O
capital em crise e o futuro em disputa
Há uma
contradição central em nosso tempo. A economia mundial nunca produziu tanta
riqueza, conhecimento e capacidade tecnológica. Ao mesmo tempo, para a grande
maioria da população, segurança econômica, mobilidade social e trabalhos de
qualidade parecem sonhos cada dia mais distantes. Essa contradição do
capitalismo contemporâneo é observável nos dados: os 10% mais ricos do planeta
recebem 53% de toda a renda mundial e detêm cerca de três quartos da riqueza.
Na outra extremidade, os 50% mais pobres recebem apenas 8% da renda e possuem
2% da riqueza. O 1% mais rico, sozinho, controla 37% do patrimônio mundial,
segundo o World Inequality Report 2026.
No
mercado de trabalho, a contradição ganha outra dimensão. A Organização
Internacional do Trabalho projeta uma taxa global de desemprego relativamente
baixa, de 4,9% em 2026. Mas estima também um déficit global de empregos de 408
milhões de pessoas, gente que deseja trabalho remunerado, mas não consegue
obtê-lo. Cerca de 2,1 bilhões de trabalhadores permanecem na informalidade e
quase 300 milhões trabalham mesmo vivendo em situação de pobreza extrema.
A
hipótese defendida neste ensaio é que, quando forças de esquerda não conseguem
traduzir essas contradições em respostas políticas percebidas como concretas,
abre-se espaço para que outras correntes disputem a interpretação dos anseios e
das frustrações sociais. A questão central é: o que acontece quando uma
sociedade possui enorme capacidade de produzir riqueza, mas encontra
dificuldades para transformar essa capacidade em segurança econômica,
mobilidade social e perspectiva de futuro para uma parcela significativa de sua
população?
É nesse
ponto que a discussão sobre a crise contemporânea do capitalismo deixa de ser
apenas econômica. Ela se torna também uma disputa sobre o sentido da sociedade
e sobre quem será capaz de explicar suas contradições.
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A riqueza existe. A disputa é pelo acesso a ela
Os
dados sobre desigualdade mundial são importantes justamente porque afastam uma
interpretação simplista da crise. O mundo não está ficando simplesmente “mais
pobre”. A questão é como renda e patrimônio estão distribuídos. Se os 10% mais
ricos concentram aproximadamente 75% da riqueza mundial enquanto a metade mais
pobre detém apenas 2%, o crescimento da capacidade produtiva não determina, por
si só, como os resultados dessa produção serão apropriados. É nesse sentido que
Marx permanece relevante. Ele oferece, antes de tudo, uma maneira de investigar
a estrutura econômica: quem controla os meios de produção, como a riqueza é
produzida, de que maneira os ganhos são apropriados e quais relações sociais
sustentam esse processo.
Em face
disso, é necessário compreender melhor o que estamos tratando como “crise”. Uma
economia não precisa estar em recessão para produzir insegurança social. PIB,
emprego e produtividade podem crescer enquanto determinados grupos enfrentam
dificuldades para transformar trabalho em patrimônio, renda em estabilidade ou
qualificação em mobilidade social. O capitalismo não é experienciado por meio
de uma abstração. As pessoas o experimentam no salário que recebem, no preço do
aluguel, no custo dos alimentos, na possibilidade de comprar uma casa, na
estabilidade do emprego, na qualidade dos serviços públicos, no dinheiro que
sobra ou falta no final do mês. Uma economia pode crescer enquanto uma geração
conclui que terá mais dificuldade do que a anterior para acumular patrimônio.
Pode apresentar desemprego baixo enquanto milhões trabalham em ocupações
precárias. Pode produzir grandes inovações tecnológicas enquanto os ganhos
associados a elas são distribuídos de maneira profundamente desigual. A crise
contemporânea é, nesse sentido, também uma crise de expectativas. E
expectativas frustradas em grande escala têm consequências políticas
relevantes.
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Ter emprego não significa necessariamente ter segurança
O
problema, portanto, não é apenas quantos empregos existem efetivamente. É
preciso perguntar que empregos são esses, quanto pagam, quais direitos
oferecem, quanto tempo duram e que tipo de vida permitem construir. O Brasil
oferece um exemplo particularmente interessante dessa diferença. Em 2025, a
taxa anual de desemprego caiu para 5,6%, a menor desde o início da série
histórica da PNAD Contínua, em 2012. O país chegou ao recorde de 103 milhões de
pessoas ocupadas, e o rendimento real habitual do trabalho atingiu R$ 3.560,
alta real de 5,7% em relação a 2024. São avanços concretos. Mas a mesma
fotografia contém outros números: a taxa de informalidade permaneceu em 38,1%
da população ocupada e a taxa de subutilização da força de trabalho ficou em
14,5%. Havia ainda 13,8 milhões de empregados sem carteira assinada e 26,1
milhões de trabalhadores por conta própria.
