segunda-feira, 24 de março de 2025

5 mudanças na fala que ajudam a detectar o Alzheimer precocemente

Dez milhões de pessoas são diagnosticadas com demência no mundo todo a cada ano – e isso é mais do que nunca. De acordo com a Alzheimer's Society, aproximadamente um milhão de pessoas no Reino Unido estão vivendo atualmente com a doença. Estudos preveem que esse número aumentará para 1,6 milhão até 2050.

A Doença de Alzheimer, também chamada de Mal de Alzheimer, é a causa mais comum de demência e leva ao declínio da memória e das habilidades de raciocínio.

Trata-se de uma doença física que faz com que o cérebro pare de funcionar corretamente e que piora com o tempo. Identificar o início do processo precocemente pode ajudar pacientes e cuidadores a encontrar o suporte e o cuidado médico certos.

Uma maneira de fazer isso é identificar mudanças no uso da linguagem porque novos problemas de fala são um dos primeiros sinais de declínio mental - e podem indicar o começo da doença.

<><> Aqui estão cinco sintomas precoces de Alzheimer relacionados à fala que você deve observar:

1. Pausas, hesitações e imprecisões

Um dos sinais mais reconhecíveis do adoecimento é a dificuldade em lembrar palavras específicas, o que pode levar a pausas e hesitações frequentes e (ou) longas. Quando uma pessoa com Alzheimer demora a lembrar de uma palavra, ela pode recorrer a uma descrição vaga, como dizer "coisa", ou falar em torno da palavra esquecida. Por exemplo, se a dificuldade for para lembrar a palavra cachorro, pode ser que ela diga algo como "as pessoas têm esses animais de estimação… eles latem… eu costumava ter um quando era criança".

2. Usar palavras com significado errado

Quem está desenvolvendo a doença tenta substituir uma palavra que não consegue dizer por algo relacionado a ela. Usando o mesmo exemplo acima, em vez de "cachorro", pode usar um animal da mesma categoria, como "gato". Nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, no entanto, essas mudanças têm mais probabilidade de estar relacionadas a uma categoria mais ampla ou geral, como dizer "animal" em vez de "gato".

3. Falar sobre uma tarefa em vez de fazê-la

Uma pessoa com Alzheimer pode ter dificuldade para concluir tarefas. Em vez de executá-las, ela pode falar sobre seus sentimentos em relação às atividades, expressar dúvidas ou mencionar habilidades passadas. E dizer: "Não tenho certeza se consigo fazer isso" ou "Eu costumava ser bom nisso", em vez de falar diretamente sobre a tarefa.

4. Menor variedade de palavras

Um indicador mais sutil da Doença de Alzheimer é a tendência de usar uma linguagem mais simples, confiando em palavras comuns. Pessoas com Alzheimer frequentemente repetem os mesmos verbos, substantivos e adjetivos em vez de usarem um vocabulário mais amplo. Elas também podem usar "o", "e" ou "mas" com frequência para conectar frases.

5. Dificuldade em encontrar as palavras certas

A doença leva a dificuldade para pensar em palavras, objetos ou coisas que pertencem a um grupo. Isso, às vezes, é usado como um teste cognitivo para o diagnóstico. Por exemplo, aqueles com Alzheimer podem ter dificuldade para nomear coisas em uma categoria específica, como alimentos diferentes, partes diferentes do corpo ou palavras que começam com a mesma letra. Isso fica mais difícil à medida que a doença progride, tornando essas tarefas cada vez mais desafiadoras.

A idade é o maior fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer – a chance dobra a cada cinco anos após os 65 anos. No entanto, uma em cada 20 pessoas diagnosticadas com Alzheimer tem menos de 65 anos. Isso é chamado de Alzheimer mais jovem – ou de início precoce.

Embora esquecer palavras de vez em quando seja normal, problemas persistentes e cada vez piores para lembrar, falar fluentemente ou usar uma variedade de termos podem ser um sinal precoce de Alzheimer. Identificá-los na fase inicial é particularmente importante para pessoas com maior risco de sofrer do Mal à medida que envelhecem, como os que têm Síndrome de Down.

 

•                            8 pontos para distinguir o envelhecimento normal de Alzheimer. Por Inés Moreno e José A. Reyes

Quer queiramos ou não, o passar dos anos afeta todos nós.

Inevitavelmente, o envelhecimento envolve uma série de mudanças consideradas normais, que se enquadram no que chamamos de envelhecimento bem-sucedido.

No entanto, não é incomum confundir alguns desses sinais de envelhecimento — principalmente o esquecimento — com os primeiros sintomas do desenvolvimento do Mal de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta muitas funções, principalmente a memória e o aprendizado.

Compilamos 8 aspectos principais que nos permitem distinguir claramente os sintomas da doença de Alzheimer das alterações associadas ao envelhecimento normal.

1. Perda de memória vs. temporariamente esquecer algo

Ocasionalmente, esquecer nomes de pessoas e lembrar mais tarde não é motivo para alarme.

