Caso
Master: Campos Neto convidou Vorcaro para reunião em sua casa
Conversas
encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram que Roberto Campos Neto,
quando presidia o Banco Central (BC), convidou o então dono do Banco Master
para uma reunião em sua residência no condomínio Fazenda Boa Vista, em Porto
Feliz, no interior de São Paulo. O encontro acabou não ocorrendo na casa e foi
transferido para uma unidade da autoridade monetária na capital paulista.
De
acordo com a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, os diálogos foram
encontrados no aparelho de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal no momento
de sua primeira prisão, em novembro de 2025. As conversas reproduzidas pela
reportagem registram as tratativas entre o banqueiro e Campos Neto no fim de
2023.
Campos
Neto presidiu o Banco Central entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024. Em
outubro de 2019, durante o primeiro ano de sua gestão, o BC autorizou Vorcaro a
adquirir o Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. A
transação havia sido rejeitada pela autarquia em fevereiro daquele ano, quando
Ilan Goldfajn ainda comandava o BC.
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Vorcaro procurou Campos Neto
O
primeiro registro disponível da conversa entre os dois, de acordo com a
reportagem, é de 21 de novembro de 2023. Vorcaro se apresentou ao então
presidente do Banco Central e manifestou interesse em realizar uma reunião
presencial.
O
banqueiro disse que pretendia “apresentar o trabalho que estamos desenvolvendo
no banco e nossas perspectivas”. Vorcaro informou ainda que estaria em Brasília
no dia seguinte, mas que poderia retornar de acordo com a disponibilidade de
Campos Neto.
O então
presidente do BC respondeu que pediria à sua equipe que tentasse agendar o
encontro para a semana seguinte. Naqueles dias, explicou, sua agenda estava
comprometida em razão do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira).
Ainda
em 21 de novembro, uma assistente de Campos Neto entrou em contato com Vorcaro
para organizar a reunião. As agendas dos dois, porém, dificultaram a definição
de uma data.
Posteriormente,
Campos Neto informou que entraria no período de silêncio relacionado ao Copom
(Comitê de Política Monetária), quando integrantes do Banco Central ficam
submetidos a restrições de comunicação antes e depois das reuniões que definem
a taxa básica de juros.
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Convite para a Fazenda Boa Vista
As
conversas sobre a reunião avançaram no mês seguinte. Em 20 de dezembro de 2023,
depois de um cancelamento de última hora, Campos Neto voltou a entrar em
contato com Vorcaro.
O então
presidente do Banco Central afirmou que poderia encaixar um encontro na
sexta-feira seguinte, dia 22, ou realizar uma reunião por videoconferência na
semana posterior.
Na
sequência, apresentou outra possibilidade: “se por acaso for na Fazenda Boa
Vista na outra semana podemos fazer lá também. Vou estar lá com a família”.
Vorcaro
respondeu que seria perfeito, e os dois acertaram o horário. Campos Neto
informou que enviaria posteriormente o endereço.
No dia
seguinte, Vorcaro procurou o então presidente do BC para confirmar se o
encontro seria presencial. Campos Neto respondeu: “sim. Correto. Podemos fazer
na minha casa. Eu moro no condomínio do Furla. Acho que sabe o de fica.
Abraço”.
Na
sequência, esclareceu que se referia a “Furla da XP”, em referência a Rafael
Furlanetti, sócio da instituição financeira.
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Dedetização mudou local da reunião
O
encontro estava previsto para 22 de dezembro de 2023, mas a reunião na
residência de Campos Neto acabou cancelada no próprio dia.
O então
presidente do Banco Central enviou uma mensagem a Vorcaro explicando o motivo
da mudança: “boa tarde. Minha esposa que que está na fazenda Boa Vista mandou
detetizar a casa e não me falou. Entrei e fiquei tossindo muito. Podemos mudar
a reunião aqui para o BC na paulista? Abraço”.
Vorcaro
concordou com a alteração e informou que iria ao local.
