sexta-feira, 7 de agosto de 2026

As desculpas de Infantino — e como ele segue no comando da Fifa após admitir 'erros'

O presidente da Fifa, o suíço Gianni Infantino, pediu desculpas pelos "erros" que cometeu envolvendo seu plano polêmico de venda de participações em competições para investidores privados, mas permanecerá como chefe da entidade após receber o apoio de executivos de alto escalão em uma reunião no Marrocos.

Infantino convocou os membros da diretoria para a sede da Fifa na África, em Rabat, na quarta-feira (05/08), após críticas crescentes às suas propostas de remodelar a estrutura das competições — que foram abandonadas. A entidade máxima do futebol mundial divulgou um comunicado de apoio a Infantino quatro horas após o término da reunião.

A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, afirmou no fim de semana que perdeu a confiança em Infantino, classificando a proposta para criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) como um "acordo obscuro, feito nos bastidores e sem qualquer transparência".

Muitas críticas vieram de dentro da própria Fifa, incluindo do secretário-geral Mattias Grafstrom, que estava presente na reunião de quarta-feira. Em um memorando interno enviado aos funcionários da Fifa na terça-feira, ele escreveu que a situação é "uma série de eventos tristes e repreensíveis".

No entanto, em um comunicado divulgado após a reunião, Grafstrom e o conselho administrativo "reafirmaram seu total apoio" a Infantino como presidente.

Infantino e Grafstrom também enviaram uma carta assinada — a qual a BBC teve acesso — aos vice-presidentes da Fifa, ao conselho e às 211 associações que integram a entidade, dizendo que "pedem sinceras desculpas" pelos seus erros e "se comprometem a que eles não voltem a acontecer".

Ambos foram fotografados assistindo juntos a uma partida da Copa Africana de Nações Feminina em Rabat após o encontro.

Infantino tinha oferecido a todas as associações US$ 40 milhões se elas apoiassem uma proposta de investimento privado em seus torneios, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, por meio de uma nova subsidiária, a FFE, mas desistiu do plano após sua repercussão negativa.

A Fifa afirmou que durante a reunião de quarta-feira os "erros" relativos à FFE foram "reconhecidos", acrescentando que "não era a intenção" que o conselho da Fifa e a associação de membros "se sentissem excluídos do processo e que o processo deveria ter sido conduzido de forma diferente".

A entidade "reconheceu que erros também foram cometidos depois que a proposta vazou para a imprensa" — em reportagem publicada pelo jornal britânico Times em 28 de julho.

No entanto, o comunicado também afirmou que a organização "não tolerará mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo legal e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação".

Anteriormente, a Fifa negou uma reportagem do Times de que Infantino teria prometido ao Marrocos que o país sediaria a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de seu apoio.

A Fifa afirmou que se tratava de uma alegação "falsa e enganosa" e que uma decisão sobre onde se realizará a final, cujo torneio também será sediado por Espanha e Portugal, será tomada "em tempo oportuno".

<><> Apoio interno após mais críticas

Infantino espera que isso marque o fim da mais recente, e talvez a maior, controvérsia que tem marcado seus 10 anos de mandato.

No entanto, essa demonstração de apoio por parte dos dirigentes da Fifa veio na sequência de críticas ainda mais contundentes.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, cujo país sediou a recente Copa do Mundo com os Estados Unidos e o México, disse que não tinha mais confiança em Infantino.

O ex-jogador do Barcelona, Real Madrid e da seleção portuguesa, Luís Figo, que concorreu à presidência da Fifa contra o antecessor de Infantino, Sepp Blatter, em 2015, antes de desistir da candidatura, pediu a renúncia imediata do dirigente suíço.

Figo disse: "Infantino desgastou o cargo que prometeu engrandecer".

"É tarde demais para salvar sua dignidade, mas não é tarde demais para salvar o futebol."

Mas Infantino, de 56 anos, parece determinado a lutar pela reeleição para um quarto mandato.

Os rivais têm até 18 de novembro para apresentar suas candidaturas para concorrer contra ele. A eleição será realizada no Congresso da Fifa, no Marrocos, em março de 2027.

O vencedor precisa de 106 votos dos 211 membros da Fifa.

A Uefa pode ser decisiva no pleito. No fim de semana, a entidade que rege o futebol europeu afirmou ter perdido a confiança na liderança de Infantino e ameaçou entrar com uma ação judicial contra a Fifa. No início desta semana, várias associações retiraram o apoio à sua reeleição.

