'Direito
internacional não tem sido cumprido', diz analista após diagnóstico de Putin
Na 23ª
reunião anual do Fórum Valdai, um dos principais espaços de discussão sobre
política internacional, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou
nesta quinta-feira (1º) uma leitura sobre as transformações em curso na ordem
global e os desafios que, segundo ele, devem definir as relações internacionais
nos próximos anos.
Em seu
discurso, o líder russo defendeu a construção de uma nova ordem mundial baseada
em maior equilíbrio entre diferentes centros de poder e afirmou que países do
"Leste e Oeste", "Norte e Sul" terão, mais cedo ou mais
tarde, de chegar a um entendimento sobre seus princípios.
Ao
abordar o papel das instituições multilaterais, Putin defendeu uma reforma da
Organização das Nações Unidas (ONU) para adequá-la à atual configuração
internacional e criticou o que considera uma influência desproporcional dos
países ocidentais. O presidente russo também afirmou que a influência do
Ocidente está diminuindo e que a Rússia ainda é vista por parte desses países
como um império que deveria ser fragmentado.
Giovana
Branco, doutoranda em ciência política da Universidade de São Paulo (USP),
avalia que o presidente russo retomou elementos em seu discurso que precedem
2022, quando de fato iniciou-se o conflito com a Ucrânia. Putin fez uma
reconstrução do cenário até o momento citado, evidenciando que "países da
OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] teriam passado uma série de
linhas vermelhas".
"Ele
fala sobre a queda do governo Viktor Yanukovych em 2014 e também da tentativa
da OTAN de trazer cada vez mais a Ucrânia e também a Geórgia para perto da sua
área de influência. E isso, segundo o presidente russo, foi já uma tentativa de
ataque contra os interesses da Rússia naquele momento", afirma.
De
acordo com a analista, a compreensão de que a Rússia responde a uma agressão
prévia do Ocidente é clara em Moscou.
O
presidente russo também direcionou as declarações para temas como inteligência
artificial, segurança internacional e o legado da União Soviética.
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Reforma para um mundo multipolar
Para
Ana Prestes, analista internacional e doutora em ciência política pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as afirmações do presidente russo
estão em consonância com avaliações feitas por outros líderes mundiais, como o
presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente chinês, Xi
Jinping.
Na sua
avaliação, os governos têm apontado para uma crise da estrutura de governança
global construída após a Segunda Guerra Mundial, da qual fazem parte a ONU e
outros organismos multilaterais.
"Hoje
o direito internacional não tem sido cumprido, os convênios não têm sido
parâmetros, não têm sido balizas para as ações dos governos", afirmou,
pontuando que o diagnóstico também está presente no debate dentro do BRICS e
entre outros líderes mundiais.
Somando
ao comentário, Ricardo Cabral, professor de história e especialista em história
militar e conflitos internacionais, avalia que o discurso de Putin leva em
conta que as instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial estão esgotadas
diante das transformações no cenário global. Enquanto o sistema da ONU mantém
princípios relevantes, ainda está "fortemente ultrapassado" em
relação às necessidades atuais.
Putin,
durante o discurso, se referiu, sobretudo, ao Conselho de Segurança da ONU.
Segundo o especialista, o órgão é "completamente anacrônico", uma vez
que as representações têm peso desproporcional ao papel dos países no cenário
global.
O
analista destaca ainda que a ordem internacional foi estruturada em um contexto
de hegemonia dos Estados Unidos, mas que Washington deixou de exercer esse
papel de forma absoluta.
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Preocupação com os rumos da inteligência artificial
Durante
o seu discurso, Putin enfatizou que o mundo precisa de tempo hábil para
desenvolver regras e diretrizes sobre o uso da IA.
Para
Prestes, "a questão da inteligência artificial é a fronteira da
tecnologia", onde também se dá a disputa entre as potências. Recentemente,
discursos de Xi Jinping e de Trump também expressaram alguma preocupação em
relação à possível perda de controle sobre a tecnologia, assim como ressaltado
por Putin hoje, que falou sobre perigos e riscos da ferramenta.
