Entreguismo:
Flávio Bolsonaro quer importar o modelo de Marco Rubio para o Itamaraty
As
articulações da extrema direita para subordinar ainda mais o Estado brasileiro
aos ditames de Washington se aprofundam rumo ao primeiro turno. Segundo
informações veiculadas sobre as diretrizes eleitorais do clã Bolsonaro —
capitaneadas por Marcos Degaut, ligado a Eduardo Bolsonaro —, o plano para o
Ministério das Relações Exteriores em caso de vitória é aplicar uma reforma
radical no Itamaraty espelhada no modelo de Marco Rubio, secretário de Estado
do governo Donald Trump.
O
projeto, batizado descaradamente de "Marco Rubio overhaul" (reforma
de Marco Rubio), visa desmantelar as carreiras diplomáticas tradicionais para
impor metas estritamente comerciais e abrir espaço para nomeações políticas
alinhadas ideologicamente à extrema direita internacional. No Departamento de
Estado dos EUA sob o trumpismo, essa mesma política significou o corte de mais
de 1.300 vagas, fechamento de postos e a imposição de critérios de fidelidade
cega à agenda reacionária da Casa Branca.
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Servilismo ao trumpismo e capitulação colonial
Essa
reestruturação não é uma mera reorganização burocrática ou administrativa.
Trata-se de colocar abertamente o aparato da política externa brasileira como
correia de transmissão dos interesses do imperialismo norte-americano e de seus
setores mais nacionalistas e belicistas.
Sob o
pretexto falacioso de um "realismo propositivo", o plano delineado
pela extrema direita busca direcionar as relações internacionais para um
"Ocidente político" restrito, estreitando alianças preferenciais com
governos de direita na América Latina e com o Estado de Israel. Trata-se da
consolidação de uma agenda que opera para garantir que a América Latina
continue sendo o "quintal" econômico e geopolítico dos Estados
Unidos, rifando qualquer resquício de soberania para favorecer a rapina do
grande capital financeiro e do agronegócio.
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Cumplicidade com o genocídio na Palestina e as agressões ao Oriente Médio
O
alinhamento umbilical com o modelo de Rubio e Trump tem desdobramentos diretos
na política internacional e nos massacres em curso. Marco Rubio e o trumpismo
expressam a ala mais agressiva do imperialismo ianque na sustentação
incondicional do Estado sionista de Israel e de sua máquina de guerra.
Aproximar
o Itamaraty desse núcleo significa aprofundar a cumplicidade do Brasil com o
massacre sistemático contra o povo palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia,
além de integrar o país ao bloco de retaguarda das ofensivas belicistas contra
o Irã e os povos do Oriente Médio. Enquanto a classe trabalhadora internacional
e a juventude saem às ruas pelo fim do genocídio na Palestina e contra as
escaladas militares imperialistas, a extrema direita brasileira articula
transformar a diplomacia do país em um eco submisso dos falcões de Washington e
de Tel Aviv.
Não por
acaso, a articulação envolve nomes com vínculos com a indústria de armamentos e
setores militarizados, demonstrando que por trás da retórica de
"eficiência" e "abertura de mercados" está o lucro da
indústria bélica e o reforço da opressão colonial.
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Combater a extrema direita e a tutela imperialista
O plano
revelado nos bastidores da campanha bolsonarista demonstra a natureza serviçal
da extrema direita brasileira: enquanto bradam discursos nacionalistas e
demagógicos, planejam entregar a estrutura do Estado para ser gerida sob as
diretrizes políticas de Washington.
A luta
contra esses planos reacionários não se dará pela conciliação com os mesmos
setores dominantes que abrem as portas para a dependência econômica. É
necessário erguer uma forte mobilização independente da classe trabalhadora, da
juventude e dos movimentos populares contra toda forma de ingerência
imperialista na América Latina, em solidariedade incondicional à luta e à
resistência do povo palestino e pelo fim de todos os pactos econômicos,
militares e diplomáticos com o Estado sionista de Israel e a máquina de guerra
estadunidense.
• O tamanho do problema ou o risco que
corremos com Flávio Bolsonaro. Por Fernando Horta
Em
agosto, na Bolívia, uma figura sinistra da extrema direita latino-americana foi
presa por violência doméstica e tentativa de feminicídio contra a
ex-companheira. Fernando Cerimedo (o mesmo que, em novembro de 2022, fez a live
para 400 mil pessoas vendendo a “fraude” na vitória de Lula), um tecno-capanga
ascendente no cenário da extrema direita digital, é acusado de ter contratado
os pistoleiros que atiraram nela. Na esteira, tentou deixar o país e foi preso
no aeroporto pelo Estado boliviano. Como continuidade, a ex-companheira
“sobrevivida” passou a mostrar que Cerimedo era parte de um esquema de agressão
à soberania dos povos latino-americanos e não apenas um capanga digital. O
esquema montado por Cerimedo não era novo. Fazendas de likes (centenas de celulares
e de contas falsas operados em espaços pequenos para inflar curtidas,
seguidores e visualizações, montando estruturas de influência externa nos
fluxos de dados) ficaram conhecidas do público depois de 2013 e 2014. A ideia
de usar “robôs” para influenciar os algoritmos nasceu nos EUA como filosofia da
CIA para mobilizar pessoas a atacar regimes que não lhes eram favoráveis no
mundo todo. Do Egito à Europa, do Brasil aos países muçulmanos, era o governo
Obama quem usava essa forma de “hackear” democracias.
