quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Deputados cobram Tarcísio, que vetou psicólogos nas escolas apesar dos ataques em alta

A direção estadual do PT e deputados estaduais da Federação PT/PCdoB/PV cobraram do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), medidas para evitar o bullying e seus desfechos trágicos nas escolas. Na manhã desta segunda-feira (23), um aluno de 16 anos entrou armado na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste da capital. Matou uma colega de 17 anos e feriu outras três. Segundo relatos de estudantes, o atirador, que foi detido por policiais, sofria bullying e teria avisado há duas semanas sobre o ataque que faria.

Há pouco menos de um mês, o governador bolsonarista vetou projeto que garante psicólogos e assistentes sociais nas escolas estaduais. De autoria dos deputados Paulo Fiorilo (PT) e Mônica Seixas (Psol), a proposta aprovada na Assembleia Legislativa partiu do consenso de que esses profissionais podem atuar contra crises de ansiedade, depressão, automutilação, falta de concentração, violência e até de suicídios nas escolas – problemas cada vez mais comuns, assim como alunos disparando contra os colegas.

O governador usou o falso argumento de que já existe um programa na área. No entanto, essa política conta apenas com 368 profissionais para atender 3,5 milhões de alunos e milhares de professores em todo o estado.

•        Cuidado com a saúde mental e a prevenção de tragédias

“O cuidado com a saúde mental na comunidade escolar é fundamental para impedir que tragédias como esta continuem a ocorrer nas escolas. Já passou da hora do governo do Estado garantir políticas efetivas para ampliar, de fato, a rede de psicólogos e assistentes sociais nas unidades escolares, entre outras medidas de acolhimento, mediação de conflitos e capacitação da comunidade escolar”, dizem os parlamentares em trecho da nota.

E lembram que recursos existem. “Falta ao governador Tarcísio de Freitas sensibilidade para priorizar a educação em toda sua complexidade. De nada adianta novas tecnologias se não garantirmos a saúde mental dos estudantes, professores e comunidade”.

O ataque à escola de Sapopemba é o segundo somente na capital paulista neste ano. No final de março, um aluno de 13 anos matou a facadas uma professora na Vila Sônia, na zona oeste. No último dia 10, um adolescente de 14 anos matou a facadas um estudante da mesma idade na Escola Profissional Dom Bosco, em Poços de Caldas, sul mineiro. E feriu dois alunos, de 13 e 17 anos. O autor do ataque afirmou que foi transferido da escola em 2021 após ser vítima de bullying e que queria se vingar.

Ao todo, o Brasil contabiliza 36 ataques a escolas desde o primeiro caso, em 2001, em Macaúbas, na Bahia. No entanto, esses casos dispararam a partir de fevereiro de 2022, com a reabertura das escolas após um fechamento de quase dois anos em algumas regiões. Desde então foram 21 ataques com 11 mortes. Isso representa 58,3% de toda a história dessa violência no país. Em 2022 foram 10 ataques. Em 2023 já aconteceram 11, segundo relatório de pesquisadores da Unicamp e da Unesp.

•        Escalada dos ataques a escolas desde o fim da pandemia

Giovanna Bezerra, da escola de Sapopemba, é a 35ª vítima, uma conta que exclui cinco agressores que se suicidaram. Ao todo, 12 meninos, 17 meninas, quatro professoras, uma coordenadora e uma inspetora. No total, esses 36 casos tiveram 38 autores, aponta o levantamento. Destes, sete tinham 13 anos no momento do ataque, a idade mais comum. Há ainda dois casos de agressores com 12 anos e um de 10.

A maioria dos 38 agressores é de alunos das escolas. Foram 22 estudantes, o que torna ainda mais complexa uma solução policial para esse tipo de violência, segundo os pesquisadores. Além disso, 17 são ex-alunos e sete deles haviam abandonado a escola.