Os dois
conjuntos de dados precisam ser observados simultaneamente, já que fornecem
subsídios para o entendimento da complexa realidade do trabalho no Brasil.
Seria, portanto, incorreto descrever o mercado de trabalho brasileiro recente
simplesmente como uma situação de declínio: emprego e renda melhoraram
significativamente. Mas seria igualmente insuficiente concluir, a partir da
queda do desemprego, que a insegurança econômica desapareceu. Uma pessoa pode
estar empregada e ainda assim possuir pouca proteção contra uma queda de renda,
uma emergência familiar ou um período sem trabalho. Essa distinção ajuda a
compreender por que percepções de insegurança podem sobreviver, ou mudar mais
lentamente, mesmo quando determinados indicadores macroeconômicos melhoram. O
trabalho, por si só, já não garante a uma parcela da população estabilidade
econômica nem melhora contínua das condições de vida.
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Crescimento não é necessariamente desenvolvimento
É
justamente nesse ponto que Celso Furtado continua indispensável. Uma das
preocupações centrais de sua obra foi distinguir crescimento econômico de
desenvolvimento. Uma economia pode ampliar sua produção, modernizar setores e
incorporar tecnologia sem necessariamente realizar uma transformação estrutural
capaz de distribuir amplamente os benefícios desse processo. Desenvolvimento,
nessa perspectiva, envolve mais do que produzir uma quantidade maior de bens e
serviços. Envolve transformação da estrutura produtiva, ganhos de
produtividade, diversificação econômica e ampliação das possibilidades sociais
abertas à população.
A
pergunta, portanto, não é apenas quanto uma economia cresce, mas o que ela
produz, como produz, quem captura os ganhos de produtividade e quais
oportunidades sociais surgem desse processo. Essa distinção é especialmente
importante para países como o Brasil. A economia brasileira passou por
sucessivos ciclos de modernização sem eliminar desigualdades históricas.
Diferenças regionais continuam expressivas: em 2025, por exemplo, o rendimento domiciliar
nominal mensal per capita variou de R$ 1.219 no Maranhão a R$ 4.538 no Distrito
Federal.
A
própria trajetória recente mostra como avanços e fragilidades podem coexistir.
Entre 2015 e 2016, o Brasil atravessou uma das recessões mais profundas de sua
história recente. O PIB caiu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. Apenas em 2015, a
formação bruta de capital fixo, medida que inclui investimentos em máquinas,
equipamentos, construção e outros ativos, despencou 13,9%, enquanto o PIB per
capita recuou 4,3%. No ano seguinte, o PIB per capita voltou a cair, dessa vez
4,1%. Uma contração dessa magnitude não permanece confinada às contas do
Estado. Ela atravessa empresas, empregos, decisões de investimento e
expectativas familiares. E expectativas econômicas têm importância e peso
político. Quando parcelas da sociedade passam a acreditar que seus filhos terão
menos oportunidades, que melhores condições de vida permanecerão distantes ou
que a estabilidade alcançada por gerações anteriores deixou de ser possível, a
sociedade enfrenta algo maior do que uma oscilação do ciclo econômico. Surge
uma disputa para explicar por que isso aconteceu e quem é responsável por mudar
essa trajetória.
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A economia não determina automaticamente a política
Aqui é
necessário fazer uma distinção fundamental. Não existe uma linha mecânica entre
crise econômica e crescimento da extrema direita, assim como não existe uma
passagem automática da crise ao fortalecimento da esquerda. Uma recessão, por
si só, não contém uma ideologia pronta. A mesma experiência de insegurança pode
produzir demandas por proteção social, redistribuição, liberalização econômica,
nacionalismo, mudanças institucionais, maior controle migratório,
fortalecimento do Estado ou diferentes combinações dessas respostas. A
experiência material precisa primeiro ser transformada em uma explicação
política.
Para
Gramsci, a política não acontece apenas dentro das instituições formais do
Estado. Ela envolve também a disputa pela construção do senso comum: a
capacidade de transformar determinada interpretação da realidade em algo que
pareça evidente, natural e intuitivamente verdadeiro. Com base nessa
interpretação e diante dessa deterioração material, surgem perguntas sobre
salários que não acompanham o custo de vida, serviços públicos insuficientes,
concentração de poder econômico e incapacidade das instituições tradicionais de
responder aos problemas.