A
analista recorda, ainda, que o líder russo falou sobre as habilidades humanas.
Em sua fala, Putin destacou a capacidade humana sobre a inteligência
artificial, em especial para orientar decisões militares: um soldado soviético
salvou o mundo da guerra nuclear, "se [houvesse] uma inteligência
artificial em seu lugar, as coisas poderiam ter terminado de forma bem
diferente".
Segundo
Cabral, quando o assunto da tecnologia está relacionado ao meio militar,
"os limites são amplamente desconhecidos". A IA, explica, identifica
padrões, ameaças iminentes e calcula o risco, mas não leva em conta fatores que
não entram na equação e podem colocar uma série de vidas em risco.
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Declarações de Putin no Valdai refletem ascensão de novas forças no equilíbrio
global, opina analista
As
declarações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre a diminuição da
influência do Ocidente refletem as mudanças aceleradas no equilíbrio político e
econômico de forças no mundo, disse à Sputnik o diretor do Fundo Nacional de
Pesquisa e Estatística do Líbano, Zakaria Hamdan.
O líder
russo, ao discursar na sessão plenária da XXIII Reunião
Anual do Clube Internacional de Discussões Valdai, afirmou que a influência
real dos países ocidentais no mundo está diminuindo em meio ao aumento do
bem-estar e das oportunidades de outros Estados.
"As
declarações do presidente russo, Vladimir Putin, sobre a diminuição
da influência ocidental em favor da chamada maioria global refletem a
aceleração das mudanças políticas e econômicas no sistema internacional,
causadas pela ascensão de novas forças econômicas e pela diminuição da
capacidade de várias instituições internacionais de corresponder ao atual
equilíbrio de poder", disse Hamdan.
O
diretor acredita que o fortalecimento da China, da Índia e do Brasil, bem como do BRICS e da Organização para
Cooperação de Xangai,
indica uma mudança gradual no centro de gravidade da economia mundial, das
economias ocidentais tradicionais para a Ásia e os mercados
emergentes.
Ao
mesmo tempo, o especialista libanês enfatizou que não se trata do
desaparecimento do papel do Ocidente, mas do surgimento
de novos centros influentes de poder na conjuntura global.
O
especialista apontou a expansão do comércio e dos investimentos fora do sistema
ocidental, o crescimento do uso de moedas
nacionais
e a criação de novos mecanismos financeiros no âmbito das relações econômicas
entre países não ocidentais.
Na
opinião do especialista, as sanções econômicas e financeiras ocidentais
aceleraram ainda mais a busca de vários países por alternativas ao sistema
financeiro existente.
Em seu
discurso desta quinta-feira (1º), o líder russo, Vladimir Putin, afirmou que o BRICS pode
inspirar uma futura ordem mundial, já que a participação do grupo na economia
global está em constante crescimento e a organização está desenvolvendo
mecanismos financeiros modernos para o mundo.
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Discurso do líder russo no Valdai é aviso para Ocidente sobre 'linhas
vermelhas', diz analista
As
declarações do presidente russo, Vladimir Putin, feitas nesta quinta (1º) no
Valdai, são um aviso estratégico para o Ocidente de que mais apoio militar a
Kiev levará a uma escalada inevitável do conflito, disse à Sputnik Nguyen Anh
Phuong, ex-vice-chefe da primeira empresa conjunta russo-vietnamita que
desenvolve campos de petróleo, a Rusvietpetro.
De
acordo com o especialista do Vietnã, o presidente russo, em sua fala durante a sessão
plenária da XXIII Reunião Anual do Clube Internacional de Discussões Valdai,
reiterou a posição da Rússia de que o uso da força é uma resposta inevitável à
estratégia de cerco por parte da Organização do
Tratado do Atlântico Norte.
"O
discurso do presidente no Valdai é um aviso estratégico de que continuar a
ignorar as linhas vermelhas do Ocidente e aumentar o apoio militar à Ucrânia
inevitavelmente desencadeará uma escalada irreversível", afirmou o
especialista.
