Proibição
das bets foi maior evento político nas redes no ano, aponta Instituto DX
A
proibição das bets anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na
sexta-feira (25) se tornou o evento político de maior repercussão nas redes
sociais no período de 12 meses analisado pelo Instituto Democracia em Xeque
(DX).
Segundo
relatório, a medida gerou 1.332.600 menções nas primeiras 24 horas, superando a
repercussão registrada em episódios como a disputa entre os ministros Alexandre
de Moraes e André Mendonça, que havia alcançado 1.011.186 menções no mesmo
intervalo.
Entre
25 e 28 de setembro, até as 9h, foram contabilizados 2,5 milhões de posts e 40
milhões de interações sobre o tema nas redes monitoradas.
O
anúncio provocou três ondas sucessivas de repercussão. O primeiro pico ocorreu
na noite de sexta-feira (25), quando o volume chegou a 85,8 mil publicações por
hora. No sábado (26), uma segunda onda atingiu 75,4 mil publicações por hora,
enquanto no domingo (27) uma terceira chegou a 47,3 mil por hora.
Na
comparação com outros episódios políticos monitorados pelo DX, a proibição das
bets teve o maior volume nas primeiras 24 horas. O caso superou, além da crise
entre Mendonça e Moraes, eventos como a condenação de Jair Bolsonaro, o caso
Dark Horse e o debate sobre Nossa Senhora Aparecida. Nas primeiras 63 horas,
foram registradas 2.494.800 menções ao tema.
A
medida foi anunciada por Lula por meio de uma Medida Provisória que determina o
fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota
fixa, incluindo apostas esportivas e cassinos on-line. O governo estabeleceu 5
de outubro como prazo para que apostadores retirem voluntariamente os valores
mantidos nas plataformas, enquanto os sites e aplicativos deverão sair do ar a
partir de 6 de outubro.
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Oposição publicou mais, mas favoráveis tiveram mais interações
O
relatório mostra uma diferença entre o volume de publicações e o engajamento.
Entre os posts com posicionamento definido, as narrativas contrárias à medida
somaram 4.507 publicações, ou 57%, enquanto as favoráveis reuniram 3.389.
Nas
interações, porém, a proporção se inverteu: as narrativas favoráveis alcançaram
8,8 milhões de interações, contra 8,2 milhões das contrárias. Considerando
apenas os conteúdos com posicionamento definido, o campo favorável ficou com
52% das interações e o contrário com 48%.
Entre
os argumentos favoráveis, o principal eixo foi a defesa da medida como forma de
proteger famílias contra endividamento, dependência e perdas financeiras. Essa
narrativa reuniu 1.912 posts e 6,23 milhões de interações. O apoio político ao
governo apareceu em 2.825 posts, com 6,15 milhões de interações.
Já
entre as narrativas contrárias, o principal eixo foi a acusação de
“eleitoralismo, hipocrisia e responsabilidade do governo”, com 3.076 posts e
5,87 milhões de interações. Também ganharam espaço argumentos sobre perdas
econômicas, arrecadação, insegurança jurídica e possíveis impactos sobre clubes
de futebol e patrocínios.
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Tigrinho e disputa eleitoral
A
análise dos perfis políticos e da imprensa identificou seis principais eixos de
discussão. O maior, responsável por 34% das publicações, foi classificado pelo
DX como “Ataque do Tigrinho e a manobra eleitoral”. Segundo o levantamento, 74%
das publicações desse eixo partiram de perfis classificados como extrema
direita.
Outro
eixo, responsável por 31% das publicações, concentrou argumentos sobre
prejuízos às famílias e defesa da proibição. Nesse caso, 64% das publicações
vieram de perfis classificados pelo instituto como de esquerda.
A
reação de Flávio Bolsonaro também ocupou espaço relevante no debate. Segundo o
relatório, o candidato passou a defender a manutenção das apostas esportivas e
a proibição dos cassinos on-line e do chamado Tigrinho. Essa contraproposta
representou 11% das publicações da amostra qualitativa e gerou cerca de 1,07
milhão de interações.
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Instagram concentrou maior parte das interações
O
levantamento encontrou diferenças significativas entre as plataformas. O X
(antigo Twitter) concentrou 84,4% dos posts analisados, mas apenas 19% das
interações. O Instagram, por outro lado, respondeu por 12,4% das publicações e
77,5% das interações, indicando maior capacidade de circulação de conteúdos
publicados na plataforma.
As
páginas de fofoca e entretenimento também tiveram participação desproporcional.
Elas produziram 280 posts, ou 5% da amostra, mas alcançaram 3,8 milhões de
interações, equivalentes a 16% do total. A média foi de 13.510 interações por
publicação, acima das médias registradas entre esquerda e direita.
Entre
os principais publicadores, o perfil oficial de Lula publicou 15 vezes e
acumulou 2,8 milhões de interações. Nikolas Ferreira chegou a 1,1 milhão com
apenas dois posts, enquanto Thiago Asmar registrou 1,2 milhão em oito
publicações. A Choquei, classificada no relatório como página de fofoca, teve
35 posts e 1,7 milhão de interações.
O
relatório conclui que a repercussão combinou quatro frentes principais:
proteção social, disputa eleitoral, modelo regulatório e impacto sobre o
futebol. A combinação desses temas, segundo o DX, ajudou a manter a discussão
em alta por vários dias e levou a proibição das bets ao maior nível de
repercussão política registrado pelo instituto no período analisado.
Fonte:
ICL Noticias

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