Críticos
alertam para ataques conspiratórios de Trump
Desde o
início de seu segundo mandato, Donald Trump frequentemente lança ataques conspiratórios
absurdos contra críticos e adversários, ridicularizando-os e rotulando suas
opiniões como farsas, o que levou acadêmicos e especialistas jurídicos a
afirmarem que os ataques de Trump colocam em risco as liberdades, a saúde
pública e a ciência nos Estados Unidos.
O uso
extensivo de teorias da conspiração por Trump é a marca registrada de um líder
autoritário que enfraqueceu a confiança nas próximas eleições de meio de
mandato, ignorou perigosamente as evidências científicas e, muitas vezes,
pressionou por processos contra seus inimigos políticos de maneiras que corroem
seriamente as liberdades civis, dizem os críticos.
As
táticas conspiratórias e autoritárias de Trump são palpáveis, dizem os
críticos, em sua falsa alegação de que os EUA enfrentam uma "crise de
segurança eleitoral" para reforçar sua pressão radical por novas
restrições ao direito de voto, e em sua classificação da mudança climática como
uma "farsa", apesar das extensas evidências científicas de que ela é
uma realidade.
Para
alguns estudiosos, as alegações conspiratórias apoiadas por Trump tiveram um
impacto prejudicial em todos os níveis da sociedade e da democracia dos EUA e
são emblemáticas de como líderes autoritários usam teorias da conspiração para
justificar a repressão.
Steven
Levitsky, professor de ciência política em Harvard e coautor de "Como as
Democracias Morrem", afirmou: "As teorias da conspiração são a
primeira página do manual da repressão", observando que Mao, Stalin, Putin
e outros líderes autoritários historicamente lançaram ataques contra inimigos
disseminando teorias da conspiração.
“Elas
são quase sempre usadas para justificar a repressão”, acrescentou Levitsky,
observando que líderes autoritários podem simplesmente alegar conspirações sem
fornecer nenhuma ou apenas mínimas “provas”.
Em uma
reviravolta notável, Trump acusou, em meados de setembro, que alguns líderes e
especialistas em IA estivessem envolvidos em uma grande "conspiração"
e perpetrando uma "farsa", ao defenderem fortes salvaguardas para
proteger a humanidade contra potenciais ameaças de extinção em massa
decorrentes dessa nova e poderosa tecnologia.
Da
mesma forma, Trump, sem apresentar provas, menosprezou os críticos dos centros
de dados, chamando-os de pessoas que "querem acabar atrasadas e
pobres", e afirmou ser o melhor "guarda-corpo" para proteger a
sociedade das ameaças representadas pela IA não regulamentada.
Acadêmicos
e ex-funcionários federais afirmam que a estratégia de Trump de difamar
adversários em ataques conspiratórios põe em risco a democracia e remete às
táticas do infame advogado de direita Roy Cohn, um dos principais promotores do
"medo vermelho" na década de 1950, com quem Trump manteve laços
estreitos na década de 1980, durante o início de sua carreira no mercado
imobiliário de Nova York.
“Trump,
sob a tutela de Roy Cohn, aprendeu que alegações infundadas sobre forças
obscuras agindo contra ele poderiam servir para mobilizar o público e levá-lo a
vê-lo como vítima, em vez de culpado”, disse o historiador de Princeton, Julian
Zelizer. “Sempre que confrontado com críticas, como as da mídia ou sobre suas
políticas de inteligência artificial, seu instinto é lançar acusações de uma
vasta conspiração contra ele.”
Zelizer
enfatizou: "O uso frequente de teorias da conspiração por Trump para
atacar críticos tem um impacto prejudicial em todos os níveis da sociedade e da
democracia, desde o enfraquecimento da confiança nas eleições até o
comprometimento da nossa capacidade de lidar com problemas sérios envolvendo a
indústria de IA."
