sábado, 8 de agosto de 2026

Caiado promete anistia aos golpistas do 8/1 e pacote de reformas no 1º dia de governo, caso eleito

O ex-governador Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (7) que pretende encaminhar, no primeiro dia de um eventual governo, uma proposta de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O ex-governador de Goiás também anunciou um pacote que inclui reformas administrativa e política e mudanças em pontos da reforma tributária.

Segundo o jornal O Globo, Caiado argumentou que a anistia aos golpistas serviria para “pacificar” o país e retirar o episódio da pauta política. Questionado se considera o 8 de janeiro uma tentativa de golpe de Estado, porém, evitou responder diretamente.

“Essa medida (anistia) não estará sozinha, estará junto a dezenas de medidas que tomarei, como várias reformas que trarei no meu primeiro dia. Essa medida tem o sentido de pacificar o país; nós não podemos mais conviver com o que estamos vivendo; é impossível hoje. É uma briga inútil, que só traz desgastes. Eu tenho a consciência de que, no momento em que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta e vamos viver um outro momento, de pautas que sejam relevantes para as pessoas”, disse Caiado durante sabatina na Globonews, de acordo com o jornal O Globo, nesta sexta-feira (7).

<><> Pacote de reformas no primeiro dia

O candidato afirmou que pretende preparar uma série de propostas antes da posse, caso vença a eleição presidencial, para encaminhá-las de uma só vez no início da gestão.

Entre as medidas enumeradas estão anistia, legislação antiterrorismo, reformas administrativa e política e revisão de pontos da reforma tributária. Caiado também mencionou mudanças relacionadas à Previdência.

“Eu tenho anistia, (lei) antiterrorismo, reforma administrativa, reforma política, revisão de pontos da reforma tributária; eu vou trabalhar do dia 25 de outubro até o dia 1º com toda a equipe que estou montando para ter tudo isso para encaminhar no primeiro dia. Não é aquilo de matéria fatiada, não, eu vou mandar tudo”, afirmou.

<><> Caiado evita classificar 8 de janeiro como tentativa de golpe

Durante a entrevista, Caiado foi questionado sobre a natureza dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e se os considerava uma tentativa de golpe de Estado. Em vez de responder diretamente, o presidenciável comparou a discussão ao processo que levou à anulação das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Essa discussão da tentativa de golpe é a mesma que eu teria se realmente teve uma tentativa de golpe ao soltar o Lula. Teve uma tentativa de golpe em 8 de janeiro? O Lula poderia ser liberado e ser candidato com tantas denúncias claras de assalto a tanto dinheiro?”, disse.

Caiado também sustentou que, depois da eventual anistia, novos episódios semelhantes não seriam tolerados em seu governo. Para defender o argumento, citou ações anteriores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Você não viu o MST entrar dentro do plenário? Nós não vimos (eles) destruírem empresas no Brasil todo? E nada aconteceu. Quantas vezes aquele busto do Ulysses Guimarães foi tombado? A lei de agora para frente é um novo momento. O Caiado no governo, a partir dali, as pessoas vão saber que não tem espaço para esse tipo de ação”, acrescentou.

<><> Caiado defende ajuste fiscal sem corte de políticas sociais

O candidato também defendeu a redução de gastos públicos em um eventual governo, embora não tenha detalhado, durante a sabatina, quais despesas pretende cortar nem quais mudanças específicas faria na Previdência Social.

Caiado afirmou que considera possível promover ajuste fiscal sem reduzir políticas sociais e recorreu à sua experiência à frente do governo de Goiás para defender a proposta.

“Eu peguei essa mesma situação (de crise fiscal) em Goiás e eu promovi uma grande reforma administrativa, eu cortei incentivos fiscais, mais de R$ 3 milhões no estado de Goiás, eu fiz uma reforma da previdência em Goiás. Eu pratiquei no meu mandato, isso me credencia para buscar as melhores cabeças e discutir no meu governo. O equilíbrio fiscal não briga de maneira alguma com as políticas sociais”, declarou.