As
perguntas podem partir de experiências econômicas semelhantes, mas as respostas
políticas podem ser radicalmente diferentes. É nessa distância entre
experimentar uma crise e explicar uma crise que se trava uma das disputas
centrais da política contemporânea. Em períodos de insuficiência do modelo
capitalista, importa compreender quem consegue interpretar e organizar as
demandas concretas da população.
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O que a história diz sobre crises e radicalização
Há
evidência histórica de que determinadas crises econômicas podem alterar
significativamente o comportamento político. Mas essa relação precisa ser
tratada com precisão.
Manuel
Funke, Moritz Schularick e Christoph Trebesch construíram uma base histórica
cobrindo mais de 800 eleições em 20 economias avançadas entre 1870 e 2014. O
resultado é importante justamente porque contém uma distinção frequentemente
perdida no debate público. Os autores encontraram aumento de polarização,
fragmentação parlamentar e apoio à extrema direita depois de crises financeiras
sistêmicas. Em média, a participação eleitoral de partidos classificados pelos
pesquisadores como extrema direita aumentou aproximadamente 30% nos cinco anos
posteriores a essas crises. Os autores
não encontraram o mesmo padrão depois de recessões comuns ou de choques
macroeconômicos severos sem crise financeira. Isso enfraquece qualquer
explicação determinista. A natureza da crise, a resposta institucional, a
distribuição das perdas e sua interpretação política importam.
A
Grande Depressão oferece um exemplo extremo. O colapso econômico não produziu
sozinho o nazismo. A Alemanha possuía uma trajetória particular de derrota
militar, instabilidade institucional, nacionalismo, violência política e
conflitos sociais, mas a depressão alterou drasticamente o ambiente em que
essas forças disputavam apoio. A crise financeira de 2008 recolocou a questão
em outro contexto. Para milhões de pessoas, significou desemprego, perda
patrimonial, endividamento e redução de oportunidades. Para os Estados, exigiu
enfrentar o risco sistêmico representado por instituições financeiras cuja
quebra poderia aprofundar a crise.
As
intervenções adotadas após a crise contribuíram para limitar perdas ainda
maiores de produto e emprego, segundo avaliações posteriores do FMI. Mas
deixaram uma questão distributiva importante: quem absorve as perdas quando uma
crise ameaça o funcionamento do sistema? Crises não determinam a preferência
política, mas ampliam a disposição para ouvir ideias antes consideradas
insuficientes ou marginais.
Nas teses Sobre o conceito de história, Walter Benjamin mostra por que o
avanço de forças autoritárias não deve ser tratado apenas como anomalia ou
interrupção inesperada de uma trajetória de progresso. Na Tese VIII, escrita em
1940 sob a ascensão do fascismo europeu, Benjamin adverte que “o assombro com o
fato de que os episódios que vivemos no século XX ‘ainda’ sejam possíveis não é
um assombro filosófico” (BENJAMIN, 1987, p. 226). Esse espanto revela os
limites de uma concepção da história fundada no progresso automático. Mais do
que perguntar como certas ideias ressurgiram apesar dos avanços econômicos, sociais
ou institucionais, é necessário investigar as condições históricas que
permitiram sua recepção e seu fortalecimento.
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A extrema direita e a batalha pela interpretação da crise
É nesse
terreno que diferentes movimentos de extrema direita contemporânea conseguiram
ampliar seu espaço político em vários países. Não porque exista uma causa
econômica única para esse fenômeno. Tampouco porque seus eleitores constituam
um grupo homogêneo. Mas porque movimentos políticos crescem também quando
conseguem conectar experiências individuais a uma narrativa coletiva. Dependendo
do país e do movimento, discursos classificados como de extrema direita
combinam, em diferentes proporções, nacionalismo, restrição à imigração,
conservadorismo cultural, crítica às elites políticas tradicionais, defesa da
ordem e referências nostálgicas a um passado percebido como melhor.
Outras
forças oferecem interpretações diferentes das mesmas transformações econômicas.
Uma pessoa que atravessou anos de instabilidade não procura necessariamente uma
teoria completa sobre financeirização, produtividade ou transformação
estrutural. Ela quer entender sua própria experiência. Por que consigo
trabalhar, mas não acumular patrimônio? Por que uma casa que meus pais puderam
comprar parece inacessível para mim? Por que meu diploma não produz a
estabilidade que eu esperava? Por que determinados grupos enriqueceram tanto
enquanto outros encontram dificuldade para acessar o mínimo? Quem oferece
respostas convincentes a essas perguntas disputa algo maior do que eleições.
Disputa o senso comum e, em última instância, a hegemonia da narrativa de uma
sociedade. Nesse sentido, uma crise econômica pode se transformar também em uma
crise de interpretação.