A
tendência de Trump de retratar seus críticos em tons conspiratórios como
inimigos perigosos ficou evidente em seus ataques na semana passada contra três
veículos de comunicação – CNN, Politico e MS Now – proibindo-os de acessar a
Casa Branca, o que os levou a entrar com uma ação conjunta em 21 de setembro
contestando suas medidas com base na Primeira Emenda e no devido processo
legal.
Em uma
publicação no Truth Social em 21 de setembro, Trump vangloriou-se de que a Casa
Branca “está instituindo um ataque às NOTÍCIAS FALSAS, algo que cresceu como um
câncer em nossos amados Estados Unidos da América. É corrupto, proposital,
generalizado, totalmente coordenado e completamente fora de controle. É uma
ameaça à nossa Segurança Nacional e deve ser detido, AGORA!”
Um juiz
federal em Washington, D.C., decidiu em 23 de setembro que o governo deveria
devolver imediatamente as credenciais de imprensa aos três veículos de
comunicação e que a ação punitiva contra eles era provavelmente
inconstitucional.
O
ex-procurador federal Ty Cobb, que atuou como conselheiro especial na Casa
Branca durante o primeiro mandato de Trump, alertou que "Trump nega,
denigre e humilha seus adversários, retratando-os como parte de uma
conspiração... Ele recorre a invenções abjetas em resposta a qualquer crítica
ou resistência."
Este
ano, Trump e seu Departamento de Justiça dedicaram recursos consideráveis para reforçar
suas alegações conspiratórias de que sua
derrota para Joe Biden em 2020 se deveu a fraude e que o sistema de votação
atual está repleto de fraudes, apesar das inúmeras
evidências em contrário.
Trump
tem repetidamente divulgado alegações falsas repletas de teorias da
conspiração, como fez em um discurso televisionado em rede nacional em 16 de
julho, quando defendeu novas medidas rigorosas para restringir a votação por
correio e investigar a votação de não cidadãos, supostamente para tornar as
eleições mais seguras.
Em seu
discurso televisionado, Trump fez a afirmação factualmente incorreta de que o
voto de não-cidadãos, que é ilegal e historicamente insignificante, representa
uma “crise de segurança eleitoral”.
A
obsessão de Trump em pintar o voto de não-cidadãos como uma crise é fortemente
refutada por dados da conservadora Heritage Foundation, que citam apenas 100
casos em um período de 25 anos.
Os
críticos veem essas ações de Trump para levantar temores infundados sobre a
segurança das eleições e forças obscuras empenhadas em fraudar os votos como
uma ferramenta para "minar a confiança pública" nas eleições.
“Parece
que o governo Trump está preparando o
eleitorado para acreditar que as eleições de outono serão repletas de fraudes”,
disse Barbara McQuade, ex-procuradora federal e professora de direito na
Universidade de Michigan.
“É
difícil saber se esse esforço é um pretexto para confiscar equipamentos de
votação, uma estratégia para intimidar alguns eleitores provavelmente
democratas e impedi-los de comparecer às urnas, ou uma campanha para minar a
confiança pública no resultado, mas tudo isso é prejudicial à democracia.”
Em
outra frente, o Departamento de Justiça de Trump tem lutado por quase um ano
para encontrar provas que fundamentem acusações em uma investigação sobre uma
suposta "grande conspiração" contra Trump, envolvendo o chamado
"Estado profundo", que remonta ao presidente Barack Obama e às
investigações sobre os esforços da Rússia para influenciar as eleições de 2016.
A investigação, que Trump tem apoiado, emitiu intimações para diversos
ex-funcionários da segurança nacional e da área de segurança pública, incluindo
o ex-diretor da CIA, John Brennan, e o ex-diretor do FBI, James Comey.
