sábado, 8 de agosto de 2026

Nome de  vice na chapa de Flávio Bolsonaro frustra agronegócio e Faria Lima

A indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República frustrou representantes do agronegócio e do mercado financeiro. Integrantes do setor agropecuário e parlamentares ligados ao segmento foram pegos de surpresa com a definição e avaliam, nos bastidores, que o nome do parlamentar alagoano não anima a categoria nem possui interlocução consistente com as pautas do campo, informa Milena Teixeira, do Metrópoles.

Lideranças do setor destacam que a trajetória de Alfredo Gaspar está fortemente concentrada na área de segurança pública, ramo em que construiu sua atuação profissional como promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas. Em razão desse perfil, o entendimento prévio de agentes do setor é de que o deputado tem pouca aproximação e familiaridade com as pautas prioritárias do agronegócio brasileiro.

Antes da definição formal da chapa, o setor produtivo rural mantinha a expectativa de ver a senadora Tereza Cristina (PP-MS) indicada para o posto de vice. Ex-ministra da Agricultura, a parlamentar sul-mato-grossense possui diálogo consolidado e elevado prestígio junto a entidades, associações e lideranças do segmento em todo o país.

Além da repercussão negativa no campo, a escolha de Gaspar também não agradou aos agentes econômicos da Faria Lima. Gestores do mercado financeiro sinalizaram que a indicação do deputado quase não agrega à candidatura do filho primogênito de Jair Bolsonaro (PL). Para esses analistas, a decisão representa uma oportunidade perdida de ampliar o alcance eleitoral da chapa, visto que a expectativa do mercado era a indicação de uma mulher e, de preferência, filiada a uma legenda partidária diferente da de Flávio.

•        Marinho rejeita troca de vice e reafirma Alfredo Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro

A possibilidade de substituição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi descartada nesta sexta-feira (7). Em entrevista à CNN Brasil, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador eleitoral do candidato, afirmou que a decisão é definitiva.

“Gaspar é o candidato. Cruzamos o Rubicão. Vamos vencer. Ele está incomodando muito o PT”, afirmou Marinho. A declaração ocorre após voltarem a circular especulações sobre uma eventual troca do vice.

Os rumores ganharam força depois que a Executiva Estadual do PL de Alagoas aprovou uma cláusula permitindo que Alfredo Gaspar retorne automaticamente à disputa pelo Senado, caso deixe a chapa presidencial. A medida funciona como uma salvaguarda jurídica.

Apesar disso, interlocutores de Gaspar também descartam qualquer possibilidade de desistência. De acordo com pessoas próximas ao parlamentar, ele já trabalha na preparação do plano de governo da chapa, cuja apresentação está prevista para a próxima semana.

Gaspar foi anunciado como vice na quarta-feira (5), em uma escolha que provocou divergências entre aliados de Flávio Bolsonaro. Parte do grupo defendia uma mulher para compor a chapa, ou um nome considerado mais capaz de reduzir a resistência do mercado ao candidato do PL.

Outro tema que permanece no entorno da campanha é a acusação de estupro mencionada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) durante a leitura do relatório da CPMI do INSS, em março. Alfredo Gaspar nega as acusações.

A estratégia da campanha é tratar o episódio como um assunto superado e buscar um desfecho rápido na Justiça para reduzir o desgaste político, especialmente junto ao eleitorado feminino.

Marinho afirmou ainda que a escolha de Gaspar levou em consideração três eixos considerados centrais pela campanha: economia, segurança pública e combate à corrupção.

•        Em live com Eduardo, Gaspar ameaça “petezada” e convida Bolsonaro para “morar comigo no Jaburu”

ego de supetão para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) diante da falta de alternativas, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) também foi pego de surpresa por Eduardo Bolsonaro (PL) que o colocou em uma live de um canal bolsonarista no YouTube, onde fez uma declaração confusa e um convite ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por lidera a tentativa de golpe nas últimas eleições presidenciais.

“Nós vamos anistiar os presos políticos e promover o equilíbrio entre os poderes. E Jair Bolsonaro já tem um convite. Vai morar comigo no Jaburu”, anunciou Gaspar, convidando o ex-presidente para morar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, em Brasília.

Em discurso confuso, Gaspar confirmou que terá como incumbência na campanha propagar a narrativa sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, repetiu chavões do bolsonarismo e fez ameaças ao presidente e à “petezada”.

