segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Por que quem tem diabetes tipo 1 precisa de insulina para controlar a glicemia? Médica explica

Pessoas com diabetes tipo 1 precisam utilizar insulina porque, nesse tipo de diabetes, o pâncreas deixa de produzir o hormônio necessário para controlar a glicemia. Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, entrevistada pelo Portal Um Diabético, não há outra forma de tratamento que substitua o medicamento nesse caso.

A insulina permite que a glicose presente no sangue seja utilizada pelo organismo. Sem a reposição do hormônio, a glicemia pode permanecer elevada e o tratamento não consegue cumprir sua função de controle.

Segundo Denise, o medicamento é parte essencial do tratamento de quem tem diabetes tipo 1. Por isso, o uso do medicamento começa, em geral, desde o diagnóstico da doença.

<><> Como funciona o tratamento

A médica explica que o tratamento do diabetes tipo 1 utiliza diferentes formas do medicamento. Entre elas estão a insulina basal, também chamada de prolongada, e a insulina de ação rápida.

A basal atua durante os períodos em que a pessoa não está comendo, como durante o sono. Sua função é ajudar a manter a glicemia dentro da faixa estabelecida para pessoas com diabetes sem a influência direta das refeições.

Já a de ação rápida é utilizada em relação à alimentação. No diabetes tipo 1, a pessoa precisa considerar a necessidade de insulina nas refeições para controlar o aumento da glicemia provocado pela ingestão de alimentos.

Denise explica que, embora o tratamento possa começar de formas diferentes em determinadas situações, a estratégia intensiva utiliza as duas formas de insulina: basal e bolus, sendo a segunda relacionada às refeições.

<><> Por que existem diferentes tipos

Os análogos de insulina são moléculas modificadas para apresentar características diferentes de ação no organismo.

Segundo Denise, a NPH continua disponível no Brasil e é utilizada por parte das pessoas que precisam de insulina. Como sua duração de ação é limitada, pode ser necessário realizar mais de uma aplicação ao longo do dia.

A médica explica que a NPH pode apresentar ação de até 20 horas. Quando se aumenta a quantidade utilizada para prolongar sua ação, também pode aumentar o risco de hipoglicemia, que é a queda da glicemia para níveis abaixo do esperado.

Os análogos podem apresentar períodos de ação diferentes. A entrevista também cita uma insulina basal de duração prolongada que pode ser aplicada semanalmente e que já havia sido aprovada em outros países, com expectativa de chegada ao Brasil mencionada durante a gravação.

<><> O que muda para quem tem diabetes tipo 1

No diabetes tipo 1, a necessidade de insulina está relacionada à ausência de produção adequada do hormônio pelo pâncreas. Por isso, diferentemente do diabetes tipo 2, a reposição de insulina faz parte do tratamento da doença.

A médica ressalta que o medicamento não deve ser entendido como uma punição pelo diabetes ou como sinal de que a pessoa fez algo errado. O tratamento precisa ser acompanhado de orientação sobre aplicação, doses, conservação e identificação de alterações da glicemia.

Esse processo exige aprendizado. Antes de iniciar a insulinoterapia, o paciente precisa receber informações sobre como aplicar a insulina, qual dose utilizar e como agir diante de uma possível hipoglicemia ou hiperglicemia.

<><> Não significa que o diabetes piorou

A associação entre o início da insulina e uma suposta piora do diabetes é mais discutida na entrevista em relação ao diabetes tipo 2. Segundo Denise, nesses casos, a necessidade desse medicamento pode ser temporária ou permanente, dependendo da situação clínica e da evolução da produção de insulina pelo organismo.

No diabetes tipo 1, porém, a situação é diferente. Como o pâncreas deixa de produzir insulina, o tratamento depende da reposição do hormônio.

A endocrinologista também afirma que a insulina pode ser utilizada de forma segura quando o paciente recebe orientação adequada. Entre os cuidados estão o aprendizado da técnica de aplicação e o acompanhamento dos níveis de glicemia.

<><> 105 anos de descoberta

A entrevista também relembra a evolução do tratamento. A descoberta ocorreu em 1921, e o medicamento passou por mudanças ao longo das décadas.

Segundo Denise, as primeiras insulinas utilizadas no tratamento tinham origem animal. Atualmente, existem análogos de insulina desenvolvidos a partir de modificações na molécula para alterar suas características de ação.

A evolução também inclui diferentes opções de duração e formas de aplicação. Entre elas está a insulina basal semanal citada durante a entrevista, que já possui aprovação em outros países e foi apontada como uma possibilidade de chegada ao Brasil.

