Nome
de vice na chapa de Flávio Bolsonaro
frustra agronegócio e Faria Lima
A
indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República
frustrou representantes do agronegócio e do mercado financeiro. Integrantes do
setor agropecuário e parlamentares ligados ao segmento foram pegos de surpresa
com a definição e avaliam, nos bastidores, que o nome do parlamentar alagoano
não anima a categoria nem possui interlocução consistente com as pautas do
campo, informa Milena Teixeira, do Metrópoles.
Lideranças
do setor destacam que a trajetória de Alfredo Gaspar está fortemente
concentrada na área de segurança pública, ramo em que construiu sua atuação
profissional como promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de
Alagoas. Em razão desse perfil, o entendimento prévio de agentes do setor é de
que o deputado tem pouca aproximação e familiaridade com as pautas prioritárias
do agronegócio brasileiro.
Antes
da definição formal da chapa, o setor produtivo rural mantinha a expectativa de
ver a senadora Tereza Cristina (PP-MS) indicada para o posto de vice.
Ex-ministra da Agricultura, a parlamentar sul-mato-grossense possui diálogo
consolidado e elevado prestígio junto a entidades, associações e lideranças do
segmento em todo o país.
Além da
repercussão negativa no campo, a escolha de Gaspar também não agradou aos
agentes econômicos da Faria Lima. Gestores do mercado financeiro sinalizaram
que a indicação do deputado quase não agrega à candidatura do filho primogênito
de Jair Bolsonaro (PL). Para esses analistas, a decisão representa uma
oportunidade perdida de ampliar o alcance eleitoral da chapa, visto que a
expectativa do mercado era a indicação de uma mulher e, de preferência, filiada
a uma legenda partidária diferente da de Flávio.
• Marinho rejeita troca de vice e reafirma
Alfredo Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro
A
possibilidade de substituição do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como
candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi
descartada nesta sexta-feira (7). Em entrevista à CNN Brasil, o senador Rogério
Marinho (PL-RN), coordenador eleitoral do candidato, afirmou que a decisão é
definitiva.
“Gaspar
é o candidato. Cruzamos o Rubicão. Vamos vencer. Ele está incomodando muito o
PT”, afirmou Marinho. A declaração ocorre após voltarem a circular especulações
sobre uma eventual troca do vice.
Os
rumores ganharam força depois que a Executiva Estadual do PL de Alagoas aprovou
uma cláusula permitindo que Alfredo Gaspar retorne automaticamente à disputa
pelo Senado, caso deixe a chapa presidencial. A medida funciona como uma
salvaguarda jurídica.
Apesar
disso, interlocutores de Gaspar também descartam qualquer possibilidade de
desistência. De acordo com pessoas próximas ao parlamentar, ele já trabalha na
preparação do plano de governo da chapa, cuja apresentação está prevista para a
próxima semana.
Gaspar
foi anunciado como vice na quarta-feira (5), em uma escolha que provocou
divergências entre aliados de Flávio Bolsonaro. Parte do grupo defendia uma
mulher para compor a chapa, ou um nome considerado mais capaz de reduzir a
resistência do mercado ao candidato do PL.
Outro
tema que permanece no entorno da campanha é a acusação de estupro mencionada
pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) durante a leitura do relatório da CPMI
do INSS, em março. Alfredo Gaspar nega as acusações.
A
estratégia da campanha é tratar o episódio como um assunto superado e buscar um
desfecho rápido na Justiça para reduzir o desgaste político, especialmente
junto ao eleitorado feminino.
Marinho
afirmou ainda que a escolha de Gaspar levou em consideração três eixos
considerados centrais pela campanha: economia, segurança pública e combate à
corrupção.
• Em live com Eduardo, Gaspar ameaça
“petezada” e convida Bolsonaro para “morar comigo no Jaburu”
ego de
supetão para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) diante da falta de alternativas,
o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) também foi pego de surpresa por
Eduardo Bolsonaro (PL) que o colocou em uma live de um canal bolsonarista no
YouTube, onde fez uma declaração confusa e um convite ao ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por lidera a tentativa
de golpe nas últimas eleições presidenciais.
“Nós
vamos anistiar os presos políticos e promover o equilíbrio entre os poderes. E
Jair Bolsonaro já tem um convite. Vai morar comigo no Jaburu”, anunciou Gaspar,
convidando o ex-presidente para morar no Palácio do Jaburu, residência oficial
do vice-presidente, em Brasília.
Em
discurso confuso, Gaspar confirmou que terá como incumbência na campanha
propagar a narrativa sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, repetiu chavões
do bolsonarismo e fez ameaças ao presidente e à “petezada”.