Como
detalhou o especialista vietnamita, se o Ocidente coletivo atravessar
esse limiar fatal, todos os esforços diplomáticos perderão o sentido.
Moscou
vê o conflito ucraniano não como um episódio
local, mas como parte de um confronto civilizacional mais amplo, no qual a
Rússia defende seus interesses existenciais e o direito a um caminho
independente de desenvolvimento, destacou o analista.
De
acordo com o especialista, o discurso em Valdai reflete a tendência
de uma mudança maciça em direção ao Sul Global e coincide em grande
parte com o pensamento estratégico da Ásia.
"O
discurso de Vladimir Putin em Valdai 2026 é um manifesto sobre a nova ordem
mundial e uma confirmação da firmeza das diretrizes do Kremlin. Essa aspiração
multipolar abre um amplo espaço estratégico para uma cooperação sustentável
entre a Rússia e seus parceiros
tradicionais",
ressaltou Nguyen Anh Phuong.
Em seu
discurso desta quinta-feira (1º), o líder russo, Vladimir Putin, afirmou que o BRICS pode inspirar uma
futura ordem mundial, já que a participação do grupo na economia global está em
constante crescimento e a organização está desenvolvendo mecanismos financeiros
modernos para o mundo.
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Enquanto países amigos da Rússia são fortes, aliados dos EUA só demonstram
fraqueza, diz analista
A
Rússia tem amigos muito fortes, enquanto os aliados dos Estados Unidos mostram
ao mundo apenas a sua fraqueza, afirmou o conselheiro do presidente iraniano,
Amir al-Mousavi, durante o IX Fórum Internacional Cáucaso do Norte: um espaço
de diálogo, tradição e desenvolvimento.
Al-Mousavi,
que também é diretor da Fundação de Estudos Estratégicos Asfar, chamou a
atenção para o fato de que os aliados da Rússia devem se orgulhar de
ser amigos desse país.
"Devemos
prestar atenção ao fato de que todos os aliados e amigos da Federação da Rússia
são fortes. Todos os amigos da Rússia são fortes, mas os amigos dos Estados
Unidos demonstram a sua fraqueza", destacou al-Mousavi durante a sessão
plenária.
O
especialista acrescentou que a Rússia tem "inúmeros amigos de
verdade". Segundo ele, no Oriente Médio, um dos principais
exemplos de um forte ator aliado da Rússia é o Irã.
"Representamos
um exemplo de força e resiliência contra a agressão do coletivo ocidental e a
hegemonia norte-americana", disse o especialista iraniano.
Além
disso, Teerã se tornou um
verdadeiro exemplo de resiliência para o mundo inteiro, apesar da agressão dos
EUA e de Israel dirigida contra o
país. O Irã, ademais, mostrou o "verdadeiro rosto do Ocidente",
acrescentou al-Mousavi.
O IX
Fórum Internacional Cáucaso do Norte: um espaço de diálogo, tradição e
desenvolvimento será realizado de 2 a 3 de outubro em Zheleznovodsk e
Pyatigorsk, na região de Stavropol.
Seu
principal objetivo é o desenvolvimento da cooperação internacional e
inter-regional, o fortalecimento dos laços humanitários, o diálogo
intercultural e inter-religioso, bem como a promoção do Cáucaso do Norte como um espaço de
diversidade cultural e desenvolvimento sustentável.
Este
ano, mais de 20 países participam do evento. Os convidados de honra do fórum
são os embaixadores extraordinários e plenipotenciários do Quênia, de Ruanda, de Moçambique, de Serra Leoa, da Líbia e do Afeganistão.
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Eurodeputado qualifica a política da UE em relação à
Rússia de irracional e contraproducente
A atual
política da União Europeia (UE) em relação à Rússia é irracional e
contraproducente, tendo levado o bloco a um impasse, disse o eurodeputado
luxemburguês Fernand Kartheiser.