A Fifa também afirmou que, embora "erros tenham sido cometidos, tudo o que foi feito foi realizado em total conformidade com o quadro regulamentar da Fifa". E disse acreditar que os resultados da reunião "fortalecerão a governança da Fifa" e "restaurarão a confiança na organização".

Mas é pouco provável que essas declarações e a aprovação de um grupo de executivos amenizem a irritação da Uefa.

<>< Como a Uefa poderia reagir?

A Uefa tem reagido rapidamente a cada reviravolta desde que o plano FFE de Infantino veio à tona — da rejeição inicial ao plano ao momento decisivo em que todas as suas 55 associações ameaçaram boicotar as competições da FIFA.

Mas a Uefa sozinha não consegue derrubar Infantino.

Desde que ele mudou de posição, apenas a Concacaf, enquanto confederação, criticou o presidente da Fifa. Mas, ao contrário da Uefa, não chegou a dizer que havia perdido a confiança nele.

Embora a confederação asiática tenha rejeitado o plano, não houve nenhuma declaração definitiva desde que Infantino o cancelou.

Fora da Europa, até agora apenas a Jordânia — uma das poucas associações entre as 211 que não assinaram uma carta de apoio à reeleição de Infantino antes desta controvérsia — pediu publicamente a sua saída.

A lista de países que manifestaram seu apoio é muito mais longa, principalmente na sólida base de poder de Infantino: a Ásia e a África.

Nos últimos dias, Egito, Marrocos, Níger, Mauritânia, República Democrática do Congo e Filipinas manifestaram apoio a Infantino.

Esses países se beneficiaram de financiamento através do programa Fifa Forward de Infantino, o precursor do FFE, na ordem de US$ 8 milhões em cada ciclo de três anos.

A Uefa precisa encontrar uma maneira de convencer esses países de que outro candidato à presidência pode oferecer os mesmos programas financeiros, mas com maior transparência e reformas.

Infantino, no entanto, já conquistou a lealdade deles.

<><> Como Infantino pode dar a volta por cima?

Nenhuma das outras controvérsias recentes conseguiu atingir Infantino — desde a forma como a Arábia Saudita ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2034, até o Prêmio da Paz da Fifa concedido ao presidente dos EUA, Donald Trump, e o cartão vermelho suspenso do americano Folarin Balogun na Copa do Mundo.

Desta vez, a tentativa de vender uma parte dos direitos comerciais e de venda de ingressos das competições da Fifa foi a gota d'água para muitos.

Não só por causa dos danos à imagem da Fifa, mas também pelo fato de o plano ter sido mantido em segredo de outros membros importantes da hierarquia da Fifa e de o beneficiado do acordo ser Joshua Kushner — irmão de Jared Kushner, genro de Trump.

Infantino perdeu apoio não só de algumas associações nacionais, como também de pessoas próximas a ele. Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino em estratégia global e governança, se demitiu em protesto contra o plano.

Outros que se mostraram críticos optaram por não apresentar suas renúncias, como Grafstrom, o chefe de desenvolvimento global do futebol, Arsène Wenger, e o diretor de operações, Kevin Lamour.

É provável que haja outros nos corredores do poder da Fifa que também tenham se mantido em silêncio.

Além disso, Infantino talvez tenha que traçar um plano de reforma.

Isso pode envolver a implementação de mecanismos adicionais de controle e equilíbrio que tornariam impossível a elaboração e apresentação de um plano semelhante desta forma novamente.

Quem sabe ele chega a engavetar seus planos para uma Copa do Mundo com 64 seleções ou a oferecer os bilhões de dólares que a Fifa acumulou com Copas para financiar diretamente programas de desenvolvimento do futebol?

¨      Infantino perde apoio de países europeus e vê reeleição na Fifa ameaçada

As federações de futebol da Sérvia e da Suécia anunciaram na segunda-feira (3) que não apoiam mais a candidatura de Gianni Infantino à reeleição para a presidência da Fifa. Com a decisão, os dois países se juntam ao País de Gales, que havia sido o primeiro a oficializar a retirada de apoio ao dirigente. A Inglaterra também deve seguir o mesmo caminho.