“Eu
estou aqui para ser leal ao Brasil e ao Flávio Bolsonaro. Daria minha vida por
isso. Troquei uma candidatura de senador, que estava em primeiro lugar, para
assumir a condição de vice para poder dizer ao Flávio: batam em mim. Podem
fuzilar, mas deixem meu presidente em paz para cuidar do Brasil. Quem vai
comandar a nação é ele. E a petezada vai ter que arrumar malas para ir para
cadeia. A corrupção não vai ficar impune. E manda um recado para Venezuela,
Cuba, Nicarágua que não vai ter mais ajuda do dinheiro do povo brasileiro para
ditadura não. E a gente quer o dinheiro de volta”, afirmou, misturando diversas
narrativas da ultradireita.
Em
seguida, Gaspar papagueia a narrativa sobre o chamada TariFlávio, taxação
imposta aos produtos brasileiros por Donald Trump, que patrocina uma ofensiva
para interferir nas eleições brasileiras.
“E pode
dizer ao Lula que ele fica provocando os Estados Unidos para dizer que Lula
para dizer que tem tarifação. A culpa do tarifação é essa safadeza do Lula na
política externa. Mas vai acabar”, afirmou.
“O
produto brasileiro vai ser prestigiado. Porque o Flávio sabe se relacionar,
respeitar e ter parceria com os parceiros certos no âmbito internacional. E o
Eduardo vai ajudar muito nisso”, emendou, já se despedindo sem saber mais o que
falar.
• Se Nunes Marques intermediou apoio do PP
a Flávio Bolsonaro é razão para impeachment, diz Pedro Serrano
rofessor
de Direito Constitucional na PUC-SP, o jurista Pedro Serrano afirmou em
entrevista ao Fórum Onze e Meia nesta sexta-feira (7) que caso seja comprovado
que o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), intermediou uma negociação para apoio do Partido Progressistas, de Ciro
Nogueira (PP-PI), a Flávio Bolsonaro (PL), ele deve ser alvo de um processo de
impeachment para ser expulso do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Se for
verdadeira essa história do ministro Kassio ter intermediado participação
política numa das chapas, ele não pode ser presidente do TSE. Acho, inclusive,
razão para impeachment de ministro do Supremo. Isso é uma razão muito clara.
Ele não pode ser juiz do pleito e ter interferido na composição política desse
pleito. Aliás, juiz nenhum pode entrar dessa forma na vida política”, afirmou
Serrano.
A
informação bombástica foi divulgada pelo jornalista Reinaldo Azevedo que
afirmou, em seu programa na Band na última quarta-feira (5), ter apurado que
“Nunes Marques resolveu entrar para tentar botar o PP na aliança com o Flávio”.
“O
presidente do TSE buscando fazer aliança política? Eu acho que está fora do
lugar, não vai bem, não. Está estranho”, emendou o jornalista.
A
informação encontra eco nas sucessivas decisões de Nunes Marques, que à frente
do TSE mudou regras para concentrar o poder em processos na corte e tem
assumido a relatoria, em dobradinha com André Mendonça, vice-presidente da
corte, de ações sensíveis a Flávio Bolsonaro.
A
suposta intermediação com o Progressistas também encontra eco na vida pregressa
de Nunes Marques, que era tratado como “nosso Kássio” por Ciro Nogueira e foi
alçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro após lobby entre o
presidente do Progressistas e o filho “01” do ex-presidente.
“Nosso
Kassio é uma figura respeitadíssima no mundo jurídico. Tenho certeza de que vai
chegar aos tribunais superiores: ou STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou
Supremo”, disse Ciro Nogueira em junho de 2019.
<><>
Lobby para o STF
Nunes
Marques entrou para a magistratura pela Justiça Eleitoral. Em maio de 2008, ele
foi indicado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí para vaga destinada a
advogado como juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).
Três
anos depois, em maio de 2011, assumiu o cargo de desembargador do Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), indicado em lista sêxtupla pela Ordem
dos Advogados do Brasil após a aposentadoria do desembargador Carlos Fernando
Mathias de Souza.
Vice
presidente do Tribunal entre 2018 e 2020, Nunes Marques iniciou o lobby com
pretensões de assumir uma cadeira no STJ.
No
entanto, em maio às articulações, foi apresentado a Flávio Bolsonaro pela
desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, amiga do senador, com quem
trabalhou no TRF-1. A aproximação contou com a ajuda do advogado Frederick
Wasseff, o mesmo que escondeu Fabrício Queiroz, pivô das rachadinhas, em seu
sítio em Atibaia, no interior paulista.
Bem
impressionado com o então desembargador, Flávio Bolsonaro teria articulado com
o presidente do PP, Ciro Nogueira para que ele apadrinhasse a indicação do
conterrâneo piauiense ao STF.
O
objetivo de Flávio Bolsonaro seria colocar alguém de confiança nas cortes
superiores com o avanço das investigações de corrupção das rachadinha. O
senador, no entanto, conseguiu derrubar a investigação no STJ, com a atuação de
João Otávio de Noronha, que travou a denúncia em agosto de 2021.