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O paradoxo brasileiro
No
Brasil, essa discussão assume características próprias. O país possui uma
economia diversificada, enorme base de recursos naturais, instituições de
pesquisa, universidades, relativa capacidade industrial e um mercado interno de
mais de 200 milhões de habitantes. Ao mesmo tempo, mantém grandes desigualdades
regionais e sociais e enfrenta dificuldades históricas para elevar sua
produtividade. O cenário, contudo, não é exclusivamente pessimista. O PIB real
cresceu 3,4% em 2024. Em 2025, o desemprego atingiu o menor nível e a população
ocupada, o maior nível da série da PNAD Contínua. Falar em “crise do
capitalismo”, portanto, não significa afirmar que todos os indicadores
brasileiros estejam piorando, mas perguntar se melhorias conjunturais bastam
para enfrentar problemas estruturais.
O
desenvolvimento não se resume à variação anual do PIB, assim como o desemprego
baixo não resolve, sozinho, problemas de produtividade, informalidade,
desigualdade, serviços públicos e acumulação patrimonial. O desafio brasileiro
é transformar capacidade econômica em desenvolvimento sustentado e socialmente
disseminado.
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A disputa pelo futuro
Marx,
Furtado, Gramsci e Benjamin pertencem a tradições intelectuais e contextos
históricos diferentes. Mas colocá-los em diálogo permite formular quatro
perguntas que permanecem extraordinariamente atuais. Marx pergunta: quem
controla e se apropria da riqueza produzida socialmente? Furtado: que
tipo de desenvolvimento uma estrutura econômica produz e quem participa dele?
Gramsci: quem consegue a hegemonia e, por consequência, transformar sua
explicação da realidade em senso comum? Benjamin: quais custos ficam
escondidos quando descrevemos determinada transformação como progresso?
A
economia contemporânea possui extraordinária capacidade de gerar riqueza e
inovação, mas seus resultados são distribuídos de maneira profundamente
desigual. Ao mesmo tempo, melhorias importantes em emprego e renda mostram que
essa realidade não é estática nem pode ser reduzida a uma narrativa simples de
deterioração permanente. É justamente essa complexidade que torna a disputa
política tão intensa. Diferentes correntes oferecem diagnósticos distintos.
Algumas enfatizam desigualdade e concentração econômica. Outras, produtividade,
regulação ou limites do Estado. Há ainda as que destacam imigração,
transformações culturais, globalização ou perda de soberania, muitas vezes
combinando esses elementos. Não existe uma passagem automática dos dados para
uma única conclusão política. Os dados delimitam o problema. A política disputa
seu significado.
A
posição de Benjamin contra a ideia de que a história necessariamente caminha
para melhor permanece pertinente. Avanço tecnológico não garante progresso
social. Crescimento econômico não garante desenvolvimento. Produção de riqueza
não garante sua distribuição. Reconhecer isso não é meramente pessimismo, mas a
necessidade de abandonar a ideia de que o futuro se resolverá sozinho e assumir
a responsabilidade de construí-lo. O aumento da produtividade, a transformação
tecnológica do trabalho e o crescimento da economia abrem disputas sobre a
distribuição de seus benefícios e custos. Se a riqueza permanecer concentrada e
milhões de pessoas considerarem o futuro menos acessível do que esperavam,
compreender essa experiência será indispensável para explicar as respostas
políticas que emergem dela. Talvez esse seja o aspecto mais importante da atual
crise do capitalismo.
Não se
trata apenas de saber se a economia está crescendo ou se retraindo. Trata-se de
saber o que as pessoas podem razoavelmente esperar da sociedade em que vivem
e quais caminhos podem responder a essas demandas genuínas. É nesse terreno
que se trava uma das grandes disputas políticas do nosso tempo. A história não
oferece garantias sobre seu resultado. O futuro não está escrito. Mas quem
consegue dar sentido às contradições do presente participa, inevitavelmente, da
disputa para construí-lo. Por isso, torna-se fundamental que os diferentes
campos da esquerda assumam a responsabilidade de avaliar criticamente seus
erros e acertos e, sobretudo, compreender em que medida foram capazes de
responder às novas demandas de uma classe trabalhadora que não é estática, mas
que se transforma junto com as relações de trabalho, a tecnologia e a própria
sociedade. A partir desse diagnóstico, coloca-se uma questão incontornável para
o futuro: quais caminhos políticos serão capazes de responder aos anseios dessa
classe trabalhadora e em que medida a atuação pelas vias institucionais
existentes é suficiente para produzir as transformações que essas demandas
exigem?
Fonte: Por
Bruno Alexandre, em Outras Palavras

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