terça-feira, 11 de agosto de 2026

América Latina: rejeição a Milei entre jovens argentinos atinge 76,9%

O debate sobre a propriedade estrangeira de terras na Argentina, impulsionado pela impopular Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada de Javier Milei, confirmou a crescente rejeição, entre os setores mais jovens, do governo do presidente libertário, um distanciamento que pode estar influenciando o resultado das eleições em um país onde 53% dos eleitores têm menos de 39 anos.

Um estudo recente das consultorias Alaska e Trespuntozero apontou uma aprovação de 32,2% e uma desaprovação crescente, atingindo 64,8%. Outro estudo da Atlas Intel indica que a imagem do libertarianismo continua a declinar, com um índice de desaprovação de 62,4%, e mostra que a maior deterioração se concentra entre os jovens.

A faixa etária de 16 a 24 anos demonstra apenas 23,1% de apoio ao governo de Milei, em comparação com 76,9% de desaprovação. Na faixa etária de 25 a 34 anos, a aprovação cai para 26,9%, enquanto a desaprovação se mantém em 71,9%.

Analistas lembraram que o setor jovem foi um importante apoio para Javier Milei desde sua ascensão à política, mas agora esse mesmo setor, muito presente nas manifestações e mobilizações que rejeitam o reajuste, a reforma trabalhista e a propriedade estrangeira de terras, também revela a queda na imagem política do presidente argentino.

“O principal trunfo de Milei sempre foi sua conexão com a opinião pública, mas isso está mudando. Onde ele está começando a perder terreno é entre os jovens”, comentou Shila Vilker, diretora da consultoria Trespuntozero.

Um relatório da Opina Argentina coloca a taxa de aprovação geral de Milei em 36%. A consultoria observa que, em seu estudo, o apoio dos jovens permanece ligeiramente acima da média geral, em 45%, mas destaca que esse número contrasta fortemente com os níveis superiores a 70% registrados nos meses anteriores.

Os analistas concordam que o descontentamento não se deve apenas a circunstâncias específicas, mas sim ao efeito cumulativo da situação econômica e à percepção de que as dificuldades diárias estão se agravando no âmbito familiar.

Nesse contexto, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, liderará o lançamento da ala jovem do Movimento Direito ao Futuro no dia 22 de agosto, na sede da Sociedade Alemã de Ginástica de Villa Ballester, em San Martín. O evento estava originalmente previsto para o início de junho, mas foi adiado devido à grande despedida pública de Indio Solari, outro evento que uniu argentinos, incluindo muitos jovens, em torno de figuras de identidade e unidade nacional.

O encontro buscará oferecer um canal de debate para os jovens em meio ao atual cenário político argentino, o que poderá transformar esse segmento em um terreno estratégico fundamental para a próxima disputa eleitoral em 2027.

¨      Ataques a bomba marcam primeiro dia do governo de extrema direita da Colômbia

Dois ataques a bomba em diferentes partes da Colômbia, no sábado (8), marcaram o primeiro dia de mandato do presidente Abelardo de la Espriella, deixando pelo menos um policial morto e pessoas feridas.

Um posto de pedágio foi destruído por grupos armados no município de Santander de Quilichao e, no departamento de Cesar, no norte do país, um policial foi morto após um ataque com drone.

Na ação em Quilichao, o grupo usou explosivos para destruir uma cabine de pedágio que estava em construção na rodovia Pan-Americana. O exército colombiano diz que os atos foram comandados por Iván Mordisco, dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mordisco lidera dissidentes que romperam com o histórico acordo de paz de 2016 entre as Farc e o governo da Colômbia.

A cerca de mil quilômetros de distância, no departamento de Cesar, no norte do país, um policial foi morto em outro atentado a bomba na madrugada de sábado, quando um drone carregado de explosivos atingiu uma delegacia. O ataque foi atribuído, por autoridades locais, a “guerrilheiros e narcotraficantes”.

Em outro atentado, no dia 1º, seis dias antes da posse de Espriella, ao menos 11 pessoas ficaram feridas após a explosão de um caminhão carregado de explosivos ao lado de uma unidade da polícia em Cúcuta, cidade colombiana próxima à fronteira com a Venezuela.

<><> “Narcoterrorismo”

Líder da extrema direita conhecido por seu discurso incisivo, Espriella prometeu combater o “narcoterrorismo sem trégua” e encerrar as negociações de paz com grupos armados.