A decisão vem em meio à crise provocada pelo fracasso da proposta da Fifa de vender cerca de 20% de uma nova empresa responsável pela organização de competições, incluindo a Copa do Mundo. O projeto pretendia captar até US$ 4,2 bilhões com investidores privados, mas foi abandonado na última sexta-feira (31) após enfrentar forte resistência de federações e outras entidades do futebol.

A desistência da iniciativa intensificou as críticas à gestão de Infantino e passou a colocar em dúvida a conquista de um novo mandato pelo dirigente, que busca permanecer no comando da organização entre 2027 e 2031.

Em comunicado, a Federação de Futebol do País de Gales afirmou que perdeu a confiança no presidente da Fifa em razão de problemas relacionados à governança, à condução dos processos internos, à liderança e ao relacionamento com as partes interessadas.

“As recentes falhas em boa governança, processos, liderança, valores, gestão das partes interessadas, comunicação e bom senso nos levaram a uma situação em que o sr. Infantino perdeu a confiança da FAW para permanecer à frente do futebol mundial”, disse o comunicado.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, a Federação Inglesa também deve retirar seu apoio a Infantino, o que pode ampliar o isolamento do dirigente entre as principais federações europeias.

<><> Pressionado

Infantino enfrenta uma pressão inédita após as confederações continentais Uefa e Concacaf anunciarem, no sábado (1º), que deixaram de confiar em sua liderança. De acordo com o New York Post, citando fontes próximas ao caso, o dirigente recorreu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em busca de apoio.

A Uefa, que liderou a mobilização contra a proposta defendida por Infantino e comemorou sua rejeição, não confirmou as informações divulgadas pela imprensa de que estaria preparando uma ação judicial contra a Fifa. A entidade europeia informou, porém, que emitiu uma ordem para preservação de documentos, medida que impede a exclusão de e-mails, arquivos e outros registros em meio à possibilidade de uma investigação.

Em abril, Infantino declarou que pretende disputar um quarto mandato à frente da Fifa. Desde que assumiu a presidência da entidade em 2016, após suceder o suíço Sepp Blatter, ele foi reeleito por aclamação em duas oportunidades.

Embora a recondução de Infantino para o mandato de 2027 a 2031 fosse considerada praticamente certa, a rejeição à proposta expôs um descontentamento crescente entre os integrantes da Fifa, o que pode dificultar sua campanha antes do Congresso da entidade, marcado para março, no Marrocos.

¨      Uefa acusa Infantino de perder a credibilidade e Trump nega influência na Fifa

A tensão entre a Uefa e a Fifa se agravou, após a entidade europeia afirmar que perdeu a confiança no presidente da Fifa, Gianni Infantino. A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre um suposto plano envolvendo a venda de participação comercial da entidade máxima do futebol, assunto que também levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a se manifestar.

Em documento divulgado pela Uefa, a organização afirma que um “esquema secreto” conduzido por Infantino comprometeu a transparência da gestão da Fifa e abalou a relação de confiança entre as entidades. Segundo a confederação europeia, decisões relevantes teriam sido conduzidas sem o devido conhecimento ou participação dos integrantes da governança do futebol internacional.

A manifestação representa um dos ataques mais contundentes já feitos pela Uefa contra o dirigente suíço, que ocupa a presidência da Fifa desde 2016. A entidade europeia sustenta que a condução dos processos internos precisa seguir princípios de transparência, prestação de contas e respeito às estruturas de governança.

No mesmo contexto, Donald Trump negou ter participado de qualquer conversa com Gianni Infantino sobre uma suposta proposta envolvendo a venda de ações ou participação comercial da Fifa. O presidente norte-americano classificou as informações como falsas e afirmou que jamais discutiu o assunto com o dirigente.

As especulações sobre a negociação ganharam força após relatos de que a Fifa estaria avaliando alternativas para ampliar suas fontes de financiamento por meio da comercialização de parte de seus ativos comerciais. O tema, no entanto, ainda não foi oficialmente confirmado pela entidade.

A combinação das críticas da Uefa e da negativa de Trump amplia a pressão sobre Infantino em um momento delicado para a administração da Fifa. O episódio expõe divergências entre as principais lideranças do futebol mundial e reacende o debate sobre transparência, governança e a condução dos negócios da entidade que administra o esporte mais popular do planeta.

Até o momento, a Fifa não apresentou uma resposta detalhada às acusações feitas pela Uefa nem esclareceu oficialmente as especulações envolvendo seu modelo de gestão comercial.

 

Fonte: BBC Sport/ICL Notícias

 

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