Polícia
Federal: órgão autônomo ou Cavalo de Tróia – para Lula?
O
fundador do Grupo Prerrogativas, entidade esta que está entre os principais
coletivos que lutaram para resgatar o Estado Democrático de Direito quando da
guerra que a Operação Lava Jato fez ao próprio País, Marco Aurélio de Carvalho,
colocou o dedo na ferida no que está se tornando um dos mais complexos
problemas para eleições limpas em 2026. Carvalho disse que a recente
perseguição ao filho do presidente Lula, o Lulinha, reflete uma ação
[ideológica e infraestrutural] dentro da Polícia Federal que pode influenciar
sobremaneira a autenticidade democrática do pleito.
“Não
estou falando de toda a instituição. Mas, como toda e qualquer instituição, ela
[a Polícia Federal] está em disputa e é reflexo da disputa que tá na sociedade.
Então há setores [na PF], sim, que me parece que estão querendo interferir nas
eleições. Isso não compromete a confiança que eu deposito no diretor-geral da
PF [Andrei Rodrigues]”, afirmou Marco Aurélio ao Uol News e repetiu sua fala no
STB News.
Em
outras linhas, há setores, sobretudo, os segmentos das grandes e médias elites
que não suportam ver um presidente operário – que divide parte das riquezas do
Estado e dos direitos e oportunidades que este Estado pode ofertar com a classe
trabalhadora e com os oprimidos – ser eleito e reeleito novamente para comandar
o Brasil. A nossa colonização produziu os seres mais egoístas e mesquinhos que
a humanidade poderia ter.
Não
obstante, a contaminação cognitiva, pedagógica e política que ultra-polarizou a
sociedade, perpetrada especialmente pela potência da (des)comunicação impressa
pela Rede Globo (e outras gigantes da mídia) a partir do tal do Mensalão,
repetida e massificada nas manifestações de 2013, no “Não Vai Ter Copa”, em
2014, na Lava Jato até bem recente; e, a seguir, muito bem operada pelo poder
das Big Techs – na nova ordem mundial –, especialmente com a promoção e
engajamento das fake news, da desinformação falaciosa e da construção de
pós-verdade que culminou na “fabricação” de um falso “mito antissistema”
chamado Bolsonaro, em 2018, ainda perdura nos dias de 2026 e é muito latente em
diversos segmentos, como os evangélicos, os donos do Agronegócio, as corporações
policiais (e a PF é contaminada por isto), além de outros.
Quando
Marco Aurélio imprime sua coragem em apontar que parte da Polícia Federal é
leviana ao praticar atos como esta perseguição ao filho do presidente Lula que
é completamente injusta e infundada no Direito; que não se trata de não haver
provas de algum ato ilícito, mas ao contrário, sequer há fatos que possam
remeter ao mínimo razoável de suspeita a Fábio Luís da Silva; que o próprio
Lulinha tem sido vítima por décadas de mentiras com o seu nome, afirmando-o
como sócio (dono) da Friboi, como proprietário de Ferrari banhada a ouro, e
agora, requentando a marmita das mentiras de sua pseudo riqueza conquistada a
base uma corrupção que não cometeu, associando-o ao “Careca do INSS” para
vincular o “sangue” (e as veias) do presidente Lula a crimes que são bem
próprios da família Bolsonaro, Carvalho não está apenas defendendo – como
advogado – o seu cliente, todavia, alertando o próprio comando do Governo
Federal que estamos diante de uma ilusão: a fantasia de crer tão cegamente nas
instituições como órgãos isentos e a serviço da cidadania, da justiça, do
Estado Democrático de Direito.
Indiretamente,
a potência da denúncia de Marco Aurélio de Carvalho, vem perguntar ao
presidente Lula, candidato a reeleição em 2026, se ele está mesmo atento aos
seus órgãos subordinados e se, a Polícia Federal se comporta genuinamente como
um órgão autônomo para fazer justiça e segurança autênticas, ou se não passa de
um Cavalo de Troia Pós-moderno – sob o observatório do Gabinete do Ministro do
STF, André Mendonça – para “assassinar” de forma traiçoeira a eleição de Lula,
que tem (talvez venha ter) chances de florir já no primeiro turno – sem estas
manobras sorrateiras do sistema…
• Marco Aurélio de Carvalho critica
“jornalismo de guerra” e uso político de setores da PF para impactar eleições
Em
entrevista à TV 247, o jurista e advogado Marco Aurélio de Carvalho denunciou o
uso político de investigações policiais e o alinhamento da grande mídia no que
classificou como “jornalismo de guerra” e tentativa de interferência no
processo eleitoral. Comentando a recente abertura de inquérito contra Fábio
Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, Carvalho destacou que a soberania
das urnas deve prevalecer sobre narrativas infladas e manobras investigativas
sem justa causa.
