terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Verão de 2024 deve ter temperaturas acima da média

Com início oficial na madrugada desta sexta-feira, 22, o verão de 2024 deve ter temperaturas acima da média.S egundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob influência do fenômeno El Niño, o verão será mais quente e mais seco.

Estamos prevendo que o verão vai ser mais quente que o normal em todo o país. Só no extremo sul as temperaturas podem ficar dentro do normal, mas nas regiões norte e central, as temperaturas devem ficar acima do esperado”, afirmou o meteorologista Caio Coelho, do Inpe.

Segundo ele, a previsão é que o El Niño perca intensidade apenas no fim do verão. Uma das características do fenômeno climático é a diminuição das chuvas na região Norte e Nordeste, e aumento da precipitação sobre a região Sul. “As chuvas devem continuar acima do que é esperado para essa época do ano na região Sul, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, detalhou a meteorologista Marília Nascimento, do Inpe.

Já na faixa norte do país, a chuva estará abaixo da normal climatológica. “Principalmente na área mais ao leste, em direção ao Nordeste, e também no semiárido”, completou.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, deve chover dentro na normalidade para a época. “O verão começa com chuvas mais abundantes devido à atuação da zona de convergência do Atlântico Sul, e não descartamos a possibilidade de pancadas de chuvas intensas que atinjam essa faixa que engloba a região Centro-oeste e o Sudeste do país e uma área ao norte da região Sul”, explicou Marília.

·        Dias mais longos

Até 20 de março de 2024, por causa da inclinação do seu plano de órbita, os raios solares atingem mais diretamente o hemisfério sul do planeta Terra. “Os dias são maiores, o Sol nasce mais cedo e se põe mais tarde, e isso acontece já a partir da primavera e tem o seu ápice no início do verão”, informou a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional.

 

Ø  Brasil precisa se adaptar ao calor após o El Niño, dizem especialistas

 

O brasileiro tem sofrido com as consequências extremas do El Niño ao longo de todo o ano de 2023, como ondas de calor, seca extrema e inundações. Meteorologista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Márcio Cataldi ressalta que as consequências mais severas do El Niño já passaram. No entanto, o Brasil pode esperar por efeitos duradouros nas bacias hidrográficas do país.

“A fase mais forte dele já passou. Então, a partir de agora, os efeitos serão mais amenos. Mas ele vai prejudicar um pouco a ‘sobra’ de água armazenada que tínhamos nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, tanto para fins de energia como para fins de agricultura, consumo humano e dessedentação [matar a sede] animal”, explica Márcio Cataldi.

O Metrópoles ouviu meteorologistas que explicam a necessidade de adaptação climática às condições deixadas pelo fenômeno climático.

Os efeitos do El Niño são sentidos de formas diferentes por todo o território brasileiro. No Sul, ele tem provocado fortes tempestades e causado inundações. No Norte, uma seca extrema culminou na morte de milhares de animais, principalmente botos. O Sudeste e o Centro-Oeste, por sua vez, sofrem com altas temperaturas e ondas de calor cada vez mais frequentes.

O fenômeno teve início em junho, e desde então o Brasil tem passado por extremos climáticos e registrado tragédias humanas e ambientais. Segundo a Defesa Civil do Amazonas, mais de 600 mil pessoas foram afetadas pela estiagem histórica. No Rio Grande do Sul, 28 mil tiveram que deixar suas casas em razão das fortes chuvas ao longo do mês de novembro.

Já a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Andrea Ramos pontua que a incidência do fenômeno climático deve acontecer até meados de fevereiro, com destaque para alteração no regime de chuvas nas diferentes regiões.

·        Fase neutra

“A partir de fevereiro, ele já vai começar a diminuir a intensidade, e com isso ele já não vai proporcionar essa intensidade que proporcionou em 2023, apesar de que, ainda nos primeiros três, quatro meses, ele ainda vai estar com uma influência”, afirma Andrea Ramos. “A partir de abril, maio e junho, já começa uma fase neutra.”

Com a possibilidade de eventos climáticos extremos, o meteorologista da UFF reforça a necessidade de adaptação climática dos governos e também da população em geral. Segundo ele, essas medidas devem ser adotadas para evitar a perda de vidas e danos cruciais às comunidades que estão em situação de vulnerabilidade social.

“Os governos federal, estaduais e municipais, na minha opinião, devem trabalhar em paralelo para investir em ciência e tecnologia para aumentar a capacidade de prognóstico. Afinal, isso é que ajuda a salvar vidas em eventos extremos”, aponta Márcio Cataldi.

O meteorologista também enfatiza a necessidade de os governos investirem em educação ambiental, uma forma de a população entender o que está acontecendo com o planeta e as consequências para as próximas gerações.

Márcio Cataldi explica que o papel do cidadão comum na adaptação climática é pela busca de reduzir o consumo e diminuir as emissões de gases poluentes, como priorizar o transporte coletivo, reciclar e reutilizar.

 

Ø  Verão de temperaturas recordes no hemisfério norte provoca mudanças no Ártico

 

O Ártico está aquecendo quase quatro vezes mais rápido do que qualquer outro local do planeta, e isso está mudando completamente as suas características. Segundo um boletim divulgado na terça-feira (12) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), a região está menos gelada, mais úmida e mais verde.