A maioria das escolas atacadas é públicas, sendo 17 estaduais, 13 municipais e 7 particulares – uma estatística que acompanha a proporção dessas escolas conforme as redes. Mas a maioria delas não está em áreas vulneráveis. Entre todos os casos, em 17 foram usadas armas de fogo e em 15, facas. Das vítimas fatais, 35 foram atingidas por armas de fogo e duas por facas. Dos agressores, sete tinham armas em casa, seis compraram de terceiros e em três casos a origem era desconhecida.

>>>>> Confira íntegra da nota ao governador

•        NOTA DO PT ESTADUAL E DA BANCADA DE DEPUTADOS ESTADUAIS SOBRE A TRAGÉDIA NA ESCOLA ESTADUAL SAPOPEMBA

O Partido dos Trabalhadores no estado de São Paulo e a Bancada das deputadas e deputados estaduais da Federação PT/PCdoB/PV na Assembleia Legislativa de São Paulo manifestam profundo pesar e solidariedade aos familiares das estudantes vítimas de violência por arma de fogo, ocorrida na E. E. Sapopemba, localizada na zona leste da capital.

A ação violenta desta manhã partiu de outro aluno da escola, levando a óbito a jovem Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, e ferindo outros três alunos, sem risco de morte. Segundo os relatos apurados até o momento o atirador seria vítima frequente de bullying e agressões de outros estudantes.

O fato é que recentemente o governador vetou projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa que beneficiaria toda a comunidade escolar, em especial nossas crianças e adolescentes, garantindo psicólogos e assistentes sociais nas escolas da rede pública.

O cuidado com a saúde mental na comunidade escolar é fundamental para impedir que tragédias como esta continuem a ocorrer nas escolas. Já passou da hora do governo do Estado garantir políticas efetivas para ampliar, de fato, a rede de psicólogos e assistentes sociais nas unidades escolares, entre outras medidas de acolhimento, mediação de conflitos e capacitação da comunidade escolar.

Recursos existem, falta ao governador Tarcísio de Freitas sensibilidade para priorizar a educação em toda sua complexidade. De nada adianta novas tecnologias se não garantirmos a saúde mental dos estudantes, professores e comunidade.

Kiko Celeguim

Presidente do PT no estado de São Paulo

Paulo Fiorilo

Líder da Bancada de Deputadas e Deputados Estaduais da Federação PT/PCdoB/PV na Assembleia Legislativa de São Paulo

RELEMBRE O CASO:

>>>>> Ataque a escola em São Paulo mata uma estudante e deixa três feridos

Um ataque a uma escola na zona leste de São Paulo na manhã desta segunda-feira (23) deixou uma aluna morta e outros três feridos. Um quarto se machucou ao tentar fugir do local. Segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública, um adolescente de 16 anos, também aluno, entrou armado na Escola Estadual Sapopemba.

O atirador foi apreendido pela polícia junto com a arma. Os feridos foram levados para pronto-socorro do Hospital Geral de Sapopemba. Ainda não há detalhes sobre o estado de saúde dos sobreviventes.

Segundo o portal Metrópoles, alunos da unidade afirmaram que o atirador, que sofria bullying, teria avisado sobre o atentado há duas semanas.

•        Em março, aluno de 13 anos matou professora a facadas

O ataque é o segundo registrado na capital paulista neste ano. Em 27 de março, um adolescente de 13 anos, matou a facadas uma professora de 71 anos e feriu quatro pessoas na Escola Estadual Thomazia Montoro, na zona oeste.

No último dia 10, um adolescente de 14 anos matou a facadas um estudante da mesma idade na Escola Profissional Dom Bosco, em Poços de Caldas, sul mineiro. E feriu dois alunos, de 13 e 17 anos. O autor do ataque afirmou que foi transferido da escola em 2021 após ser vítima de bullying e que queria se vingar.

O ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública lamentou e ofereceu auxílio nas investigações.

