Cuidados
que fazem diferença para quem tem diabetes
Quando
se fala em saúde do coração, é comum pensar primeiro em pressão alta,
colesterol ou nos sinais de um infarto. Para quem tem diabetes, porém, a
atenção precisa começar bem antes de qualquer sintoma. A rotina de
acompanhamento envolve a glicemia, mas também outros fatores que podem
influenciar o risco cardiovascular.
É por
isso que no Dia Mundial do Coração, celebrado no dia 29 de setembro, chamou a
atenção de quem vive com diabetes. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a
condição está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, como
infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. A relação
entre diabetes e coração, no entanto, não se resume à glicose no sangue.
Afinal, pressão arterial, colesterol, função renal, alimentação, atividade
física, histórico familiar e outros fatores também podem fazer parte dessa
avaliação.
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Por que o diabetes exige atenção especial ao coração?
A
glicose elevada por períodos prolongados pode contribuir para alterações nos
vasos sanguíneos e se somar a outros fatores de risco cardiovascular. Por isso,
as diretrizes de diabetes recomendam uma avaliação que considere diferentes
aspectos da saúde, e não apenas a hemoglobina glicada.
A
American Diabetes Association destaca que a doença cardiovascular
aterosclerótica e a insuficiência cardíaca são condições comuns entre pessoas
com diabetes. As recomendações de 2026 também orientam o controle dos
principais fatores de risco cardiovascular, como pressão arterial e alterações
nos lipídios.
Isso
ajuda a explicar uma situação que pode parecer contraditória: uma pessoa pode
estar preocupada em manter a glicose dentro da meta e, ainda assim, precisar
acompanhar outros fatores relacionados ao coração. Por isso, o cuidado
cardiovascular não deve começar apenas depois de um infarto ou de outro evento.
Afinal, manter a glicose sob controle é importante, mas não significa que todos
os riscos cardiovasculares estejam sob controle.
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Glicemia não é o único número que importa
A
hemoglobina glicada é um dos principais exames utilizados no acompanhamento do
diabetes, mas ela não conta sozinha toda a história do risco cardiovascular.
Pressão arterial, colesterol, função renal, peso, tabagismo, nível de atividade
física e histórico familiar também podem influenciar essa avaliação. As
diretrizes da ADA recomendam que esses fatores sejam considerados no cuidado
das pessoas com diabetes.
Além
disso, há fatores de risco cardiovascular que podem passar despercebidos nos
exames de rotina. Um exemplo é a lipoproteína(a), ou Lp(a), uma partícula
semelhante ao LDL cuja concentração no sangue é determinada principalmente pela
genética. Níveis elevados de Lp(a) estão associados a um risco maior de doenças
cardiovasculares, e como ela tende a permanecer relativamente estável ao longo
da vida, e não costuma ser incluída nos exames de rotina, uma pessoa pode
apresentar níveis elevados sem saber.
Segundo
as novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a dosagem da Lp(a)
é recomendada pelo menos uma vez na vida em adultos. A investigação pode ser
especialmente relevante em pessoas com histórico pessoal ou familiar de doença
cardiovascular precoce e em alguns grupos de risco, incluindo pessoas com
diabetes tipo 2.
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O que a alimentação tem a ver com a saúde do coração?
A
Sociedade Brasileira de Diabetes destaca que diferentes padrões alimentares
estão associados à saúde cardiovascular. Entre os alimentos que aparecem com
frequência nas evidências estão frutas, verduras, legumes, leguminosas, grãos
integrais, peixes, castanhas e azeite de oliva extravirgem.
Mas a
ideia não é encontrar um alimento que, sozinho, proteja o coração. Os estudos
citados pela SBD apontam para o efeito de padrões alimentares completos. Em
outras palavras, importa mais a combinação e a frequência dos alimentos ao
longo do tempo do que transformar um único ingrediente em protagonista da
prevenção cardiovascular.
Para
quem tem diabetes, isso também significa considerar a quantidade de
carboidratos, as fibras, as proteínas, as gorduras, o tamanho das porções e a
composição da refeição. Arroz, feijão, batata, mandioca, massas e pães, por
exemplo, não precisam ser automaticamente retirados do prato. A quantidade e a
composição da refeição precisam fazer sentido para as necessidades de cada
pessoa e para o tratamento utilizado.
Nesse
contexto, a alimentação não precisa ser encarada como uma mudança radical de
hábitos, mas como uma oportunidade de fazer escolhas mais favoráveis à saúde
cardiovascular dentro da própria realidade brasileira. É essa a ideia por trás
da Dieta Cardioprotetora Brasileira, desenvolvida pelo HCor em parceria com o
Ministério da Saúde, que adapta princípios de uma alimentação cardioprotetora
aos costumes e aos alimentos presentes no dia a dia da população.
A
proposta é mostrar que esse cuidado pode fazer parte da rotina de alimentação
sem depender de produtos específicos ou de uma dieta difícil de manter.
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Quais alimentos merecem mais atenção?
Assim
como alguns alimentos aparecem associados a padrões alimentares mais favoráveis
à saúde cardiovascular, outros merecem atenção quando consumidos com frequência
e em excesso.
A SBD
cita carnes processadas, grãos refinados e bebidas açucaradas entre os
alimentos associados a maior incidência de doença cardiovascular nas evidências
apresentadas pela entidade. Isso não significa transformar a alimentação em uma
lista de alimentos proibidos. Para quem tem diabetes, a avaliação deve
considerar o contexto da refeição e da alimentação como um todo. A quantidade
consumida, a frequência e a combinação com outros alimentos fazem diferença.
Essa
abordagem é especialmente importante porque uma recomendação que funciona para
uma pessoa pode não ser adequada da mesma maneira para outra.
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Exercício também faz parte do cuidado cardiovascular
A
prática regular de atividade física está entre as estratégias utilizadas para
reduzir fatores de risco cardiovascular e também faz parte do cuidado do
diabetes. Para algumas pessoas, porém, exercícios exigem atenção especial à
glicose, principalmente quando há uso de insulina ou de medicamentos associados
ao risco de hipoglicemia.
Por
isso, quem pretende começar ou aumentar a intensidade dos exercícios deve
considerar o próprio tratamento e as orientações da equipe de saúde. O objetivo
não é transformar o exercício em uma obrigação isolada, mas incorporá-lo à
rotina de maneira segura e possível de manter.
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O cuidado começa antes dos sintomas
Esperar
o aparecimento de um sintoma para começar a cuidar da saúde cardiovascular não
é a melhor estratégia. Para quem tem diabetes, esse acompanhamento precisa
fazer parte da rotina, mesmo quando não há nenhum sinal de problema no coração.
A
prevenção passa pelo controle de fatores que podem ser modificados, como
pressão arterial, colesterol, tabagismo, sedentarismo e alimentação. Histórico
familiar e características genéticas também podem influenciar o risco e devem
ser considerados na avaliação de cada pessoa.
Esse
olhar mais amplo é importante porque o diabetes não envolve apenas a glicose. O
acompanhamento cardiovascular precisa considerar o conjunto de fatores que pode
influenciar o risco ao longo do tempo. Por isso, o cuidado não precisa seguir
uma fórmula única. O mais importante é construir uma rotina que possa ser
mantida, com acompanhamento regular e ajustes de acordo com as necessidades de
cada pessoa.
Fonte:
Um Diabético

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