quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Você toma vitaminas, mas seu corpo não consegue absorvê-las? Veja o que pode atrapalhar o efeito dos suplementos

Tomar um suplemento de vitaminas ou minerais seguindo corretamente a recomendação médica não significa, necessariamente, que o organismo esteja aproveitando todo o nutriente ingerido. Isso porque existe uma diferença importante entre consumir um suplemento e conseguir absorvê-lo e utilizá-lo de maneira eficiente.

Segundo o diretor médico da Carnot Laboratórios, Carlos Alberto Reyes Medina, a absorção é uma etapa fundamental para que o nutriente consiga exercer sua função no organismo. “Quando falamos em suplementação, não basta apenas consumir o nutriente. Ele precisa ser absorvido pelo sistema digestivo, alcançar a corrente sanguínea e chegar às células onde será utilizado. Se esse processo não acontece de forma adequada, o benefício esperado pode ser menor”, explica.

O problema pode passar despercebido. Em alguns casos, a pessoa mantém o uso do suplemento, mas os níveis do nutriente continuam abaixo do esperado ou os sintomas relacionados à deficiência persistem.

<><> Ferro é um dos nutrientes mais afetados

Um dos exemplos mais conhecidos é o ferro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência desse mineral é a principal causa de anemia no mundo e afeta especialmente mulheres em idade fértil, gestantes e crianças. A suplementação é uma das estratégias utilizadas para corrigir a deficiência, mas diferentes fatores podem dificultar o aproveitamento do ferro pelo organismo.

Entre eles estão doenças gastrointestinais, alterações da mucosa intestinal, inflamações crônicas, uso de determinados medicamentos e hábitos alimentares. Até mesmo bebidas comuns podem interferir. Café e chá consumidos junto às refeições ou ao suplemento podem reduzir a absorção do ferro, devido à presença de compostos que dificultam seu aproveitamento pelo organismo.

Por isso, não basta apenas saber qual nutriente está em falta. É preciso entender também por que o organismo não está conseguindo repor adequadamente essa substância.

<><> A forma do suplemento também pode fazer diferença

Outro fator que pode interferir no aproveitamento dos nutrientes é a própria formulação do suplemento. A chamada biodisponibilidade corresponde à quantidade do nutriente que é efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo. Algumas tecnologias empregadas na produção dos suplementos são desenvolvidas justamente para favorecer esse processo e reduzir perdas durante a digestão.

“Hoje sabemos que existem diferentes formas de apresentação dos suplementos, e algumas tecnologias foram desenvolvidas justamente para favorecer a absorção e reduzir perdas durante o processo digestivo. A escolha da melhor estratégia deve sempre ser feita pelo médico, considerando as necessidades individuais de cada paciente”, afirma Carlos Medina. Isso significa que dois suplementos que fornecem determinado nutriente podem não necessariamente apresentar o mesmo comportamento no organismo.

<><> Cansaço e queda de cabelo podem ser sinais de que algo não está funcionando

A resposta à suplementação também precisa ser acompanhada. Exames laboratoriais ajudam a verificar se os níveis do nutriente estão evoluindo conforme o esperado e podem indicar quando é necessário rever a estratégia. Segundo o médico, alguns sintomas merecem atenção, principalmente quando persistem mesmo após o início do tratamento.

“Quando o paciente continua apresentando sintomas como cansaço persistente, fraqueza, dificuldade de concentração ou queda de cabelo, mesmo após iniciar o tratamento, é importante investigar se o problema está relacionado à absorção, à adesão ao tratamento ou até mesmo a outra condição clínica”, destaca. A falta de resposta, portanto, não significa necessariamente que o suplemento “não funciona”. Pode haver outro fator impedindo que o nutriente seja adequadamente aproveitado.

<><> Mais suplemento não significa mais benefício

Outro cuidado importante é evitar a automedicação. A suplementação deve ser feita com orientação profissional, principalmente porque o excesso de determinados nutrientes também pode provocar efeitos adversos. A necessidade de suplementar, a dose, a duração do tratamento e a forma mais adequada de reposição dependem das características e das necessidades de cada paciente.

Por isso, corrigir uma deficiência nutricional vai muito além de simplesmente comprar um suplemento e incorporá-lo à rotina. É preciso identificar a deficiência, investigar possíveis causas, escolher a estratégia adequada e acompanhar a resposta do organismo. No fim, a eficácia da suplementação não depende apenas do que entra pela boca, mas também da capacidade do organismo de absorver, transportar e utilizar corretamente esse nutriente.

 

Fonte: Correio

 

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