•        ‘Rede escolar abandonada pelo governo Tarcísio’

Para a deputada estadual Professora Bebel (PT), o novo atentado mostra que as escolas de São Paulo “estão de fato abandonadas”. Em nota, a parlamentar, que é também segunda presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), lembrou que as últimas gestões esvaziaram o programa de mediação escolar. O que vem sendo seguido pelo atual governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Criado em 2009 pela secretaria da Educação a partir da Apeoesp, a iniciativa previa a solução de conflitos e a harmonização do ambiente escolar. vem sendo seguido

As escolas, no entanto, “estão com seus quadros de funcionários totalmente defasados. Não há concursos para a recomposição dos módulos de funcionários nas unidades escolares e grande parte das funções é terceirizada”, apontou. O resultado, de acordo com a deputada, é o aumento da violência.

Em março ano, o sindicato e o Instituto Locomotiva divulgaram pesquisa revelando que 48% dos estudantes da rede pública já sofreram algum tipo de violência nas dependências das unidades de ensino em que estão matriculados. Os números são ainda mais alarmantes quando professores, alunos e familiares são perguntados se souberam de casos de violência nas escolas que frequentam: 71% dos estudantes, 73% dos familiares e 41% dos docentes responderam que sim. Neste contexto, estudantes (69%), seus familiares (75%) e professores (68%) enxergam como média ou alta a violência nas escolas estaduais de São Paulo.

De acordo com o estudo, é unânime a avaliação de que o governo deveria dar mais condições de segurança. No entanto, em setembro, Tarcísio vetou o projeto de lei que garantia psicólogos e assistentes sociais nas escolas estaduais.

“Não há programas de prevenção à violência nas escolas, envolvendo as comunidades escolares. As rondas escolares são insuficientes para o patrulhamento do entorno das unidades de ensino, o que poderia ser um elemento de dissuasão. Acima de tudo, a segurança pública, que é incumbência do governador, se tornou uma fonte inesgotável de tragédias. (…) Diante de todo esse quadro, o governador ainda acaba de enviar à Alesp um projeto para reduzir as verbas destinadas à Educação, demonstrando descompromisso com a Educação pública no estado de São Paulo”, contestou Bebel.

 

       Entenda por que a PF investiga se campanha de Tarcísio forjou ‘atentado’ em Paraisópolis

 

No dia 17 de outubro de 2022, na campanha pelo governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), então candidato, cumpria uma agenda no Polo Universitário de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. O ato foi interrompido por um tiroteio e Felipe Lima, de 27 anos, foi morto.

Um ano depois, o caso ainda é investigado. Como revelou o Estadão, a Polícia Federal (PF) tenta esclarecer se foi a equipe do ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro (PL) a responsável pela narrativa segundo a qual o que ocorreu foi um atentado contra o candidato. As investigações da Polícia Civil nunca comprovaram vínculo entre a campanha de Tarcísio e o tiroteio.

O episódio ocorreu nos arredores do Polo Universitário. No dia, Tarcísio foi às redes sociais dar detalhes do ocorrido. “Fomos atacados por criminosos”, escreveu o então candidato. Uma onda de correligionários passou a tratar o caso como um atentado contra ele e manifestou apoio.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), na época candidato, publicou um vídeo mostrando os tiros que teriam sido disparados naquele dia. Além dele, outros bolsonaristas prestaram apoio ao candidato dizendo que ele foi vítima de um atentado. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) disse que o episódio foi “um atentado de traficantes fortemente armados contra o ministro Tarcísio”.

Damares Alves, ex-ministra que, na época, estava concorrendo ao Senado, questionou “a quem interessa o atentado contra Tarcísio?”.

O caso foi parar na Justiça Eleitoral, mas não por causa do tiroteio em si. A Procuradoria-Geral Eleitoral acusou a campanha de Tarcísio de desviar bens da União, porque, naquele dia, o policial federal Danilo Campetti – que foi assessor do candidato e também concorreu na campanha, mas a deputado estadual – participava da visita ao Polo Universitário. Quando começaram os disparos, ele sacou a arma e o distintivo, sendo que não estava em serviço.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) absolveu por unanimidade Tarcísio na terça-feira passada, 17. Esse julgamento foi dado como justificativa pelo governo para dizer que a investigação da Polícia Federal se debruça sobre algo que já foi apurado.

