sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Críticos alertam para ataques conspiratórios de Trump

Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump frequentemente lança ataques conspiratórios absurdos contra críticos e adversários, ridicularizando-os e rotulando suas opiniões como farsas, o que levou acadêmicos e especialistas jurídicos a afirmarem que os ataques de Trump colocam em risco as liberdades, a saúde pública e a ciência nos Estados Unidos.

O uso extensivo de teorias da conspiração por Trump é a marca registrada de um líder autoritário que enfraqueceu a confiança nas próximas eleições de meio de mandato, ignorou perigosamente as evidências científicas e, muitas vezes, pressionou por processos contra seus inimigos políticos de maneiras que corroem seriamente as liberdades civis, dizem os críticos.

As táticas conspiratórias e autoritárias de Trump são palpáveis, dizem os críticos, em sua falsa alegação de que os EUA enfrentam uma "crise de segurança eleitoral" para reforçar sua pressão radical por novas restrições ao direito de voto, e em sua classificação da mudança climática como uma "farsa", apesar das extensas evidências científicas de que ela é uma realidade.

Para alguns estudiosos, as alegações conspiratórias apoiadas por Trump tiveram um impacto prejudicial em todos os níveis da sociedade e da democracia dos EUA e são emblemáticas de como líderes autoritários usam teorias da conspiração para justificar a repressão.

Steven Levitsky, professor de ciência política em Harvard e coautor de "Como as Democracias Morrem", afirmou: "As teorias da conspiração são a primeira página do manual da repressão", observando que Mao, Stalin, Putin e outros líderes autoritários historicamente lançaram ataques contra inimigos disseminando teorias da conspiração.

“Elas são quase sempre usadas para justificar a repressão”, acrescentou Levitsky, observando que líderes autoritários podem simplesmente alegar conspirações sem fornecer nenhuma ou apenas mínimas “provas”.

Em uma reviravolta notável, Trump acusou, em meados de setembro, que alguns líderes e especialistas em IA estivessem envolvidos em uma grande "conspiração" e perpetrando uma "farsa", ao defenderem fortes salvaguardas para proteger a humanidade contra potenciais ameaças de extinção em massa decorrentes dessa nova e poderosa tecnologia.

Da mesma forma, Trump, sem apresentar provas, menosprezou os críticos dos centros de dados, chamando-os de pessoas que "querem acabar atrasadas e pobres", e afirmou ser o melhor "guarda-corpo" para proteger a sociedade das ameaças representadas pela IA não regulamentada.

Acadêmicos e ex-funcionários federais afirmam que a estratégia de Trump de difamar adversários em ataques conspiratórios põe em risco a democracia e remete às táticas do infame advogado de direita Roy Cohn, um dos principais promotores do "medo vermelho" na década de 1950, com quem Trump manteve laços estreitos na década de 1980, durante o início de sua carreira no mercado imobiliário de Nova York.

“Trump, sob a tutela de Roy Cohn, aprendeu que alegações infundadas sobre forças obscuras agindo contra ele poderiam servir para mobilizar o público e levá-lo a vê-lo como vítima, em vez de culpado”, disse o historiador de Princeton, Julian Zelizer. “Sempre que confrontado com críticas, como as da mídia ou sobre suas políticas de inteligência artificial, seu instinto é lançar acusações de uma vasta conspiração contra ele.”

Zelizer enfatizou: "O uso frequente de teorias da conspiração por Trump para atacar críticos tem um impacto prejudicial em todos os níveis da sociedade e da democracia, desde o enfraquecimento da confiança nas eleições até o comprometimento da nossa capacidade de lidar com problemas sérios envolvendo a indústria de IA."

A tendência de Trump de retratar seus críticos em tons conspiratórios como inimigos perigosos ficou evidente em seus ataques na semana passada contra três veículos de comunicação – CNN, Politico e MS Now – proibindo-os de acessar a Casa Branca, o que os levou a entrar com uma ação conjunta em 21 de setembro contestando suas medidas com base na Primeira Emenda e no devido processo legal.

Em uma publicação no Truth Social em 21 de setembro, Trump vangloriou-se de que a Casa Branca “está instituindo um ataque às NOTÍCIAS FALSAS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. É corrupto, proposital, generalizado, totalmente coordenado e completamente fora de controle. É uma ameaça à nossa Segurança Nacional e deve ser detido, AGORA!”

Um juiz federal em Washington, D.C., decidiu em 23 de setembro que o governo deveria devolver imediatamente as credenciais de imprensa aos três veículos de comunicação e que a ação punitiva contra eles era provavelmente inconstitucional.

O ex-procurador federal Ty Cobb, que atuou como conselheiro especial na Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, alertou que "Trump nega, denigre e humilha seus adversários, retratando-os como parte de uma conspiração... Ele recorre a invenções abjetas em resposta a qualquer crítica ou resistência."

Este ano, Trump e seu Departamento de Justiça dedicaram recursos consideráveis ​​para reforçar suas alegações conspiratórias de que sua derrota para Joe Biden em 2020 se deveu a fraude e que o sistema de votação atual está repleto de fraudes, apesar das inúmeras evidências em contrário.

Trump tem repetidamente divulgado alegações falsas repletas de teorias da conspiração, como fez em um discurso televisionado em rede nacional em 16 de julho, quando defendeu novas medidas rigorosas para restringir a votação por correio e investigar a votação de não cidadãos, supostamente para tornar as eleições mais seguras.

Em seu discurso televisionado, Trump fez a afirmação factualmente incorreta de que o voto de não-cidadãos, que é ilegal e historicamente insignificante, representa uma “crise de segurança eleitoral”.

A obsessão de Trump em pintar o voto de não-cidadãos como uma crise é fortemente refutada por dados da conservadora Heritage Foundation, que citam apenas 100 casos em um período de 25 anos.

Os críticos veem essas ações de Trump para levantar temores infundados sobre a segurança das eleições e forças obscuras empenhadas em fraudar os votos como uma ferramenta para "minar a confiança pública" nas eleições.

“Parece que o governo Trump está preparando o eleitorado para acreditar que as eleições de outono serão repletas de fraudes”, disse Barbara McQuade, ex-procuradora federal e professora de direito na Universidade de Michigan.

“É difícil saber se esse esforço é um pretexto para confiscar equipamentos de votação, uma estratégia para intimidar alguns eleitores provavelmente democratas e impedi-los de comparecer às urnas, ou uma campanha para minar a confiança pública no resultado, mas tudo isso é prejudicial à democracia.”

Em outra frente, o Departamento de Justiça de Trump tem lutado por quase um ano para encontrar provas que fundamentem acusações em uma investigação sobre uma suposta "grande conspiração" contra Trump, envolvendo o chamado "Estado profundo", que remonta ao presidente Barack Obama e às investigações sobre os esforços da Rússia para influenciar as eleições de 2016. A investigação, que Trump tem apoiado, emitiu intimações para diversos ex-funcionários da segurança nacional e da área de segurança pública, incluindo o ex-diretor da CIA, John Brennan, e o ex-diretor do FBI, James Comey.

Esta investigação abrangente nomeou alguns dos principais negacionistas eleitorais aliados de Trump para cargos de destaque. Notavelmente, Trump recrutou Joe diGenova, de 81 anos, um ex-promotor que liderou a iniciativa até anunciar abruptamente sua saída em 10 de setembro, e o ex-advogado da Casa Branca, Kurt Olsen. Ambos os advogados trabalharam para desacreditar os resultados das eleições de 2020 e a vitória de Joe Biden.

A repentina renúncia de diGenova – após apenas cinco meses no cargo – levantou questionamentos sobre os rumos e a credibilidade da investigação. A saída de diGenova ocorreu após a de outra procuradora de alto escalão que chefiava a investigação; Maria Medetis Long, uma veterana procuradora de segurança nacional, renunciou em abril após, supostamente, expressar preocupações sobre os rumos da investigação.

“A chamada investigação da Grande Conspiração subverte completamente a prática da promotoria”, disse o ex-inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Bromwich, que representou o ex-diretor adjunto do FBI, Andrew McCabe, na investigação.

"Tudo começa com alvos designados, os inimigos percebidos do presidente, e então busca fatos e distorce a lei para apoiar a teoria. Joe diGenova descobriu que era mais fácil ser um propagandista externo aplaudindo a teoria à margem do que ter a responsabilidade de construir tal argumento com fatos reais."

Em outras questões energéticas e ambientais, Trump e seus principais assessores têm utilizado teorias da conspiração falsas e informações enganosas para combater as crescentes evidências dos riscos representados pelas mudanças climáticas, desde o aumento das temperaturas até tempestades perigosas em todo o mundo.

O governo Trump agiu com firmeza para eliminar regulamentações energéticas e ambientais destinadas a combater as mudanças climáticas e, simultaneamente, promoveu um maior uso de carvão, que Trump elogiou erroneamente como "limpo e bonito", e de outros combustíveis fósseis que agravam as mudanças climáticas.

No final do ano passado, autoridades energéticas do governo Trump emitiram ordens emergenciais para manter em funcionamento cinco usinas de carvão antigas em Michigan e em outros quatro estados, que estavam programadas para serem desativadas, o que levou alguns estados a contestarem as medidas dispendiosas.

Em meados de setembro, um juiz federal decidiu que o departamento de energia havia excedido sua autoridade ao ordenar que a usina de Michigan permanecesse em operação após sua desativação.

Além disso, após anos de ataques conspiratórios contra a energia eólica por parte de Trump, sua administração anunciou em dezembro a suspensão dos contratos de arrendamento de cinco projetos de energia eólica offshore na costa leste, um duro golpe para o setor.

Os cinco parques eólicos estavam previstos para fornecer energia a mais de 2,5 milhões de residências e criar 10.000 empregos. Em fevereiro, um juiz federal emitiu uma liminar permitindo que um dos cinco permanecesse em operação.

“As decisões de Trump não fazem sentido nem do ponto de vista da proteção ambiental nem do custo da energia”, disse Naomi Oreskes, historiadora da ciência e professora de ciências da Terra e planetárias da Universidade de Harvard, ao jornal The Guardian no início deste ano.

Oreskes acrescentou que “ao bloquear projetos eólicos que estavam quase prontos para entrar em operação e ao reativar usinas a carvão perigosas e antieconômicas, este governo está aumentando tanto os custos diretos de energia para o povo americano quanto os custos indiretos que sofremos com a poluição do ar e os danos climáticos”.

Significativamente, em fevereiro, o governo Trump revogou uma importante descoberta científica que apontava as mudanças climáticas como um risco para a saúde pública, uma ideia que Trump ridicularizou como "uma farsa", apesar de inúmeros estudos científicos demonstrarem que se trata de um dano facilmente quantificável.

O Dr. Howard Frumkin, professor emérito de saúde pública da Universidade de Washington, disse à PBS: "É incompreensível que o governo esteja revogando a conclusão de perigo; é como insistir que a Terra é plana ou negar que a gravidade existe."

Na área da saúde, Trump e Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS), que tem um longo histórico de declarações factualmente incorretas sobre a segurança das vacinas, também fizeram afirmações falhas e conspiratórias sobre as vacinas.

Em agosto, Trump declarou categoricamente que a vacina tríplice viral (MMR) para crianças poderia ser "bastante letal", mas não apresentou evidências científicas para sustentar sua afirmação. Trump também defendeu a divisão de um esquema de imunização tradicional em três doses separadas, que atualmente não estão disponíveis nos Estados Unidos.

Mesmo com o aumento do número de mortos pelo pior surto de sarampo em décadas, Kennedy foi uma das figuras de destaque em uma conferência em Washington, D.C., da organização antivacina Children's Health Defense, que ele liderou por quase duas décadas, no dia 16 de setembro.

“Deixe-me ser claro. Vocês têm um amigo forte e leal na Casa Branca”, disse Kennedy à plateia em um discurso de quase 90 minutos. “Vocês têm amigos na Casa Branca, e estamos fazendo isso um dia de cada vez.”

Segundo pesquisas recentes, cerca de um quarto dos americanos agora tem dúvidas sobre as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR), em decorrência de campanhas de vários anos contra a imunização, realizadas por grupos que antes eram considerados marginais.

De uma perspectiva histórica, Zelizer observou que as teorias da conspiração na política americana têm uma longa história, mas que, antes de Trump, "o papel dos presidentes e de outros funcionários eleitos de alto escalão era o de combater essa parte da política, em vez de amplificar essas ideias".

¨      Às vésperas da eleição, pressões dos EUA alcançam política, economia e STF

A poucos dias da eleição presidencial, a revelação de que o governo Donald Trump (EUA) tentou incluir o próprio pleito brasileiro entre as condições para negociar a redução do tarifaço de 50% sintetiza a dimensão política das pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil. A exigência de garantias a “dissidentes políticos”, apresentada em 2025 e rejeitada por Brasília, soma-se agora às cobranças sobre PCC e Comando Vermelho e à possibilidade de novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta entregue em outubro do ano passado reunia 21 exigências, conforme registrou o jornal O Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 17. A lista continha comércio, minerais críticos, serviços digitais, sistema de pagamentos e até compras de aeronaves Boeing por companhias brasileiras. As exigências foram recusadas pelo Governo Lula (PT) que viu uma tentativa de Bullying Diplomático. Uma versão posterior retirou os temas ligados à política interna.

Para o economista Paulo Kliass, o conjunto ultrapassava uma negociação comercial.

“Em última instância, é um atentado severo à nossa soberania nacional”, afirma. Ele destaca a defesa dos interesses das big techs americanas, a referência ao Pix, os minerais críticos – “uma questão estratégica” para Washington – e às compras de aviões. “Os caras estão preocupados realmente com a concorrência da Embraer”, exclama.

Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), chama atenção para a linguagem: “O Brasil deverá”, “o Brasil compromete-se”, “o Brasil não deverá”. Para ele, “são medidas impositivas. Não é uma proposta de acordo”.

<><> EUA falam em dissidentes

É na exigência eleitoral que Maringoni identifica o componente político mais explícito. A minuta dizia que o Brasil deveria garantir uma eleição “livre e justa” e não deter, prender arbitrariamente ou limitar a participação de “dissidentes políticos”.

“O que é isso, dissidente político?”, questiona o professor. Segundo Maringoni, a formulação inverte o sentido dos acontecimentos posteriores às eleições de 2022. Em vez de dissidentes perseguidos pelo Estado, argumenta, houve derrotados nas urnas que não aceitaram o resultado eleitoral e passaram a responder por seus atos perante a Justiça.

Nesse ponto, Jair Bolsonaro está incluído. O ex-presidente foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Segundo a decisão, Bolsonaro liderou a organização que buscou impedir a alternância de poder após sua derrota nas eleições.

Maringoni também contesta que os Estados Unidos possam criticar o sistema eleitoral do Brasil. “A troco de quê? Com que autoridade? Com que legitimidade?”, questiona.

Para o professor, o sistema brasileiro oferece mais segurança institucional justamente por possuir uma Justiça Eleitoral organizada nacionalmente, enquanto nos EUA a administração das eleições é descentralizada e varia entre estados e milhares de jurisdições locais, incluindo a possibilidade de votos por correspondência.

Nesta semana, em Washington, Eduardo Bolsonaro elogiou a referência a “dissidentes políticos” feita pelo governo americano e afirmou considerar-se um deles.

<><> Preparando futuros questionamentos

Para Maringoni, a questão não é apenas semântica. Associar “dissidentes políticos” à cobrança por uma eleição “livre e justa” pode, em sua avaliação, preparar argumentos para futuros questionamentos sobre o resultado.

“Tudo isso é uma evidente interferência no processo eleitoral brasileiro, porque abre caminho para contestação do resultado eleitoral”, declara.

O risco, diz, estaria nas consequências caso Washington decidisse não reconhecer um resultado. Possíveis sanções, rompimentos de acordos e fortalecimento, dentro do país, de setores dispostos a questionar o governo eleito.

O professor lembra que as próprias Forças Armadas do Brasil podem ser impactadas e, nelas, se gerar um clima de insatisfação. “Há uma série de acordos de colaboração com os Estados Unidos”, registra.

A tensão ganhou novas frentes nesta semana. O governo Trump acusou o Brasil de falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho e cobrou ações mais agressivas.

Contraditoriamente, apesar da crítica, o Brasil não foi incluído pelo Departamento de Estados norte-americano entre os grandes territórios produtores ou de trânsito internacional de drogas nem entre os considerados formalmente descumpridores de compromissos antidrogas.

<><> Pressões retornam ao Judiciário

Ao mesmo tempo, autoridades dos Estados Unidos ouvidas reservadamente pela imprensa afirmam que Washington avalia retomar sanções da Lei Global Magnitsky contra Alexandre de Moraes, que poderiam alcançar outros ministros. A possibilidade provocou reação de Flávio Dino, que classificou pressões estrangeiras sobre o STF como ilegítimas e de “enorme gravidade jurídica e constitucional”.

A tentativa de projetar decisões e normas americanas sobre o Brasil também aparece entre as 21 exigências apresentadas por Washington em outubro de 2025. Uma delas previa que o País não punisse cidadãos ou empresas dos Estados Unidos por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana.

“Querem que o Brasil respeite uma lei americana”, destaca Maringoni. Ele chama a atenção ao fato de que a mesma lógica da dita “Liberdade de Expressão” nos Estados Unidos surge outra vez, mas para a exigência de que instituições financeiras brasileiras não fossem penalizadas por cumprir sanções impostas por aquele país. “Mais uma vez, a legislação americana se sobrepõe”, sinaliza.

Kliass insere as 21 exigências em uma estratégia mais ampla para o continente, associada à chamada Doutrina Donroe, referência à retomada da lógica da Doutrina Monroe sob Trump. Para ele, Washington condiciona interesses econômicos a elementos “de natureza política eleitoral e também geopolítica”.

Maringoni chega ao mesmo ambiente pelo campo das relações internacionais. “O Brasil é vulnerável, mas essa imposição dos Estados Unidos, o Brasil não pode aceitar”.

 

Fonte: The Guardian/Extra Classe

 

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