Esta
investigação abrangente nomeou alguns dos principais negacionistas eleitorais
aliados de Trump para cargos de destaque. Notavelmente, Trump recrutou Joe
diGenova, de 81 anos, um ex-promotor que liderou a iniciativa até anunciar
abruptamente sua saída em 10 de setembro, e o ex-advogado da Casa Branca, Kurt
Olsen. Ambos os advogados trabalharam para desacreditar os resultados das
eleições de 2020 e a vitória de Joe Biden.
A
repentina renúncia de diGenova – após apenas cinco meses no cargo – levantou
questionamentos sobre os rumos e a credibilidade da investigação. A saída de
diGenova ocorreu após a de outra procuradora de alto escalão que chefiava a
investigação; Maria Medetis Long, uma veterana procuradora de segurança
nacional, renunciou em abril após, supostamente, expressar preocupações sobre
os rumos da investigação.
“A
chamada investigação da Grande Conspiração subverte completamente a prática da
promotoria”, disse o ex-inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael
Bromwich, que representou o ex-diretor adjunto do FBI, Andrew McCabe, na
investigação.
"Tudo
começa com alvos designados, os inimigos percebidos do presidente, e então
busca fatos e distorce a lei para apoiar a teoria. Joe diGenova descobriu que
era mais fácil ser um propagandista externo aplaudindo a teoria à margem do que
ter a responsabilidade de construir tal argumento com fatos reais."
Em
outras questões energéticas e ambientais, Trump e seus principais assessores
têm utilizado teorias da conspiração falsas e informações enganosas para
combater as crescentes evidências dos riscos representados pelas mudanças
climáticas, desde o aumento das temperaturas até tempestades perigosas em todo
o mundo.
O
governo Trump agiu com firmeza para eliminar regulamentações energéticas e
ambientais destinadas a combater as mudanças climáticas e, simultaneamente,
promoveu um maior uso de carvão, que Trump elogiou erroneamente como
"limpo e bonito", e de outros combustíveis fósseis que agravam as
mudanças climáticas.
No
final do ano passado, autoridades energéticas do governo Trump emitiram ordens
emergenciais para manter em funcionamento cinco usinas de carvão antigas em
Michigan e em outros quatro estados, que estavam programadas para serem
desativadas, o que levou alguns estados a contestarem as medidas dispendiosas.
Em
meados de setembro, um juiz federal decidiu que o departamento de energia havia
excedido sua autoridade ao ordenar que a usina de Michigan permanecesse em
operação após sua desativação.
Além
disso, após anos de ataques conspiratórios contra a energia eólica por parte de
Trump, sua administração anunciou em dezembro a suspensão dos contratos de
arrendamento de cinco projetos de energia eólica offshore na costa leste, um
duro golpe para o setor.
Os
cinco parques eólicos estavam previstos para fornecer energia a mais de 2,5
milhões de residências e criar 10.000 empregos. Em fevereiro, um juiz federal
emitiu uma liminar permitindo que um dos cinco permanecesse em operação.
“As
decisões de Trump não fazem sentido nem do ponto de vista da proteção ambiental
nem do custo da energia”, disse Naomi Oreskes, historiadora da ciência e
professora de ciências da Terra e planetárias da Universidade de Harvard, ao
jornal The Guardian no início deste ano.
Oreskes
acrescentou que “ao bloquear projetos eólicos que estavam quase prontos para
entrar em operação e ao reativar usinas a carvão perigosas e antieconômicas,
este governo está aumentando tanto os custos diretos de energia para o povo
americano quanto os custos indiretos que sofremos com a poluição do ar e os
danos climáticos”.
Significativamente,
em fevereiro, o governo Trump revogou uma importante descoberta científica que
apontava as mudanças climáticas como um risco para a saúde pública, uma ideia
que Trump ridicularizou como "uma farsa", apesar de inúmeros estudos
científicos demonstrarem que se trata de um dano facilmente quantificável.
O Dr.
Howard Frumkin, professor emérito de saúde pública da Universidade de
Washington, disse à PBS: "É incompreensível que o governo esteja revogando
a conclusão de perigo; é como insistir que a Terra é plana ou negar que a
gravidade existe."
