quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Polícia Federal: órgão autônomo ou Cavalo de Tróia – para Lula?

O fundador do Grupo Prerrogativas, entidade esta que está entre os principais coletivos que lutaram para resgatar o Estado Democrático de Direito quando da guerra que a Operação Lava Jato fez ao próprio País, Marco Aurélio de Carvalho, colocou o dedo na ferida no que está se tornando um dos mais complexos problemas para eleições limpas em 2026. Carvalho disse que a recente perseguição ao filho do presidente Lula, o Lulinha, reflete uma ação [ideológica e infraestrutural] dentro da Polícia Federal que pode influenciar sobremaneira a autenticidade democrática do pleito.

“Não estou falando de toda a instituição. Mas, como toda e qualquer instituição, ela [a Polícia Federal] está em disputa e é reflexo da disputa que tá na sociedade. Então há setores [na PF], sim, que me parece que estão querendo interferir nas eleições. Isso não compromete a confiança que eu deposito no diretor-geral da PF [Andrei Rodrigues]”, afirmou Marco Aurélio ao Uol News e repetiu sua fala no STB News.

Em outras linhas, há setores, sobretudo, os segmentos das grandes e médias elites que não suportam ver um presidente operário – que divide parte das riquezas do Estado e dos direitos e oportunidades que este Estado pode ofertar com a classe trabalhadora e com os oprimidos – ser eleito e reeleito novamente para comandar o Brasil. A nossa colonização produziu os seres mais egoístas e mesquinhos que a humanidade poderia ter.

Não obstante, a contaminação cognitiva, pedagógica e política que ultra-polarizou a sociedade, perpetrada especialmente pela potência da (des)comunicação impressa pela Rede Globo (e outras gigantes da mídia) a partir do tal do Mensalão, repetida e massificada nas manifestações de 2013, no “Não Vai Ter Copa”, em 2014, na Lava Jato até bem recente; e, a seguir, muito bem operada pelo poder das Big Techs – na nova ordem mundial –, especialmente com a promoção e engajamento das fake news, da desinformação falaciosa e da construção de pós-verdade que culminou na “fabricação” de um falso “mito antissistema” chamado Bolsonaro, em 2018, ainda perdura nos dias de 2026 e é muito latente em diversos segmentos, como os evangélicos, os donos do Agronegócio, as corporações policiais (e a PF é contaminada por isto), além de outros.

Quando Marco Aurélio imprime sua coragem em apontar que parte da Polícia Federal é leviana ao praticar atos como esta perseguição ao filho do presidente Lula que é completamente injusta e infundada no Direito; que não se trata de não haver provas de algum ato ilícito, mas ao contrário, sequer há fatos que possam remeter ao mínimo razoável de suspeita a Fábio Luís da Silva; que o próprio Lulinha tem sido vítima por décadas de mentiras com o seu nome, afirmando-o como sócio (dono) da Friboi, como proprietário de Ferrari banhada a ouro, e agora, requentando a marmita das mentiras de sua pseudo riqueza conquistada a base uma corrupção que não cometeu, associando-o ao “Careca do INSS” para vincular o “sangue” (e as veias) do presidente Lula a crimes que são bem próprios da família Bolsonaro, Carvalho não está apenas defendendo – como advogado – o seu cliente, todavia, alertando o próprio comando do Governo Federal que estamos diante de uma ilusão: a fantasia de crer tão cegamente nas instituições como órgãos isentos e a serviço da cidadania, da justiça, do Estado Democrático de Direito.

Indiretamente, a potência da denúncia de Marco Aurélio de Carvalho, vem perguntar ao presidente Lula, candidato a reeleição em 2026, se ele está mesmo atento aos seus órgãos subordinados e se, a Polícia Federal se comporta genuinamente como um órgão autônomo para fazer justiça e segurança autênticas, ou se não passa de um Cavalo de Troia Pós-moderno – sob o observatório do Gabinete do Ministro do STF, André Mendonça – para “assassinar” de forma traiçoeira a eleição de Lula, que tem (talvez venha ter) chances de florir já no primeiro turno – sem estas manobras sorrateiras do sistema…

•        Marco Aurélio de Carvalho critica “jornalismo de guerra” e uso político de setores da PF para impactar eleições

Em entrevista à TV 247, o jurista e advogado Marco Aurélio de Carvalho denunciou o uso político de investigações policiais e o alinhamento da grande mídia no que classificou como “jornalismo de guerra” e tentativa de interferência no processo eleitoral. Comentando a recente abertura de inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, Carvalho destacou que a soberania das urnas deve prevalecer sobre narrativas infladas e manobras investigativas sem justa causa.