<><> Emendas parlamentares também entram na mira

Outro ponto apresentado por Caiado foi a intenção de estabelecer limites para as emendas impositivas de deputados federais e senadores. De acordo com os dados orçamentários citados na entrevista, elas ultrapassam R$ 60 bilhões neste ano.

Ex-senador e ex-deputado federal, Caiado associou o aumento da influência do Congresso sobre o Orçamento a uma “desestruturação do presidencialismo no Brasil”.

“Você tem uma desordem institucional completa. Eu não posso ter 594 planos de governo. Se a área de saúde vamos fazer regionalização da saúde atendendo um milhão e meio de pessoas em determinada circunferência, você quer colocar sua emenda? Está aqui. Agora, para ir para ONG e para ir para onde acha que deve ir, não tem como”, afirmou.

O candidato disse que pretende direcionar as emendas para projetos vinculados ao programa de governo escolhido nas urnas.

“(Eu vou) direcionar 100% nas obras de governo no meu plano de governo eleito pela população. Não tem como, não pode menosprezar o peso da cadeira do presidente da República. Vou falar ‘nós estamos num momento de pacificação do país, vamos anistiar, pacificar, parar de briga, porque eu não estou aqui para desacatar ninguém, eu estou aqui para governar e responder para as pessoas que esperam de um presidente da República’.”

•        Patrimônio de Zema aumenta R$ 49 milhões em quatro anos

 O patrimônio de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, cresceu R$ 49,1 milhões desde as eleições de 2022. O dado consta na declaração de bens dele apresentada à Justiça Eleitoral nesta quinta-feira (6).

Zema informou ter hoje um total de R$ 178,8 milhões em aplicações financeiras, empresas e imóveis. Quando foi reeleito governador de Minas Gerais, em 2022, o agora presidenciável declarou que possuía R$ 129,7 milhões em bens.

O aumento percentual no período é de 38%. A inflação acumulada, pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 19%.

Na lista dos bens do presidenciável, a maior fatia vem da participação do ex-governador em uma holding familiar, que soma R$ 94 milhões. Na sequência, há outros R$ 56,2 milhões relativos a um fundo de investimentos. O mineiro também tem R$ 4,3 milhões aplicados em investimentos de renda fixa.

Em 2022, sua cota de 27,14% na empresa Ricardo Zema Participações correspondia ao maior pedaço, equivalendo a R$ 72,3 milhões.

Ricardo é o nome do pai do ex-governador e presidente do Grupo Zema, que reúne as empresas da família, que incluem uma rede varejista e uma instituição financeira. O candidato do Novo é empresário e formado em administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Os negócios da família começaram em Araxá (MG), onde o ex-governador nasceu.

Ao todo, o patrimônio do político cresceu 150% desde 2018, quando disputou pela primeira vez o governo do estado e declarou possuir R$ 69,7 milhões em propriedades.

A inflação acumulada para o período foi 51%, segundo o IPCA, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Alguns bens declarados pelo candidato permanecem com o mesmo valor ao longo do período, como um imóvel residencial.

A assessoria de Zema foi contatada, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

O vice na chapa de Zema é o senador Eduardo Girão (CE), que declarou patrimônio total de R$ 34,1 milhões. Entre os bens dele, consta “depósito bancário exterior”, no valor de US$ 1,8 milhão (R$ 10 milhões).

Além do presidenciável do Novo, até a noite desta quinta-feira (6) a única candidata a presidente que apresentou o registro da candidatura e, consequentemente, a declaração de bens foi Samara (UP). Seu patrimônio soma R$ 33 mil e é constituído de um automóvel e uma caderneta de poupança.

O prazo para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral se encerra no dia 15 de agosto.