Esse novo inquérito da PF foi aberto em junho. O que motivou esse procedimento foram imagens nas quais o ex-cinegrafista da Jovem Pan Marcos Vinícius Andrade diz que foi pressionado por assessores de Tarcísio a deletar imagens, que, em tese, mostrariam que a equipe do candidato foi a autora do disparo que matou o rapaz de 27 anos. A investigação da Polícia Civil diz que tiro saiu da arma de um policial militar.

O governador de São Paulo é um dos favoritos a ocupar a liderança nacional da direita, diante da inelegibilidade de Bolsonaro Foto: Monica Andrade© Fornecido por Estadão

O despacho que determina a abertura desse novo inquérito é pouco específico. Ele diz que a corporação deve se debruçar sobre violações ao Código Eleitoral e “outras que porventura forem constatadas no curso da investigação”.

Aliados do governador avaliam essa investigação como uma tentativa de intimidar Tarcísio ou arranhar a sua imagem. Diante da inelegibilidade de Bolsonaro, o governador se apresenta como um dos nomes favoritos a assumir o seu espólio, como nova liderança da direita nacional.

 

       Bolsonaro apresenta queixa-crime no STF contra Lula por injúria e difamação

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta terça-feira (24) uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de injúria e difamação, por declarações sobre uma mansão do irmão do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

A defesa de Bolsonaro afirmou que Lula teve a intenção de atingir pessoalmente a honra do ex-presidente, “como vem fazendo desde que assumiu seu mandato”.

A fala em questão foi feita por Lula em maio, durante evento de lançamento da Lei Paulo Gustavo, em Salvador. Na ocasião, o petista fez uma ligação velada entre Bolsonaro e uma mansão milionária nos Estados Unidos que, para ele, seria de Mauro Cid.

“Agora mesmo, acabaram de descobrir uma casa, uma casa de US$ 8 milhões do ajudante de ordem do Bolsonaro. Certamente, uma casa de 8 milhões de dólares não é para o ajudante de ordem; certamente, é para o paladino da discórdia; o paladino da ignorância; o paladino do negacionismo”, disse Lula.

Na época, Bolsonaro negou à CNN que tenha uma casa nos Estados Unidos em nome de Cid, e disse que processaria Lula.

Na queixa, o ex-presidente pede que Lula seja obrigado a publicar uma retratação em seus perfis nas redes sociais. Bolsonaro também quer que o presidente seja processado por injúria e difamação.

Segundo a defesa do ex-presidente, “apesar da maliciosa cautela de Lula em não mencionar expressamente o nome do autor [Bolsonaro], muito provavelmente a fim de evitar qualquer responsabilização jurídica, seja ela cível ou criminal, é inegável que a intenção por trás da fala do ora Presidente da República era atingir pessoalmente o QUERELANTE e sua honra, como vem fazendo desde que assumiu seu mandato”.

Conforme os advogados, “não há e nem nunca houve” qualquer relação de Bolsonaro com o imóvel. A defesa ainda afirmou que a mansão foi comprada por US$ 1,7 milhão em nome de uma empresa do irmão de Mauro Cid, o empresário Daniel Cid, no sul da Califórnia.

Os advogados disseram que o patrimônio de Daniel Cid “não foi construído subitamente e muito menos de forma escusa” e está baseado em um “extenso histórico profissional” que não tem qualquer relação com Mauro Cid ou Bolsonaro.

“A fantasiosa hipótese que Lula pretendeu sugerir aos ali presentes e à sociedade brasileira em geral – haja vista se tratar de evento televisionado e imagens amplamente repercutidas e compartilhadas nas redes sociais – é absolutamente inverídica, retratando, assim, vil rumor, com o único objetivo de atingir a honra e a imagem do querelante [Bolsonaro]”.

 

Fonte: RBA/Agencia Estado/CNN Brasil

 

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