Havia,
contudo, três grandes problemas nessa fórmula: primeiro, essas “fazendas de
likes” operavam normalmente a partir do leste asiático e custavam caro,
deixavam rastros e se tinha pouco controle sobre seus efeitos. Na época,
inclusive, qualquer um poderia “comprar seguidores” (e muito disso foi usado
por grandes influencers de hoje); bastava o envio das quantidades de dólares e
confiar na entrega digital. A chance de golpe era de 50%, mas houve quem
conseguiu ampliar seus ganhos e suas redes a partir dessa prática. O segundo
problema era o controle das próprias bigtechs. Comprar seguidores ou conseguir
impulsionamento sem pagar a plataforma (seja da Meta, do YouTube ou qualquer
outra) era dar efetivo prejuízo para essas empresas. As bigtechs passaram a criar
meios para detectar e eliminar essas ingerências externas sobre seus fluxos de
dados. Um vídeo no YouTube, por exemplo, poderia ser “inflado” de likes e
visualizações a partir dessa tática de contratar as “fazendas de likes” e
acabar recebendo das próprias bigtechs, em publicidade, mais do que o valor
gasto para contratar o serviço das fazendas. Em dezembro de 2012 o YouTube
passou a auditar as contagens, cortou de uma só vez mais de 2 bilhões de
visualizações infladas de grandes canais e eliminou essa possibilidade. O
terceiro problema era a falta de controle sobre os fluxos de pagamentos que
acabavam colocando bancos e outras instituições no caminho desse dinheiro e não
se sabia efetivamente o uso que esse dinheiro teria.
Cerimedo
resolveu todos os três problemas e criou uma ferramenta de agressão às
soberanias da América Latina à disposição de Washington (o mapa dessa rede está
na investigação “How to Steal a Hemisphere”, da Reactionary International). Em
vez de se contratar serviços de “fazendas de likes” de algum lugar escondido no
leste asiático, Cerimedo passou a montar essas infraestruturas dentro da
América Latina. Em vez de burlar os controles das bigtechs, Cerimedo trabalhou
no mesmo sentido do governo dos EUA para usar as bigtechs (e sua “cegueira”
para os crimes da extrema direita) como arma para a política externa dos EUA
(de forma parecida com o que fizeram na guerra fria). E em vez de os pagamentos
irem para o leste asiático, agora, Cerimedo oferecia receber esses valores e
criar um moto-contínuo para hackear eleições à disposição de Washington. E todo
presidente de extrema direita que era eleito entrava no esquema. Era-lhe
oferecida parte dos valores enviados por Washington desde que seu governo
compactuasse com a “cegueira” digital e ajudasse a carrear valores para a
“estratégia de libertação” do continente da “influência do comunismo”.
Cerimedo
foi homenageado, passou a ser “eminência parda” de alguns governos eleitos com
essas táticas e o governo Trump estava muito feliz. Até que a agressão a uma
mulher evidenciou o nervo exposto. O procurador-geral da Bolívia passou a
investigar o caso; provas e comprovações dos valores, esquemas e nomes de
figuras corruptas alinhadas com Washington passaram a vir à tona. Nos últimos
dias, até fotos de Cerimedo com Donald Trump Jr. e com o ex-chefe de campanha
de Trump surgiram, e parecia que Washington seria desmascarada e a tal da
“vontade popular” em votos para a extrema direita se veria finalmente apenas
como um controle digital sobre cidadãos com baixo conhecimento tanto de
política como das questões digitais. Os “idiotas úteis” como se dizia na época
da guerra fria, usados para bombardear os regimes democráticos da América
Latina para que Trump e os EUA pudessem ter acesso barato ao subsolo da região,
a petróleo e pudessem evitar controles digitais de qualquer sorte.
A
prisão de Cerimedo foi comemorada, mas a história não terminou aí.