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Inquérito eleitoral e coincidência midiática
Falando
diretamente da convenção política do PSB, Carvalho enfatizou que a investida
contra Fábio Luís tem caráter estritamente eleitoral. O advogado destacou a
sincronicidade com que os principais veículos da imprensa corporativa
estamparam manchetes idênticas sobre o caso, evidenciando uma estratégia
coordenada para atingir o governo e o processo democrático.
“Se o
Fábio não fosse filho do presidente Lula, esse inquérito nem sequer teria sido
instaurado e o anterior teria sido simplesmente arquivado por falta de justa
causa”. – Marco Aurélio de Carvalho à TV 247
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Disputa interna na Polícia Federal e autonomia institucional
Marco
Aurélio ressaltou o contraste entre a gestão atual e o governo anterior,
lembrando que o presidente Lula devolveu a independência à PF, retirando-a do
loteamento político. No entanto, o jurista alertou que as instituições
continuam em disputa e que setores remanescentes tentam aparelhar procedimentos
para impactar as eleições.
• Confiança na Direção-Geral: O advogado
reiterou sua confiança na integridade do diretor-geral da Polícia Federal,
Andrei Rodrigues.
• Uso Responsável da Autonomia: Ele
salientou que a independência institucional deve ser exercida com extrema
responsabilidade, sem servir de instrumento para manobras políticas.
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‘Fishing expedition’ e vazamentos clandestinos
Ao
detalhar os aspectos jurídicos da investigação, Marco Aurélio apontou a prática
abusiva de pesca probatória (fishing expedition). A defesa colocou
espontaneamente à disposição todas as informações bancárias e fiscais de Fábio
Luís; ainda assim, foi decretada a quebra de sigilo.
• Zero irregularidades: Mesmo após mais de
quatro meses de vazamentos clandestinos e ilegais na imprensa, nenhuma
ilicitude foi encontrada.
• Construção de narrativas: Diante da
ausência de provas em relação a Fábio Luís, a investigação tentou associá-lo a
terceiros sem qualquer vínculo com sua conduta.
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Recurso à PGR e defesa das garantias constitucionais
Diante
dos abusos, a defesa acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o
órgão exerça o controle externo da atividade policial e analise o caso com o
devido rigor legal.
“Nós
não queremos que ninguém esteja acima da lei, mas não podemos permitir que
ninguém esteja abaixo dela”.
O
jurista lamentou o forte impacto pessoal e emocional enfrentado por Fábio Luís,
classificando a situação como “o peso de um sobrenome no lombo de um cidadão”
que cumpre seus deveres tributários e age com absoluta correção.
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A soberania popular e a vigília democrática
Por
fim, Marco Aurélio reforçou que o destino político do país deve ser decidido
exclusivamente pela população brasileira através do sufrágio universal. Fatores
externos, pressões de outros Poderes ou ingerências internacionais não podem se
sobrepor à vontade soberana do povo. O momento exige estado permanente de
alerta e vigília para reagir com altivez e firmeza a qualquer tentativa de
golpe ou desestabilização, de acordo com o jurista.
• ‘TSE não pode ter dois pesos e duas
medidas’, diz Lindbergh ao criticar decisões de André Mendonça
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ)
criticou o ministro do Tribunal Superior Eleitoral André Mendonça nesta
quarta-feira (5) após duas decisões diferentes sobre o candidato à Presidência
da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Não
pode haver no TSE dois pesos e duas medidas. Tem que haver isonomia. Não pode
ter uma decisão contra mim e o mesmo argumento a favor do Flávio”, disse o
parlamentar petista em vídeo publicado na rede social X, antigo Twitter.
Além da
gravação, o deputado escreveu uma mensagem na plataforma. “A ‘liberdade de
expressão’ não pode valer somente para um lado. Se uma publicação é considerada
irregular, o mesmo critério precisa valer para todos. O que não pode existir é
tratamento diferente para casos semelhantes”, afirmou.
“Defendo
que as decisões da Justiça Eleitoral garantam isonomia, segurança jurídica e
igualdade no processo eleitoral”, acrescentou o deputado integrante do Partido
dos Trabalhadores.
O
ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça rejeitou um pedido
de liminar e manteve no ar um vídeo de inteligência artificial publicado pelo
candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) que associa o PT às facções
criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A
Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), autora da ação, pode recorrer.
Em
outra decisão, o magistrado determinou a remoção de publicações nas redes
sociais que associavam Flávio Bolsonaro a organizações criminosas, milícias,
traficantes e outras condutas ilícitas.
O
ministro André Mendonça é vice-presidente do TSE, presidido por Nunes Marques.
Os dois magistrados também são ministros do Supremo Tribunal Federal e foram
indicados por Jair Bolsonaro (PL) para o STF.
• O milagre chamado Lula. Por Emir Sader
De
repente, me ponho a ouvir uma entrevista do Lula, em que ele relata sua
trajetória, que a gente já conhece. Eu participei de todas as caravanas pelo
Brasil, começando pela mais linda, a do Nordeste. Usei as maravilhosas fotos do
grande fotógrafo Ricardo Stuckert, das relações de amor do Lula e do povo do
Nordeste, para organizar um livro – A Caravana da Esperança.
