85%
das amputações por pé diabético começam com uma ferida, diz especialista; saiba
como prevenir
Uma
ferida no pé pode iniciar uma sequência de complicações para quem convive com
diabetes. Segundo o ortopedista Eduardo Araújo, 85% das amputações relacionadas
ao pé diabético decorrem da complicação de uma ferida.
A
informação foi apresentada durante o DiabetesCast, em uma conversa sobre
prevenção e cuidados com os pés de pessoas com diabetes.
De
acordo com o especialista, a perda de sensibilidade causada pela neuropatia
pode fazer com que a pessoa não perceba que machucou o pé.
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Como uma ferida pode evoluir
A
neuropatia pode reduzir a capacidade de perceber dor e outros estímulos nos
pés. Eduardo explica que os nervos podem perder a função de forma progressiva,
começando pelas regiões mais distantes.
Quando
a pessoa não percebe uma lesão, ela pode continuar apoiando o pé sobre a região
machucada. A pressão repetida pode dificultar a cicatrização e favorecer a
evolução da ferida.
Segundo
Eduardo, esse processo pode começar com uma área de pressão excessiva. O corpo
responde formando uma calosidade, que funciona como uma proteção contra a
pressão.
O
problema ocorre quando a pessoa continua colocando peso sobre essa região sem
perceber o estímulo doloroso. A pressão pode contribuir para o surgimento de
uma ferida abaixo da calosidade.
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Neuropatia pode esconder a lesão
A dor
funciona como um sinal que indica que existe algum problema no corpo. No
entanto, a neuropatia pode reduzir essa percepção nos pés.
Eduardo
compara essa perda de sensibilidade ao desligamento de um painel de alerta. Sem
a dor, a pessoa pode não perceber que existe uma lesão ou que determinado ponto
recebe pressão repetida.
Por
isso, uma pequena alteração pode passar despercebida.
Gabriela
Cavicchioli, enfermeira especializada em diabetes, explica que a pessoa deve
observar os pés diariamente e procurar mudanças na pele, nas unhas e nas áreas
de apoio.
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Calosidade pode indicar pressão
Uma
calosidade nova ou uma região com pele mais espessa pode indicar alteração na
distribuição da pressão durante a pisada.
Segundo
Eduardo, a neuropatia pode modificar a forma como a pessoa apoia o pé. Com
isso, determinados pontos passam a receber mais pressão.
O calo
aparece como uma resposta do corpo a essa pressão. Por esse motivo, o
especialista classifica a calosidade como uma lesão que pode anteceder uma
úlcera.
A
observação do pé ajuda a identificar essa alteração antes que uma ferida
apareça.
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Por que não cortar o calo em casa
A
remoção de calos exige cuidado em pessoas com diabetes, principalmente quando
existe perda de sensibilidade.
Gabriela
orienta que a pessoa não use cortadores, lâminas ou lixas para retirar a pele
endurecida.
Uma
ferida pode existir abaixo da calosidade sem que a pessoa perceba. Além disso,
o próprio procedimento pode provocar um machucado.
Por
isso, a avaliação deve ser feita por um profissional capacitado, que poderá
verificar a condição da pele e identificar alterações no local.
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Ferida pode evoluir para infecção
Segundo
Eduardo, uma ferida que surge pela falta de sensibilidade pode continuar
recebendo pressão. Com isso, a lesão pode se agravar e sofrer complicações.
O
especialista afirma que parte das feridas pode infeccionar ou evoluir para
quadros que levam à amputação.
Durante
o DiabetesCast, Eduardo citou uma estimativa de 20 milhões de novas feridas
relacionadas ao diabetes por ano no mundo. Segundo ele, 25% dessas lesões
apresentam complicações.
O
especialista também afirmou que 85% das amputações relacionadas ao pé diabético
decorrem da complicação de uma ferida.
Esses
números foram apresentados durante a entrevista e, portanto, representam a
informação atribuída ao especialista no episódio.
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O que pode ajudar a evitar uma ferida?
A
prevenção começa com a observação dos pés. Gabriela orienta que a pessoa
procure alterações como calosidades, vermelhidão, fissuras, feridas e unhas
encravadas.
A
hidratação também faz parte da rotina de cuidados. O creme deve ser aplicado no
pé, mas não entre os dedos.
A
região entre os dedos pode ficar quente e úmida. Segundo Gabriela, essas
condições favorecem o crescimento de fungos.
O
cuidado com as unhas também merece atenção. A orientação é respeitar o formato
da unha e evitar cortes nas laterais, reduzindo o risco de encravamento.
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Avaliação pode identificar perda de sensibilidade
Além de
observar os pés, o profissional de saúde pode avaliar a sensibilidade
protetora.
Gabriela
explica que o monofilamento de 10 gramas pode ser utilizado nesse exame. O
instrumento toca pontos específicos do pé para verificar se a pessoa percebe o
contato.
A
avaliação ajuda a identificar alterações que podem aumentar o risco de lesões
não percebidas.
Segundo
Gabriela, médicos e enfermeiros da atenção primária podem realizar essa
avaliação e orientar os cuidados necessários.
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O cuidado começa antes da ferida
Para
Eduardo, a prevenção deve acontecer antes de o paciente chegar ao especialista
com uma lesão avançada.
Segundo
o ortopedista, muitos pacientes chegam ao atendimento especializado quando já
existe uma indicação de amputação.
Ele
defende que a identificação precoce das alterações permita iniciar os cuidados
antes que a ferida evolua.
A
orientação apresentada pelos especialistas é procurar atendimento quando houver
qualquer alteração nos pés, principalmente quando a pessoa já apresenta perda
de sensibilidade.
Fonte:
Um Diabético

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