•        Patrimônio de Jorginho Mello, governador de SC, salta 155% em 12 anos com holding familiar

O patrimônio do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), cresceu 154% em 12 anos, impulsionado por uma holding familiar em que mantém sociedade com os filhos Filipe e Bruno Mello, duas peças influentes no seu governo. O governador declarou ter R$ 2.818.036,89 em bens ao Tribunal Superior Eleitoral.

Em 2014, quando se candidatou a deputado federal, ele apresentou R$ 1.105.924,22, com apenas R$ 8 mil na empresa JSM Participações Societárias, valor que hoje está em R$ 1.688.000. A holding familiar que leva as iniciais do nome do governador foi criada em 2010 e hoje representa a principal fatia do patrimônio de Jorginho. Entre 2022 e 2026, a soma de todos os bens do governador cresceu em 16,7%.

Tanto Filipe Mello, que é advogado, quanto Bruno Mello, que é dentista, são lideranças influentes na vida política do pai. Filipe só não foi nomeado secretário da Casa Civil porque a Justiça não permitiu. Já Bruno é vice-presidente do PL em Santa Catarina. Ambos mantêm sociedades paralelas além da holding familiar. Uma das empresas de Bruno, a Be Dental School, oferece cursos junto à Universidade do Vale do Itajaí (Univali), uma das principais beneficiadas do programa Universidade Gratuita, que transfere recursos públicos dos cofres da educação para instituições particulares de ensino superior.

O governador também mantém em seu patrimônio dois imóveis e um terreno declarados em todos os últimos pleitos. Os apartamentos ficam na cidade de Itapema, a cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil. A declaração tem como base o valor de compra, de R$ 380.000 para dois apartamentos, mas o boom imobiliário na região indica uma ampla valorização.

Já o terreno é alvo de uma polêmica histórica na região Sul do Estado, nos municípios de Araranguá e Balneário Arroio do Silva. Em 1986, Jorginho adquiriu um terreno em um loteamento próximo do mar, o Arpoador, quando ainda pertencia à Araranguá. As melhorias de infra-estrutura prometidas pela construtora nunca aconteceram e atravessaram o processo de emancipação do balneário.

Esse imbróglio resultou, quase 40 anos depois, em uma associação que busca reparações na justiça. No patrimônio do governador, o terreno consta com o valor de R$ 828,68, inalterado ao longo dos anos, como ocorre na declaração dos apartamentos. Hoje, no entanto, há imobiliárias oferecendo lotes na localidade, praticamente inabitada, por R$ 70 mil.

Em março deste ano, o então prefeito do município, Evandro Scaini, confirmou no Instagram obras em convênio com o governo do Estado na região, no valor de R$ 4 milhões, com R$ 450 mil de contrapartida municipal. O investimento é em pavimentação, em uma avenida de acesso ao loteamento.

A imprensa catarinense divulgou as obras como investimento em “locais considerados pouco explorados do litoral catarinense” e “procurados por surfistas da região durante a alta temporada”. Procurada, a prefeitura não confirmou se sabia que o governador era proprietário de um terreno na região.

O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), candidato a vice-governador, declarou R$ 21.727.645,69 em bens, valor quase oito vezes maior do que o declarado por Jorginho. Adriano indicou ao TSE a posse de casas, terrenos, cotas em participações, além de investimentos e aplicações e de uma embarcação. O valor é 33,5% maior do que o declarado em 2024.

Até o momento, Jorginho Mello é o único dos candidatos ao governo de Santa Catarina com a candidatura registrada na plataforma de divulgação do TSE. Além dele, concorrem ao pleito Brunno Dias (PCO), Gelson Merísio (PSB), João Rodrigues (PSD), Laís Chaud (Unidade Popular), Marcelo Brigadeiro (Missão), Marcus Sodré (PSTU) e Ralf Zimmer (PRD).

•        Jair Renan Bolsonaro declara patrimônio quatro vezes maior que em 2024

O candidato a deputado federal por Santa Catarina Jair Renan Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou patrimônio quatro vezes maior que em 2024, a primeira vez que concorreu a um cargo público.