<><> Inquérito eleitoral e coincidência midiática

Falando diretamente da convenção política do PSB, Carvalho enfatizou que a investida contra Fábio Luís tem caráter estritamente eleitoral. O advogado destacou a sincronicidade com que os principais veículos da imprensa corporativa estamparam manchetes idênticas sobre o caso, evidenciando uma estratégia coordenada para atingir o governo e o processo democrático.

“Se o Fábio não fosse filho do presidente Lula, esse inquérito nem sequer teria sido instaurado e o anterior teria sido simplesmente arquivado por falta de justa causa”. – Marco Aurélio de Carvalho à TV 247

<><> Disputa interna na Polícia Federal e autonomia institucional

Marco Aurélio ressaltou o contraste entre a gestão atual e o governo anterior, lembrando que o presidente Lula devolveu a independência à PF, retirando-a do loteamento político. No entanto, o jurista alertou que as instituições continuam em disputa e que setores remanescentes tentam aparelhar procedimentos para impactar as eleições.

•        Confiança na Direção-Geral: O advogado reiterou sua confiança na integridade do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

•        Uso Responsável da Autonomia: Ele salientou que a independência institucional deve ser exercida com extrema responsabilidade, sem servir de instrumento para manobras políticas.

<><> ‘Fishing expedition’ e vazamentos clandestinos

Ao detalhar os aspectos jurídicos da investigação, Marco Aurélio apontou a prática abusiva de pesca probatória (fishing expedition). A defesa colocou espontaneamente à disposição todas as informações bancárias e fiscais de Fábio Luís; ainda assim, foi decretada a quebra de sigilo.

•        Zero irregularidades: Mesmo após mais de quatro meses de vazamentos clandestinos e ilegais na imprensa, nenhuma ilicitude foi encontrada.

•        Construção de narrativas: Diante da ausência de provas em relação a Fábio Luís, a investigação tentou associá-lo a terceiros sem qualquer vínculo com sua conduta.

<><> Recurso à PGR e defesa das garantias constitucionais

Diante dos abusos, a defesa acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão exerça o controle externo da atividade policial e analise o caso com o devido rigor legal.

“Nós não queremos que ninguém esteja acima da lei, mas não podemos permitir que ninguém esteja abaixo dela”.

O jurista lamentou o forte impacto pessoal e emocional enfrentado por Fábio Luís, classificando a situação como “o peso de um sobrenome no lombo de um cidadão” que cumpre seus deveres tributários e age com absoluta correção.

<><> A soberania popular e a vigília democrática

Por fim, Marco Aurélio reforçou que o destino político do país deve ser decidido exclusivamente pela população brasileira através do sufrágio universal. Fatores externos, pressões de outros Poderes ou ingerências internacionais não podem se sobrepor à vontade soberana do povo. O momento exige estado permanente de alerta e vigília para reagir com altivez e firmeza a qualquer tentativa de golpe ou desestabilização, de acordo com o jurista.

•        ‘TSE não pode ter dois pesos e duas medidas’, diz Lindbergh ao criticar decisões de André Mendonça

 O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou o ministro do Tribunal Superior Eleitoral André Mendonça nesta quarta-feira (5) após duas decisões diferentes sobre o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Não pode haver no TSE dois pesos e duas medidas. Tem que haver isonomia. Não pode ter uma decisão contra mim e o mesmo argumento a favor do Flávio”, disse o parlamentar petista em vídeo publicado na rede social X, antigo Twitter.

Além da gravação, o deputado escreveu uma mensagem na plataforma. “A ‘liberdade de expressão’ não pode valer somente para um lado. Se uma publicação é considerada irregular, o mesmo critério precisa valer para todos. O que não pode existir é tratamento diferente para casos semelhantes”, afirmou.

“Defendo que as decisões da Justiça Eleitoral garantam isonomia, segurança jurídica e igualdade no processo eleitoral”, acrescentou o deputado integrante do Partido dos Trabalhadores.

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça rejeitou um pedido de liminar e manteve no ar um vídeo de inteligência artificial publicado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) que associa o PT às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), autora da ação, pode recorrer.

Em outra decisão, o magistrado determinou a remoção de publicações nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro a organizações criminosas, milícias, traficantes e outras condutas ilícitas.

O ministro André Mendonça é vice-presidente do TSE, presidido por Nunes Marques. Os dois magistrados também são ministros do Supremo Tribunal Federal e foram indicados por Jair Bolsonaro (PL) para o STF.

•        O milagre chamado Lula. Por Emir Sader

De repente, me ponho a ouvir uma entrevista do Lula, em que ele relata sua trajetória, que a gente já conhece. Eu participei de todas as caravanas pelo Brasil, começando pela mais linda, a do Nordeste. Usei as maravilhosas fotos do grande fotógrafo Ricardo Stuckert, das relações de amor do Lula e do povo do Nordeste, para organizar um livro – A Caravana da Esperança.