O
presidente russo Vladimir Putin disse na quinta-feira (1º) que Moscou não
estabelece quaisquer condições prévias para a retomada das
relações com a União Europeia ou com países europeus individuais. Segundo
ele, a Rússia não proíbe os Estados europeus de construir relações com ela,
enquanto na Europa há tentativas de impedir tais contatos.
"Acho
a política atual irracional e contraproducente. Ela levou a UE a um
impasse", diz uma declaração do gabinete de Kartheiser disponibilizada à
Sputnik.
O
eurodeputado expôs sua posição em uma carta aberta a presidente do Parlamento
Europeu, Roberta Metsola.
As
relações entre a Rússia e a União Europeia se deterioraram significativamente
em meio ao conflito na Ucrânia. Os países ocidentais assumiram uma posição
flagrantemente antirrussa e estão acusando Moscou sem provas de envolvimento em
vários incidentes, desde interferência eleitoral até preparativos para um
ataque. Moscou negou repetidamente todas essas acusações.
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Representante dos EUA: economia da UE segue fraca devido às suas próprias
decisões políticas
A
economia europeia continua fraca, disse o representante comercial dos Estados
Unidos, Jamieson Greer.
"A
economia europeia segue fraca, em parte devido às suas próprias decisões
políticas... Eles precisam implementar medidas", disse Greer, respondendo
a uma pergunta sobre o estado da economia europeia.
Greer
acrescentou que o volume do comércio dos EUA com a União Europeia (UE) diminuiu
significativamente no ano passado.
Anteriormente,
o representante comercial dos EUA declarou que a UE tinha "cumprido cerca
de zero por cento" de seus compromissos no âmbito do acordo comercial com
Washington.
A
recessão econômica nos países da UE continua, em meio a sanções antirrussas, e
a avaliação sobre o quadro só piora, comentou à Sputnik no Fórum Econômico
Oriental o ex-assessor do premiê da Grécia para as relações com a
Rússia
e o Leste Europeu, o empresário Dimitrios Velanis.
A
recessão econômica se reflete não só nos números, mas também nos padrões de
vida da população europeia. Na Grécia, por exemplo, os preços do gás subiram
25% em dois anos, o diesel subiu 54% e os custos dos alimentos aumentaram 25%,
destacou Velanis.
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'Comeram mosca': Europa tenta recuperar espaço na disputa
pelo Ártico
À
Sputnik Brasil, especialistas avaliam como o avanço de EUA, Rússia e China
sobre rotas, minerais e energia pressiona a União Europeia a reforçar sua
presença na região.
Doze
países europeus se reuniram na Finlândia e defenderam que a União Europeia (UE)
amplie sua atuação no Ártico, região cuja importância geopolítica cresce em
meio ao degelo e, sobretudo, às pressões dos Estados Unidos sobre
a Groenlândia.
"Conclamamos
a União Europeia a desempenhar um papel mais estratégico e proativo no Ártico
europeu", posicionaram-se os líderes em declaração conjunta divulgada após
uma cúpula em Rovaniemi. Participaram do encontro países como Dinamarca, Alemanha,
Estônia, França, Letônia, Lituânia e Romênia, além de outros que aderiram à
declaração e representantes da União Europeia.
Apesar
de ter adotado medidas para a segurança ártica em 2021 — como a destinação de
recursos para quebra-gelos e outros equipamentos —, os países europeus ficam
"espremidos" na disputa por novas
rotas e recursos naturais que surgem por conta do degelo no polo.
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Foco passou de 'pesquisa' para 'estratégico'
Antes
visto como uma região destinada a pesquisas científicas, assumindo um caráter
mais ambiental — com destaque para sua biodiversidade adaptada às condições
extremas, fora a importância para o equilíbrio climático global —, o Ártico é
ainda mais cobiçado hoje.
Como
explica Carolina Pavese, especialista em Europa, consultora e professora, à
Sputnik Brasil, o Ártico concentra rotas marítimas importantes para o
transporte de energia, além de reservas de petróleo e minerais críticos, que
ganharam relevância para as economias, a inovação tecnológica e a indústria de
defesa.
