sábado, 3 de outubro de 2026

Estudo: 5 em cada 10 mulheres recebem diagnóstico tardio de câncer de mama

No SUS (Sistema Único de Saúde), cerca de 51% dos casos envolvendo câncer de mama foram diagnosticados em estágios avançados, nos níveis 3 e 4 da doença. Isso representa cerca de cinco em cada dez mulheres com diagnóstico tardio, segundo a nova edição do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama, divulgada nesta quinta-feira (1º).

O estudo analisou dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e é uma parceria entre o Instituto Natura e a Avon com o Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer e o Instituto Protea.

O relatório também analisou dados por faixa etária. Os maiores diagnósticos tardios são entre as mais jovens, de 20 a 29 anos, que representam cerca de 68,3% das pacientes. Entre as mulheres de 30 a 39 anos, 61,9% dos diagnósticos também foram realizados nesses estágios. Já na faixa de 40 a 49 anos, o percentual chega a 53,7%.

Entre as mulheres que estão na faixa etária considerada alvo do rastreamento, de 50 a 69 anos, 47,6% foram diagnosticadas tardiamente.

Segundo Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, o cenário ocorre em meio à queda na realização de mamografias de rastreamento pelo SUS.

Monitorar esses dados é fundamental para apoiar políticas públicas de qualidade e baseadas na compreensão dos reais desafios, além de ampliar a conscientização das mulheres, para que elas conheçam a importância da detecção precoce, realizem os exames indicados e encontrem a assistência de que precisam no momento certo - Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura.

Pelo segundo ano consecutivo, o país registrou uma queda na produção dos exames. O volume de mamografias caiu -0,2% em 2024 e -1% em 2025.

A cobertura nacional de mamografias para a população alvo, de 50 a 69 anos, também diminuiu. Em 2024, o índice era de 22,8% e passou para 22,1% em 2025.

É inaceitável que quase metade das mulheres na faixa etária-alvo do rastreamento ainda receba o diagnóstico de câncer de mama em estágios avançados, enquanto o país registra aumento da mortalidade pela doença - Nira Cará, diretora-executiva do Instituto Protea.

<><> Mortes por câncer de mama

Segundo o relatório, a falta de exames está atrelado à mortes pela doença. Conforme os dados do Ministério da Saúde, o câncer de mama é a doença que mais mata mulheres no Brasil, mas possui chance de 95% de cura quando é detectado no início.

O Panorama aponta que, entre 2015 e 2025, o Brasil registrou 203.785 mortes por câncer de mama. Somente em 2025, foram 21.668 óbitos, o maior número registrado na série histórica.

Além do diagnóstico tardio, o tempo para o início do tratamento também aparece como um ponto crítico. Entre 2015 e 2025, as pacientes esperaram, em média, 123 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento no SUS. O período é mais que o dobro do prazo máximo de 60 dias estabelecido pela Lei nº 12.732/2012.

•        Art. 2º O paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único.

Os estados com as maiores médias de espera em 2025 foram Sergipe, com 115 dias, Rio de Janeiro, com 107 dias, e Bahia, com 100 dias.

O levantamento também revela diferenças regionais na cobertura de mamografias. Em 2025, a Região Sul apresentou a maior cobertura do país, com 25,6%.

Quando olhado por estados, os maiores índices foram:

•        Piauí (32,4%)

•        Bahia (28,8%)

•        São Paulo (28,7%).

Por outro lado, as regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as menores coberturas, com 10,6% e 13,5%, respectivamente.

Entre os estados com os menores índices estão:

•        Tocantins (5,8%)

•        Rondônia (7,9%)

•        Pará (8,7%).

<><> Ministério da Saúde fala em avanços

Por outro lado, o Ministério da Saúde, em posicionamento enviado à CNN Brasil, informou que o SUS avançou na realização dos exames e alcançou 4,4 milhões de procedimentos realizados.

"Essa expansão dos serviços deve-se a iniciativas como o Programa Agora Tem Especialistas, que de forma inédita colocou nas ruas 120 Carretas da Saúde, atendendo mais de 189 mil mulheres em todos os estados e reduzindo desigualdades regionais. Com as carretas, 52 municípios zeraram a fila por mamografias. Desde 2023, o Ministério da Saúde destinou R$ 409 milhões a equipamentos para diagnóstico e tratamento do câncer", diz a nota.

A pasta também informou que o número de cirurgias relacionadas à doença chegou a 63,6 mil no ano passado, um crescimento de 13,7% em relação a 2023.

"O número de procedimentos de radioterapias cresceu 17,2% no mesmo período, e os de quimioterapia, 14,5%. Outro ponto de avanço são os 23 novos medicamentos oncológicos que começam a ser distribuídos neste ano, como o trastuzumabe entansina e o abemaciclibe, além de um teste genético que identifica mutações hereditárias ligadas à doença", ressalta o Ministério.

<><> Como realizar exames de prevenção?

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente a mamografia, principal exame para detectar o câncer de mama. Outras instituições também costumam oferecer o exame no Outubro Rosa, mês em combate a doença.

O Ministério da Saúde não restringe o acesso das mulheres a realização do teste, mas recomenda o rastreamento mamográfico bienal para as pacientes na faixa etária entre 50 e 74 anos.

São considerados sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama e de referência urgente para a confirmação diagnóstica:

•        Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo, em mulheres

adultas de qualquer idade; ou

•        Nódulo mamário que vem aumentando de tamanho, em mulheres

adultas de qualquer idade; ou

•        Descarga papilar sanguinolenta unilateral; ou

•        Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos ou

pele em casca de laranja ou retração na pele da mama; ou

•        Presença de linfadenopatia axilar normalmente endurecida, podendo

ser fixa ou móvel. Outras cadeias de linfonodos supra ou infra-clavicular também podem estar acometidas em doenças avançadas; ou

•        Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais

de edema, como pele com aspecto de casca de laranja ou vermelhidão; ou

•        Mudança no formato do mamilo (ex.: retração unilateral);ou

•        Homens com tumoração palpável unilateral; ou

•        Mastite ou inflamação que não melhora depois de um curso adequado de antibiótico.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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