sábado, 3 de outubro de 2026

IAs do Google e do X espalham mentira que afasta André Mendonça de Daniel Vorcaro

Gemini e Grok, os chatbots de inteligência artificial do Google e do X, antigo Twitter, disseram ser verdadeiro um diálogo falso que descola o banqueiro Daniel Vorcaro de André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, o STF, e do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE.

A conclusão está em um relatório do Instituto Democracia em Xeque, que também identificou que o Claude e o ChatGPT, chatbots da Anthropic e da OpenAI, respectivamente, confirmaram a falsa afirmação em algum grau, ainda que com ressalvas. “Nenhuma das ferramentas de IA generativa descartou a informação de forma categórica”, destaca o texto. Os achados levantam dúvidas sobre o impacto dos chatbots no processo eleitoral, especialmente com usuários usando-os como fontes de informação, e sobre o papel destas ferramentas na amplificação de conteúdos desinformativos.

No dia 21 de setembro, segunda-feira seguinte à semana em que a crise do STF atingiu seu ápice, circulou uma peça de conteúdo em diversas plataformas, especialmente no X, que indicava que, dentre mensagens extraídas pela Polícia Federal dos celulares de Vorcaro, constava uma captura de tela de uma suposta conversa no WhatsApp que citava o ministro André Mendonça.

Nela, um interlocutor chamado “Francisco” teria dito ao banqueiro que Mendonça não seria confiável: “não confio no Mendonça, deixa quieto (…). o cara só fala em Deus pô, não dá pra dialogar não”, teria afirmado o suposto aliado de Vorcaro. Algumas versões do post atribuem as frases ao próprio banqueiro.

A troca de mensagens, contudo, jamais ocorreu. Não existe nenhum registro dela nos documentos liberados sobre o caso e, segundo verificação publicada em 23 de setembro pela AFP Checamos, da agência de notícias France Presse, a imagem que circulou nas redes foi criada a partir da manipulação de uma outra captura de tela. A versão original do print mostrava uma conversa com conteúdo completamente diferente, entre a advogada Viviane Barci Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e Vorcaro – em nenhum momento André Mendonça é mencionado.

Mendonça era, até meados de setembro, relator do caso do Banco Master no STF. O ministro Edson Fachin, presidente da Corte, assumiu a relatoria após acusações do ministro Alexandre de Moraes de que Mendonça estivesse favorecendo determinados grupos políticos enquanto relator. No início do mês, a newsletter Noites Húngaras revelou que Vorcaro e Mendonça se encontraram em março de 2025 em uma reunião de duas horas na sede do instituto fundado pelo magistrado.

<><> Desinformação disseminada

Ainda no dia 21, o empresário Tallis Gomes compartilhou a imagem da suposta conversa e sites e blogs pequenos usaram sua postagem para reproduzir o conteúdo. Em seguida, mensagens passaram a atribuir a fala a Vorcaro, em vez de seu interlocutor. O post de Gomes foi deletado posteriormente.

Entre os dias 22 e 24 de setembro, usuários receberam uma resposta positiva, segundo o estudo do Democracia em Xeque, ao pergutarem a qualquer um dos chatbots se “é verdade que Vorcaro disse que não dá para confiar em André Mendonça porque ele só fala de Deus?” e, depois, se “esta informação consta em fontes oficiais ou jornalísticas?”.

As IAs foram primeiro consultadas nos dias 22 e 23 de setembro, antes da publicação da checagem da AFP. Gemini e Grok confirmaram integralmente a desinformação, citando os sites e blogs muito pouco conhecidos como fontes. ChatGPT e Claude também validaram a suposta conversa, mas apresentaram algumas ressalvas quanto à pessoa que teria falado sobre Mendonça – já que não teria sido Vorcaro quem teria dito a frase, mas “Francisco”, segundo alguns dos sites consultados – e quanto às fontes onde circulou o material.

Os pesquisadores do Democracia em Xeque fizeram novos testes e, mesmo após a publicação da checagem pela AFP, o Gemini seguia confirmando, no dia 24, a desinformação integralmente, sem citar a verificação feita pela agência. O ChatGPT incluiu em suas ressalvas a reportagem da France Presse, mas o Claude continuou a ignorar o desmentido. O Grok não foi questionado novamente.