"Quem
conseguir garantir acesso a esses recursos primeiro, leva muita vantagem",
afirma. Para ela, a importância desses recursos tende a crescer conforme
avançam a inovação tecnológica e a demanda da indústria de defesa.
Além
disso, os conflitos no Oriente Médio e as turbulências nos estreitos de Ormuz e
Bab al-Mandeb deram às rotas logísticas árticas uma maior relevância global, ao
abrir novas possibilidades de circulação marítima.
"A
exploração desses recursos se deve principalmente às mudanças climáticas e a
esses degelos, que vão abrindo novas rotas marítimas, principalmente entre Ásia
e Europa." Nesse cenário, a própria ilha da Groenlândia se torna apenas
parte de uma disputa mais ampla pelo Ártico, uma forma de "marcar
presença"
na região.
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Presença no Ártico
Pavese
acrescenta que o alerta da União Europeia é dado após anos de "uma
política muito branda" em relação à participação do bloco no Ártico. Isso
pode ser observado na própria classificação da região como "geopolitical
hotspot" pela alta representante da UE para Política Externa e Segurança,
Kaja Kallas.
Em
contraste, a Rússia tem uma presença histórica no extremo norte, sendo uma
região fundamental para o transporte de commodities.
"Eles
comeram um pouco de mosca esse tempo e agora estão, já que essa região passou a
ganhar tanta atenção nessa agenda das relações internacionais, tentando correr
um pouco atrás do prejuízo."
A
declaração conjunta, segundo Pavese, representa justamente uma tentativa de
chamar a atenção de Bruxelas para a necessidade de uma atuação mais efetiva na
região.
A
especialista cita um acordo firmado pela UE com a Groenlândia, por meio do
programa de infraestrutura Global Gateway, com recursos de € 200 milhões para o
desenvolvimento da economia regional, incluindo áreas como minerais críticos,
energia e pesca. "Isso mostra uma guinada nessa orientação da União
Europeia."
Enquanto
vê que a preocupação dos Estados Unidos em se apossar da Groenlândia envolve
uma preocupação de conter Rússia e China no Ártico, a especialista pontua que a
questão também envolve o perfil do presidente Donald Trump.
"Vem
também nessa ideia de ampliar a sua influência e a sua zona de controle
territorial num sentido bem geográfico, físico, e que é uma característica do
governo de Trump", explica, lembrando a ambição do republicano de
converter o território no 51º estado do país.
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Entre agenda ambiental e necessidade de recursos
Segundo
Letícia da Luz, mestranda em estudos marítimos da Escola de Guerra Naval (EGN),
a política ambiental da União Europeia entra em contradição com o interesse
crescente pelos recursos naturais do Ártico. Embora o bloco defenda políticas
de proteção ambiental e exploração sustentável, sua própria transição
energética depende de minerais críticos e terras raras presentes na região.
"Acaba
sendo um pouco contraditória a política europeia para essa questão
ambiental."
Para a
especialista, a necessidade desses insumos faz com que a questão ambiental
precise ser conciliada com os interesses
econômicos
e estratégicos europeus. A exploração, porém, envolve riscos ambientais
elevados. Um eventual derramamento de petróleo, ou um acidente envolvendo uma
embarcação, poderia ter consequências graves em uma região com capacidade
limitada de resposta a emergências, dada a falta de infraestrutura e a
perspectiva de aumento do movimento marítimo.
Acima
de tudo, as preocupações estariam na dimensão militar. "O primeiro
objetivo é o militar e o segundo são os recursos energéticos", diz Luz,
argumentando que proteger reservas e rotas de
transporte
contribui para justificar uma presença militar maior no Ártico.
Nesse
campo, a a entrada de Finlândia e Suécia na Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) ampliou a presença da aliança no Ártico. Dos oito países que
integram o Conselho do Ártico, principal fórum de discussão sobre a região,
sete também fazem parte da organização.
Fonte:
Sputnik Brasil

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