A mudança tem sido mais intensa nos últimos meses, período de verão no hemisfério norte, informa o jornal The Washington Post. Só para citar alguns acontecidos: incêndios florestais fora de controle forçaram comunidades inteiras a evacuar e as águas de um rio invadiram casas devido ao afinamento glacial.

“Os eventos climáticos e meteorológicos extremos durante o ano passado no Ártico e em outros locais trouxeram impactos inequívocos e sobrecarregados pelas mudanças climáticas nas pessoas e nos ecossistemas”, afirma o relatório.

>>>> Confira a seguir os principais registros feitos no local:

·        Passagem Noroeste sem gelo

O derretimento de gelo deixou a Passagem Noroeste, uma via marítima entre os oceanos Atlântico e Pacífico, praticamente livre para os navios trafegarem. A extensão do gelo ao longo deste caminho foi uma das mais baixas já observadas via satélite.

·        Populações de salmão atingem mínimos e máximos recordes

As populações de salmão chinook e chum no oeste do Alasca ficaram bem abaixo da média em 2023, embora tenham se recuperado ligeiramente de um mínimo recorde em 2022. A razão disso é que as águas estão mais quentes, e esta é uma espécie que prospera em águas geladas.

Por outro lado, a quantidade de salmão vermelho atingiu marca recorde na Baía de Bristol, no sudoeste do Alasca. O clima mais quente faz os peixes irem para o mar mais cedo, em vez de viverem em lagos e rios até amadurecerem.

·        Graves inundações

O rio Mendenhall transbordou e causou uma grave inundação em Juneau, no Alasca, em agosto. O relatório da NOAA aponta que isso foi “resultado direto do dramático desbaste glacial ao longo dos últimos 20 anos”.

·        Gelo derretido perto do pico do manto de gelo da Groenlândia

As temperaturas na Estação Summit, um posto avançado de pesquisa no centro da Groenlândia, aproximaram-se dos 33º no dia 26 de junho. Foi apenas a quinta vez que os termômetros no local subiram acima de 0º em 34 anos de observações.

Nos meses de outono no hemisfério norte, a temperatura média por lá foi de cerca de -10º, 13º mais amena do que o normal. Esse aquecimento fez a superfície do manto de gelo na parte sul da Groenlândia baixar quase 45 centímetros durante uma única semana de junho.

·        Incêndios forçam milhares de pessoas a deixarem suas casas

O Canadá teve este ano a sua pior temporada de incêndios florestais. A maior das queimadas espalhou-se pelos Territórios do Noroeste, exigindo que os residentes de Yellowknife e outras comunidades fossem evacuadas por precaução durante semanas seguidas.

Rick Spinrad, administrador da NOAA, disse em entrevista coletiva que as conclusões do relatório devem estimular os esforços para retardar o aumento das temperaturas globais. “A hora de agir é agora. As mudanças climáticas já alteraram os ecossistemas de formas substanciais.”

 

Ø  Crianças processam Agência de Proteção Ambiental dos EUA por conta das mudanças climáticas

 

Um grupo de 18 crianças da Califórnia, nos Estados Unidos, está processando a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país. A alegação é a de que o órgão governamental violou os seus direitos constitucionais ao não protegê-las dos efeitos das mudanças climáticas.

A autora principal da ação, determinada como Genesis B., é uma adolescente de 17 anos moradora de Long Beach, cujos pais não podem pagar por ar-condicionado, informa a rede NPR.

No processo consta que, à medida que o número de dias de calor extremo aumenta, a garota enfrenta mais problemas: “Em muitos dias, Genesis deve esperar até a noite para fazer os trabalhos escolares, quando as temperaturas esfriam o suficiente para que ela consiga se concentrar”.

Os demais demandantes têm idades entre 8 e 17 anos. Para cada um deles a ação menciona formas como as mudanças climáticas estão afetando suas vidas.

“O tempo está passando e o impacto da crise climática já está nos atingindo diretamente. Estamos fugindo de incêndios florestais, sendo deslocados por inundações, entrando em pânico em salas de aula quentes durante outra onda de calor”, disse o adolescente Noah, de 15 anos, em uma declaração fornecida pelo escritório de advocacia Our Children's Trust.

·        EPA não cumpriu seu papel

Neste caso, a queixa principal é que a EPA violou os direitos constitucionais das crianças ao permitir que o dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis aquecesse o clima.

“Há uma agência federal explicitamente encarregada de manter o ar limpo e controlar a poluição para proteger a saúde de todas as crianças e o bem-estar de uma nação – a EPA”, afirmou Julia Olson, consultora jurídica chefe da Our Children’s Trust. “A agência fez o oposto no que diz respeito à poluição climática, e é hora de ser responsabilizada pelos nossos tribunais por violar a Constituição dos EUA”.

A ação não busca especificamente compensação financeira, além dos custos do autor e honorários advocatícios. Em vez disso, pede que sejam feitas declarações sobre os direitos ambientais das crianças e a responsabilidade da EPA em protegê-las.

 

Fonte: A Tarde/Um só Planeta

 

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