A mudança de poder inaugura uma nova abordagem em relação ao tema da violência. Petro, um ex-militante do grupo guerrilheiro Movimento 19 de Abril (M-19), tornou-se o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, prometendo uma política de “Paz Total” no país, apostando em acordos com atores sociais com longa história de associação com os casos de violência. De la Espriella, por outro lado, propõe um enfrentamento mais direto. O novo mandatário se apega ao apoio do governo Donald Trump no combate ao narcotráfico e à exploração ilegal de minerais.

De la Espriella condenou o atentado em redes sociais, afirmando que “atacar a infraestrutura do país é atacar o progresso”. “Aos responsáveis, envio uma mensagem clara: não haverá refúgio, nem clemência, nem impunidade”, ameaçou.

<><> Petro prevê que governo De La Espriella não chega ao fim

Gustavo Petro, reiterou seus questionamentos em relação aos resultados das eleições presidenciais de 2026 ao insistir na existência de fraude eleitoral no processo que deu como vencedor seu sucessor, Abelardo de la Espriella, sobre o candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda. De la Espriella tomará posse na sexta-feira (7).

A dois dias da posse de De la Espriella, o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, afirmou em Soacha que o governo entrante não concluiria o mandato e atribuiu o resultado eleitoral a uma fraude que, segundo acrescentou, seria de conhecimento das autoridades dos Estados Unidos.

“Quanto tempo durarão os efeitos dessa fraude? Já se fala nos escritórios de Marco Rubio em Abelardo, o breve. Já intuem que ele sequer duraria os quatro anos de governo, mas que a população colombiana o faria renunciar”, disse o mandatário.

Petro falou em entrevista coletiva a meios de comunicação nacionais e internacionais para detalhar as denúncias apresentadas anteriormente em seus canais oficiais sobre a existência de uma fraude eleitoral algorítmica e sistemática nas recentes eleições, a qual teria alterado os resultados de aproximadamente sete milhões de votos para impor Abelardo de la Espriella como presidente.

“Estamos diante de uma fraude, de um problema institucional profundamente grave, que é a posse de um presidente ilegítimo. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e nos tornamos uma colônia (…) isso coloca a Colômbia em sua pior crise de soberania nacional desde que a conquistamos com o exército de Bolívar”, declarou.

Anteriormente, por meio de sua conta no X (ex-Twitter), Petro afirmou que a fraude foi executada do exterior mediante a manipulação do sistema informático. “As eleições foram roubadas por israelenses endinheirados dirigidos por um genocida, e isso foi feito do exterior modificando a votação”, sustentou.

“Podemos voltar a ser colônias apenas se assim quisermos, mas não! Convoco o povo da Colômbia, como há dois séculos e meio, a lutar pela liberdade e pela independência nacional. Não somos povos de servos ou escravos; somos povos milenares e guerreiros pela liberdade e pela vida, sempre, sempre, sempre.”

Nas redes sociais, Petro denunciou a alteração de votos em mais de 1.600 locais de votação, detalhando a retirada prévia de fiscais do Pacto Histórico e a formação de mesas eleitorais com jurados parcializados em Antioquia, Bogotá e Norte de Santander.

“Exigem que eu me comporte bem, mas como um democrata pode aceitar uma fraude eleitoral? Nem nos Estados Unidos nem em qualquer outra parte do mundo”, defendeu Petro em declarações à imprensa, afirmando que seu “compromisso” é “com o povo” e “com o país”.

Petro afirmou que a logística e o financiamento dessa fraude contaram com a participação de recursos e interesses estrangeiros. Sustentou que o Conselho Nacional Eleitoral carece das ferramentas técnicas para identificar essas anomalias no software. Concluiu que a alteração da vontade popular configura a perda da soberania nacional e mergulha o país em uma grave crise constitucional. Assegurou que todos os dados coletados pela rede cívica digital serão encaminhados às instâncias judiciais correspondentes.

“A Colômbia elegeu Iván Cepeda como seu presidente pelos votos reais depositados nas urnas; o software israelense que rompeu a soberania nacional da Colômbia os substituiu, em uma grande porcentagem que pode chegar a 1.800.000 votos manipulados algoritmicamente, por meio de um software previamente estabelecido entre empresas privadas que dominam a apuração eleitoral no país”, acrescentou.

O chefe de Estado afirmou que a principal irregularidade reside na eliminação dos mecanismos de segurança (códigos hash) dos formulários E-14 enviados ao sistema. Explicou que os documentos em PDF acabaram convertidos em arquivos editáveis após o encerramento da votação, violando tratados internacionais e leis nacionais.

“Com dinheiro do narcotráfico de cocaína para os Estados Unidos e com recursos da inteligência privada israelense, substituíram o voto real da cidadania colombiana por um programa de software israelense que sempre fazia Abelardo de la Espriella vencer como presidente da Colômbia”, sustentou o mandatário no X (ex-Twitter).