Pode haver várias causas relacionadas a problemas imediatos de memória, muitas vezes a falta de atenção ou concentração.

Esses déficits podem ser transitórios e decorrentes de ansiedade, estresse ou efeito de algumas drogas.

No caso de pacientes com Alzheimer, a perda de memória ou a amnésia é um dos sintomas mais comuns.

Não é transitório e tende a piorar com o tempo.

O habitual é esquecer as informações recém-aprendidas, como datas ou eventos, e pedir as mesmas coisas continuamente.

2. Desorientação no tempo ou lugar vs. não lembrar a data atual

É considerado normal, e não apenas envelhecimento, esquecer prontamente o dia em que estamos.

Em situações estressantes (ou desejos de que o fim de semana chegue logo), confundimos o dia em que vivemos.

Em pacientes com Alzheimer, ao contrário, há desorientação temporal e espacial.

Isso implica que se esquecem as datas (muitas), até mesmo o ano atual ou o de nascimento.

Também têm dificuldade em chegar a um local conhecido e muitas vezes não se lembram de onde estão ou como chegaram, correndo o risco de se perderem.

3. Afasia vs. esquecer a palavra exata

Já aconteceu com todos nós: por vezes, não nos lembramos de uma palavra específica e a colocamos "na ponta da língua".

Normalmente, mais tarde, ou mesmo no dia seguinte, o termo de repente vem à mente.

Nada alarmante...

A afasia aparece no Mal de Alzheimer. Seus sintomas iniciais são dificuldade de comunicação e fala.

Isso afeta a expressão das palavras (pacientes com Alzheimer não encontram a palavra certa ou se repetem muito), e gera erros na ordem das palavras e na escrita.

4. Alterações de comportamento vs. mau humor

Quem nunca teve um dia ruim?

O estresse diário, os problemas do dia a dia e as preocupações podem mudar temporariamente nosso humor, tornando-nos irritáveis ou apáticos.

Às vezes, ficamos até com raiva quando somos forçados a mudar uma de nossas rotinas.

O Alzheimer vai mais longe.

Pode causar alterações psicológicas e comportamentais, como ansiedade, depressão, agitação, agressividade, irritabilidade, alterações emocionais, delírios, alucinações, deambulação e até distúrbios do sono e do apetite que não podem ser explicados por outros motivos.

5. Objetos perdidos vs. perda única

Onde deixei as chaves do carro?

Normal. Fazemos várias tarefas e, às vezes, automaticamente.

Quando queremos lembrar onde colocamos a chave, nossa memória falha.

Porém, conseguimos lembrar o que fizemos ao entrar em casa e perceber que fomos direto para a cozinha e, lá estão as chaves, no balcão.

Pessoas com Alzheimer geralmente perdem objetos, mas são incapazes de refazer seus passos para encontrá-los.

Além disso, muitas vezes chegam a acusar outras pessoas de roubá-los por não se lembrarem que foram elas que os deixaram ali.

6. Falta de julgamento vs. decisões ruins

Todos nós tomamos decisões erradas, devido à falta de experiência ou impulsividade.

Já os portadores de Alzheimer apresentam comportamentos anormais ou inadequados à situação em que se encontram, problemas no planejamento de suas tarefas ou finanças e dificuldades na resolução de problemas.

Eles podem gastar ou até mesmo dar dinheiro injustificadamente, ou dar menos atenção aos cuidados pessoais.

7. Apatia e isolamento social vs. períodos de cansaço

Um dia cansativo, cansaço ou falta de sono devido a todas as obrigações que temos, podem nos transformar temporariamente em pessoas mais acolhedoras e com menos vontade de participar de atividades sociais.

Não é o que acontece com os pacientes com Alzheimer, longe disso.

No caso deles, a realização de atividades sociais ou esportivas é um desafio.

Eles podem até se tornar retraídos em situações em que são expostos a outras pessoas.

8. Dificuldade em tarefas habituais vs. ajuda com tarefas complexas

É normal que os idosos precisem de ajuda para tarefas complexas ou tarefas às quais não estão acostumados, como usar um telefone celular ou programar um controle remoto.

Porém, quando afeta significativamente o desempenho das atividades diárias como fazer compras, manusear dinheiro ou contas bancárias, administrar medicamentos, comparecer a consultas médicas ou organizar uma viagem, por exemplo, podemos nos encontrar no início de um estado patológico.

Em estágios avançados, pode afetar tarefas mais básicas, incluindo se vestir, cuidar da higiene, o manuseio na cozinha, etc.

<><> Diagnóstico profissional

Dito isso, cabe esclarecer que a presença de apenas um desses sintomas não é suficiente para a suspeita de Alzheimer. Você deve sempre ir a um médico para obter um diagnóstico profissional.

Embora não exista cura para o Alzheimer hoje, sua detecção precoce é fundamental para um melhor tratamento sintomático e para a manutenção de uma melhor qualidade de vida durante a evolução da doença.

 

Fonte: Por Sarah Curtis, para The Conversation


 

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