Ontem,
o governo títere da Bolívia seguiu as ordens norte-americanas e PRENDEU o
procurador-geral do país que – segundo documentos de Washington – estava
implicado no “narcotráfico”. Como historiador que estudou o século XX, conheço
as acusações e “provas” que os EUA fizeram contra seus desafetos ao longo da
guerra fria. Um álbum de mentiras e ilegalidades que vão desde a falsificação
de documentos e “relatórios” (incluindo materiais da ONU), até linchamentos
transmitidos pela televisão para derrubar regimes. Não será agora que irei
confiar em Washington. A questão, contudo, é um pouco mais complexa. De posse
de um governo subserviente, com um “imperativo” moral em ação (a guerra às
“drogas”) Washington conseguiu uma máquina de matar países e sequestrar seus
bens. Usou-a na Venezuela, onde o “Cartel de los Soles” nunca existiu senão
como farsa montada em inglês e repetida por parlamentares espúrios em discursos
inflamados para esconder os próprios interesses. Funcionou na Argentina, onde a
submissão e vilania de Milei parecem não ter limites. Funcionou na Bolívia e
está em montagem plena no Peru e na Colômbia.
Diante
disso, não é errado afirmar que, se Flávio Bolsonaro vencer as eleições,
Moraes, Toffoli, Dino, Gonet e até mesmo Gilmar Mendes serão presos. Como o
procurador-geral da Bolívia. A “ligação” com drogas fica por conta da bagunça
analítica que Washington faz questão de criar entre PCC, Comando Vermelho,
Vorcaro, lavagem de dinheiro, democracia, povo e tudo fervendo numa panela
malcheirosa para apresentar aos “idiotas úteis” como parte da “limpeza”
necessária que o fascismo sempre se arroga. A subserviência de Fux, Fachin,
Mendonça e Nunes Marques os faz os candidatos naturais aos dedos que sobram
depois que se salvam os anéis. Cármen Lúcia, tal qual a Virgem Santa impoluta,
pode continuar no seu espaço simbólico de pedir desculpas “por toda essa sujeira
aí” porque serve à construção imagética que se está criando.
Não nos
enganemos: o erro de o Brasil não ter reconhecido a eleição de Maduro somado ao
erro de a América Latina ter aceitado seu sequestro e de não reagir agora à
prisão do procurador que estava mostrando as engrenagens Cerimedo-Trump vai nos
custar caro. Lula vai ser alvo da exata estratégia que ajudou a acontecer
contra a Venezuela. E os ministros do STF vão pagar pelos anos de politicagem
barata ao não aplicarem de fato a lei e protegerem uns enquanto enforcavam
outros. Agora, serão eles os presos e imolados em praça pública, para deleite
da massa fascista e pavor de todos os que são democratas. Um período de trevas
pode se iniciar sobre a América Latina, com o retorno de reis estrangeiros,
pastores-inquisitoriais e milícias privadas a exercer violência seletiva em
prol do enriquecimento próprio. Não voltamos aos anos 60, retornamos
efetivamente ao século XVI.
• Movimento Policiais Antifascismo apoia
Lula e se posiciona contra Flávio Bolsonaro
O
Movimento Policiais Antifascismo declarou apoio candidatura de Luiz Inácio Lula
da Silva à Presidência da República (PT) e se posicionou contra Flávio
Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. A manifestação foi divulgada em
nota pública nesta quinta-feira (1º).
No
documento, o grupo afirma que a eleição também representa uma disputa sobre os
rumos da democracia, da soberania nacional e da segurança pública. O movimento
defende instituições policiais profissionais e submetidas à Constituição e
ressalta que policiais devem ser tratados como trabalhadores, e não como
instrumentos de governos ou projetos pessoais de poder.
Ao
justificar a oposição a Flávio, o movimento cita o que considera riscos de
instrumentalização político-ideológica das forças de segurança associados ao
bolsonarismo na experiência recente. Segundo a nota, problemas concretos dos
policiais, como a precarização do trabalho e as condições profissionais,
permaneceram sem resposta suficiente.
O grupo
se define como plural, formado por integrantes com diferentes trajetórias
dentro do campo democrático e progressista. Apesar das diferenças internas,
afirma ter decidido construir uma posição coletiva diante dos projetos
apresentados na eleição.
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Apoio é definido como “voto crítico”
Ao
anunciar o apoio, os Policiais Antifascismo ressaltam que a decisão não
representa concordância integral com o governo Lula, afirmando que isso “não é
um cheque em branco” e que continuará cobrando resultados, criticando erros,
denunciando retrocessos e defendendo mudanças na política de segurança pública.
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Movimento critica endurecimento penal
A nota
também dedica espaço à segurança pública. Para o grupo, o enfrentamento ao
crime organizado é indispensável, mas o simples endurecimento das penas não é
suficiente para resolver os problemas da área.
Como
alternativa, defende uma política capaz de enfrentar o crime com inteligência e
força institucional, combinando investigação, prevenção, valorização
profissional, controle democrático e respeito aos direitos fundamentais.
Os
Policiais Antifascismo também defendem uma polícia profissional, preparada e
valorizada, com autoridade baseada na lei, além de políticas sociais voltadas
às condições que produzem vulnerabilidade e violência.
“Nosso
voto é em Lula. Nossa posição é crítica. Nossa luta continua”, conclui o
movimento.
Fonte:
Esquerda Diário/Brasil 247

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