Andei com o Lula 93 mil quilômetros nas caravanas por todo o Brasil. Eu o acompanhei e conheci o Brasil nas caravanas do Lula.

Viajávamos muito, e ele ia contando suas experiências de vida, com a maior naturalidade. Contava essas coisas extraordinárias que ele viveu.

E, em cada lugar que parávamos, era aquela apoteose do encontro dele com o povo, pelo país afora. O caso de amor correspondido entre o Lula e o povo do Nordeste.

Foi assim que eu fui aprendendo quem era o Lula, como pessoa, como nordestino, como líder político. Fui conhecendo essa simbiose entre a simplicidade da vida de um brasileiro típico e o mais extraordinário de todos os brasileiros.

Eu já era petista. O Luiz Eduardo Greenhalgh tinha me contado, quando eu ainda estava em Cuba, no longo exílio de 13 anos, que havia um novo grande líder sindical e político e um novo partido, o Partido dos Trabalhadores.

Assim que cheguei de volta, o Caio Graco, filho do Caio Prado Jr., da Editora e da Livraria Brasiliense, me deu uma ficha de membro do PT, que eu preenchi e lhe devolvi. Foi assim que formalizei minha entrada no PT.

Aí logo me procuraram para eu entrar para a tendência majoritária, a do Zé Dirceu. Eu preferi não entrar em uma tendência, que seria ser fiel a quem tinha mandato de governador ou outro cargo e ter que defendê-lo por essa razão. Sempre me defini como petista e como lulista, o que continuo a ser até hoje.

Publiquei muitos livros, mais de setenta. Entre tantos, Lula e a esquerda do século XXI é um dos que eu mais gosto. Não me considero um intelectual, apesar de ter sido professor de Filosofia e de Sociologia da USP, onde me aposentei, e, depois, da Uerj, no Rio.

Considero-me um militante político e, como todo militante político marxista, tenho que ser, ao mesmo tempo, um intelectual, no sentido gramsciano, aquele que milita e que trata de refletir ao mesmo tempo.

É nessa condição que militei desde os 15 anos, quando triunfou a Revolução Cubana. Via as fotos daqueles barbudos que tinham derrubado um ditador na América Central, já que, naquela época, não havia ainda, para nós, o Caribe. Entre os barbudos, posando como se fossem um time de futebol, estavam Fidel, Che, Camilo e Raúl, entre os que tinham desembarcado na Sierra Maestra e daí tomado o poder e feito o socialismo – que até então era um fenômeno asiático, da Rússia, da China, de Lênin, de Trotsky, de Mao – chegar à América Latina.

Tudo isso para voltar ao Lula, aquele nordestino simples, que tinha perdido um dedo trabalhando numa máquina de uma fábrica do ABC. Mas que nunca perdeu a dignidade, como lhe ensinou Dona Lindu, a pessoa que mais influenciou o mais importante dos brasileiros.

•        Flávio Bolsonaro compara inelegibilidade do pai ao AI-5 em evento do PL

Segundo a Revista Fórum, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comparou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro ao AI-5 da ditadura militar durante convenção do PL em Santa Catarina, evento que oficializou a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello.

O senador afirmou que a situação judicial do pai representa uma ruptura sem precedentes na história constitucional do Brasil e buscou respaldo histórico no período mais repressivo do regime militar.

"O único momento da história do Brasil onde alguém que não podia votar nem ser votado também perdia sua voz foi no AI-5, tão criticado pelos atuais e falsos defensores da democracia", declarou Flávio.

O AI-5, decretado em 1968, suspendeu garantias constitucionais, cassou mandatos e suprimiu o habeas corpus para crimes políticos. A comparação inverte a lógica histórica: Jair Bolsonaro não foi vítima de um Estado de exceção, mas condenado por tentativa de instaurar um regime autoritário.

O senador também qualificou a condenação do pai como resultado de "sacanagem, farsa e covardia". O discurso incluiu ainda uma referência ao fascismo italiano, com a alegação de que nem naquele regime alguém teria sido proibido de receber visitas ou enviar cartas.

As declarações de que "a gente não vive mais numa democracia plena" foram feitas em evento partidário aberto, transmitido ao vivo, pelo próprio senador em pleno exercício de mandato e liberdade de expressão. A estratégia centra a narrativa no sofrimento pessoal do ex-presidente, deslocando o foco das razões da condenação.

Ao encerrar o discurso, Flávio puxou um coro de "volta Bolsonaro" com os apoiadores presentes, consolidando a mobilização política em torno da figura do ex-presidente condenado.

 

Fonte: Por Marconi Moura de Lima, em Brasil 247/O Cafezinho

 

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