Da mesma forma, argumentou que as ferramentas computacionais contratadas para a consolidação da votação teriam retirado um volume significativo de votos do candidato de seu grupo político.

“Os 120 mil documentos eleitorais não possuem o mecanismo de segurança hash para impedir que sejam modificados. O registrador mentiu à população ao dizer que havia um mecanismo de segurança: trata-se apenas de um código para identificar cada formulário, e não de um mecanismo que impeça sua modificação”, enfatizou.

Petro afirmou que a Registradoria enganou a população ao apresentar códigos alfanuméricos como medidas de proteção, quando, na realidade, serviam apenas para identificar os formulários.

Denunciou o descumprimento, por parte desse órgão, da sentença emitida pelo Conselho de Estado em 2018, que determinava que o software eleitoral deveria ser propriedade do Estado e não poderia ser manipulado por agentes externos ou privados.

O mandatário detalhou a formação de uma comissão de fiscalização composta por 70 mil cidadãos e de uma frente digital com mil especialistas em informática. Essa equipe analisou 1.350 locais de votação e aplicou métodos estatísticos, como o teste de sequências (runs test), para avaliar o comportamento dos votos.

Assegurou que as análises mostraram um padrão matemático predeterminado, em vez de um comportamento aleatório característico do voto humano. A investigação detectou municípios onde o eleitorado registrado superava o total da população residente e mesas eleitorais atípicas com alteração direta de votos.

<><> Petro convoca resistência na Colômbia

Petro se despediu com denúncias de fraude eleitoral e com uma palavra de ordem: defender as mudanças e reformas sociais que realizou em seus quatro anos de governo.

“As conquistas do povo serão defendidas nas ruas, convocando pacificamente as pessoas para que as defendam”, repete Petro como um mantra.

Petro entregará a Presidência ao ultradireitista De la Espriella, que se encontra nos antípodas do progressismo que deu voz aos setores marginalizados: afrodescendentes, indígenas, camponeses afetados pelo conflito armado e suas vítimas.

A transição de governo tem sido turbulenta, sem uma passagem entre os funcionários que estão saindo e os que estão chegando, enquanto o ultradireitista e sua nova equipe insistem em fazer supostas denúncias de corrupção contra o governo do Pacto Histórico, sem apresentar qualquer prova.

“Que nos acusem de corrupção sem nenhuma prova é algo digno para o meu governo, pois isso demonstra que fizemos as coisas corretamente. Agora, se for encontrado algum fato irregular, que as autoridades o punam, assim como fizemos no governo com corruptos que hoje estão na prisão, denunciados por nós”, reiterou o presidente que deixa o cargo.

Querido pela metade do país que votou em seu candidato de esquerda, Iván Cepeda, Petro não passou despercebido em seus quatro anos de governo. Enfrentou os grandes poderes econômicos e políticos tradicionais na concepção de um novo país, não poupou denúncias e convocou aqueles que quiseram sabotar sua proposta.

A disputa de Petro também se transferiu para os meios de comunicação corporativos, empenhados em divulgar supostos fatos e escândalos que, segundo ele, “buscam desqualificar uma obra de governo que mudou a vida de milhões de colombianos pobres”.

Além das críticas que, nos meios de comunicação opositores ao governo, foram ferozes nos últimos dias, Petro deixou números nunca antes alcançados no presente século: retirou 4 milhões e 500 mil colombianos da pobreza, reduziu em três pontos o índice Gini (desigualdade), a inflação caiu sete pontos desde 2022, aumentou o salário mínimo em 37% e deixou o desemprego em 8%, a menor taxa das últimas duas décadas.

Os dados macroeconômicos do governo Petro são positivos, incluindo um aumento significativo do investimento estrangeiro e os ganhos materiais e monetários gerados pelo setor turístico, que ajudaram a consolidar a transição energética, pois o progressismo apostou em uma economia que não dependesse dos combustíveis fósseis.

“Conseguimos deixar um bônus previdenciário para mais de três milhões de idosos e idosas que não tinham aposentadoria para colocar um prato de sopa na mesa ou dormir em um colchão”, destacou Petro.

Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda em mais de 200 anos de vida republicana, não vai embora de mãos vazias; deixa um legado de reformas sociais contra todas as adversidades, enfrentando uma oposição de direita ferrenha que apostou em seu fracasso e que, nas palavras do presidente que deixa o cargo, não conseguiu alcançá-lo.

Seu legado permanece, mas Gustavo Petro continuará na batalha política; isso faz parte de seu DNA, combinado com a força e a certeza de que perdeu por 1%, estímulo que o impulsiona, a partir deste sábado (8), na defesa do projeto progressista para recuperar o poder em 2030. Amanhã veremos.