A criação e a distribuição de conteúdos desinformativos não são novidade nos processos eleitorais brasileiros, mas a chegada dos chatbots de IA alterou essa dinâmica, explicou ao Intercept Brasil Sabrina Almeida, doutora em Ciência Política e pesquisadora associada ao Instituto Democracia em Xeque, uma das responsáveis pela análise.

“Temas que apelam aos valores morais com ancoragem religiosa, somados à atuação de canais hiperpartidários e de alguns nichos do debate político, já vêm sendo apontados pelo campo da comunicação política como centrais nesta dinâmica. São padrões observáveis desde 2018, pelo menos”, disse Almeida.

“Nosso estudo traz evidências de que a novidade é sobre como IAs generativas passam a ser instrumentos de validação de informações falsas, que podem influenciar a percepção do público e, em última análise, o resultado eleitoral.”

Uma resolução da Justiça Eleitoral proibiu a recomendação de candidatos por chatbots de IA, mas não há vedação a respostas sobre outros temas políticos que impactam no cenário eleitoral – como é o caso da crise no STF.

Na avaliação de Almeida, embora o Judiciário tenha tomado a iniciativa de definir as regras de propaganda eleitoral envolvendo a inteligência artificial e a responsabilização dos agentes políticos, quando as IAs passam a ser, elas próprias, agentes promotoras de  desinformação, isso também deve ser considerado como uma questão a ser enfrentada..

Procurado pelo Intercept, o Google disse que os recursos de IA “são projetados para fornecer respostas precisas, ancoradas em fontes confiáveis da web” e que as informações vão sendo atualizadas à medida que novas fontes se tornam públicas.

O Intercept entrou em contato e enviou questões à OpenAI, Anthropic e xAI, mas não houve resposta até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.

<><> Fontes duvidosas

O relatório do instituto identificou as nove fontes indicadas pelos chatbots. Nenhuma delas é um veículo jornalístico de grande circulação. São, na maioria, páginas, perfis, sites e blogs de discurso religioso e aliados à direita.

Tanto Gemini quanto Claude citaram o site Rede Fonte News, o braço digital da Rede Fonte Comunicação, ligado à Igreja Fonte da Vida. O presidente do grupo é o Apóstolo César Augusto, que tem apoiado abertamente a candidatura à presidência do senador Flávio Bolsonaro e de aliados do PL. Em 7 de setembro, a igreja realizou um clamor por André Mendonça liderado por Augusto e sua esposa, a bispa Rúbia de Sousa.

Outras fontes ligadas ao segmento gospel também foram citadas, como o site R92, ligado à Rádio 92, uma emissora cristã do Maranhão, e o site da  Rádio Focus Gospel, uma web-rádio cristã que tinha 341 seguidores no Instagram até as 15h desta terça-feira, 29 de setembro. 

O ChatGPT indicou como fonte o site “Não calo”, página que aparenta ser jornalística e que diz ter “uma abordagem focada na busca pela verdade dos fatos”. O domínio do site pertence a Carlos Euclides do Nascimento.

Após o contato do Intercept, o site apagou o post original e publicou uma retratação: “O Não Calo reconhece que cometeu um erro jornalístico ao reproduzir e interpretar de maneira equivocada determinado conteúdo relacionado às mensagens atribuídas a pessoas próximas de Daniel Vorcaro”. Nascimento não respondeu a questionamentos sobre uma formação em jornalismo ou a composição da equipe que mantém o site.

Dentre as fontes citadas pelo Claude está um post feito no X pela usuária Rosane Bonoro, cujo nome real é Rosane Cabral Barbosa Lima, que faz postagens em português e sobre o Brasil, apesar de informar sua localização na Flórida, nos Estados Unidos.

