Cérebro
sofre mudanças através da aprendizagem da leitura e matemática
Um
estudo analisa que entre os 5 e os 10 anos, as crianças passam por mudanças no
funcionamento neurocognitivo e na maturação cerebral. Essas mudanças, segundo a
análise, coincidem com marcos críticos na primeira infância, quando eles
aprendem competências como a leitura e a matemática.
O
estudo "Plasticidade cortical dependente da experiência em resposta à
escolarização formal: efeitos nas redes para leitura e matemática",
publicado na revista científica Elsevier, acompanhou crianças no início do
processo de escolarização e identificou mudanças nas regiões cerebrais
relacionadas as competências ao longo do período.
Ainda
segundo o estudo, o cérebro não é biologicamente predisposto para tais
competências, porém são competências transmitidas culturalmente que remodelam o
cérebro à medida que são adquiridas.
Este
processo, conhecido como neuroplasticidade dependente da experiência, e destaca
como as regiões cerebrais adaptam a sua função à medida que as crianças
aprendem novas competências.
Para a
compreensão, foram analisadas 64 crianças na pré-escola.
A
psicopedagoga com especialização em Neurociência Cognitiva, do Colégio Sigma,
Elaine Cristina da Silva, explica que esse encontro entre o amadurecimento do
cérebro e as experiências vividas ajuda a explicar por que os primeiros anos de
escolarização são tão importantes para o desenvolvimento.
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O que é a neuroplasticidade?
A
especialista aponta que a neuroplasticidade é a capacidade do cérebro em se
modificar. "É o que chamamos de
neuroplasticidade: a capacidade que o cérebro tem de se modificar a partir
daquilo que vivemos, praticamos e aprendemos", explica.
A
psicopedagoga aponta que o cérebro não nasce com as habilidades citadas no
estudo, mas que tudo é prática.
"A
leitura e a matemática são bons exemplos desse processo. O cérebro humano não
nasce com uma área pronta exclusivamente para ler ou fazer cálculos. Ao
aprender essas habilidades, ele utiliza e integra regiões que já participam de
outras funções, como linguagem, visão, memória, atenção, percepção de
quantidades e orientação espacial. Com a prática e a aprendizagem, essas
conexões vão se fortalecendo e se tornando mais especializadas e eficientes. É
justamente essa relação entre experiência e cérebro que o estudo publicado em
2026 ajuda a compreender. Os pesquisadores observaram que a escolarização
esteve associada a mudanças em regiões cerebrais relacionadas à leitura e à
matemática", informa.
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Importância da escola nesse processo
A
especialista em neurociência cognitiva indica que a escola é essencial, ainda
mais nos primeiros anos escolares, quando tudo ao redor, pode auxiliar na
trajetória das aprendizagens.
"É
nesse ponto que a escola ocupa um lugar tão importante. Nos primeiros anos
escolares, a criança não está apenas aprendendo conteúdos. Quando escuta uma
história, tenta ler uma palavra, escreve, conta objetos, compara quantidades,
resolve um problema, sustenta a atenção ou percebe que uma estratégia não
funcionou e tenta outra, diferentes processos cognitivos estão sendo
mobilizados. A repetição dessas experiências, quando acompanhada de
intencionalidade pedagógica, contribui para que determinadas aprendizagens se
consolidem", avalia.
Quando
o estudo menciona que a leitura pode alterar as regiões cerebrais relacionadas
as competências ao longo do período, a alfabetização auxilia quando abrange a
linguagem, memória e compreensão.
"Na
alfabetização, isso pode ser observado de maneira muito concreta. Para ler uma
palavra aparentemente simples, a criança precisa olhar para as letras,
reconhecê-las, relacioná-las aos sons da fala e acessar o significado daquela
palavra. Conforme avança na leitura, precisa ainda conectar palavras, frases e
conhecimentos anteriores para compreender um texto. Por isso, não existe um
único “centro da leitura” no cérebro. Ler depende do trabalho conjunto de
diferentes regiões e envolve visão, linguagem, atenção, memória e
compreensão", ressalta a especialista.
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Diferenças de aprendizado entre crianças
A
psicopedagoga destaca que não se pode concluir que uma criança aprendeu mais
simplesmente porque determinada região apresentou maior volume ou espessura.
"O
desenvolvimento cerebral não funciona segundo a lógica de que “quanto maior,
melhor”. Durante a infância, diferentes regiões podem aumentar, diminuir ou
manter determinadas características à medida que o cérebro amadurece e se
especializa", explica.
Fonte:
CNN Brasil

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