Em 2026, Jair Renan, que vai usar o nome Jair Bolsonaro nas urnas, declarou R$ 187.366,28 de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo R$ 122 mil em duas contas e R$ 65 mil de um Volkswagen Jetta, ano 2015.

Quando Jair Renan foi eleito vereador por Balneário Camboriú, em 2024, ele declarou apenas R$ 42.069,79, divididos em duas contas. Na época, ele declarou ser estudante.

O filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro concorre pela primeira vez à Câmara dos Deputados. Ele tem 28 anos e nasceu no Rio de Janeiro.

•        Ciro Nogueira declara R$ 34,6 milhões em bens, incluindo blindagens de carros

O senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira (PP-PI) declarou R$ 34,6 milhões em bens à Justiça Eleitoral.

O patrimônio aumentou 48,45% em comparação com 2018, a última eleição que Ciro Nogueira disputou e na qual foi eleito senador pelo Piauí.

 Entre os bens atuais, Ciro Nogueira declarou aplicações financeiras, lucro de empresas, imóveis e duas “blindagens de veículo”: uma de R$ 108 mil e outra de R$ 50 mil.

O candidato à reeleição também informou ser dono de um carro modelo 2023/2024 avaliado em R$ 568,9 mil. Segundo a declaração de bens do senador, ele também possui R$ 180 mil em espécie.

Ciro Nogueira é investigado na Operação Compliance Zero após a Polícia Federal identificar suposta “mesada” paga por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o senador. A suspeita é de que o parlamentar teria despesas e viagens bancadas pelo empresário em troca de favores no Congresso Nacional, como apresentação de PEC para aumentar cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por cliente.

O parlamentar afirmou ser vítima de “perseguição política” e disse que tentam “manchar” sua honra pessoal em anos eleitorais.

•        Chefes de gabinete de Zoe pedem demissão após divulgação de patrimônio

O chefe de gabinete Lucas Silveira e a coordenadora Giovanna Najar pediram demissão da equipe da vereadora de São Paulo Zoe Martinez (PL).

A demissão foi publicada no Diário Oficial do município dois dias após a divulgação do aumento patrimonial de 226,16%, em dois anos que atuou como parlamentar na capital paulista.

Em 2024, Zoe declarou R$ 646,3 mil de patrimônio à Justiça Eleitoral. Em 2026, ela disse ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tem R$ 2,1 milhões. A vereadora informou que o aumento patrimonial decorre de rendimentos de uma “aplicação financeira”.

Aliados de Zoe Martinez têm influência na subprefeitura de Pinheiros, a mais rica da cidade, que compreende a região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, centro econômico do país.

No início do segundo mandato do prefeito Ricardo Nunes (MDB), as indicações sobre a subprefeitura de Pinheiros foram disputadas por dois vereadores novatos do PL: Zoe e Lucas Pavinato (PL).

<><> Motivo das demissões

Zoe Martinez diz que as demissões foram consequência de uma “oportunidade” recebida pelo ex-chefe de gabinete Lucas Silveira.

Ao Metrópoles, Zoe informou que Giovanna é sua “melhor amiga” e  muito próxima a Silveira. Os ex-funcionários do gabinete são de Brasília.

Segundo a parlamentar, Silveira teve uma oportunidade profissional na capital federal e resolveu voltar à cidade de origem, e Giovanna também quis retornar. Questionada sobre qual é a oportunidade que o ex-chefe de gabinete recebeu na capital federal, a vereadora disse que “não cabe a mim comentar sobre a vida pessoal dele”.

“Eles resolveram ir antes, como eu estou candidata a [deputada] federal, eles já vão ir antes. São pessoas de extrema confiança”, disse a vereadora.

Nos corredores da Câmara dos Vereadores, o que se fala é que teria ocorrido uma briga no gabinete motivada pela divulgação do aumento patrimonial da parlamentar. Ela nega.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Notícias/Metrópoles

 

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