Dessa
forma, segundo a sequência de mensagens publicada por O Globo, a reunião
inicialmente prevista para ocorrer na residência particular de Campos Neto foi
transferida para as instalações do Banco Central na Avenida Paulista, em São
Paulo.
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Novo contato em março de 2024
Depois
do episódio de dezembro, o histórico divulgado pela coluna apresenta um
intervalo de quase três meses.
As
conversas voltam a aparecer em 12 de março de 2024, quando Campos Neto enviou
uma imagem a Vorcaro. A reportagem não conseguiu acessar o conteúdo da imagem.
Vorcaro
respondeu com emojis de palmas e escreveu: “merecido! Parabéns!”.
No dia
seguinte, Campos Neto agradeceu: “muito obrigado Daniel. Um grande abraço e
sucesso”.
• Motta pediu para falar com Vorcaro horas
antes de reunião no Banco Central, aponta PF
Um
contato entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), e Daniel Vorcaro ocorreu na manhã de 19 de julho de 2025,
pouco antes de o então controlador do Banco Master participar de uma reunião
com a cúpula do Banco Central para discutir a operação envolvendo a instituição
financeira e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo
a coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, mensagens extraídas pela
Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram que Motta procurou o banqueiro
por volta das 7h daquele sábado e disse que gostaria de conversar com ele
“antes da reunião”. A audiência no Banco Central estava prevista para começar
às 9h. Logo depois o presidente da Câmara escreveu: “me liga quando puder”.
Vorcaro
telefonou para Motta no mesmo minuto. A chamada durou 1 minuto e 48 segundos.
As informações divulgadas não revelam o conteúdo da conversa, portanto não é
possível determinar, apenas a partir dos registros telefônicos, quais assuntos
foram tratados pelos dois.
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Ligação ocorreu antes de encontro com Galípolo
Naquela
manhã, Vorcaro e seu sócio, Augusto Lima, encontraram-se com o presidente do
Banco Central, Gabriel Galípolo, o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, e
Gilneu Vivan, então responsável pela área de Regulação.
Segundo
O Globo, a audiência ocorreu das 9h às 10h no edifício-sede do BC, em Brasília.
Oficialmente, o encontro trataria de dúvidas relacionadas à documentação
necessária para a operação envolvendo o Banco Master e o BRB.
O
contato entre Motta e Vorcaro ocorreu em um momento particularmente sensível
para o Master. Naquele período, o Banco Central examinava operações envolvendo
carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições.
O
próprio BC informou posteriormente que sua área de Supervisão identificou
inconsistências nessas operações e iniciou investigações que, segundo a
autoridade monetária, demonstraram a “insubsistência dos ativos” integrantes
das carteiras.
A
instituição também informou que os indícios de ilícitos criminais foram
comunicados ao Ministério Público Federal, acompanhados de documentação e
análises técnicas. A autoridade monetária afirmou ainda ter adotado medida
prudencial preventiva para impedir novas operações com impacto sobre a liquidez
do BRB.
Segundo
a reportagem, quatro dias antes da conversa entre Motta e Vorcaro, em 15 de
julho, o BC havia notificado o MPF sobre indícios de crime no sistema
financeiro relacionados às operações.
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Segundo telefonema ocorreu no fim do dia
Os
registros indicam que o diálogo entre os dois não ficou restrito à conversa
realizada antes da audiência.
No fim
da tarde de 19 de julho, Motta teria telefonado para Vorcaro. Desta vez, a
chamada durou 2 minutos e 24 segundos. Assim como no primeiro telefonema, não
foi divulgado o conteúdo da conversa.
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Mensagens mostram como Vorcaro descrevia relação com Motta
Outros
dados extraídos pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro mostram que
Vorcaro descrevia sua relação com o presidente da Câmara como próxima.
Em 2 de
fevereiro de 2025, durante uma conversa com seu diretor jurídico, Luiz Rennó,
Vorcaro afirmou que estava em Brasília “com Davi e Hugo”, referências ao
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e a Hugo Motta.