À
época, ainda em 2020, o gesto de Flávio foi visto por Nogueira como uma
sinalização de Bolsonaro em favor do Centrão. Um ano depois, ele assumiria a
Casa Civil do ex-governo, atuando como “presidente de fato” enquanto o
ex-presidente promovia motociatas e se ocupava da reeleição e do possível golpe
caso perdesse a eleição.
• Jair Renan usa “Jair Bolsonaro” na urna,
quadruplica patrimônio e omite orientação sexual ao TSE
Jair
Renan Valle Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, registrou no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua candidatura a deputado federal pelo PL em
Santa Catarina com o nome de urna “Jair Bolsonaro”, o mesmo usado quando se
elegeu vereador de Balneário Camboriú em 2024. O registro, atualizado em 6 de
agosto, revela um patrimônio declarado de R$ 187.366,28, salto de mais de 345%
em relação aos R$ 42.069,79 informados dois anos antes, e a ausência de
qualquer informação no campo de orientação sexual, que na candidatura anterior
havia sido preenchido como heterossexual. A candidatura é descrita pelo próprio
Jair Renan como uma “missão” dada pelo pai, atualmente em prisão domiciliar
pela participação em uma trama golpista.
<><>
A estratégia do sobrenome
Jair
Renan registrou sua candidatura pelo PL usando “Jair Bolsonaro” como nome de
urna, repetindo a fórmula que o levou à Câmara Municipal de Balneário Camboriú
em 2024. A escolha não é acidental: em um estado onde o bolsonarismo construiu
uma das bases eleitorais mais sólidas do país, associar o nome diretamente ao
do ex-presidente é uma declaração de estratégia antes de qualquer slogan.
Em
julho, ao anunciar a pré-candidatura, Jair Renan descreveu o movimento como uma
“missão” dada pelo pai e afirmou que o objetivo é “continuar lutando pelos
brasileiros”. A campanha, segundo ele, será conduzida ao lado do irmão, o
senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, sob o lema
“Deus, Pátria, Família e Liberdade”. O movimento segue o mesmo roteiro do irmão
Carlos Bolsonaro, que deixou o mandato na Câmara do Rio de Janeiro para
concorrer ao Senado por Santa Catarina, articulação que reorganizou alianças
locais e gerou críticas de prefeitos do PL e de siglas aliadas no estado.
<><>
Salto patrimonial
O
registro no TSE aponta um patrimônio de R$ 187.366,28, composto por um
Volkswagen Jetta 2015 avaliado em R$ 65 mil e R$ 122 mil distribuídos em duas
contas bancárias. Em 2024, quando disputou a vereança pela primeira vez, Jair
Renan declarava R$ 42.069,79, também em contas bancárias. A diferença
representa aumento superior a 345% em dois anos, período em que ele exerceu o
mandato de vereador com salário público.
A
ausência de explicação pública sobre como o patrimônio mais que quadruplicou
enquanto Jair Renan ocupava um cargo de vereador é o ponto que tende a
concentrar o escrutínio ao longo da campanha.
<><>
Omissão da orientação sexual
Na
ficha de candidatura atualizada em 6 de agosto, Jair Renan se declara homem
cisgênero e solteiro, mas deixou em branco o campo referente à orientação
sexual. Em 2024, o mesmo campo havia sido preenchido com a declaração de
heterossexualidade. O preenchimento é opcional, conforme o TSE, e a omissão
deliberada se distingue tecnicamente do não preenchimento por esquecimento.
Os
números do TSE mostram que, das 8.229 candidaturas registradas até o momento,
3.640 (44,23%) optaram por não divulgar a orientação sexual; 4.398 se
declararam heterossexuais; e outros 191 se identificaram como bissexuais, gays,
lésbicas, pansexuais ou assexuais. Jair Renan está, portanto, na maioria que
silencia, mas sua escolha carrega peso diferente dado o contraste com 2024.
Jair
Renan foi o vereador mais votado de Balneário Camboriú em 2024, com pouco mais
de 3 mil votos. No plenário, porém, acumula críticas de adversários pela baixa
produtividade parlamentar e por discursos voltados a temas alheios ao cotidiano
do município. Dois episódios concentram as controvérsias de seu mandato: logo
no dia 1º de janeiro, ele usou o microfone para acusar o correligionário Kaká
Fernandes de “traição”, em razão de uma discordância na articulação do partido
durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que terminou com a vitória de
Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político.
O
segundo episódio de maior repercussão foi seu voto contrário ao projeto que
instituiria o Dia da Democracia em homenagem a Higino Pio, ex-prefeito de
Balneário Camboriú morto pela ditadura militar. O voto isolou Jair Renan na
câmara municipal e expôs a orientação política do mandato de forma inequívoca.
Fonte:
Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário