Marco
Damiani: Criador do monstro Master, Campos Neto não pode passar impune
Nomeado
em fevereiro de 2019 por Jair Bolsonaro para o comando do Banco Central, sob os
auspícios do então ministro Paulo Guedes e em razão de seu sobrenome ligado ao
regime militar, do qual seu avô Roberto Campos foi um dos principais
formuladores econômicos, Roberto Campos Neto está desmoralizado.
Até os
janelões enegrecidos da sede do BC em Brasília sabem que Campos Neto está na
origem, no desenvolvimento e no acobertamento do maior escândalo financeiro da
história do País. Seus pares banqueiros querem vê-lo pelas costas, e o melhor
seria atrás das grades, onde estão Daniel Vorcaro, o papai Henrique e outros
quatro integrantes da quadrilha financeira montada dentro do banco.
As
operações que a quadrilha do Master comandou debaixo da fiscalização que o BC
de Campos Neto deveria ter feito deixaram um rombo de R$ 57,4 bilhões no Fundo
Garantidor de Crédito, lastreado pelas grandes instituições financeiras.
Estima-se um prejuízo total de mais de R$ 63 bilhões, quando se contam todas as
operações a descoberto. Para esse resultado desastroso, diretores do BC de
Campos Neto colaboraram como protetores de Vorcaro e suas estratégias de roubo
aos cofres de fundos públicos de previdência e maquilagem contábil.
Nada
menos que 38 alertas, a partir de novembro de 2024, foram emitidos pelo FGC
para o BC de Campos sobre os riscos embutidos nas operações do Master. Um a um
foram ignorados. O então presidente da autoridade monetária, escolado no
autoritarismo de origem familiar, não apenas fez vistas grossas como ainda
desdenhou dos avisos. Agora, escondido atrás de um cargo poderoso no Nubank,
faz que o assunto não é com ele. A mídia tradicional acoberta, sem apontar com
o destaque devido, o seu papel central em todo o escândalo.
Roberto
Campos Neto poderia ter evitado que o Master se tornasse a máquina de mal
feitos em que se transformou. Bastava cumprir o papel de funcionário público
decente, disposto a ter atenção aos fortes sinais de desequilíbrio das
operações do banco que sempre operou com margens de remuneração que todo o
mercado sabia serem impraticáveis. Vorcaro não construiu sozinho a fortuna
capturada pelos dutos corruptos do Master. O pilar central de sua construção
foi sustentado, com toda a firmeza, por Campos Neto em pessoa e seu time de
diretores.
Em
fevereiro de 2019, no final da gestão de gestão Ilan Goldfajn, a Diretoria
Colegiada do Banco Central havia rejeitado por unanimidade o pedido de Vorcaro
para assumir o controle do Banco Máxima. A recusa baseou-se na fragilidade do
plano de negócios e em questionamentos sobre o perfil e os antecedentes de
Daniel Vorcaro. Porém, oito meses depois, em outubro de 2019, já sob a
presidência do neto de Roberto Campos, o BC reapreciou o pedido e aprovou a
operação por unanimidade. O placar foi de 8 a 0. Essa decisão permitiu a
Vorcaro assumir a instituição, alterando seu nome posteriormente para Banco
Master. O escândalo teve origem naquele instante.
Campos
Neto não pode passar impune nas investigações do maior escândalo financeiro da
história do País. A chance dele conseguir se livrar está em uma eventual
vitória do candidato de extrema-direita Flávio Bolsonaro, que irá jogar tudo
para debaixo dos tapetes do Palácio do Planalto. No curso normal da Justiça, o
ex-presidente do BC terá de, mais cedo ou tarde, pagar pelo que fez a favor do
surgimento e crescimento do monstro Master.
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“Muito obrigado Daniel”: mensagens reforçam necessidade
de investigar Campos Neto no escândalo do Master. Por Aquiles Lins
Mensagens
encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro revelaram que
Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central indicado por Jair
Bolsonaro, manteve contato direto com o banqueiro e chegou a convidá-lo para
uma reunião em sua residência no condomínio Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz,
no interior de São Paulo. O encontro acabou transferido para uma instalação
oficial do BC, por motivos domésticos, mas o diálogo acrescenta um novo
elemento às dúvidas sobre a relação entre o ex-presidente da autoridade
monetária e o controlador do Banco Master.
Em uma
das trocas de mensagens, divulgadas pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O
Globo, Vorcaro procurou Campos Neto em novembro de 2023 para apresentar “o
trabalho que estamos desenvolvendo no banco e nossas perspectivas”. Depois de
sucessivos ajustes de agenda, Campos Neto sugeriu que a conversa pudesse
ocorrer na Fazenda Boa Vista, onde estaria com a família.
“Se por
acaso for na Fazenda Boa Vista na outra semana podemos fazer lá também. Vou
estar lá com a família”, escreveu. No dia seguinte, ao confirmar os detalhes do
encontro, Campos Neto afirmou: “Sim. Correto. Podemos fazer na minha casa.”
A
reunião estava marcada para 22 de dezembro de 2023, mas o então presidente do
BC cancelou a realização em sua residência após informar que a casa havia sido
dedetizada. Propôs, então, transferir o encontro para o Banco Central, na
avenida Paulista.
Meses
depois, em março de 2024, os dois voltaram a trocar mensagens. Campos Neto
enviou uma imagem a Vorcaro, cujo conteúdo não foi divulgado. O banqueiro
respondeu com emojis de aplausos e escreveu: “merecido! Parabéns!”. No dia
seguinte, Campos Neto respondeu: “Muito obrigado Daniel. Um grande abraço e
sucesso”.
As
mensagens, por si só, não comprovam favorecimento, irregularidade ou crime.
Presidentes do Banco Central mantêm interlocução com representantes do sistema
financeiro, inclusive com instituições supervisionadas pela autarquia.
As
conversas entre Campos Neto e Daniel Vorcaro, no entanto, ocorreram enquanto o
Banco Master já acumulava questionamentos de agentes do mercado, do Fundo
Garantidor de Créditos e do próprio Banco Central. O conteúdo do celular de
Vorcaro é parte de uma sequência de fatos que envolve a autorização para sua
entrada no sistema bancário, o crescimento acelerado e agressivo do Master e as
decisões tomadas pela direção do BC durante a gestão Campos Neto.
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Da rejeição à autorização
A
relação entre Vorcaro e o Banco Central ganhou relevância ainda em 2019.
Em fevereiro daquele ano, antes de Campos Neto assumir a presidência da
instituição, o BC rejeitou a transferência do controle do Banco Máxima para
Vorcaro e outros investidores. A decisão apontou insuficiência na comprovação
da origem dos recursos e da capacidade econômico-financeira dos compradores.
Campos Neto assumiu o BC ainda naquele mês.
Em
outubro, oito meses depois da rejeição, a Diretoria Colegiada presidida por ele
aprovou a transferência do controle do banco para Vorcaro. O Banco Máxima foi
posteriormente rebatizado de Banco Master.
A
mudança de posição permanece como um dos pontos centrais a serem esclarecidos:
quais documentos, recursos e garantias foram apresentados entre fevereiro e
outubro de 2019 para convencer o Banco Central de que as dúvidas anteriores
haviam sido superadas? A questão ganhou ainda mais peso após revelações sobre
operações financeiras realizadas naquele intervalo e posteriormente
investigadas pela Comissão de Valores Mobiliários.
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Alertas se acumularam
Como se
sabe, depois da autorização, o Master registrou forte crescimento baseado,
entre outros instrumentos, na emissão de CDBs com remuneração elevada e
cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Documentos
do próprio Banco Central já divulgados pela imprensa mostraram que a
instituição enviou sucessivos ofícios ao Master durante a gestão Campos Neto
cobrando ajustes e questionando práticas adotadas pelo banco.
Representantes
do FGC e executivos de instituições financeiras também manifestaram preocupação
com o crescimento do Master, sua estratégia de captação e a qualidade de alguns
ativos mantidos em carteira.
O que
precisa ser esclarecido é como a direção do Banco Central avaliou esses sinais
e por que as medidas adotadas não impediram o agravamento posterior da
situação.
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O caso dos precatórios
Outra
decisão tomada durante a gestão Campos Neto também passou a ser examinada à luz
da crise do Master. Em outubro de 2023, o Banco Central editou regras
prudenciais mais rígidas para exposições a precatórios e pré-precatórios. A
regulamentação adotou uma data de corte para parte dos ativos.
Como o
Master tinha exposição significativa a precatórios, passou a ser relevante
saber qual foi o efeito concreto da medida sobre seu balanço, quais simulações
foram feitas pelo BC e quanto a instituição teria de aportar caso o tratamento
prudencial fosse aplicado de forma diferente.
Não há,
até aqui, base suficiente para afirmar que a norma tenha sido criada
especificamente para beneficiar o Master. Mas o impacto da decisão sobre o
banco precisa ser conhecido.
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O relato sobre R$ 32 bilhões
O ponto
mais grave envolvendo o final da gestão Campos Neto surgiu no depoimento de
Paulo Sérgio Neves de Souza à Polícia Federal. Segundo ele, o BTG Pactual teria
concluído, em novembro de 2024, uma due diligence no Banco Master e
identificado uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.
Paulo
Sérgio afirmou que uma apresentação sobre o assunto ocorreu em 3 de dezembro de
2024 com a presença de Roberto Campos Neto. O relato precisa ser confirmado
pelos demais participantes e confrontado com documentos.