“Eu estou aqui para ser leal ao Brasil e ao Flávio Bolsonaro. Daria minha vida por isso. Troquei uma candidatura de senador, que estava em primeiro lugar, para assumir a condição de vice para poder dizer ao Flávio: batam em mim. Podem fuzilar, mas deixem meu presidente em paz para cuidar do Brasil. Quem vai comandar a nação é ele. E a petezada vai ter que arrumar malas para ir para cadeia. A corrupção não vai ficar impune. E manda um recado para Venezuela, Cuba, Nicarágua que não vai ter mais ajuda do dinheiro do povo brasileiro para ditadura não. E a gente quer o dinheiro de volta”, afirmou, misturando diversas narrativas da ultradireita.

Em seguida, Gaspar papagueia a narrativa sobre o chamada TariFlávio, taxação imposta aos produtos brasileiros por Donald Trump, que patrocina uma ofensiva para interferir nas eleições brasileiras.

“E pode dizer ao Lula que ele fica provocando os Estados Unidos para dizer que Lula para dizer que tem tarifação. A culpa do tarifação é essa safadeza do Lula na política externa. Mas vai acabar”, afirmou.

“O produto brasileiro vai ser prestigiado. Porque o Flávio sabe se relacionar, respeitar e ter parceria com os parceiros certos no âmbito internacional. E o Eduardo vai ajudar muito nisso”, emendou, já se despedindo sem saber mais o que falar.

•        Se Nunes Marques intermediou apoio do PP a Flávio Bolsonaro é razão para impeachment, diz Pedro Serrano

rofessor de Direito Constitucional na PUC-SP, o jurista Pedro Serrano afirmou em entrevista ao Fórum Onze e Meia nesta sexta-feira (7) que caso seja comprovado que o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), intermediou uma negociação para apoio do Partido Progressistas, de Ciro Nogueira (PP-PI), a Flávio Bolsonaro (PL), ele deve ser alvo de um processo de impeachment para ser expulso do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Se for verdadeira essa história do ministro Kassio ter intermediado participação política numa das chapas, ele não pode ser presidente do TSE. Acho, inclusive, razão para impeachment de ministro do Supremo. Isso é uma razão muito clara. Ele não pode ser juiz do pleito e ter interferido na composição política desse pleito. Aliás, juiz nenhum pode entrar dessa forma na vida política”, afirmou Serrano.

A informação bombástica foi divulgada pelo jornalista Reinaldo Azevedo que afirmou, em seu programa na Band na última quarta-feira (5), ter apurado que “Nunes Marques resolveu entrar para tentar botar o PP na aliança com o Flávio”.

“O presidente do TSE buscando fazer aliança política? Eu acho que está fora do lugar, não vai bem, não. Está estranho”, emendou o jornalista.

A informação encontra eco nas sucessivas decisões de Nunes Marques, que à frente do TSE mudou regras para concentrar o poder em processos na corte e tem assumido a relatoria, em dobradinha com André Mendonça, vice-presidente da corte, de ações sensíveis a Flávio Bolsonaro.

A suposta intermediação com o Progressistas também encontra eco na vida pregressa de Nunes Marques, que era tratado como “nosso Kássio” por Ciro Nogueira e foi alçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro após lobby entre o presidente do Progressistas e o filho “01” do ex-presidente.

“Nosso Kassio é uma figura respeitadíssima no mundo jurídico. Tenho certeza de que vai chegar aos tribunais superiores: ou STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou Supremo”, disse Ciro Nogueira em junho de 2019.

<><> Lobby para o STF

Nunes Marques entrou para a magistratura pela Justiça Eleitoral. Em maio de 2008, ele foi indicado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí para vaga destinada a advogado como juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).

Três anos depois, em maio de 2011, assumiu o cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), indicado em lista sêxtupla pela Ordem dos Advogados do Brasil após a aposentadoria do desembargador Carlos Fernando Mathias de Souza.

Vice presidente do Tribunal entre 2018 e 2020, Nunes Marques iniciou o lobby com pretensões de assumir uma cadeira no STJ.

No entanto, em maio às articulações, foi apresentado a Flávio Bolsonaro pela desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, amiga do senador, com quem trabalhou no TRF-1. A aproximação contou com a ajuda do advogado Frederick Wasseff, o mesmo que escondeu Fabrício Queiroz, pivô das rachadinhas, em seu sítio em Atibaia, no interior paulista.

Bem impressionado com o então desembargador, Flávio Bolsonaro teria articulado com o presidente do PP, Ciro Nogueira para que ele apadrinhasse a indicação do conterrâneo piauiense ao STF.

O objetivo de Flávio Bolsonaro seria colocar alguém de confiança nas cortes superiores com o avanço das investigações de corrupção das rachadinha. O senador, no entanto, conseguiu derrubar a investigação no STJ, com a atuação de João Otávio de Noronha, que travou a denúncia em agosto de 2021.

À época, ainda em 2020, o gesto de Flávio foi visto por Nogueira como uma sinalização de Bolsonaro em favor do Centrão. Um ano depois, ele assumiria a Casa Civil do ex-governo, atuando como “presidente de fato” enquanto o ex-presidente promovia motociatas e se ocupava da reeleição e do possível golpe caso perdesse a eleição.

•        Jair Renan usa “Jair Bolsonaro” na urna, quadruplica patrimônio e omite orientação sexual ao TSE

Jair Renan Valle Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua candidatura a deputado federal pelo PL em Santa Catarina com o nome de urna “Jair Bolsonaro”, o mesmo usado quando se elegeu vereador de Balneário Camboriú em 2024. O registro, atualizado em 6 de agosto, revela um patrimônio declarado de R$ 187.366,28, salto de mais de 345% em relação aos R$ 42.069,79 informados dois anos antes, e a ausência de qualquer informação no campo de orientação sexual, que na candidatura anterior havia sido preenchido como heterossexual. A candidatura é descrita pelo próprio Jair Renan como uma “missão” dada pelo pai, atualmente em prisão domiciliar pela participação em uma trama golpista.

<><> A estratégia do sobrenome

Jair Renan registrou sua candidatura pelo PL usando “Jair Bolsonaro” como nome de urna, repetindo a fórmula que o levou à Câmara Municipal de Balneário Camboriú em 2024. A escolha não é acidental: em um estado onde o bolsonarismo construiu uma das bases eleitorais mais sólidas do país, associar o nome diretamente ao do ex-presidente é uma declaração de estratégia antes de qualquer slogan.

Em julho, ao anunciar a pré-candidatura, Jair Renan descreveu o movimento como uma “missão” dada pelo pai e afirmou que o objetivo é “continuar lutando pelos brasileiros”. A campanha, segundo ele, será conduzida ao lado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, sob o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. O movimento segue o mesmo roteiro do irmão Carlos Bolsonaro, que deixou o mandato na Câmara do Rio de Janeiro para concorrer ao Senado por Santa Catarina, articulação que reorganizou alianças locais e gerou críticas de prefeitos do PL e de siglas aliadas no estado.

<><> Salto patrimonial

O registro no TSE aponta um patrimônio de R$ 187.366,28, composto por um Volkswagen Jetta 2015 avaliado em R$ 65 mil e R$ 122 mil distribuídos em duas contas bancárias. Em 2024, quando disputou a vereança pela primeira vez, Jair Renan declarava R$ 42.069,79, também em contas bancárias. A diferença representa aumento superior a 345% em dois anos, período em que ele exerceu o mandato de vereador com salário público.

A ausência de explicação pública sobre como o patrimônio mais que quadruplicou enquanto Jair Renan ocupava um cargo de vereador é o ponto que tende a concentrar o escrutínio ao longo da campanha.

<><> Omissão da orientação sexual

Na ficha de candidatura atualizada em 6 de agosto, Jair Renan se declara homem cisgênero e solteiro, mas deixou em branco o campo referente à orientação sexual. Em 2024, o mesmo campo havia sido preenchido com a declaração de heterossexualidade. O preenchimento é opcional, conforme o TSE, e a omissão deliberada se distingue tecnicamente do não preenchimento por esquecimento.

Os números do TSE mostram que, das 8.229 candidaturas registradas até o momento, 3.640 (44,23%) optaram por não divulgar a orientação sexual; 4.398 se declararam heterossexuais; e outros 191 se identificaram como bissexuais, gays, lésbicas, pansexuais ou assexuais. Jair Renan está, portanto, na maioria que silencia, mas sua escolha carrega peso diferente dado o contraste com 2024.

Jair Renan foi o vereador mais votado de Balneário Camboriú em 2024, com pouco mais de 3 mil votos. No plenário, porém, acumula críticas de adversários pela baixa produtividade parlamentar e por discursos voltados a temas alheios ao cotidiano do município. Dois episódios concentram as controvérsias de seu mandato: logo no dia 1º de janeiro, ele usou o microfone para acusar o correligionário Kaká Fernandes de “traição”, em razão de uma discordância na articulação do partido durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que terminou com a vitória de Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político.

O segundo episódio de maior repercussão foi seu voto contrário ao projeto que instituiria o Dia da Democracia em homenagem a Higino Pio, ex-prefeito de Balneário Camboriú morto pela ditadura militar. O voto isolou Jair Renan na câmara municipal e expôs a orientação política do mandato de forma inequívoca.

 

Fonte: Brasil 247

 

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