A conta de Bonoro, com postagens críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e elogiosas da campanha de Flávio Bolsonaro e aliados, é seguida pelo presidenciável e pelo seu irmão, Carlos Bolsonaro, candidato a senador por Santa Catarina. Na segunda-feira, 28, por exemplo, ela compartilhou uma postagem falsa que alegava que Lula teria sofrido um acidente vascular cerebral. “Que Deus nos atenda”, dizia o post.

Nós entramos em contato com Tallis Gomes, Fonte News, R92, Rádio Focus Gospel, Carlos Euclides do Nascimento e Rosane Cabral Barbosa Lima. Apenas Nascimento respondeu até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

•        Relação de Huck com Vorcaro amplia desconfiança de Lula sobre cobertura da Globo

A decisão do presidente Lula (PT) de não participar do debate da Globo, nesta quinta-feira (1º), se soma à avaliação de sua equipe de que a emissora adota um tom crítico e ofensivo contra o presidente e sua candidatura.

Fontes próximas a Lula afirmam que as novas revelações sobre a relação entre Luciano Huck e Daniel Vorcaro reforçaram essa desconfiança. A pergunta que passou a circular entre aliados do presidente é se existem outras pessoas ligadas à emissora que mantinham relações com o ex-banqueiro.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram uma relação próxima entre Huck e Vorcaro, com conversas sobre negócios, encontros, empréstimos de aeronaves e negociações envolvendo o Will Bank e o Domingão com Huck. Segundo documentos divulgados, Huck menciona R$ 83 milhões em investimentos do banco em mídia na Globo e outros R$ 26 milhões relacionados a um contrato pessoal. O apresentador afirma que sua relação com Vorcaro era comercial e que os contratos foram formalizados.

Para integrantes da campanha, o conteúdo das mensagens abre uma questão que vai além da relação comercial: quem mais, entre nomes da emissora, tinha proximidade com Vorcaro e poderia ter interesses a preservar?

A preocupação ganhou uma dimensão eleitoral porque Flávio Bolsonaro também aparece nas investigações relacionadas ao ex-banqueiro. O candidato já admitiu ter procurado Vorcaro para buscar recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Segundo aliados de Lula, passou a ser considerado internamente um cenário em que uma eventual eleição de Flávio poderia mudar o ambiente político das investigações envolvendo Vorcaro. A avaliação é que um eventual governo do candidato poderia criar condições para dificultar ou retardar apurações que atingissem o ex-banqueiro e pessoas próximas a ele.

Nesse cenário, pessoas que mantiveram relações com Vorcaro — inclusive eventuais nomes ligados à emissora — poderiam ficar fora do alcance de futuras investigações.

•        Celular de Vorcaro tem 110 registros de contato com Flávio Bolsonaro, aponta PF

A Polícia Federal extraiu, em 18 de novembro de 2025, do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro um conjunto de conversas que permite reconstituir a relação dele com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. O material, obtido com exclusividade pela revista Piauí, mostra que os contatos entre os dois se estenderam até a véspera da prisão do dono do Banco Master e que o assunto central era o dinheiro prometido para a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

Em 16 de novembro de 2025, às 15h46, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. Segundo a revista, ele se referia aos dólares que vinha recebendo de Vorcaro. No dia seguinte, o então banqueiro foi preso.

<><> O que mostram as 110 interações

O histórico entre os dois soma 110 registros: 50 mensagens do senador, 46 do banqueiro e 14 ligações, das quais oito foram atendidas. Entre o que Flávio Bolsonaro enviou, há cinco fotos e vídeos de visualização única, remetidos na semana anterior à prisão, e uma mensagem apagada em 23 de setembro de 2025.

O primeiro contato foi uma ligação às 22h10 de 16 de dezembro de 2024, por iniciativa do senador. Depois dela, Flávio acionou o recurso de mensagens temporárias, que apaga o conteúdo após 90 dias. Por isso, a conversa direta só é visível a partir de agosto de 2025, e o intervalo entre 16 de dezembro de 2024 e 17 de agosto de 2025 aparece em branco. Foi nessa janela que Vorcaro depositou US$ 10,6 milhões, com a justificativa de patrocinar o filme, citado nas conversas apenas como “o filme”.