Andei
com o Lula 93 mil quilômetros nas caravanas por todo o Brasil. Eu o acompanhei
e conheci o Brasil nas caravanas do Lula.
Viajávamos
muito, e ele ia contando suas experiências de vida, com a maior naturalidade.
Contava essas coisas extraordinárias que ele viveu.
E, em
cada lugar que parávamos, era aquela apoteose do encontro dele com o povo, pelo
país afora. O caso de amor correspondido entre o Lula e o povo do Nordeste.
Foi
assim que eu fui aprendendo quem era o Lula, como pessoa, como nordestino, como
líder político. Fui conhecendo essa simbiose entre a simplicidade da vida de um
brasileiro típico e o mais extraordinário de todos os brasileiros.
Eu já
era petista. O Luiz Eduardo Greenhalgh tinha me contado, quando eu ainda estava
em Cuba, no longo exílio de 13 anos, que havia um novo grande líder sindical e
político e um novo partido, o Partido dos Trabalhadores.
Assim
que cheguei de volta, o Caio Graco, filho do Caio Prado Jr., da Editora e da
Livraria Brasiliense, me deu uma ficha de membro do PT, que eu preenchi e lhe
devolvi. Foi assim que formalizei minha entrada no PT.
Aí logo
me procuraram para eu entrar para a tendência majoritária, a do Zé Dirceu. Eu
preferi não entrar em uma tendência, que seria ser fiel a quem tinha mandato de
governador ou outro cargo e ter que defendê-lo por essa razão. Sempre me defini
como petista e como lulista, o que continuo a ser até hoje.
Publiquei
muitos livros, mais de setenta. Entre tantos, Lula e a esquerda do século XXI é
um dos que eu mais gosto. Não me considero um intelectual, apesar de ter sido
professor de Filosofia e de Sociologia da USP, onde me aposentei, e, depois, da
Uerj, no Rio.
Considero-me
um militante político e, como todo militante político marxista, tenho que ser,
ao mesmo tempo, um intelectual, no sentido gramsciano, aquele que milita e que
trata de refletir ao mesmo tempo.
É nessa
condição que militei desde os 15 anos, quando triunfou a Revolução Cubana. Via
as fotos daqueles barbudos que tinham derrubado um ditador na América Central,
já que, naquela época, não havia ainda, para nós, o Caribe. Entre os barbudos,
posando como se fossem um time de futebol, estavam Fidel, Che, Camilo e Raúl,
entre os que tinham desembarcado na Sierra Maestra e daí tomado o poder e feito
o socialismo – que até então era um fenômeno asiático, da Rússia, da China, de
Lênin, de Trotsky, de Mao – chegar à América Latina.
Tudo
isso para voltar ao Lula, aquele nordestino simples, que tinha perdido um dedo
trabalhando numa máquina de uma fábrica do ABC. Mas que nunca perdeu a
dignidade, como lhe ensinou Dona Lindu, a pessoa que mais influenciou o mais
importante dos brasileiros.
• Flávio Bolsonaro compara inelegibilidade
do pai ao AI-5 em evento do PL
Segundo
a Revista Fórum, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comparou a inelegibilidade de Jair
Bolsonaro ao AI-5 da ditadura militar durante convenção do PL em Santa
Catarina, evento que oficializou a candidatura à reeleição do governador
Jorginho Mello.
O
senador afirmou que a situação judicial do pai representa uma ruptura sem
precedentes na história constitucional do Brasil e buscou respaldo histórico no
período mais repressivo do regime militar.
"O
único momento da história do Brasil onde alguém que não podia votar nem ser
votado também perdia sua voz foi no AI-5, tão criticado pelos atuais e falsos
defensores da democracia", declarou Flávio.
O AI-5,
decretado em 1968, suspendeu garantias constitucionais, cassou mandatos e
suprimiu o habeas corpus para crimes políticos. A comparação inverte a lógica
histórica: Jair Bolsonaro não foi vítima de um Estado de exceção, mas condenado
por tentativa de instaurar um regime autoritário.
O
senador também qualificou a condenação do pai como resultado de
"sacanagem, farsa e covardia". O discurso incluiu ainda uma
referência ao fascismo italiano, com a alegação de que nem naquele regime
alguém teria sido proibido de receber visitas ou enviar cartas.
As
declarações de que "a gente não vive mais numa democracia plena"
foram feitas em evento partidário aberto, transmitido ao vivo, pelo próprio
senador em pleno exercício de mandato e liberdade de expressão. A estratégia
centra a narrativa no sofrimento pessoal do ex-presidente, deslocando o foco
das razões da condenação.
Ao
encerrar o discurso, Flávio puxou um coro de "volta Bolsonaro" com os
apoiadores presentes, consolidando a mobilização política em torno da figura do
ex-presidente condenado.
Fonte:
Por Marconi Moura de Lima, em Brasil 247/O Cafezinho

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