¨      Venezuela: chavismo e oposição concluem primeira rodada de diálogos que sugere novas eleições

De forma reservada, sem a presença de jornalistas, foi realizada a primeira reunião presencial entre grupos de parlamentares chavistas e ex-deputados de oposição, nea quinta-feira (06/08) em Caracas (Venezuela). Em um comunicado conjunto divulgado logo após o fim da primeira sessão de trabalho, os negociadores informaram que “a metodologia e os ciclos de trabalho foram acordados, e a agenda de temas a serem abordados neste processo foi ratificada”.

O texto informa que as sessões serão contínuas até a quarta-feira (12/08), e só depois uma nova rodada de conversas seria marcada.

“As partes subscrevem os princípios do respeito à soberania nacional, da negociação de boa-fé e da busca de benefícios para a Venezuela, de uma solução política, pacífica, democrática e constitucional, do reconhecimento e respeito mútuos entre as partes, da igualdade política e do tratamento igualitário na mesa de negociações, do cumprimento verificável dos compromissos e da proteção dos direitos humanos e dos direitos políticos de todas as forças políticas”, diz o comunicado.

“Ficou acordado informar prontamente todo o país sobre o progresso alcançado nessas negociações”, finaliza o texto.

<><> O que está em jogo?

No último sábado (01/08), os dois lados haviam dado o pontapé inicial aos diálogos, por meio de uma chamada telefônica, em que foram indicados os nomes dos representantes de cada setor. 

A delegação chavista está liderada pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (ANV), Jorge Rodríguez, além dos deputados Ana María San Juan, Jorge Arreaza, América Pérez, Génesis Garvett e Pedro Infante. Por parte da oposição, a ex-presidente da ANV em 2015, Dinorah Figuera, e ex-parlamentares dessa mesma legislatura: Marco Aurelio Quiñones, Ramón López, Jorge Millán, Juan Miguel Matheus e Sergio Vergara.

Nas imagens divulgadas do primeiro encontro nesta quarta, os dois grupos aparecem alinhados e separados pela bandeira nacional.

Em declarações à imprensa local durante sua chegada à Venezuela, procedente de Madri (Espanha), a chefe da delegação opositora detalhou as pautas que serão levadas à mesa pela oposição. A principal delas é a realização de eleições sob condições estritas, como a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a garantia de participação de organismos de acompanhamento e observação, a construção de um cronograma que envolva processos eleitorais nos diferentes níveis de governo, e a restituição de direitos políticos de cidadãos que tenham sido inabilitados pelo Poder Eleitoral. 

A ex-parlamentar ainda agradeceu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pelo apoio que tem prestado ao grupo. “Agradecemos a Marco Rubio por todo o apoio que tem dado para garantir que a Venezuela, num futuro próximo, se torne um país democrático e livre, um país onde possamos coexistir e trabalhar juntos, apesar das nossas diferenças. Nesse sentido, celebramos o fato de os nossos filhos, que regressam do exílio, poderem reunir-se com a sua pátria e contribuir para o futuro da Venezuela. É por isso que ergo as bandeiras da fé, da esperança e da justiça ao embarcarmos neste reencontro com a nossa pátria”, afirmou Figuera.

Já o governo reivindica o reconhecimento do governo em exercício, liderado por Delcy Rodríguez, a suspensão de todas as sanções econômicas que pesam sobre o país antes mesmo da realização de eleições, e a devolução de fundos e ativos venezuelanos que foram bloqueados ou sequestrados no exterior.

O deputado Jorge Arreaza, ex-ministro das Relações Exteriores da Venezuela e integrante da delegação chavista, usou as redes sociais e, de forma tímida, saudou o início das conversas. 

“Hoje iniciamos esta nova fase do Diálogo Nacional. Alcançar acordos entre os venezuelanos, fomentando o diálogo em vez de abordar divergências que impactam a vida do nosso povo. É uma prioridade neste novo momento político”, escreveu o político.

Governo e oposição falam em um período de pelo menos seis meses para a conclusão das negociações, podendo se estender, caso haja algum impasse. Temas como a reabilitação de cidadãos para concorrer às eleições podem atrapalhar a conclusão dos trabalhos.

O governo tem afirmado que pessoas que tenham cometido crimes contra o Estado não são passíveis de anistia ou perdão. Esse é o caso da ex-deputada Maria Corina Machado, que não participa da mesa de diálogos e rompeu publicamente com o grupo de ex-parlamentares liderados por Dinorah Figuera.

 

Fonte: Opera Mundi/AFP/Diálogos do Sul Global

 

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