Segundo a Piauí, o tom é de camaradagem: as expressões “irmão”, “irmãozão” e “mermão” aparecem 16 vezes. A revista avalia, porém, que a relação se concentrava em interesses mútuos. Para o banqueiro, tratava-se de garantir influência junto à família Bolsonaro. Para o senador, de obter o dinheiro, com cobranças insistentes pela liberação dos dólares atrasados.

<><> Cobranças por parcelas atrasadas

Em 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou a Vorcaro um áudio, antes revelado pelo site The Intercept Brasil, no qual pedia uma posição sobre os pagamentos. Disse que havia “muita parcela pra trás” e que todos estavam tensos. Afirmou que um calote em nomes como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh “ia ser muito ruim” e que, sem honrar os compromissos, “a gente perde tudo”. Vorcaro respondeu pedindo desculpas pela semana difícil, em que o Banco Central vetou a compra do Master pelo BRB, e prometeu: “Eu vou resolver amanhã”.

A pressão surtiu efeito em 16 de setembro, quando a Entre Investimentos fez a sétima e última remessa conhecida ao fundo Havengate, de US$ 1,67 milhão. No total, foram US$ 12,3 milhões, valor confirmado pelo doleiro Antônio Freixo Júnior em delação homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 22 de outubro, Flávio voltou à carga: “Já estamos no terceiro dia de gravação. Estamos no limite.” Minutos depois, acrescentou: “Mais uma vez, com toda a liberdade que temos, se não der me fala que procuro urgente outro caminho.” Vorcaro respondeu: “Deixa comigo irmão, vou ver agora”. Em seguida, escreveu ao intermediário Thiago Miranda: “Liberei mais uma hoje”.

A parcela, no entanto, não chegou. Em 30 de outubro, Miranda encaminhou ao banqueiro uma mensagem atribuída a Flávio, que perguntava o que havia ocorrido, já que “veio o contrato, mas não veio o depósito”. Vorcaro disse que o pagamento “voltou”, mas que “na segunda vai de novo”. Miranda seguiu cobrando em 10 e 12 de novembro, e a última mensagem dele foi enviada em 17 de novembro, dia da prisão.

<><> Os dias finais antes da prisão

Nos quatro dias que antecederam a detenção, Flávio fez duas chamadas não atendidas e perguntou, nos dias 13 e 15: “Fala mermão, pode atender?”. Vorcaro disse que retornaria. Depois da mensagem de 16 de novembro, o banqueiro respondeu com uma foto de visualização única, e o senador encerrou a troca com um “Amém!”.

<><> Como a relação começou

A Piauí reconstituiu o período sem registros a partir de conversas de Vorcaro com terceiros: Thiago Miranda, então presidente do Portal Leo Dias; o deputado federal Mário Frias (PL-SP); o cunhado e operador financeiro Fabiano Zettel; e o amigo Flávio Carneiro.

Em 8 de dezembro de 2024, Carneiro avisou o banqueiro sobre um jantar com “meu xará e o pai dele” e opinou: “Acho uma roubada danada.” Miranda confirmou uma reunião com Flávio para 11 de dezembro, às 17h30, na casa de Vorcaro em Brasília. Na noite seguinte à confirmação, o banqueiro pediu a Carneiro: “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém!”. E completou: “Esse negócio acaba comigo.”

No dia 11, Flávio se atrasou por causa da votação da reforma tributária no Senado. Frias ligou seis vezes sem resposta, mas, depois de falar com o banqueiro, enviou um áudio de agradecimento, no qual disse que o projeto iria “mexer com o coração de muita gente”. Em 16 de dezembro, às 12h49, Frias avisou que estava “com senador” e iniciou uma chamada de áudio de pouco mais de dois minutos com Vorcaro. A mensagem não nomeia o senador, mas o contexto indica que era Flávio. Naquela noite, veio a primeira ligação direta do parlamentar.

<><> Contrato e mudança na rota do dinheiro

Documentos gerados em 16 de dezembro de 2024 mostram um plano de negócios e uma minuta de financiamento do filme, então chamado “Capitão do Povo”, com investimento de US$ 25 milhões. Um único investidor, identificado como “número 3”, ficaria com 48 das 50 cotas de US$ 500 mil, o equivalente a 96% do orçamento. Pelo contexto, o investidor era Vorcaro.

