afirmou, ao relatar a "má experiência" que teve do outro lado da
fronteira.
"Eles
fecharam as lojas para nos deixar passar fome", afirmou, enquanto um
pequeno grupo ao seu redor entoava palavras de apoio ao Marrocos e ao rei.
A
Confederação de Empresários de Ceuta havia recomendado que lojas e outros
estabelecimentos comerciais permanecessem fechados "até que a segurança
pudesse ser garantida".
Abdelouahed
Fetachi, morador de Rabat, capital do Marrocos situada a cerca de três horas e
meia de viagem, também relatou ter ficado sem comida.
"Todo
mundo está voltando. Não aconselho ninguém a vir. Tínhamos um sonho, mas ele
foi destruído", disse o serralheiro de alumínio, acrescentando que
retornaria ao trabalho na segunda-feira.
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Organizações criticam governo marroquino
A AMDH,
organização crítica do governo marroquino, classificou o episódio como um
"êxodo coletivo" e atribuiu a crise ao agravamento das condições
sociais e econômicas no país.
Segundo
o grupo, o governo falhou ao não identificar o deslocamento massivo que já
acontecia antes de desencadeada a crise. A organização sustenta que o Estado
marroquino é "politicamente e juridicamente responsável pelas condições
catastróficas que levaram a esse êxodo coletivo", que, segundo a entidade,
tem dimensões comparáveis às observadas em zonas de guerra.
A ONG
também acusou o governo de Rabat de utilizar a migração como instrumento de
pressão política sobre a Espanha e a União Europeia.
O
Observatório do Norte de Direitos Humanos, outra entidade marroquina, também
condenou possível uso da migração irregular como ferramenta política,
diplomática ou de segurança e reivindicou que os cidadãos não sejam tratados
como instrumentos de pressão nas relações internacionais.
O
observatório questiona a atuação das autoridades marroquinas diante da
chegada em massa de migrantes e classifica como "surpreendentemente
limitada" a presença das forças de segurança durante grande parte da
jornada.
O
governo marroquino ainda não se pronunciou oficialmente sobre o episódio,
considerado a mais grave crise migratória já registrada na fronteira com o
enclave espanhol.
Fonte:
Por Luiz Fernando Padulla, em Brasil 247/DW Brasil

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