Na área
da saúde, Trump e Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos
(HHS), que tem um longo histórico de declarações factualmente incorretas sobre
a segurança das vacinas, também fizeram afirmações falhas e conspiratórias
sobre as vacinas.
Em
agosto, Trump declarou categoricamente que a vacina tríplice viral (MMR) para
crianças poderia ser "bastante letal", mas não apresentou evidências
científicas para sustentar sua afirmação. Trump também defendeu a divisão de um esquema de
imunização tradicional em três doses separadas, que atualmente não estão disponíveis nos Estados Unidos.
Mesmo
com o aumento do número de mortos pelo pior surto de sarampo em décadas,
Kennedy foi uma das figuras de destaque em uma conferência em Washington, D.C.,
da organização antivacina Children's Health Defense, que ele liderou por quase
duas décadas, no dia 16 de setembro.
“Deixe-me
ser claro. Vocês têm um amigo forte e leal na Casa Branca”, disse Kennedy à
plateia em um discurso de quase 90 minutos. “Vocês têm amigos na Casa Branca, e
estamos fazendo isso um dia de cada vez.”
Segundo
pesquisas recentes, cerca de um quarto dos americanos agora tem dúvidas sobre
as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR), em decorrência de campanhas
de vários anos contra a imunização, realizadas por grupos que antes eram
considerados marginais.
De uma
perspectiva histórica, Zelizer observou que as teorias da conspiração na
política americana têm uma longa história, mas que, antes de Trump, "o
papel dos presidentes e de outros funcionários eleitos de alto escalão era o de
combater essa parte da política, em vez de amplificar essas ideias".
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Às vésperas da eleição, pressões dos EUA alcançam
política, economia e STF
A
poucos dias da eleição presidencial, a revelação de que o governo Donald Trump
(EUA) tentou incluir o próprio pleito brasileiro entre as condições para
negociar a redução do tarifaço de 50% sintetiza a dimensão política das
pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil. A exigência de garantias a
“dissidentes políticos”, apresentada em 2025 e rejeitada por Brasília, soma-se
agora às cobranças sobre PCC e Comando Vermelho e à possibilidade de novas
sanções contra ministros do Supremo Tribunal
Federal
(STF).
A
proposta entregue em outubro do ano passado reunia 21 exigências, conforme
registrou o jornal O Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 17. A lista
continha comércio, minerais críticos, serviços digitais, sistema de pagamentos
e até compras de aeronaves Boeing por companhias brasileiras. As
exigências foram recusadas pelo Governo Lula (PT) que viu uma tentativa de Bullying
Diplomático. Uma versão posterior retirou os temas ligados à política interna.
Para o
economista Paulo Kliass, o conjunto ultrapassava uma negociação comercial.
“Em
última instância, é um atentado severo à nossa soberania nacional”, afirma. Ele
destaca a defesa dos interesses das big techs americanas, a
referência ao Pix, os minerais críticos – “uma questão estratégica” para
Washington – e às compras de aviões. “Os caras estão preocupados realmente com
a concorrência da Embraer”, exclama.
Gilberto
Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC
(UFABC), chama atenção para a linguagem: “O Brasil deverá”, “o Brasil
compromete-se”, “o Brasil não deverá”. Para ele, “são medidas impositivas. Não
é uma proposta de acordo”.
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EUA falam em dissidentes
É na
exigência eleitoral que Maringoni identifica o componente político mais
explícito. A minuta dizia que o Brasil deveria garantir uma eleição “livre e
justa” e não deter, prender arbitrariamente ou limitar a participação de
“dissidentes políticos”.
“O que
é isso, dissidente político?”, questiona o professor. Segundo Maringoni, a
formulação inverte o sentido dos acontecimentos posteriores às eleições de
2022. Em vez de dissidentes perseguidos pelo Estado, argumenta, houve
derrotados nas urnas que não aceitaram o resultado eleitoral e passaram a
responder por seus atos perante a Justiça.