Mas, se
confirmado, levanta uma questão inevitável: que providências o presidente do
Banco Central determinou depois de receber uma informação dessa magnitude?
Houve pedido formal de documentos ao BTG? Comunicação a outros órgãos? Abertura
de procedimentos internos? Adoção de medidas prudenciais? Essas respostas são
essenciais para reconstruir a atuação do BC no período.
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Relação de intimidade amplia questionamentos
As
novas conversas entre Campos Neto e Vorcaro não constituem até onde se sabe
prova de participação do ex-presidente do BC nas irregularidades atribuídas ao
Master. Mas acrescentam contexto a uma relação que já estava no centro de
diversos episódios relevantes.
A
dimensão da roubalheira conhecida até aqui no escândalo do banco Master,
prejuízos de R$ 60 bilhões para o sistema financeiro, o Brasil precisa conhecer
qual foi exatamente o grau de intimidade, de parceria ou de cumplicidade na
relação entre Roberto Campos Neto e Daniel Vorcaro e como essa conexão se
refletiu — ou não — nas decisões do Banco Central sobre o Banco Master.
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Levantamento de sigilos confirma que Mendonça escondeu
elos de Vorcaro com KN, Fux, Toffoli, Huck, Globo, Campos Neto, Flávio e
outros. Por Jeferson Miola
Os
celulares de Daniel Vorcaro são fontes inesgotáveis de informações sobre as
relações perigosas do banqueiro mafioso com altas autoridades públicas,
políticos, empresários, policiais, jornalistas e, inclusive, com o apresentador
Luciano Huck, da Globo.
Desde a
primeira semana de setembro, depois que foram levantados os sigilos sobre o
caso Master, o noticiário vem sendo inundado com a revelação dos conteúdos dos
celulares de Vorcaro que o ministro relator André Mendonça escondia.
Durante
meses, o ministro terrivelmente bolsonarista direcionou as apurações
exclusivamente contra alvos que poderiam prejudicar a campanha à reeleição do
presidente Lula para beneficiar a do gângster-filho.
Ao
mesmo tempo em que enviesava as apurações com objetivo eleitoral, Mendonça
escondia elos do banqueiro mafioso com pessoas importantes do ecossistema
bolsonarista, como seus colegas de STF Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e
Luiz Fux, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, e com o próprio
Flávio Bolsonaro.
Mendonça
escondeu, também, o espírito de “broderagem” e amorosidade na relação
societária entre Luciano Huck e Vorcaro na propriedade de um avião a jato,
assim como os acertos para patrocínios milionários ao programa dominical do
apresentador da Globo e a intermediação de contrato do Master com a emissora.
Dentre
as provas escondidas por Mendonça encontram-se, naturalmente, aquelas que
mostram contatos e encontros do próprio Mendonça com Vorcaro. É razoável supor
que tal vínculo possa ter rendido pelo menos R$ 5,2 milhões de repasses do
esquema Master para o ITER, o instituto fundado pelo ministro.
Ainda
há uma imensidão de conteúdos de interesse republicano e criminal a serem
extraídos dos dispositivos eletrônicos de Vorcaro, e então se poderá ter uma
visão totalizante sobre os vínculos e as negociatas do criminoso com o universo
de pessoas vinculadas à direita e ao bolsonarismo.
O que
já foi revelado apenas nessas semanas iniciais após o levantamento dos sigilos
deixa claro que Mendonça agiu como um juiz de exceção, estilo Lava Jato, e
direcionou politicamente as apurações para alcançar dividendos eleitorais.
É
difícil aferir a extensão do dano político causado por Mendonça com a implosão
do STF no dia 1º de setembro, mas é intuitivo supor que o estrago foi feito e
foi bem significativo, oferecendo uma narrativa funcional à retórica
bolsonarista.
Há uma
abundância de indícios e provas que demonstram a absoluta parcialidade do
ministro Mendonça, que instrumentalizou as apurações dos escândalos Master e
INSS para fins político-partidários.
Mendonça
já perdeu as relatorias destes dois casos, mas sua atuação precisa ser
analisada e julgada, porque ele perdeu totalmente a legitimidade para continuar
como ministro da Suprema Corte.
O
presidente Edson Fachin manchará sua gestão na presidência do STF se continuar
sentando em cima da representação contra Mendonça apresentada por Alexandre de
Moraes.
A
censura imposta por Mendonça à menção genérica não a Flávio Bolsonaro, mas à
“família miliciana que odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa
Senhora Aparecida”, evidencia que ele vestiu a carapuça da “família miliciana”
e colocou a toga a serviço da censura, do fundamentalismo religioso e do
gangsterismo bolsonarista.
Fonte:
Brasil 247

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