Questionado
pelo advogado se “transita bem” com o presidente da Câmara, Vorcaro respondeu:
“transito bem? Kkkk. Sou ‘number 1’. Amigo irmão”
A
conversa aconteceu um dia depois da eleição de Motta para a presidência da
Câmara. O deputado paraibano venceu a disputa em primeiro turno com 444 votos e
apoio de uma ampla coalizão partidária.
Alcolumbre
também havia sido eleito presidente do Senado, com 73 dos 81 votos possíveis.
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Operações entre Master e BRB entraram na mira do BC
A
relevância dos contatos registrados em julho aumentou à medida que avançaram as
apurações sobre as carteiras negociadas entre Master e BRB.
Em
manifestação posterior, o Banco Central confirmou que sua área de Supervisão
havia identificado inconsistências nas cessões de carteiras de crédito do
Master ao banco de Brasília.
Segundo
a autoridade monetária, as investigações internas levaram à identificação da
insubsistência dos ativos envolvidos e à comunicação de indícios criminais ao
Ministério Público Federal. O BC também ressaltou que cabe a cada instituição
financeira analisar a qualidade dos créditos adquiridos e manter controles
adequados para administrar os riscos dessas operações.
O Banco
Central acabou vetando, em setembro de 2025, a operação que permitiria ao BRB
adquirir participação no Banco Master.
• Em depoimento à PF, Vorcaro nega ter
ordenado atos de violência por meio da “Turma”
O
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou em depoimento à
Polícia Federal ter determinado ações violentas, ameaças ou intimidações
atribuídas a integrantes do grupo conhecido como “A Turma”, investigado sob a
suspeita de atuar como uma milícia privada a serviço do banqueiro. No
depoimento, Vorcaro foi interrogado no âmbito do inquérito que apura a atuação
do grupo e sustentou que não houve vítimas das condutas investigadas.
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Segundo
o jornal O Globo, o ex-banqueiro também foi questionado sobre conversas nas
quais falou sobre “ir para cima” de desafetos. Vorcaro classificou essas
manifestações como “desabafo” e negou que tenham representado ordens para a
prática de violência.
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Defesa nega ameaças e perseguições
Em nota
divulgada após o depoimento, os advogados Sergio Leonardo e Daniel Bialski
negaram que Vorcaro tenha praticado ou determinado ações violentas, ameaças,
intimidações ou perseguições contra terceiros.
“O
investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de
violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja, fato
que é reconhecido nos autos pelos próprios investigadores e pelas testemunhas
já ouvidas”, diz a nota da defesa.
A
manifestação busca rebater as suspeitas investigadas pela Polícia Federal sobre
a eventual participação do banqueiro nas atividades atribuídas a “A Turma”.
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Advogados dizem não haver vítimas após oito meses
A
defesa também destacou o período transcorrido desde o início das investigações
para contestar as suspeitas relacionadas às atividades do grupo.
“Ressalta-se
que após 8 meses de investigações, não há nenhuma vítima dos supostos fatos
citados na portaria inaugural do Inquérito Policial”, acrescentaram os
advogados.
A
afirmação integra a estratégia da defesa para sustentar que, até o momento, as
investigações não demonstraram a ocorrência dos atos de violência atribuídos ao
grupo.
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PF investiga atuação de “A Turma”
O
inquérito conduzido pela Polícia Federal busca esclarecer a natureza das
atividades de “A Turma” e sua eventual relação com Daniel Vorcaro. Os
investigadores trabalham com a suspeita de que o grupo funcionava como uma
milícia privada a serviço do dono do Banco Master.
A
investigação procura determinar se as conversas e demais elementos reunidos
pela PF tiveram algum desdobramento concreto. Vorcaro rejeita ter dado ordens
para ações violentas e sustenta que suas manifestações sobre desafetos não
passaram de “desabafo”.
A
defesa, por sua vez, afirma que o banqueiro jamais praticou ou determinou
violência, intimidação, perseguição ou ameaça e destaca que, segundo sua
interpretação dos autos, não foram identificadas vítimas dos episódios
mencionados na abertura do inquérito.
Fonte:
Brasil 247

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