Nesse
ponto, Jair Bolsonaro está incluído. O ex-presidente foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão
por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Segundo a decisão,
Bolsonaro liderou a organização que buscou impedir a alternância de poder após
sua derrota nas eleições.
Maringoni
também contesta que os Estados Unidos possam criticar o sistema eleitoral do
Brasil. “A troco de quê? Com que autoridade? Com que legitimidade?”, questiona.
Para o
professor, o sistema brasileiro oferece mais segurança institucional justamente
por possuir uma Justiça Eleitoral organizada nacionalmente, enquanto nos EUA a
administração das eleições é descentralizada e varia entre estados e milhares
de jurisdições locais, incluindo a possibilidade de votos por correspondência.
Nesta
semana, em Washington, Eduardo Bolsonaro elogiou a referência a “dissidentes
políticos” feita pelo governo americano e afirmou considerar-se um deles.
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Preparando futuros questionamentos
Para
Maringoni, a questão não é apenas semântica. Associar “dissidentes políticos” à
cobrança por uma eleição “livre e justa” pode, em sua avaliação, preparar
argumentos para futuros questionamentos sobre o resultado.
“Tudo
isso é uma evidente interferência no processo eleitoral brasileiro, porque abre
caminho para contestação do resultado eleitoral”, declara.
O
risco, diz, estaria nas consequências caso Washington decidisse não reconhecer
um resultado. Possíveis sanções, rompimentos de acordos e fortalecimento,
dentro do país, de setores dispostos a questionar o governo eleito.
O
professor lembra que as próprias Forças Armadas do Brasil podem ser impactadas
e, nelas, se gerar um clima de insatisfação. “Há uma série de acordos de
colaboração com os Estados Unidos”, registra.
A
tensão ganhou novas frentes nesta semana. O governo Trump acusou o Brasil de
falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho e cobrou ações mais agressivas.
Contraditoriamente,
apesar da crítica, o Brasil não foi incluído pelo Departamento de Estados
norte-americano entre os grandes territórios produtores ou de trânsito
internacional de drogas nem entre os considerados formalmente descumpridores de
compromissos antidrogas.
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Pressões retornam ao Judiciário
Ao
mesmo tempo, autoridades dos Estados Unidos ouvidas reservadamente pela
imprensa afirmam que Washington avalia retomar sanções da Lei Global
Magnitsky contra Alexandre de Moraes, que poderiam alcançar outros
ministros. A possibilidade provocou reação de Flávio Dino, que classificou
pressões estrangeiras sobre o STF como ilegítimas e de “enorme gravidade
jurídica e constitucional”.
A
tentativa de projetar decisões e normas americanas sobre o Brasil também
aparece entre as 21 exigências apresentadas por Washington em outubro de 2025.
Uma delas previa que o País não punisse cidadãos ou empresas dos Estados Unidos
por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana.
“Querem
que o Brasil respeite uma lei americana”, destaca Maringoni. Ele chama a
atenção ao fato de que a mesma lógica da dita “Liberdade de Expressão” nos
Estados Unidos surge outra vez, mas para a exigência de que instituições
financeiras brasileiras não fossem penalizadas por cumprir sanções impostas por
aquele país. “Mais uma vez, a legislação americana se sobrepõe”, sinaliza.
Kliass
insere as 21 exigências em uma estratégia mais ampla para o continente,
associada à chamada Doutrina Donroe, referência à retomada da
lógica da Doutrina Monroe sob Trump. Para ele, Washington condiciona
interesses econômicos a elementos “de natureza política eleitoral e também
geopolítica”.
Maringoni
chega ao mesmo ambiente pelo campo das relações internacionais. “O Brasil é
vulnerável, mas essa imposição dos Estados Unidos, o Brasil não pode aceitar”.
Fonte:
The Guardian/Extra Classe

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