No diabetes tipo 1, a necessidade de reposição do medicamento permanece como parte do tratamento porque o organismo não produz o hormônio necessário para o controle da glicemia. A escolha do tipo e da forma de aplicação deve ser feita de acordo com a orientação da equipe de saúde.

•        Usar insulina significa que o diabetes piorou? Entenda o que diz especialista

Começar a usar insulina não significa, necessariamente, que o diabetes piorou. Para quem tem diabetes tipo 2, o medicamento pode ser indicado em diferentes situações e, em alguns casos, o paciente pode deixar de utilizá-lo depois. A explicação é da endocrinologista e pesquisadora Denise Franco.

A médica explica que a necessidade do medicamento depende do momento clínico do paciente. Pessoas recém-diagnosticadas, por exemplo, podem precisar do medicamento quando apresentam glicemia muito elevada, perda de peso, sintomas importantes ou hemoglobina glicada elevada.

Nessas situações, a insulina pode ser utilizada para controlar a glicose e reduzir os efeitos da chamada glicotoxicidade, quando níveis elevados de glicose interferem no funcionamento do organismo.

<><> Quando a insulina pode ser temporária

Segundo Denise Franco, começar a usar o medicamento não significa que uma pessoa com diabetes tipo 2 precisará do medicamento pelo resto da vida.

A necessidade também pode surgir durante períodos de internação, antes de uma cirurgia ou em situações de instabilidade. Nesses casos, a insulina pode ser utilizada enquanto o paciente está passando por uma condição específica.

“Aquele momento você precisa de insulina. Pode ser que a gente não precise mais se a gente sair daquela situação”, explicou a endocrinologista durante entrevista ao DiabetesCast.

A possibilidade de interromper o tratamento, porém, depende da avaliação individual e da evolução do diabetes. Com o passar do tempo, algumas pessoas com diabetes tipo 2 podem apresentar perda da função das células responsáveis pela produção de insulina e passar a precisar do medicamento de forma permanente.

<><> Tratamento não é punição

O receio de começar a usar insulina ainda pode estar relacionado à ideia de que o medicamento representa uma piora da doença. Para Denise Franco, esse entendimento contribui para o estigma em torno da insulinoterapia.

A especialista explica que o medicamento é uma das formas de tratamento do diabetes tipo 2 e apresenta alta capacidade de reduzir a glicemia. O tratamento, entretanto, exige orientação para que o paciente saiba como aplicar e conservar o medicamento e como agir diante de alterações da glicose.

O início da insulinoterapia também envolve aprendizado sobre possíveis episódios de hipoglicemia, caracterizados pela queda da glicemia, e hiperglicemia, quando os níveis de glicose permanecem elevados.

<><> Diabetes tipo 1 tem outra relação com o medicamento

No diabetes tipo 1, a situação é diferente. A doença ocorre quando o pâncreas deixa de produzir insulina, e o tratamento depende da reposição do hormônio.

De acordo com Denise Franco, pessoas com diabetes tipo 1 precisam utilizar insulina basal, que atua entre as refeições e durante o período de sono, e insulina de ação rápida nas refeições.

A médica explica que a terapia intensiva com esses dois tipos de insulina é utilizada no tratamento do diabetes tipo 1. A quantidade e a forma de utilização, entretanto, precisam ser definidas de acordo com cada paciente.

<><> Novos tratamentos podem mudar a necessidade

A utilização do medicamento também pode variar conforme outras terapias disponíveis para o diabetes tipo 2. Segundo a endocrinologista, novos tratamentos têm contribuído para melhorar o controle da glicemia após as refeições.

Com isso, alguns pacientes têm utilizado mais insulina basal e menos insulina de ação rápida. A médica ressalta, porém, que a versão rápida continua sendo uma opção de tratamento quando existe necessidade.

A insulinoterapia também pode ser indicada no diabetes gestacional quando mudanças no estilo de vida e orientação alimentar não são suficientes para controlar a glicemia. Nesse caso, a insulina é considerada o tratamento medicamentoso de escolha citado pela especialista.

<><> O tratamento precisa ser individualizado

Para Denise Franco, a decisão de iniciar o medico deve vir acompanhada de orientação. O paciente precisa entender qual dose utilizar, como fazer a aplicação, como conservar o medicamento e quais medidas tomar diante de alterações da glicemia.

A necessidade de usar insulina, portanto, não permite concluir isoladamente que o diabetes tipo 2 piorou. A indicação pode estar relacionada ao momento clínico, a uma situação temporária ou à evolução da capacidade do organismo de produzir insulina.

No diabetes tipo 1, por outro lado, a reposição de insulina faz parte do tratamento porque o organismo deixa de produzir o hormônio necessário para controlar a glicemia.

 

Fonte: Um Diabético

 

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