A Piauí comparou esse documento com uma versão de fevereiro do mesmo ano, editada pela produtora Go Up. A versão anterior dividia as cotas entre três investidores e previa concessão de green card, governança corporativa, relatórios trimestrais e conta de garantia. O texto enviado ao banqueiro eliminou essas regras de controle.

Pela minuta, os US$ 24 milhões seriam depositados na conta de produção da Go Up Entertainment, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, porém, o destino passou a ser o Havengate, fundo registrado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo do ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro e responsável pelo processo de imigração dele. Os arquivos não registram quem decidiu a troca nem por quê. O contrato entre o Havengate e a Go Up foi assinado em 24 de fevereiro, e Eduardo, então deputado, se licenciou do mandato e se mudou para a região de Dallas três dias depois.

Com isso, Vorcaro deixou de ser formalmente o financiador do filme e passou a ser cotista do fundo. Para os investigadores, é nesse ponto que o negócio deixa de ser cinema. A hipótese em apuração é que parte dos dólares não tenha ido para a produção e que a operação possa ter sido uma simulação de investimento para retirar o dinheiro do Brasil com outros fins. A PF concluiu que Eduardo “orientou” a gestão dos recursos nos Estados Unidos e apura se parte deles custeou a estadia do ex-deputado no país. Os investigadores ainda preparam um pedido de cooperação às autoridades estadunidenses.

Pelas contas apresentadas pela defesa da Go Up, o fundo repassou à produtora 13,39 milhões de dólares, valor superior ao que a Entre Investimentos enviou. A diferença não foi explicada pelos envolvidos.

<><> Encontros e viagens que se cruzam

As conversas registram ao menos seis encontros marcados entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, de uma reunião em Brasília, em dezembro de 2024, a um jantar com Caviezel na casa do banqueiro em São Paulo, em novembro de 2025. O único encontro admitido publicamente pelo senador ocorreu em 4 de dezembro de 2025, depois da prisão, na véspera do anúncio de sua pré-candidatura à Presidência.

Os deslocamentos dos dois também se cruzam. Em 19 de janeiro de 2025, Flávio voou de Fort Lauderdale a Brasília em um jato que o amigo Willer Tomaz divide com Vorcaro. Em maio, os dois pousaram em Fort Lauderdale com 19 minutos de diferença, em aeronaves distintas, e depois voltaram aos Estados Unidos em datas coincidentes: Vorcaro pela Flórida e Flávio por Dallas, cidade do escritório de Calixto. Não há registro de encontro nessas viagens.

<><> Declarações públicas desmentidas

Segundo a Piauí, depois que o escândalo estourou, em maio de 2026, Flávio disse que não conversava com Vorcaro, que não havia dinheiro do Master no Dark Horse e que o último pagamento ao filme ocorrera em maio de 2025. Disse ainda que nunca havia entrado em avião do banqueiro e que a visita feita depois da prisão fora “para botar um ponto final” nos negócios entre eles. A revista afirma que, em todas as ocasiões, ele foi desmentido pelos fatos.

<><> Investigação e silêncio dos envolvidos

A relação entre o senador e o banqueiro está sob investigação desde julho de 2026, por suspeita de crimes financeiros nos repasses ao Havengate e de uso do dinheiro para fins alheios à cinebiografia. A Entre Investimentos, por sua vez, é investigada por suspeita de lavar dinheiro do PCC.

A Piauí questionou Flávio sobre o uso de recursos do Havengate em sua pré-campanha, o assunto da ligação de 16 de dezembro de 2024 e quem decidiu trocar a conta da Go Up pela do fundo. O senador não respondeu. Freixo Júnior disse estar impedido de falar por causa do sigilo de sua delação. As defesas de Frias, Miranda, Calixto, Eduardo Bolsonaro e Vorcaro preferiram não se manifestar.

 

Fonte: Por Laís Martins, em The Intercept/ICL Notícias/Brasil 247

 

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